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País real e prioridades legais

por Pedro Correia, em 20.02.20

 

Seis distritos portugueses (Aveiro, Braga, Castelo Branco, Coimbra, Leiria e Vila Real) sem uma só equipa de cuidados palitativos continuados no Serviço Nacional de Saúde. Rede nacional necessita de 400 médicos e dois mil enfermeiros. Falta de profissionais põe em causa a qualidade e o tempo de atendimento aos doentes.

 

Doente com diabetes e hepatite C morreu a 31 de Janeiro numa cadeira de rodas do serviço de urgência do Hospital de Beja após mais de três horas de espera sem ser atendido por um médico. Chegou às 17.30 e morreu cerca das 21 horas, apesar de lhe ter sido atribuída uma pulseira amarela à chegada.

 

Doente pulmonar crónico morreu às 20 horas de 10 de Fevereiro após seis horas de espera sem atendimento no serviço de urgência do Hospital de Lamego, onde chegou com dificuldades respiratórias. À chegada, às 14 horas, recebeu uma pulseira amarela - indicando que deveria ser examinado por um médico no intervalo máximo de uma hora. Responsáveis do centro hospitalar alegam que naquele dia a afluência «foi excepcionalmente alta, quando comparada com os dias anteriores».

 

Assembleia da República debate hoje, pela segunda vez em menos de dois anos,  a legalização da eutanásia em Portugal. Com projectos de lei apresentados por cinco partidos: Bloco de Esquerda, Iniciativa Liberal, PAN, PS e "Verdes".


70 comentários

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De Anónimo a 20.02.2020 às 10:50

---- País Real >> Mortes reais, nos Hospitais (Horas de espera)



---Parlamento Virtual>>> Assassinatos Reais nos Hospitais (Eutanásia)


A.Vieira

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De Cristina Filipe Nogueira a 20.02.2020 às 11:11

A notícia de que o SNS não possui nenhuma unidade de cuidados paliativos no distrito de Braga é uma rotunda mentira.
Não conheço a realidade dos outros distritos, mas a de Braga, infelizmente, conheço-a bem.
De qualquer forma, misturar cuidados paliativos com o direito à eutanásia é, na minha humilde opinião, um disparate.
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De Pedro Correia a 20.02.2020 às 12:12

Relatório mais recente do Observatório Português dos Cuidados Paliativos, citado pela RTP.
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De Luís Lavoura a 20.02.2020 às 12:14

misturar cuidados paliativos com o direito à eutanásia é um disparate

Exatamente.

Os doentes terminais em sofrimento têm direito a cuidados paliativos e têm o direito a que os ajudem a morrer. Um direito não elide o outro. São dois direitos, e os doentes devem tê-los a ambos.
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De Pedro Correia a 20.02.2020 às 12:25

Não é disparate nenhum. O SNS tem recursos limitados, que não chegam sequer para salvar vidas nos próprios serviços de urgência - algo absolutamente prioritário. As mortes recentes nos hospitais de Lamego e Beja demonstram isso.

Acresce que a rede hospitalar pública está absolutamente carenciada de cuidados paliativos. Como ontem afirmava na RTP o professor Miguel Oliveira da Silva, catedrático de Ética Médica na Universidade de Medicina de Lisboa, «hoje não há acesso a cuidados paliativos no SNS em 75% a 80% dos casos» e «só os ricos têm acesso a eles na saúde privada».

As duas questões - cuidados paliativos e eutanásia - estão forçosamente interligadas. Porque na ausência de cuidados paliativos resta aos doentes sem recursos financeiros uma via desesperada, sem alternativa: o suicídio assistido em instituições hospitalares geridas pelo Estado, sustentado pelos contribuintes.
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De Anónimo a 20.02.2020 às 13:58

O SNS tem recursos limitados porque primeiro salvam-se os banqueiros e o seu "negócio" e só depois se "alimenta" o SNS...

Isso não invalida que as pessoas tenham (ou devessem ter) direito tanto a cuidados paliativos como a um suicídio assistido em caso de não terem a capacidade de se suicidarem por si mesmas...

