Saltar para: Post [1], Comentários [2], Pesquisa e Arquivos [3]




Paraministro

por José Meireles Graça, em 01.06.20

A primeira vez que ouvi falar num paraministro foi numa notícia em que Catarina se aliviava de umas banalidades a armar ao sentido de Estado mas não liguei – coisas lá do aquário da politiquice lisboeta e das trincas e mincas da Geringonça.

Que um ministro, ou o Primeiro, ou o Presidente, tenham uns amigos ignotos com os quais trocam umas impressões está no arranjo ordinário das coisas. E que esses interlocutores tenham um café em Freamunde ou sejam empresários do ramo dos petróleos não deve surpreender ninguém. A comunicação social tem até fórmulas consagradas para estes encontros fortuitos, se os topar ou receber encomenda para os noticiar: no primeiro caso trata-se de auscultar a sociedade civil e no segundo inteirar-se dos problemas do sector.

Mas, afinal, o tal paraministro não é mais um gambozino que a Tina da Companhia de Teatro das Visões (In)úteis inventou para o Bloco fingir importância: existe mesmo, fala, e tem opiniões.

Um tipo que navega na massa escura do crude sabe da logística do produto, dos offshores por onde se movimenta o arame, que costas é preciso afagar, quais os números de telefone que convém ter, onde estão os bons restaurantes, e que tudo isso deve estar rodeado de grande discrição. Deve também perceber alguma coisa de relações internacionais e de economia, no que umas e outra podem afectar o ramo, pelo que convém não ter formação naquelas áreas, para não ter o trabalho suplementar de se despir de preconceitos académicos.

O tal Costa Silva parece preencher o quadro. Infelizmente, logo na primeira entrevista, expele uma quantidade prodigiosa de tolices.

Vejamos primeiro o problema, depois a solução, e, finalmente, o que diz o preclaro.

Uma doença nova, comprovadamente benigna, provocou uma sobre-reacção mundial, baseada no medo induzido pela ignorância dos seus verdadeiros contornos, por alguns serviços de saúde terem sido submergidos, pelo facto de afectar sobretudo pessoas de idade, por ser muito contagiosa, por assintomáticos também poderem contagiar, e por parecer ter sido contida por medidas radicais do governo ditatorial de uma superpotência opaca, que as democracias tentaram emular.

As burocracias mundiais ou regionais (OMS ou EU, p. ex.) abraçaram com gosto o reforço da sua importância; os governos cederam às opiniões públicas em pânico, pilotado por uma comunicação social geralmente acéfala que se especializou na facilidade do drama sem perspectiva nem trabalho de contextualização; e as economias afundaram, mesmo para aqueles que adoptaram abordagens menos penalizadoras, por causa das interdependências internacionais.

No nosso caso, o consagrado Ronaldo das Finanças fala numa quebra de 7%, portanto deverá ser entre 10-15%.

Este o problema. Agravado no caso português pelo abismo entre a propaganda dos apoios e a realidade: ninguém sabe ao certo, nem é possível saber porque a informação não é de confiança, que parte do apoio ao layoff é que já foi paga; e até mesmo o reembolso do IRS (resultante em si de uma pilhagem) o próprio ministro reconhece, sem vestígios de vergonha porque não a tem, que está a ser atrasado.

A solução vem de um prodigioso bolo europeu de 750 mil milhões de Euros, dos quais nos tocariam à volta de 26 mil milhões (15 dados e o resto emprestado) se, no complicado processo decisório da EU, o número não levasse um corte de cabelo, como possivelmente levará.

Quem tiver curiosidade pode ler as minúcias da coisa, p.ex. neste texto de um especialista nestas tranquibérnias, no caso o Prof. Doutor Paulo Trigo Pereira (trato-o assim, com os títulos todos, porque o homem é comicamente cioso destes penachos).

Muito dinheiro, em suma: de volta os pacotes Delors, o comboio europeu, o agora-é-que-vai-ser. Não estivesse a expressão tingida da abominação cavaquista, e corríamos o risco de ver ressuscitado o famoso pelotão da frente que aquele grande estadista consagrou, conjuntamente com outros memoráveis disparates.

