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Oxi, Yanis

por Pedro Correia, em 06.07.15

Se os gregos soubessem que a primeira consequência política do plebiscito de ontem seria a  demissão do ministro das Finanças, teriam dito ainda com mais entusiasmo oxi nas urnas. Felizmente o senhor sai de cena com os dois braços intactos: vão dar-lhe agora muito jeito para nadar em seco.


76 comentários

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De Vento a 06.07.2015 às 11:42

Pois.

Agora o Pedro transforma aquilo que faz da a vitória do Não ainda mais grandiosa numa aparente derrota.

Na realidade os "extremistas" de esquerda são de uma nobreza sem par.

Espero ver esse pedido de demissão por parte de Schauble e outros, incluindo os representantes portugueses no Eurogrupo, que também contribuíram para tal situação que dizem anárquica.

Admira-me que ali tenha dito que o referendo, ou resultado do referendo, foi fraudulento e que não comente o facto de Samaras se ter demitido. Como é possível alguém demitir-se quando, segundo o link que anexou, dizem haver fraudes.
A guerra não acabou e se o Eurogrupo seguir por aí vai mesmo dar-se muito mal e colocar-nos em situação bem pior que a que nos tem vindo a colocar.
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De Pedro Correia a 06.07.2015 às 12:24

Alargue um pouco mais as suas leituras, Vento. O 'Times' chama-lhe (ao plebiscito) "fraudulento".
http://www.thetimes.co.uk/tto/opinion/leaders/article4488743.ece
A BBC considera a pergunta absurda, justificando-a aqui:
http://www.bbc.com/news/world-europe-33311422
Só haveria duas perguntas politicamente legítimas num referendo grego.
Esta:
"A Grécia deve permanecer na União Europeia?"
Ou esta:
"A Grécia deve permanecer na eurozona?"

Acresce que Tsipras sempre combateu a lógica referendária. Como se recorda aqui:
http://greece.greekreporter.com/2015/06/27/what-tsipras-had-stated-about-the-greek-referendum-in-2011/
Lembremos os factos: em 2011 o socialista Papandreou quis propor um referendo aos gregos (o que acabou por não acontecer).
Tsipras considerou que isso representava "um acto de desespero". Assegurou que constituiria "um desastre para a economia grega". E - extraordinário! - rematou assim: "A forma mais democrática de expressar a vontade popular é através de eleições, não de referendos."

Tsipras tinha razão em 2011. Os ditadores é que adoram governar a golpes de plebiscito. Hitler, Franco, Salazar e Pinochet foram alguns deles.
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De AntónioF a 06.07.2015 às 12:34

Caro Pedro,
não creio que as, amiúdes, consultas populares na Confederação Helvética sobre os mais variados assuntos sejam, por si, consideradas, plebiscitos.
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De Pedro Correia a 06.07.2015 às 12:38

Alexis Tsipras, 2011:
"A forma mais democrática de expressar a vontade popular é através de eleições, não de referendos."

Na Suíça, sim, há verdadeiros referendos. A lógica política desse país é referendária.

A Grécia é um caso oposto. Aliás, nunca referendou nenhum passo da integração europeia. Nem a adesão à CEE nem Maastricht. Nem a integração no sistema monetário europeu.
Este pseudo-referendo foi apenas uma fuga para a frente do engenheiro Tsipras, o mesmo que era contra os referendos em 2011.
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De AntónioF a 06.07.2015 às 14:05

Meu caro,
não sei se se pode considerar o referendo (plebiscito - aos seus olhos) de ontem um fuga para a frente ou simplesmente o único caminho para a Grécia!
Aquilo a que na última semana assistimos, foi à humilhação de um povo!
Recordo as palavras de Ciprião de Figueiredo, adoptadas como lema do brasão de armas dos Açores, em 1582 quando Portugal, tal como hoje, vivia uma situação de humilhação equivalente: «Antes morrer livres que, em paz, sujeitos». Presumo que tenha sido este o espírito que os eleitores gregos se dirigiram às urnas no «plebiscito» de ontem!
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De Pedro Correia a 06.07.2015 às 15:50