E não é só na ausência de paliativos que a pessoa pode querer a eutanásia... Pode ter a melhor rede de paliativos do universo e ela não dar resposta à indignidade que uma pessoa pode sentir por estar viva sem um mínimo de autonomia...

E sim, numa sociedade dita humanista, não faz sentido que não seja o estado a suportar o encargo... Convém é não meter bancos e banqueiros acima do tal valor sagrado da dignidade e da vida...
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De Pedro Correia a 20.02.2020 às 14:08


O que não faz sentido nenhum é morrer um português, no serviço de urgência do hospital de Beja, após três horas e meia sem atendimento numa sala de espera.
Em 2020.

O que não faz sentido nenhum é morrer um português, no serviço de urgência do hospital de Lamego, após seis horas sem atendimento numa sala de espera.
Em 2020.

No SNS, pago por todos nós.
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De Anónimo a 20.02.2020 às 14:19

Nessa parte estamos de acordo.

Como disse: convém meter o SNS acima da banca e não o inverso como se tem feito. E quem diz o SNS, diz uma série de outras coisas que se financiam apenas com as migalhas que sobram de salvar os bolsos aos senhores do guito...


Dito isto (e pressupondo que de facto se quer uma sociedade humanista): a eutanásia e a rede de cuidados paliativos não são soluções mutuamente exclusivas e devem ser um direito acessível a qualquer cidadão...

(Também não há dinheiro para a educação e não é por isso que ela não devesse ser gratuita e acessível a qualquer um, só a título de exemplo...)


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De Pedro Correia a 20.02.2020 às 14:26

Estávamos a falar de saúde e já está a desviar para a educação.
São as habituais discussões à portuguesa.
Daqui a pouco vem o futebol à baila.
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De Anónimo a 20.02.2020 às 15:02

"Estávamos a falar de saúde e já está a desviar para a educação.
São as habituais discussões à portuguesa."

Está o Pedro a desviar. A educação foi - explicitamente (e até entre parêntesis!) - apenas um exemplo paralelo para contrapor à argumentação de que não haver dinheiro seja motivo para não legislar.

Foi apenas uma forma análoga de lhe justificar porque não concordo com o argumento de que se não há dinheiro então não se legisle o direito...
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De Pedro Correia a 20.02.2020 às 15:11

Não existe nenhum direito ao suicídio plasmado em qualquer convenção internacional dos direitos humanos.
Muito menos o "direito ao suicídio" subvencionado pelo orçamento do Estado.

Os arautos da eutanásia vêm agora reclamar esse direito, inexistente. Se o suicídio fosse um "direito", estava aberta a caixa de Pandora em matéria de cláusulas de excepção a todos os direitos humanos que hoje vigoram.

Se o mais absoluto dos direitos, que é o direito à vida, admite cláusulas de excepção, por maioria de razão qualquer outro segue o mesmo trilho de acordo com a mesmíssima lógica.

E abandonamos de vez o plano dos princípios para instituirmos uma vasta galeria de direitos "à la carte" que admitem tudo e o seu contrário.
Sem traves-mestras no plano ético.
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De Anónimo a 20.02.2020 às 15:24

Antes de haver qualquer "direito" plasmado fosse onde fosse, por essa ordem de ideias, seguíamos ainda hoje na mesma, sem direito nenhum plasmado em lado nenhum...

E o direito de cada um à sua vida deve contemplar o seu direito individual a terminar com ela. Temos o direito à vida, mas não acho que devamos ter o dever a ela. O direito à vida é o direito a dispor dela, da sua, que não da dos outros. E o mesmo em relação à morte que é parte integrante da vida ainda que aparentemente contraditória...

Estamos, relativamente à eutanásia, apenas a falar de ajudar quem não o consiga concretizar por falta de autonomia... Não estamos a falar de subsidiar suicídios.
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De Pedro Correia a 20.02.2020 às 16:27

Há um direito à vida. Não há nenhum direito à morte. Muito menos sob o alto patrocínio do primeiro Estado que aboliu a pena de morte.
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De Anónimo a 20.02.2020 às 16:41

Concordo com o seu texto.