Não vai ser. Desde logo porque a UE fala de prioridade aos investimentos nas áreas da transformação ecológica e digital, além de outras piedades, que traduzidas para Portugal querem dizer torrar montes de dinheiro em investimentos não reprodutivos e fantasias promovidas por visionários e vigaristas sortidos, que vêm ocupar o lugar deixado vago pelos engenheiros do progresso - na encarnação anterior estavam mais virados para a formação profissional. Depois porque todo o pacote se destina a ser reembolsado com impostos europeus, a começar a cobrar de 2028 em diante, e que se virão juntar aos que já existem. E finalmente porque em lado nenhum, em momento nenhum, se fala de reforma do Estado, o que quer dizer que a economia, logo que recupere com ajuda algum fôlego, continuará a carregar o fardo da classe média. Aquela que, se não fosse o Estado onde se acolhe, segundo o intelectual Pacheco, não existiria; e aquela que é mal paga porque a economia não é eficiente, dada a fatalidade de os empresários não serem dinamarqueses.

Deixemos isto. Que diz ao certo o mago do Plano de Recuperação Económica, que o elaborou em dois dias? A julgar pela entrevista, é um documento de grande arrebatamento, que não deixará decerto, quando vir a luz do dia, de provocar nuns cólicas, noutros gargalhadas, e nos socialistas aplausos.

“… no caso da TAP, o Estado também deve intervir – com o objetivo claro de evitar que ‘empresas rentáveis se afundem e entrem em estado de coma”. E a intervenção terá de contemplar a “preservação dos postos de trabalho” ou a “qualificação dos trabalhadores”.

Ahem, a TAP é uma empresa rentável?! E vai recuperar sem adequar os seus quadros à procura que tiver, e tendo ainda o enternecedor cuidado de dar formação às meninas do balcão das reclamações?

“A médio e longo prazo, o plano é composto por ‘dois eixos estratégicos’ que, realça o gestor, estão ‘limitados aos recursos financeiros’ disponíveis. Num primeiro momento, a aposta é na modernização das estruturas físicas do país, como seja ‘qualificar a rede viária’ ou intervir nas estruturas portuárias, ou de ‘energia’”, fundamentais para alavancar as exportações do país”.

Nós, de eixos, aprendemos alguma coisa durante a crise da Covid, por causa de tanto gráfico com que fomos mimoseados. E isto nos dá a lucidez para adiantar timidamente que mais autoestradas, mais dinheiro em Sines, e mais corrupios no alto dos montes, não nos parece assim muito bem. Da última vez, a receita, em vez de incentivar o desenvolvimento, provocou o risco de calotes e uma demorada penitência.

“Ao mesmo tempo, é preciso ‘acelerar a transição digital’ na administração pública e, em especial, no tecido empresarial das pequenas e médias empresas – um dos pontos do segundo eixo, mais virado para as infraestruturas digitais. E antecipa o ‘enorme impacto na economia’ que o aumento das competências digitais possa vir a ter”.

Isso da transição digital sabemos o que é. Em vez de termos um bilhete de identidade barato temos um cartão de cidadão caro; e em vez de nos zangarmos com funcionários mal-encarados enfurecemo-nos com o computador e os sites do Governo. Quanto ao tecido empresarial das PMEs, Costa, deixa lá isso: as empresas aceitam tudo o que lhes quiseres dar, em troca de fingirem que têm um grande respeito por gurus da gestão de aviário; menos conselhos e apoios para fazerem o que não lhes sirva para nada.

“Costa Silva fala, ainda, em ‘estender a fibra ótica a todo o território nacional’, depois do recurso às tecnologias, durante a pandemia, ter espelhado as desigualdades sociais entre os alunos”.

Parece razoável. Tanto que é legítimo duvidar que se faça. Acontece muito, quanto se está sobrecarregado a fazer uma quantidade de inutilidades, escassear o tempo para o que é preciso.

“À RTP, o gestor garantiu que o Serviço Nacional de Saúde, depois de ter respondido à pressão da Covid-19, vai ver o ‘investimento reforçado’, numa clara aposta em ‘equipamentos e recursos humanos’, concluiu Costa Silva”.

É o que se chama fechar com chave de ouro. Mas não são necessárias pressas: já tanto utente esticou o pernil por causa de consultas, tratamentos e operações adiadas que durante algum tempo a pressão deve diminuir.