Se querem "morrer livres", os gregos acabam de dar um passo em frente. Mas é duvidoso que seja essa a vontade deles. Tanto quanto revelam todas as sondagens, cerca de 70% da população grega defende a manutenção do país na zona euro. Quem discorda disto são os comunistas, os neonazis, a direita xenófoba e a facção mais extremista do Syriza.
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De Anónimo a 06.07.2015 às 16:52

Não exagere. Quem discorda são pessoas de bem. Se para si, estar na UE é o mesmo que não ser livre, então esta UE deixou mesmo de funcionar. Enquanto andamos por cá, temos de ter dignidade e não podemos tirar tudo a um povo, povo esse que não viu dinheiro nenhum, pois todo o dinheiro foi para a banca alemã e francesa e depois obrigam o povo a pagar. Isto é tudo, menos humano.
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De Pedro Correia a 06.07.2015 às 17:45

'Bora lá organizar referendos nos outros 18 países da zona euro para o povo se pronunciar sobre o terceiro resgate à Grécia. Sim, porque a democracia tem de praticar-se em todos os países não apenas um e a "dignidade", quando nasce, é para todos.
Depois, se os povos europeus decidirem em referendo não enviar nem mais um euro para a Grécia, vergamo-nos à vontade democrática expressa nas urnas.
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De Anónimo a 06.07.2015 às 20:47

Pois é! Assim sendo também temos de ver os senhores que iam emprestando dinheiro sem nunca se perguntarem ou perguntarem se teriam hipótese de pagarem. Também teríamos de perguntar se não sabiam se tinham dinheiro para comprarem submarinos, se teriam hipótese de fazer jogos olímpicos............ Isto de culpar uns e deixar os outros intactos, não vale. Se uns erraram, os outros também e aqui, todos têm de assumir as suas culpas, todos, sem excepção e só assim seremos isentos, caso contrário não estaremos a ser correctos. Isto serve para os gregos e portugueses.
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De Pedro Correia a 06.07.2015 às 23:19

"Senhores"? Quais "senhores"? Se houver incumprimento grego em relação às instituições europeias, o dinheiro que irá ao ar é dos contribuintes europeus. Também dos portugueses - meu e seu (partindo do princípio de que você paga impostos). Só o Estado português (isto é, os contribuintes, isto é, nós) enviou mil e cem milhões de euros para a Grécia no âmbito do fundo de resgate. Fora a nossa participação proporcional em programas europeus como o Fundo de Estabilidade, uma ninharia de 160 milhões de euros...)
Enquanto nós pagamos, os gregos não pagam: continuam a ter uma economia paralela avaliada em metade do PIB oficial. Continuam a ser, de longe, os recordistas europeus em fuga aos impostos. O clero não paga impostos, os armadores milionários não pagam impostos. Os militares têm mais dinheiro na Grécia do que em qualquer país na Europa, proporcionalmente.
E no fim de tudo a Grécia tem um PIB 'per capita' superior ao português. Com riqueza que não gera: chega-lhes do céu.
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De William Wallace a 07.07.2015 às 00:25

No meio entre os que pagam impostos e os que lhes fogem existem os "ESQUECIDOS"

É preferível perder dinheiro a ajudar um País (considere-se um investimento a longo prazo) do que andar a pagar prejuízos sem retorno como os do BPN , BPP , BCP , BES GES (que não são a mesma coisa dizia o PR e a malta dele) BANIF (a propósito o BANIF ainda é do Estado ?) e demais negociatas como a TAP, a EDP ou a PT e as PPP , além claro da chulice da boyada instalada em tudo o que é lugar de nomeação ou não que agora existe a CRESAP , lol .