Quem quer a eutanásia deve primeiro provar, se saborear e gostar, então avance.

A,Vieira
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De Anónimo a 22.02.2020 às 14:09

O Sr. Vieira faça o exercício contrário.

Ponha-se numa cama, sem autonomia para sequer se coçar de uma comichão, dependendo de terceiros para isso, para lhe limpar a baba, para lhe limpar o rabo e mudar arrastadeiras, para lhe tirarem as dores, mas sempre lucidozinho na sua cabeça... Pelo menos lucidozinho o suficiente para perceber a situação em que está, que não consegue produzir nada e apenas serve para ser um encargo a todos os que o mantêm vivo e lhe dão de comer e por aí fora...

Se gostar, então pode não pedir para ser eutanasiado. Se não gostar, e há quem não goste, eu defenderei o seu direito a ser eutanasiado...
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De Isabel s a 20.02.2020 às 16:04

Não sei se entendi bem. Estamos a pagar a governantes e deputados para gastarem tempo a legislar sobre medidas que sabem que não há dinheiro para pagar?
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De Pedro Correia a 20.02.2020 às 16:26

Muito resumido, é isso.
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De Isabel s a 20.02.2020 às 17:30

Obrigada pela explicacao
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De Anónimo a 20.02.2020 às 17:02

Também sempre se soube não haver dinheiro para o ensino ser gratuito para todos e não deixou de se legislar no sentido de proporcionar as condições para que aconteça. (Não, não estou a derivar para outros temas antes de pegar no futebol... Espero que desta vez fique claro!)

Não confundir a gestão com o direito e a legislação.

Ou não se fazia mais nada enquanto o SNS não fosse um serviço pleno!...


Ah, espera, antes do SNS há que cuidar da banca. Quando a banca puder funcionar em pleno sem ser sustentada pelo erário público, então sim, podemos tratar do SNS. E depois então, sim, podemos discutir os direitos básicos que as pessoas devem ou não ter, desde que ainda haja dinheiro para tal... Tende dó!
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De Isabel s a 20.02.2020 às 20:00

Chamava-se a isso, em tempos idos, pôr a carroça à frente dos bois.
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De Pedro Correia a 20.02.2020 às 22:39

Se há coisa que não existe - nunca existiu - é algo que possa denominar-se "direito ao suicídio", muito menos financiado pelo orçamento do Estado.

Do Estado espero o contrário - isto é, que promova campanhas contra o suicídio. Como contribuinte, considero que o meu dinheiro aí seria bem aplicado.

Infelizmente, essas campanhas não existem no Estado a que isto chegou.
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De Pedro Correia a 23.02.2020 às 14:00

Meter no mesmo saco o "direito ao suicídio", pago pelos contribuintes, e o direito à educação universal é do mais demagógico e rasca que tenho lido seja onde for.
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De O sacerdote comediante a 21.02.2020 às 10:13

Parece que já estão praticar a eutanásia, antes de a despenalizar.
Este processo é colocar a carroça à frente dos bois. É começar pelo fim.
Concordaria com a despenalização, a partir do momento que fosse o fim último, o último passo, quando já não houvesse mais nenhuma outra medida que atenuasse o sofrimento.
Mas não é o caso.
O sns está depauperado de meios humanos e tecnológicos e mesmo assim discute-se isto.
O meu receio é que esta aprovação, neste momento e como as coisas estão, venham a exponenciar o número de eutanásias.
Se o sns fosse eficaz, provavelmente haveria menos.
E o que mais me perturba é que tudo isto dá a idéia de que não passa de uma forma de chocar.
Vejo a postura, por exemplo do be e fico com a impressão de que o objetivo principal é parecer rebelde, contrariar os velhos do restelo, a igreja e marcar uma posição.
Não me dá a idéia de que o objetivo seja, de facto, ajudar as pessoas.
É tipo o adolescente que pinta o cabelo de azul, mete um piercing no nariz e uma patela de jogar à malha nas orelhas, apenas para chatear os velhotes e ter um assomo de rebeldia e independência.
E para terminar fica aqui um apontamento:
Somos o país europeu mais pobre no acompanhamento psicológico a doentes do sns... ora numa questão destas e com doentes que se proponham à eutanásia, o acompanhamento psicológico é essencial, aliás, essencial é o acompanhamento psicológico durante todo o tempo anterior ao momento em que o doente pondera chegar a esse último desejo.
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De Luís Lavoura a 20.02.2020 às 14:18

que as pessoas tenham (ou devessem ter) direito tanto a cuidados paliativos como a um suicídio assistido em caso de não terem a capacidade de se suicidarem por si mesmas...