Em suma: Dizem deste homem que irá substituir Siza Vieira, que irá substituir Centeno, que irá substituir o Governador do BdP.

Tudo leva a crer que quem o convidou não irá ser substituído. Daqui a uns anos, acontecerá ao glorioso PM que descobre estas pérolas o mesmo que ao malogrado Sócrates: nunca ninguém votou nele.


11 comentários

Perfil Facebook

De Antonio Maria Lamas a 01.06.2020 às 07:40

Excelente artigo.
Quando um Costa com 70 "adjuntos" não consegue produzir um conjunto de banalidades que um outro Costa produziu, diz muito da "qualidade" desta gente.
Em vez de um Baptista da Silva temos um Costa e Silva.
Sem imagem de perfil

De Anónimo a 01.06.2020 às 09:55

Filme:

"9 1/2, Cenas da vida de um PM" , argumento Mexia & Pinho

Realizador:AC Fellini

Actor principal: ACS, António dos Cuidados Suplementares


Actores secundários: 69 govs

Produções Ficticias: MRS



A.Vieira


Sem imagem de perfil

De Anonimus a 01.06.2020 às 09:56

Há uns 25 anos atrás o Ministério da Economia (ou algo parecido na altura, na figura de Mira Amaral) encomendou, e presumo que pagou, um estudo a um reconhecido guru, Michael Porter.
Devia ser um documento orientador da política económica do país.
Portanto esta coisa dos governantes irem pedir aconselhamento a externos não é coisa de hoje.
Dois pontos sobre o documento, que tive o prazer de ler no âmbito de um trabalho para uma disciplina na Licenciatura:

1) a maior parte era um conjunto de recomendações e constatações que qualquer indivíduo com actividade cerebral conseguiria elaborar

2) pouco ou nada daquilo foi efectivamente realizado.
Sem imagem de perfil

De Anónimo a 01.06.2020 às 17:03

Lembro-me bem do choque jornalista e político quando o Porter disse que deveríamos investir aquilo em que já éramos bons e estávamos presentes. Parte das vantagens comparativas.
Invés, muitas pessoas querem transformar a economia num exercício intelectual.


lucklucky
Sem imagem de perfil

De Anónimo a 01.06.2020 às 21:14

De 1972, visão exterior:
Uma das particularidades portuguesas: o gosto da pequena polícia, a que mantém relações sentimentais como povo. A sua arte de bisbilhotar, de procurar por trás, de inventar razões e causas, a um tempo teima de funcionário e regressão à inteligência infantil. Ou bem que os portugueses não fazem nada, ou bem que vão até ao último pormenor e, chegados aí, largam tudo como de costume...
Cada cinquenta anos, o país sonha ser a primeira sociedade liberal avançada do mundo. Cada cinquenta anos, o libertário volta à superfície. Procura-se então um banqueiro ou um professor de economia capaz de casar meio século de bordel com O Espírito das Leis...
Sem endereços e todos com o mesmo nome, obedecendo a dois ou três pequenos princípios, entre os quais o de inventarem títulos...
Dominique de Roux (1977, Paris)
“O quinto império”
BM
Perfil Facebook

De Ricardo Abreu a 01.06.2020 às 11:05

Pedro Nuno Santos e João Galamba não contam para nada.
Perfil Facebook

De Rão Arques a 01.06.2020 às 11:45

Sempre pensei que Costa e Marcelo não prestam, nem para cavar a terra com as unhas dos pés.
Passam a vida a servir-se de muletas, tantas vezes tanto ou mais coxas, para lhe cobrir desmandos e incompetencia.
Sem imagem de perfil

De Anónimo a 01.06.2020 às 12:50

Curiosas as afirmações, na entrevista da RT1, pois completamente opostas ao usual discurso de ACS.
Sendo personagem hábil dir-se-ia que se trata apenas de passe de mágico: as esquerdas, impotentes, a olhar para "la mano sinistra" enquanto que com destreza sugere, ao dono da obra, o que ele nunca irá proclamar ... muito menos realizar. Truques.
Entretanto a comunicação social, e as ditas direitas, ficam entretidas e convenientemente enganadas mais uns tempitos.
Jogos de sombras. Sobreviver a todo o custo.
Sem imagem de perfil

De Elvimonte a 01.06.2020 às 17:05

O que é a realidade? Será que a realidade que nos é mostrada não corresponde apenas à realidade com palas vista pelos burros e pelos cavalos?

