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Parabéns à Madonna, parabéns a todas as mulheres

por Patrícia Reis, em 16.08.18

O que é que aborrece na Madonna? Não me digam que são os 15 lugares de estacionamento, por favor. Se me disserem que são os 300 milhões que terá, fortuna estimada por revistas da especialidade, e que a inveja vos rói enquanto fazem o euromilhões desta semana, pois estou convosco.

Para muitas outras pessoas o que aborrece na Madonna é o facto de ser dona e senhora do seu nariz desde que surgiu na cena musical. Não aprendeu a dizer que não e a rebelar-se contra o sistema com a idade. Surgiu com "Like a Virgin", já a dizer que não aturaria muito do lixo machista que por aí singra. Fez uma carreira sem grande voz mas com imenso talento para parcerias e mega produções.

Tornou-se incontornável, assumiu-se como um porta-estandarte da causa feminista e fez um pouco mais: disse alto e bom som que gosta de sexo, de prazer, de fazer o que lhe dá na real gana e que não deve explicações a ninguém. Incómoda? Faz-me lembrar um marido a dizer à mulher que ela precisa de aprender a não ser tão acintosa. Madonna grita-nos há mais de trinta anos que o podemos ser: acintosas, barulhentas, refilonas, capazes, poderosas, livres.

 

A artista expôs a sua vidinha muito tempo antes de andarmos a brincar às vedetas e as vidas felizes nas redes sociais. Expôs o bom e o mau, o corpo e as emoções, os desgostos de amor e esta mania terrível de dizer que ser mãe é ser também feliz (embora seja a profissão mais difícil do mundo).

Devemos à Madonna - como a tantas outras, bradarão para aí e com razão - uma ideia de mulher mais livre e isso faz de nós, mulheres, parte integrante desta chegada aos 60 anos da cantora. Sim, ela que não se importa de não pintar as raízes do cabelo, que deve ter feito um ou outro ajuste à cara e que tem o corpo pelo qual muitas mulheres (e homens) suspiram, também é condenada pela passagem do tempo.

Não há nada de simpático nessa inevitabilidade biológica - tudo a cair, tudo a enrugar -, mas o que importa verdadeiramente? Talvez seja o dia de hoje, o momento. Madonna parece estar bem consigo, com os filhos pequenos que adoptou, com a cidade onde escolheu viver, esta Lisboa que será impressa obrigatoriamente no próximo disco da super mega estrela.

Ela vende mais discos do que qualquer outra mulher e tem vários recordes. Chateia muita gente o facto de ainda cá estar, já o disse publicamente em diferentes situações, mas não creio que seja a idade a vergar a vontade absoluta de engolir o mundo, percebê-lo antes de tempo e reinventar-se a si mesma para pasmar o mundo e a todos nós.


6 comentários

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De Anónimo a 17.08.2018 às 17:03

Sobre o percurso artistico e mediatico, de "Madonna" não me ocorre grande coisa - é daquelas coisas que vou reparando (vendo, ouvindo, com muito pouco de leitura..), sem grande sobressalto. Lembro-me de gostar de algumas das suas canções, e.g. "La Isla Bonita" , mas não me inspiram mais do que o trauteio efémero. Posso até compreender e aquiescer com vénia que ela foi pautando esse percurso com "affirmative actions" pelo 'feminismo', pela emancipação de sentimentos que as mulheres sentiam como reprimidos por semânticas de 'ethos' e 'pathos' 'masculinistas' e/ou 'heteropatriarcais'. Foi sendo senhora e empresária da sua vida e da sua imagem (algo que admiro igualmente em homens..), e até de recente, com a eleição de Trump, foi coerente com o que afirmava - 'se Trump fosse eleito, iria morar para fora dos EUA'.

Não chateia nada que esteja por Lisboa e arredores - não vejo grande "chatice" nem multidões de 'chateados' quando estou em PT.
Encontro mais preocupação com Bruno de Carvalho ou com os especuladores imobiliários, especialmente se critícos das ou para as maltas gerigonças.
Existe uma benevolente indiferença - pelo que me disseram, as famosas fotos do Instagram não a mostram assoberbada por fãs tontos ou transeuntes incomodados, nem se queixa de más-vontades ou hostilidades, antes aparece mais falar do que aprecia na cidade e na sua nova vida por estas bandas - aqui e ali, receitando uns 'clichés' como aquele dos 3Fs, o que só mostra que andará a ser mal-aconselhada ou mal-ilustrada... Inveja? Se calhar, mas não acho que seja tão acida como transparece no post.. A versão mortífera, tão nacional, é para com os que pela nação lusão estão e se salientam ou distinguem, especialmente fora das natas da capital...

Chateia (mas 'poucochinho', como o qualificativo do outro...), mas especialmente faz bastante pena, porém, ver as figurinhas tontas de 'pleaser' que algumas personagens com responsabilidades públicas se prestam pela "photo-op" ou pelo deslumbre perante o 'mingling' com 'famosos' que tendem a tingir com uma domesticidade - acho que se ainda fosse o tempo da locomoção equídea, quando a Ms. Ciccone estaciona-se na praça do Municipio, o alcaide iria convocar um funcionário municipal para (ou então ele mesmo prestar-se) em uma posicão "quatro-patas", funcionar como degrau anexo a porta da charrete - convencidos que assim lhes nasce auréola por osmose, que depois podem pavonear chamando-lhe "aurélola"....


Jorg

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