Exatamente. Plenamente de acordo.

não é só na ausência de paliativos que a pessoa pode querer a eutanásia... Pode ter a melhor rede de paliativos do universo e ela não dar resposta à indignidade que uma pessoa pode sentir por estar viva sem um mínimo de autonomia

Exatamente. Por isso, a eutanásia e os anestésicos não são alternativas um ao outro: são ambos direitos, e as pessoas podem optar por um, pelo outro, ou por ambos.
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De Pedro Correia a 20.02.2020 às 14:29

Não existe nenhum direito ao suicídio. Muito menos remunerado com verbas públicas num país onde não existem recursos para salvar vidas humanas em urgências hospitalares.
O Estado tem o dever de salvaguardar vidas, não tem nenhum dever de proporcionar mortes.
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De O sacerdote comediante a 21.02.2020 às 12:56

O direito à vida é um direito fundamental, mas o direito à morte não é.
Está-se aqui a inverter as prioridades.
O estado não investe na preservação da vida, mas vai investir na morte.
Até aceito que o faça, eventualmente um dia, mas apenas quando deixar de morrer gente por falta de cuidados médicos.
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De Luís Lavoura a 20.02.2020 às 14:15

As duas questões - cuidados paliativos e eutanásia - estão forçosamente interligadas.

Não estão nada interligadas. São questões diferentes. Devemos querer que os doentes tenham direito a cuidados paliativos e a eutanásia. E que também tenham direito a lençóis lavados na cama e a um padre para dar a extrema-unção. São tudo coisas que os doentes devem ter; nenhuma delas é alternativa à outra.

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De Pedro Correia a 20.02.2020 às 14:24

Só se for para si, que anda com delírios de "China maoísta", é que não estarão interligadas.

O SNS tem recursos escassos, tem meios humanos e financeiros escassos, as opções não são ilimitadas.

Se apenas 25% a 30% dos portugueses tem hoje acesso a cuidados paliativos continuados, isso quer dizer que não existirá alternativa viável no SNS à eutanásia e ao suicídio assistido.
Qualquer doença crónica - a diabetes e a cegueira, por exemplo, são patologias crónicas - pode servir de antecâmara directa à eutanásia.

Isto num país em que morrem pessoas nos serviços públicos de urgência dos hospitais do interior.
Pessoas que estariam vivas, neste momento, caso houvesse recursos humanos e financeiros para as ter atendido em tempo útil.

Enquanto isto acontece, o parlamento debate a eutanásia.
Incluindo os deputados do PS e do PSD, cujos programas eleitorais - apresentados apenas há quatro meses aos portugueses - eram omissos nesta matéria.
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De Vorph Valknut a 21.02.2020 às 09:03

Pedro, no papel todos temos acesso. Na prática só alguns. Os serviços primários de saúde só fazem sentido, medicamente, se forem prestados a tempo. Uma vez ultrapassado, a situação clínica pode agravar o prognóstico /recuperação. Ex: estar mais de 3 semanas à espera para uma RM à coluna para diagnóstico e posterior tratamento de uma hérnia discal (comprimido, um nervo raquidiano /periférico pode ficar com lesões irreversíveis e o doente com limitações irrecuperáveis. No Porto, no S. João, estes doentes ficam em média 3 semanas à espera do exame. No Privado/CUF, 4 dias) .
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De Ana Pereira a 20.02.2020 às 17:57

A ler esta entrevista a Theo Boer professor de Ética dos Cuidados de Saúde na Universidade Teológica Protestante em Groningen