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De Pedro Correia a 07.07.2015 às 00:47

Você de facto não tem apego aos seus impostos (presumindo que os paga), se prefere torrá-los num novo "auxílio de emergência" a um país com um PIB 'per capita' superior ao de Portugal. Se quer canalisá-los para causas humanitárias, é bem preferível encaminhá-los para São Tomé, Cabo Verde ou a Guiné-Bissau.
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De William Wallace a 07.07.2015 às 01:06

Se quiser dou-lhe o NIF para os pagar por mim, NIF esse que já deve ser conhecido de meio mundo pois é um dos números pedidos por empresas de recrutamento e outras para as quais tenho mandado currículos.
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De Pedro Correia a 07.07.2015 às 12:35

Só posso desejar-lhe a maior sorte no regresso ao mercado de trabalho. Já estive três vezes desempregado, sei bem o que isso é.
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De Anónimo a 07.07.2015 às 02:31

Ironia ou não, Portugal é o quinto país mais corrupto. Fantástico! Os Finlandeses também disseram que não estavam mais dispostos a mandarem mais dinheiro para Portugal e nós não gostámos nada, mesmo nada. Não gostámos e fazemos o mesmo! Afinal como é? Para nós tudo bem, para os outros nada. Esses que referiu que não pagam impostos, cá, passa-se o mesmo e vão sediar as suas empresas na Holanda e outros e aí, a UE nada faz. Estranho não? Na Grécia, tal como cá, interessam-me aqueles que pagam para os que fogem, que ficaram sem trabalho, casa, comida e a vida deixou de ter sentido. Não é com austeridade que vamos lá e a prova está à vista.
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De Pedro Correia a 07.07.2015 às 12:36

Você agora fala assim mas deve ser daqueles que nem no território nacional admitia canalizar verbas para governos ineficientes e perdulários. Ou achava bem que durante mais de 30 anos os portugueses do continente estivessem a financiar os desmandos demagógicos e populistas do doutor Jardim na sua perpétua caça ao voto com dinheiro alheio?
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De Anónimo a 07.07.2015 às 14:03

O doutor Jardim não está isento de pecados, mas fez muito pelo seu arquipélago e pelo seu povo. Há 40 anos para visitar a Madeira eram precisos 15 dias, hoje num dia vê-se a Madeira e isso é de extrema importância, visto que a principal receita do arquipélago é o turismo e não são poucos os turistas que se vêem por lá. Há 40 anos, os habitantes de Porto Moniz para chegarem ao hospital no Funchal demoravam um dia e muitos morriam pelo caminho, hoje em 15 minutos estão lá. Só assim a Madeira foi classificada em quinto lugar, como a melhor, por quem a visita. Aqui houve desmandos demagógicos e lá, como cá, não fugiu à regra. Afinal a Madeira é ou não Portugal?
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De Pedro Correia a 07.07.2015 às 16:08

Tem razão. Jardim ainda deixou obra (paga com o dinheiro dos outros). Tsipras, até hoje, não fez nada.
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De AntónioF a 07.07.2015 às 11:55

caro Pedro,
toda esta discussão está eivada de derivações nem sempre verdadeiras as quais interessam, como muito bem saberá, a todos aqueles que, desculpar-me-á a comparação, preferem discutir a espuma da cerveja sem se importarem verdadeiramente com a mesma.
Deixe-mos, pois, de lado a espuma e vamo-nos concentrar na cerveja:
Verdade ou mentira que os governos europeus substituiram os créditos dos seus bancos nacionais, por créditos estatais? (Recordo os motivos pelo qual o anterior anterior referendo - plebiscito? pergunto eu - não pode ser realizado).
Ou seja, não deixa de ser verdadeira a sua frase «se houver incumprimento grego em relação às instituições europeias, o dinheiro que irá ao ar é dos contribuintes europeus», mas esquece-se de a completar: porque estes governos preferiram o prejuízo dos seus cidadão à dos seus bancos. É este conceito ideológico que verborreia todo este discurso. Recordo as palavras de ontem do vice primeiro-ministro!