O tal Costa Silva, então à frente da Partex, foi o único que teve a ousadia de, em 2008, ano dos jogos olímpicos de Pequim, vir a terreiro explicar que os preços recordistas do petróleo então atingidos eram consequência da procura chinesa, perante a necessidade de encerrarem cerca de 40 centrais termoelécriticas alimentadas a carvão em redor de Pequim, com vista ao incremento da qualidade do ar.

Por essa altura, jornalistas, comentadores e analistas por todo o mundo, nomeadamente da Goldman Sachs, pregavam aos quatro ventos que o preço do petróleo atingiria o céu, com o que apenas demonstravam à saciedade como as tais palas nos podem ser impostas à medida daquilo que se pretende ocultar e manipular.

Escadarias para o céu? Só conheço uma, a Stairway to Heaven https://www.youtube.com/watch?v=QkF3oxziUI4

Não ficaria admirado que o tal Costa Silva tivesse sido, por detrás das cortinas, um dos impusionadores do documentário Planet of the Humans, produzido por esse agora proscrito e perigoso Michael Moore‎, que já não encaixa numa certa narrativa da realidade servida com palas.

Também não ficaria admirado que já se tivesse apercebido, há muito, da correlação existente entre a diabolização mediática da hidroxicloroquina e a cotação das ações da Gilead. Afinal, tudo farinha do mesmo saco, de que apenas se consegue fazer pão caso se use palas.
Sem imagem de perfil

De Vento a 01.06.2020 às 18:19

Bem, creio que necessitamos começar pelo início. O facto de Costa e Silva pretender "mais estado na economia" não é uma ideia inovadora. O que importa saber é qual a ideia de economia que o estado português quer projectar.

Vejamos: a indústria pesada alemã era sector que vinha a perder competitividade. Mas o único argumento possível para a ter mantido como se manteve até à devastação do agente infiltrado covid era e foi alargar a UE, enxugar a capacidade produtiva de uns quantos países, subsidiando, injectar milhões de milhões na banca da UE para vender dinheiro com custo barato no momento e caríssimo no médio prazo, precisamente para que esse dinheiro tivesse volta quer para as bancas alemãs e francesas quer para as indústrias que estes possuíam, não sendo os únicos.
Paralelamente, já se sentia que algum plano estava a ser desenhado com a denominada economia verde, que estava aí para agradar às gretas bem gretadas e até mesmo com gritarias, esperando por uma oportunidade dita "conjuntural" para preparar e ganhar mercados e reconverter a indústria.

Pois bem, aqui chegados, eu que sou um ser divino e bastante acima de professores doutores e cientistas, digo:
O Covidezinho devastou em poucos meses - como ajuda ao famoso dieselgate - a indústria pesada alemã, com perca de empregos e outras consequências sociais, e reforçou a ideia que os gajos bem preparados em matéria de futuro são os norte-americanos e os chineses que há já algum tempo apoiam as suas indústrias de IA (Inteligência Artificial) gigabaterias e, em suma, a revolução digital.
Vai daí, o clerical-farisaico Schauble da economia da troika transforma-se no discípulo da bondade para a economia da UE, sabendo-se que mais de metade dos projectos abertos em Bruxelas são de origem alemã. Assim, ou posto isto e posto assim, sabemos que a bufunfa que agora se negoceia não é nada má para os propósitos alemães que só não falam de mutualização por que a palavra é tabu, mas o que se faz é mesmo mutualizar.
Paralelamente, parte da massa alemã que vai entrar na sua economia é precisamente no mesmo modelo de intervenção que os chinocas fazem com as empresas que lhes convém.
Dito isto, a Alemanha reconvertará o modelo falido de sua indústria pesada nas áreas em que pretende competir com os norte-americanos e os chineses.
Digam-me agora se o Trump é ou não é um verdadeiro macho com cabeça?