"(...)Em 2020, num país civilizado, penso que a eutanásia não é necessária para prevenir mortes terríveis. Nas exceções em que os cuidados paliativos não são eficazes, podemos querer pôr fim à vida de maneira direta e intencional. Mas isso é uma tragédia e penso que é um erro acharmos que uma tragédia pode ser legalmente regulamentada. No momento em que regulamos uma forma de tragédia, outras tragédias exigirão uma nova liberalização da lei. O que mais me preocupa é que a eutanásia começou a minar a nossa determinação de lidar com as nossas dificuldades. Em vez de dar esperança, enviamos o sinal de que, para alguns doentes, é melhor deixar de existir."
https://ionline.sapo.pt/artigo/686781/theo-boer-nao-existe-nenhum-sitio-onde-a-eutanasia-nao-se-tenha-expandido-?seccao=Portugal_i

Neste país de pantomineiros não se dá esperança, apoio, ou humanidade, antes pelo contrário, desumaniza-se tudo e todos de forma a servir interesses instalados, sobretudo os desta mediocridade com designação de "políticos"!
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De Luís Lavoura a 20.02.2020 às 19:34

pôr fim à vida de maneira direta e intencional [...] é uma tragédia

Concebo que isso seja uma tragédia em muitos casos. Há muitos suicídios e certamente alguns, talvez até muitos, são tragédias.

Agora, dizer que o suicídio de uma pessoa que se encontra doente de uma doença mortal e que se encontra em profundo sofrimento é uma tragédia, isso, discordo totalmente. Essa morte não é uma tragédia, é uma libertação, para essa pessoa e para as outras que têm que assistir ao sofrimento dela.
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De Vorph Valknut a 21.02.2020 às 09:06

Cristina, não conhecendo a situação em Braga, pergunto. Existe uma Unidade de Cuidados Paliativos, ainda bem. Pergunto: Qual o tempo de espera para o acesso a essas unidades? Quantos pacientes estão em listas de espera?
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De Pedro Correia a 23.02.2020 às 14:02

São perguntas fundamentais.
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De Vorph Valknut a 21.02.2020 às 09:10

"De qualquer forma, misturar cuidados paliativos com o direito à eutanásia é, na minha humilde opinião, um disparate."

Não, não é. Pois um dos critérios para a eutanásia é o Sofrimento e a vontade reiterada de se ser eutanasiado. Ora se houver, como há, carência de Unidades de Cuidados Paliativos e carência em Médicos Especializados na Dor é legítima essa associação de ideias.
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De Anónimo a 20.02.2020 às 11:13

Que batuta regerá esta orquestra ? Aqui ao lado , a pandilha "Cum Fraude & Coletas" aplica igual pressão nas Cortes para a aprovação do assassínio legalizado.
A Ibéria transformada em "case study"...
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De o cunhado do acutilante a 20.02.2020 às 11:15

Ora aí está! solução encontrada!
Referendos, discussões intermináveis sem fim à vista; para quê?
Quanto mais pessoas envolvidas em discussões sem nexo mais burra se torna cada uma delas.
(a jeito de corolário)
Cabecinhas pensadoras.
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De Pedro Correia a 25.02.2020 às 23:07

Tesourinhos deprimentes.
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De Luís Lavoura a 20.02.2020 às 11:46

Que raio quereria o Pedro que os deputados da Assembleia da República legislassem? Queria que fizessem uma lei a obrigar os médicos do hospital de Beja a atender o doente que faleceu? Ou uma lei forçando a urgência do hospital de Lamego a atender com maior rapidez?
Ou quereria o Pedro que os deputados, em vez de legislar, fossem forçados a imergir no país real, indo eles próprios para os hospitais de Beja e Lamego atender os pacientes? Assim mais ou menos como na China maoista...
Deixe-se de demagogias, Pedro Correia. Os deputados estão a fazer a sua obrigação, que é legislar. Assim façam os médicos também a deles.
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De Pedro Correia a 20.02.2020 às 12:11

Demagogia é meter a China maoísta nesta questão.
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De Isabel s a 20.02.2020 às 17:33