Sobre o sujeito deste seu post, permita-me que acrescente as palvras de Fernando Pessoa, a propósito de uma outra discussão e da qual podermos retirar algum paralelismo:
«O ideal estético é, como se viu, uma das formas - a mais ténue e vazia delas, é a mais explicitamente representativa daquele ideal. Para que apareca um tipo de esteta é necessário um meio social análogo ao meio helénico. Ora o meio social europeu, se é certo que moderadamente, e em algumas das suas manifestações, de certo modo se aproxima, tanto quanto pode ser, ao meio social da Grécia antiga, é em todo o caso, radicalmente diferente dele. Segue que o aparecimento na Europa moderna de um tipo íntegro de esteta só pode dar-se por um desvio patológico, isto é, por uma inadaptação estrutural aos princípios constitutivos da civilização europeia, em que vivemos.»

In: GONÇALVES, Zetho Cunha - Notícia do maior escândalo erótico-social do século XX em Portugal. 1ª ed. Lisboa : Livraria Letra Livre, 2014. Págs. 63,64
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De Pedro Correia a 07.07.2015 às 12:40

Caro António, andamos nós aqui a polemizar - com maior ou menor calor - mas os factos não se tornam mais ou menos inelutáveis por causa do vigor dos argumentos. Como dizia Lenine (esta é uma frase que gosto muito de citar), "os factos são teimosos".
Eis um facto bem teimoso, desta manhã: a Grécia precisa desesperadamente de sete mil milhões de euros. Entre outros motivos, porque já saíram mais de 40 mil milhões de euros dos depósitos bancários gregos desde que o governo Tsipras tomou posse.
Com referendo ou sem referendo, eis a crua realidade:
http://ionline.pt/artigo/401029/grecia-tsipras-pede-7-mil-milhoes-de-urg-ncia?seccao=Mundo_i
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De AntónioF a 07.07.2015 às 14:33

Caro Pedro,
aquilo que me preocupa, sinceramente, deixando um pouco de lado «gregos e troianos» é aquilo que estamos a assistir diariamente: por um lado à custa das ideologias a humilhação que o povo grego está sofrer (os clichés e epitetos que sobre ele e também a nós - povo do sul - é dito); por outro o desmoronamento aos nossos olhos, ainda à custa da ideologia, o espaço europeu de integração de povos e nações - que saudades do espírito alemão da R.F.A. Por último, no que a nós, Portugal, diz respeito é a de se estar perante um momento histórico que, provavelmente nas nossas vidas, será o mais parecido com a governação filipina!
Portugal, esse país de quase mil anos, sempre teve dentro de si, desde a sua fundação, como sabe, forças antagónicas quanto ao seu futuro colectivo. Este Portugal de 2015 é o Portugal que teria sido, se porventura, no século XIV D. Beatriz tivesse vencido o seu tio. Daí a citação, para uma situação similar, de Ciprião de Figueiredo, apoiante de D. António Prior do Crato, pois é esse o meu sentir e creio que foi o sentir do povo grego no passado Domingo!
Admiro, e curvo-me, perante a coragem dos gregos no referendo (vou deixar de lado a picardia sobre referendo vs plebiscito) e do seu governo, que ousou desafiar os credores, quais Xerxes em Termópilas!
Basta ler Fernão Lopes para ver quem eram os grupos que apoiavam quem em 1383-85 e fazer o paralelismo com a actualidade! Não precisamos de escrever, como fez António de Sousa Macedo em 1645, uma nova «Lusitania Liberata», mas precisamos de certeza do mesmo espirito!
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De Pedro Correia a 07.07.2015 às 16:22