Concluindo, o nosso SNS precisa de desmaterialização. É necessário tirá-lo dos edifícios levando os médicos e enfermeiros e outros assistentes à casa dos doentes, em particular dos idosos, deixando plantão na retaguarda para os que não entopem o sistema (baixas médicas, consultas de rotina e/ou emergenciais...) bem como deixar os hospitais não como modelos alternativos às consultas que não se podem fazer nos centros de saúde, por atrasos, mas como áreas verdadeiramente operacionais para operarem o que devem operar.

Outra maneira de coadjuvar este novo e inovador modelo que proponho como ser divino, será usar as Juntas de Freguesia como rastreio dos casos em que os profissionais de saúde actuarão. Este modelo permitiria salvaguardar empregos administrativos que se tornariam excedentários e que na referida desmaterialização passariam a operar nas Juntas de Freguesia.
Estou também convencido que os espaços que se libertariam com esta desmaterialização proporcionariam certamente mais modelos de habitação para carentes e como travão à economia especulativa que o próprio estado também promove na área do imobiliário.
Paralelamente, a nossa indústria do mar deveria ser promovida não só como actividade de pesca mas também como indústria de frio e preservação e também uma indústria de frio de distribuição de pescado pela Europa em camiões frigoríficos. Vejam bem o que se poderia fazer em matéria de indústrias colaterais e promoção de empregos se o estado pensasse grande, como eu. Não só grande como também possível.
Os alemães, à rasquinha que estão, já metem o estado no privado, tal como os chineses o fazem em suas indústrias directamente e os americanos disfarçadamente.
Não vou por mais delongas para não me tornar exaustivo. Pensem nisto.
Perfil Facebook

De Rão Arques a 01.06.2020 às 21:52

Sem qualquer ideia preconcebida, mas porque foi dito que o senhor é angolano e homem do petróleo com atividade não apenas no seu país, ocorreu-me a curiosidade de perguntar se António Costa Silva foi colaborador de Isabel dos Santos nos interesses empresarias e financeiros internos e externos desta senhora.
Em caso afirmativo seria interessante saber se já terá terminado esse tipo de relacionamento.

Comentar post



O nosso livro



Subscrever por e-mail

A subscrição é anónima e gera, no máximo, um e-mail por dia.




Links

Blogue da Semana

  •  
  • Afinidades

  •  
  • Lá fora cá dentro

  •  
  • Mais ligações

  •  
  • Informações úteis


    Arquivo

    1. 2020
    2. J
    3. F
    4. M
    5. A
    6. M
    7. J
    8. J
    9. A
    10. S
    11. O
    12. N
    13. D
    14. 2019
    15. J
    16. F
    17. M
    18. A
    19. M
    20. J
    21. J
    22. A
    23. S
    24. O
    25. N
    26. D
    27. 2018
    28. J
    29. F
    30. M
    31. A
    32. M
    33. J
    34. J
    35. A
    36. S
    37. O
    38. N
    39. D
    40. 2017
    41. J
    42. F
    43. M
    44. A
    45. M
    46. J
    47. J
    48. A
    49. S
    50. O
    51. N
    52. D
    53. 2016
    54. J
    55. F
    56. M
    57. A
    58. M
    59. J
    60. J
    61. A
    62. S
    63. O
    64. N
    65. D
    66. 2015
    67. J
    68. F
    69. M
    70. A
    71. M
    72. J
    73. J
    74. A
    75. S
    76. O
    77. N
    78. D
    79. 2014
    80. J
    81. F
    82. M
    83. A
    84. M
    85. J
    86. J
    87. A
    88. S
    89. O
    90. N
    91. D
    92. 2013
    93. J
    94. F
    95. M
    96. A
    97. M
    98. J
    99. J
    100. A
    101. S
    102. O
    103. N
    104. D
    105. 2012
    106. J
    107. F
    108. M
    109. A
    110. M
    111. J
    112. J
    113. A
    114. S
    115. O
    116. N
    117. D
    118. 2011
    119. J
    120. F
    121. M
    122. A
    123. M
    124. J
    125. J
    126. A
    127. S
    128. O
    129. N
    130. D
    131. 2010
    132. J
    133. F
    134. M
    135. A
    136. M
    137. J
    138. J
    139. A
    140. S
    141. O
    142. N
    143. D
    144. 2009
    145. J
    146. F
    147. M
    148. A
    149. M
    150. J
    151. J
    152. A
    153. S
    154. O
    155. N
    156. D