Já agora eu acrescentaria: e pagar milhões a escritórios de advogados para fazerem o trabalho que é deles.
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De Pedro Correia a 20.02.2020 às 22:35

Na China maoísta essas coisas não aconteciam.
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De Isabel s a 21.02.2020 às 03:35

Referia-me à frase “ os deputados estão a fazer a sua obrigação que è legislar “ que também é “basto” demagógica.
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De Pedro Correia a 23.02.2020 às 14:04

E de que maneira. Sobretudo aqueles deputados que se apresentaram às legislativas de Outubro do ano passado sem uma só referência à eutanásia nos respectivos programas eleitorais.
Refiro-me aos deputados do PS e do PSD.
E ninguém parece corar de vergonha, num sítio e noutro.
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De Isabel s a 23.02.2020 às 17:38

vergonha é um termo que, se calhar, já nem sequer consta de nenhum dicionário moderno. Se é que ainda há dicionários....
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De Pedro Correia a 25.02.2020 às 23:05

Se calhar...
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De Tiro ao Alvo a 20.02.2020 às 15:54

O Lavora hoje está em baixo-de-forma. O que o Pedro defende é que não se deviam retirar recursos do SNS para atender os pretendentes à eutanásia, quando ainda não existe uma rede de serviços de saúde de cuidados continuados, pública e eficiente, e quando muitos outros serviços do SNS saúde, para apoio à vida, funcionam mal. Li, outro dia, que há doentes a esperar seis meses por uma consulta – repare uma consulta – de cuidados paliativos.
Se se der ao trabalho de analisar os projectos em discussão, ou apenas o projecto do PS, não terá dificuldade em estimar os custos que o sistema vai trazer para os portugueses (pagadores de impostos), dinheiros que, ou irão buscar-se poupando noutras despesas, ou então indo ao bolso de quem tem dinheiro, ou seja, aumentando ou criando mais impostos.
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De Luís Lavoura a 20.02.2020 às 17:02

não se deviam retirar recursos do SNS para atender os pretendentes à eutanásia

Discordo. Os pretendentes à eutanásia querem resolver o seu problema de saúde. O SNS tem por função, precisamente, resolver os problemas de saúde. Logo, a eutanásia está plenamente no âmbito das funções do SNS. A eutanásia é uma função do SNS tal como as outras - como a oftalmologia, como a fisioterapia, como os cuidados paliativos...

Por outro lado, se a eutanásia acarreta custos, também poupa custos, porque o doente morre mais cedo e portanto poupa tratamentos (e os tratamentos na fase final da vida, com um doente cheio de dores, são especialmente caros). Portanto, a eutanásia trará custos ao SNS, mas também trará poupanças. Duvido que, no balanço, os custos sejam maiores que as poupanças.
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De Tiro ao Alvo a 20.02.2020 às 19:25

Eu bem digo que o Lavoura hoje não está nos seus dias. Repare no que escreveu: "Os pretendentes à eutanásia querem resolver o seu problema de saúde". Não é verdade: os pretendentes à eutanásia pretendem morrer, não pretendem viver, como é natural. Só os doentes e desesperançados, por regra abandonados pela família e pelos amigos, é que querem morrer.
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De sampy a 20.02.2020 às 21:03

Ai, Lavourinha, só tu conseguias pôr o Mengele a chorar de orgulho...

Um conselho: não fales muito alto do direito a morreres, ou descobrirás rapidamente a quantidade de gente desejosa de te ajudar a exercê-lo. Já hoje.
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De Anónimo a 20.02.2020 às 14:48

Não estou com tempo para ler os comentários ao texto e é possível que alguém tenha escrito o que penso. Julgo ser de carácter urgente a contratação de profissionais de saúde e outras melhorias que não podem esperar no SNS como os cuidados paliativos. Contudo, não me parece que a existência de cuidados paliativos faça desaparecer a questão da eutanásia. São dois assuntos que, embora relacionados com a morte e vocacionados para a tornar menos penosa, não se excluem mutuamente. Uns pretendem aliviar a dor e o sofrimento mantendo a vida; a outra permite ao sujeito que sofre terminar de vez com o tormento em que a vida se torna em estados de doença terminal e quando o fim é já irreversível. Parece-me que a dignidade humana devia beneficiar das duas hipóteses.
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De Pedro Correia a 20.02.2020 às 14:56

Tanto se fala agora em dignidade humana.