Os gregos, até pelos motivos que invoca, merecem ter um primeiro-ministro que não lhes minta.
Tsipras mentiu-lhes. Como mentiu às instituições europeias. Como mentiu a Varoufakis. Como tem mentido à ala mais esquerdista do Syriza.
A 25 de Junho, selou um acordo com os parceiros da UE no Conselho Europeu. Nessa noite, regressado à Grécia, ligou à chanceler alemã dizendo que afinal não havia acordo algum e convocaria o tal "referendo" que nunca tinha estado em cima da mesa das conversações, nem em Atenas nem em Bruxelas.
Entretanto, o nível de vida dos gregos vai derrapando num plano cada vez mais inclinado. O que parece deixar Tsipras indiferente. Rompe alianças, dá o dito por não dito, deixa cair os fiéis, navega à vista.
Um exemplo consumado de demagogo nacionalista. Que mistura um fraseado esquerdista com bravatas de cariz xenófobo contra os aliados transformados em "estrangeiros". Um símile de Marine Le Pen. Talvez por isso a líder nacionalista francesa o admire tanto.
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De AntónioF a 07.07.2015 às 17:13

Caro Pedro,
presumo que voltámos ao ponto e partida.
Diz, por ventura com razão, que o primeiro-ministro grego mentiu, mas pergunto-lhe eu: quem não mente nesta tragédia grega! Há virgens honradas nesta história?
O que me incomoda, é o facto de se diabolizar um só lado, quando o outro tem tantas ou mais responsabilidades: fala-se da Goldman Sachs e dos seus funcionários / responsáveis para a Europa - quem são eles? Saberá tão bem como eu o nome de alguns!
Fala-se da «obstrusa» ideia dos governos de tecnocratas, sonhados para estarem hoje na Grécia! Com que ligitimidade?
Fala-se da matriz ideológica que preside ao FMI? Fala-se dos perdões fiscais a multi-nacionais feitos no seu governo pelo actual presidente da comissão europeia e assiste-se candidamente a ouvi-lo a apregoar loas à austeridade grega?
Fala-se da postura e atitude do governo português?
Não se fala de tanta coisa que é incomodo falar e fala-se sim dos «clichés» que se atribuem aos gregos e a nós por arrastamento.
Para finalizar, esta nossa amável discussão está a ficar redonda: brinca-se com a dignidade do povo, seja ele grego, português, espanhol... ...

Foi um prazer discutir consigo, com estas minhas premissas, não faltarão novas oportunidades!
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De Pedro Correia a 07.07.2015 às 18:28

Tive também muito gosto em discutir consigo. E tenho a certeza de que não faltarão - nem sempre por bons motivos - novos pretextos para trocarmos impressões. Civilizadamente, como eu gosto.
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De AntónioF a 08.07.2015 às 12:40

Caro Pedro,
para finalizar a discussão, um pequeno doce:

Ver-se grego!
(com a devida vénia ao Ciberdúvidas - https://ciberduvidas.iscte-iul.pt/consultorio/perguntas/ver-se-grego/12848 )

«Porque será que se diz isto – ver-se grego?
O grego foi sempre tomado na romanidade como coisa difícil.
Na Idade Média era até frequentíssimo este dito, muito usado pelos que faziam transcrições ou traduções: "Graecum est, non legitur" – "É grego, não se entende". Inda hoje se diz – "isto para mim é grego", ou seja, "não percebo nada disto".
O ver-se grego não deve provir de se tornar grego no sentido de se ver como natural ou habitante da Grécia. No entanto, o mistério em que sempre se tem envolvido o que é grego, por menos acessível ao comum das gentes, decerto influiu no facto de a palavra grego se haver aplicado aos ciganos, cuja origem tanto mistério encobre, mas que se julgaram oriundos do antigo império grego.
Escrevi, por isso, no Glossário Crítico de Dificuldades que ver-se grego deve relacionar-se com os ciganos: "Supostos estes oriundos do antigo império grego, aos ciganos se chamou gregos. A sua vida cheia de dificuldades, perigos, aventuras, perseguições, deu lugar a que se veja grego quem sofra percalços ou se veja neles.
Por um lado, a linguagem dos ciganos, o protótipo do ininteligível, por outro lado, a confusão de ciganos com gregos da Ásia Menor e a sua vida cheia de peripécias, de dificuldades do ciganear, tudo isto misturado é o que dará a origem do ver-se grego.»
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De Pedro Correia a 08.07.2015 às 14:47


