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tintin.jpg

Hoje o Tintin faz 90 anos, que bela idade. E por ele parece que o tempo não passa. Continua lindo, enérgico, cavalheiro pois cavaleiro dos pobres e desprotegidos. E tão actual - acabei de reler (pela quantésima? vez) "A Orelha Quebrada", um espanto do tão contemporâneo que é, sendo também jovial, arte de associação que se perdeu.

pubXX.jpg

E foi aqui, no Petit Vingtième (jornal católico. Ou seja: belga) de 10 de Janeiro de 1929 que o Tintin se apresentou. Na sua viagem ao país soviético. "Anti-comunista" disseram-no, como se isso defeito e não extrema qualidade. E por isso alguns, foucauldianos tapiocas-alcazares, ainda o invectivam, apontam-lhe pústulas e rugas, inventando-lhe outras ditas malevolências. Comemoro-o, sempre: hoje relendo, com a alegria de sempre, "As Sete Bolas de Cristal" e "O Templo do Sol". Mergulhando, com felicidade, naquela espantosa actualidade.

Deixo aqui Hergé, o avatar de Tintin, a contar como apareceram:

Viva o Tintin. 

Viva Hergé.

E viva eu ...

haddock-tintin.jpg

E para quem tiver meia hora para dedicar à história aqui deixo

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17 comentários

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De Luís Lavoura a 10.01.2019 às 10:57

"Anti-comunista" disseram-no, como se isso defeito e não extrema qualidade.

Isso pode não ser um defeito, mas parece que as tendências políticas de Hergé, de forma mais abrangente, eram um bocado defeituosas. E parece que essas tendências se refletem nalguns albuns de Tintim.
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De jpt a 10.01.2019 às 11:14

Parece? Convém ler.
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De Luís Lavoura a 10.01.2019 às 11:17

Eu já li há muitos anos, e ainda devo ter praticamente todos os albuns guardados algures. Mas nessa época (quando li) não era muito sensível a questões políticas.
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De Anónimo a 10.01.2019 às 11:51

O problema deve ser esse, ter os álbuns guardados algures e não os reler com a periocidade que merecem, talvez a(s) sua(s) sensibilidade(s) acordem.

Francisco Sousa
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De jpt a 11.01.2019 às 05:10

Pois é isso mesmo
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De Anónimo a 10.01.2019 às 11:54

Sim, convém ler "Tintin no Congo". Deve ser esse o anti-comunismo de que jpt tanto se gaba.
Até há bons livros do Tintin. Os primeiros claramente não o eram.
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De Luís Lavoura a 10.01.2019 às 13:33

O Congo é aquele país que esteva sob colonização belga. Parece que uma colonização especialmente bestial e cruel. O racismo abundava por aquelas paragens.
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De jpt a 11.01.2019 às 05:38

O meu comentário "quais" é para o distraído anónimo, não para o Luís Lavoura.
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De Jorge C. Cruz a 22.01.2019 às 15:19

Temos de ter em conta a época em que foram feitas. E ter em conta que Tintim é um jovem que tem valores e é aventureiro. Não interessa se o autor teve alguma vez uma atitude que possa não nos ter agradado. Ou apontar traços de racismo quando eram situações normais da época ou discutir-se se Tintim gosta de homens ou de mulheres ou se é racista por isto ou aquilo. Aproveito para sugerir o post de Pedro Cleto. http://asleiturasdopedro.blogspot.com/2019/01/tintin-ja-tem-90-anos.html "Da ingenuidade das primeiras aventuras, influenciadas pelas posições de extrema-direita do seu mentor católico, à denúncia de todo o tipo de ditaduras e à afirmação de valores universais como a amizade e o direito à igualdade"
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De Anónimo a 10.01.2019 às 11:43

No tempo de ler o Tintim, no Seminário isso era proibido.
E as edições eram muito grandes para esconder instantaneamente na gramática de latim ou nos cadernos de exercícios de matemática.
Líamos livros de cowboys, pequeninos e a preto e branco.
Importantes para o nosso imaginário.
João de Brito
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De jpt a 11.01.2019 às 05:12

Eu lembro-me das colecções de livros de cóbois em formato de bolso, Texas Jack, colecção Apache.
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De jpt a 11.01.2019 às 05:35

É interessante como sintoma dos tempos como os intelectuais orgânicos e os artistas a eles acoplados dos movimentos políticos homossexuais se apropriaram, grosso modo desde os 80s, de algumas figuras da BD - e Tintin e Haddock em particular - para veicular os seus propósitos, as suas mundivisões. Para quem tenha paciência para a pornografia de aparência iconoclasta, mas de facto iconófila - pois não se trata de nada mais do que o culto fálico, a menirização ideológica -, um bom programa de análise será o de ver o quanto a nova configuração moralista da homofilia (o radicalismo político associado à demanda da respeitabilidade, na luta contra a "libertinagem" e na depuração dos comportamentos promíscuos que maculam a boa imagem desejada do presépio gay) veio reduzir a pornochanchada apropriadora das figuras clássicas da BD.