Pergunto-me que indignidade é esta que leva, com poucos dias de diferença, dois portugueses a morrer em salas de espera dos serviços de urgência de hospitais públicos.
Um esperou seis horas, outro esperou mais de três. E morreram esperando.
Repito: em hospitais públicos, do Estado, pagos por todos nós.
Ambos no interior do País. Um a norte, outro a sul.
Ambos pobres, seguramente. Caso contrário teriam sido atendidos em unidades de saúde privada.

Onde andam os militantes da dignidade humana que não se indignam contra nada disto?
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De Anónimo a 20.02.2020 às 15:41

A mim indigna-me isso e muitas outras coisas.

Mas essas mortes por falta de recursos no SNS não são culpa de quem queira ver reconhecido o direito à eutanásia nem de haver discussão nesse sentido. Se não há dinheiro no SNS, é porque foi enfiado na banca (e não só).

A minha indignação extende-se às duas coisas e a muitas mais... Mas não confundo as coisas ao ponto de dizer que não se pode descriminalizar um acto que considero humanista por falta de fundos para outras prioridades, quando para a banca não há falta de fundos...
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De Tiro ao Alvo a 20.02.2020 às 18:59

O/a senhor/a anónimo/a acha bem que se desviem recursos dos serviços de saúde públicos, agravando ainda mais os existentes em a funcionarem mal, dizendo que a culpa não pode ser assacada a quem quer um serviço público de eutanásia, que será bastante caro de manter. E eu digo que quem vota nesse sentido, passa a ser cúmplice do fatal agravamento da situação ou conivente no necessário aumento de impostos.
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De Anónimo a 22.02.2020 às 13:59

O/a senhor/a anónimo/a não disse absolutamente nada no sentido de desviar recursos dos serviços de saúde públicos (muito menos para os manter nos mesmos serviços, uma vez que a eutanásia deles faria parte).

O/a senhor/a anónimo/a referiu-se foi a que se faltam recursos no SNS, é por terem sido usados a salvar a banca em vez das pessoas... (/início de sarcasmo) Mas isso é muito humanista, pois sem a banca não haveria pessoas nem muito menos dignidade da vida humana, não é? (/fim de sarcasmo)

Não é o apoio à despenalização da eutanásia (nem muito menos a concretização das suas pretensões) que aumentam os impostos ao contribuinte. Se quer cúmplices disso, vire-se para os senhores dos vários governos, das instituições de supervisão, e da banca...


Nota final: que o seu tiro falhe o alvo, é uma coisa. Que coloque na boca dos outros o que eles não disseram, é outra coisa bem diferente!...
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De Isabel Paulos a 20.02.2020 às 15:51

A defesa de melhor serviço nacional de saúde não resolve questão de existirem casos extremos, em que a questão da eutanásia se coloca.
Se morre alguém por negligência ou mau funcionamento do serviço que se apurem responsáveis, mas não se confunda isso com o permitir (ou não) que se livre um doente terminal de um último sofrimento com causa incurável.
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De Tiro ao Alvo a 20.02.2020 às 19:09

Isabel, os cuidados paliativos visam, sobretudo, livrar os doentes, em fase terminal, de sofrimento. E saiba que em Portugal há doentes que esperam seis meses, seis meses!, por uma consulta de um serviço público de cuidados paliativos. Doentes pobres, seguramente, já que os doentes abastados encontram esses serviços nos hospitais privados e os funcionários públicos, através da ADSE, lá se vão safando sem grandes despesas.
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De Isabel Paulos a 20.02.2020 às 19:37

No primeiro comentário, referi-me apenas aos casos de demora no atendimento.