Dentro deste universo da BD franco-belga é também muito interessante ver como estes artistas militantes do homossexualismo, com a mediocridade que sempre a militância provoca na expressão, esquecem aquela que era a mais erotizada - nos termos da aceitabilidade pública de então, principalmente em produtos também direccionados para o infanto-juvenil -, a série Alix. De facto é interessante porque mostra bem as dimensões do terrorismo intelectual dos partidos gay: a amizade máscula, o companheirismo heterossexual, estruturante das relações sociais para além das parentelas, principalmente em sociedades tradicionais que apartam a sociabilidade dos sexos (dos géneros diz-se agora), é alvo de um constante minar, de uma espécie de ilegitimação, do postular da sua improbabilidade, da sua falsidade hipócrita. Em termos mais rudes os partidos gays, seus militantes e avençados, refutam a hipótese do ombrear, reduzindo-a ao sodomizar (ou chupar); E por isso Alix, que é quase explicitamente, mas nisso notoriamente, uma relação homossexual não é alvo da chacota perversora dos seus códigos, da pornochanchada.

Enfim, comentário longo, para chegar a este ponto. Em rigor é-me igual quais as opções, ou condições, que as pessoas tenham sobre com que outros devem ou podem partilhar a vida e/ou orgasmos. E os direitos devem ser iguais e a respeitabilidade (aceitação) também. Agora, aos 50 e tal anos, e depois de décadas de campanhas políticas? Estou farto desta paneleiragem ideológica. Sobre a qual não se pode falar pois logo se corre o risco de sermos acusados de homofóbicos. Coisa que não sou. Sou é gayfóbico. O que é bastante diferente.
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De Anónimo a 12.01.2019 às 12:57

Porque é que os gays o ofendem tanto, jpt? Porque têm uma vida sexual bem melhor que aquela que você alguma vez terá?
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De jpt a 12.01.2019 às 15:23

Anónimo: 1) se você é leitor do DO já terá percebido que se há coisa que me ofenda aqui é o anonimato; 2) se você leu o meu comentário com olhos de querer ler e não apenas de se abespinhar perceberá que o seu comentário é descabido, e como tal não irei repetir a argumentação; 3) sobre a minha vida sexual não me verá, com toda a certeza, a falar (escrever) em público, seja para a lamentar, seja para a gabar. Coisas da idade velha a que cheguei, aquilo do conservadorismo. Mas sim, creio que haverá muitos homossexuais (e nisso gays) que terão melhor e maior vida sexual do que a minha. E outros não - que isto de generalizações sobre uma característica (neste caso da sexualidade) são as mães das discriminações, para o caso de você nunca ter atentado nisso. 4) de facto estou a falar de ideologia, e das práticas que lhe estão associadas: eu coloco um postal sobre algo que muito prezo, desde a infância, e digo-o. Um comentador - que desconheço pessoalmente - deixa-me e recomenda-me uma ligação. A um "site" porno. A que propósito? Que atrevimento é este? Ah, são só cartoons, dirá o pateta. Foda-se, até a alguns conhecidos que me reenviaram via whatsapp - quando este se disseminou - aquelas coisas das gajas mamalhudas, festivas, eu resmunguei para não me mandarem merdas daquelas; Sou puritano? Não, nada. Quero ver mamas, pilas ou outra coisa? Googlo, está lá tudo. Agora, que merda é esta? É simples. Um comentador mal-criado não me manda para sites pornohetero, tem pudor. Mas para diatribes homo já manda. Porque é ideológico. E eu não tenho paciência nem para a pateta produção ideológica, nem para aparente diatribe. Nem, acima de tudo, para a desfaçatez do emissor. Nisso ofendo-lhe a delicada sensibilidade? Paciência. Que se lixe.
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De João Pedro Pimenta a 15.01.2019 às 01:57

Grande recordação, a do nonagenário Tintin. Lembro-me de o porem mais velhinho quando chegou aos sessenta e tal (como se os "sessenta" ainda fossem velhice). O subvalorizado "No País dos Sovietes continua a ser um dos meus preferidos (nunca me esqueço, deram-mo na minha Comunhão Solene, data apropriada a um livro de inspiração católica, mesmo que um bocadinho integrista). No topo coloco O Lótus Azul. Que pena que Hergé não tenha vivido mais uns anos, ao menos a tempo de acabar "L´Alph d´art". Assim que arranjar tempo vejo melhor essa meia-hora documental.

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