Percebo o que diz, tal como o post. O sofrimento e desespero de quem (e familiares) precisa de cuidados paliativos. O que não percebo, é porque razão a existência de tais falhas graves impedem a defesa da eutanásia em casos limite. Dirá que uma visão crua e realista leva à conclusão que a própria falta de cuidados paliativos conduz à pior das soluções. Será? Então, porque se continua a colocar a questão no caso em que eles existem?
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De sampy a 20.02.2020 às 21:08

Os casos limite são (seriam) a excepção à regra. Agora passaram a ser norma.
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De Pedro Correia a 23.02.2020 às 14:05

Isso. E vão tornar-se cada vez mais norma, à medida que o conceito elástico dos projectos agora aprovados for sendo posto em prática.
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De Anonimus a 20.02.2020 às 17:13

Então a ivg também não faz sentido, muito menos quando a taxa de mortalidade infantil aumenta.
Se esperamos por um ter um SMS perfeito...
Podemos questionar as prioridades de cada deputado ou partido, mas isso depois terá que se ver na hora de ir votar.
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De Tiro ao Alvo a 20.02.2020 às 19:35

Anonimus, também penso que a IVG não faz sentido, a não ser em grave deformação do feto. Com os recursos hoje existente, nomeadamente a chamada pílula do dia seguinte, porquê abortar? Ademais consumindo recursos públicos?
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De Anónimo a 20.02.2020 às 23:05

A morte não é um direito, mas uma consequência da vida. Já ser cuidado, acompanhado e tratado na sua dor é um direito.
Em Vila Real o SNS colapsou em várias frentes, tanto que nas especialidades ausentes ou deficitárias no CHTMAD, se espera mais de um mês em qualquer um dos 2 hospitais privados existentes.
Existe uma unidade de cuidados paliativos pertencente ao CHTMAD, em Vila Pouca de Aguiar: 15 camas; para todo o Norte existem mais três, duas no Porto (40 +11 camas) e uma em Macedo de Cavaleiros (15 camas). Em dois dos distritos mais envelhecidos do país, Vila Real e Bragança, temos 30 camas.
Aumenta a população envelhecida, aumentam as doenças crónicas e os custos associadas ao seu tratamento e/ou controlo. "Surge" a questão da eutanásia. Isto num contexto onde se acredita que tudo é controlável e só depende de cada um de nós. Até a morte, ou em especial a morte.
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De Pedro Correia a 23.02.2020 às 14:06

Fez muito bem em trazer esses dados concretos para a discussão. Todos ganhamos com isso.
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De Anónimo a 20.02.2020 às 23:06

A morte não é um direito, mas uma consequência da vida. Já ser cuidado, acompanhado e tratado na sua dor é um direito.
Em Vila Real o SNS colapsou em várias frentes, tanto que nas especialidades ausentes ou deficitárias no CHTMAD, se espera mais de um mês em qualquer um dos 2 hospitais privados existentes.
Existe uma unidade de cuidados paliativos pertencente ao CHTMAD, em Vila Pouca de Aguiar: 15 camas; para todo o Norte existem mais três, duas no Porto (40 +11 camas) e uma em Macedo de Cavaleiros (15 camas). Em dois dos distritos mais envelhecidos do país, Vila Real e Bragança, temos 30 camas.
Aumenta a população envelhecida, aumentam as doenças crónicas e os custos associadas ao seu tratamento e/ou controlo. "Surge" a questão da eutanásia. Isto num contexto onde se acredita que tudo é controlável e só depende de cada um de nós. Até a morte, ou em especial a morte.
Adelaide
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De Pedro Correia a 21.02.2020 às 08:33

Num país com o SNS em pré-colapso, incapaz de garantir assistência sanitária aos cidadãos, com listas de espera para atendimento de especialidades e cirurgias (sobretudo nos distritos do interior) em níveis totalmente inaceitáveis, sem cuidados paliativos em pelo menos 70% das unidades hospitalares, com mortes registadas em serviços de urgência por falta de atendimento em tempo oportuno, a prioridade dos senhores deputados (PS, BE, PAN, PEV e IL) é alocar recursos humanos do mesmo SNS em pré-colapso para a eutanásia.
Atrevem-se a falar em "direito à morte" enquanto se mostram incapazes de salvaguardar o direito à vida - esse sim, abrangido pelo nosso ordenamento constitucional.

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