(vem mesmo a propósito)
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De Como diz? a 06.07.2015 às 13:22

amiúdes ou as miúdas?!
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De Pedro Correia a 06.07.2015 às 15:51

As miúdas da Confederação Helvética são bem aforradas.
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De Vento a 06.07.2015 às 14:24

Ó Pedro, vamos lá ver se nos entendemos. A BBC pelo facto de pensar não me retira a mim capacidade de o fazer.

Não sei se reparou mas informação dos mais variados quadrantes não me falta, e também não falta a muitos em Portugal. O que falta é a capacidade de filtragem.

Esse referendo de Papandreous eu também o tenho aqui.

Back in 2011, then PM George Papandreou raised the prospect of a popular vote to pass the country's rescue package. It was not well received in Brussels, or Berlin and his government was effectively threatened to put up or shut up by Ms Merkel and Sarkozy.

The vote was eventually called off, and Mr Papandreou's government was toast from then on in. Interestingly, the former PM was on Radio 4 this morning and said: "there is more concensus in Greeece behind Tsipras than I (ever) had."

Could history repeat itself?

Bruno Waterfield of the Times reminds us of events four years ago:

https://twitter.com/BrunoBrussels/status/614577648166150145/photo/1

Abra este link para ver o que dizem sobre Barroso.

Nota: in The Telegraph 27-06-2015 às 00H46m (am)

Não, essas perguntas não são legitimas, porque a Grécia é parte do Euro e a pipa de massa que devem também foi para alimentar a máquina industrial francesa e alemã, incluindo os biliões na área da defesa.

A saída tem custos que todos devem pagar.

O Eurogrupo tentou o golpe da queda do governo, e foi pressionando ao extremo. Eles, os gregos, que de burros não têm nada ofereceram ao senhor Schauble uma sobremesa bem fria: o referendo.
Boa táctica, excelente jogada e ponto final. O unicórnio voa sobre a Acrópole.
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De Pedro Correia a 06.07.2015 às 15:59

"Digna de unicórnio" tem sido a coligação Syriza-Anel.
Verifico que passou ao lado - evitando cuidadosamente o assunto - das piruetas de Tsipras, que defendeu agora aquilo que rejeitou sem reservas em 2011. Serve para avaliar a sua personalidade. Sua, quero dizer: dele.
Devia pasmar quando me diz que a BBC não lhe serve como fonte de referência. Mas já não pasmo.
Quanto ao "referendo", até ao momento fez apenas uma vítima. Chama-se Varoufakis. Seria o bastante, caro Vento, para o ver hoje pesaroso: afinal você festeja. Nisso ao menos estamos em sintonia.
Varoufakis disse que preferia cortar um braço, mas afinal Tsipras cortou-lhe a cabeça. Eis-nos perante um digno discípulo de Danton e Robespierre. A partir de agora, no entanto, convém que tome cuidados redobrados com o pescoço: todas as revoluções se apressam a devorar os seus filhos.
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De Vento a 06.07.2015 às 16:07

A BBC serve para tudo menos para me retirar capacidade de pensar, foi o que eu disse. E apresentei-lhe um facto não desmentido.

A partir desse facto, onde Barroso participou, procurei demonstrar-lhe que se Tsipras não jogasse o jogo que eles jogam estaria feito. Foi isto que eu demonstrei.

Compete-me avaliar, de acordo com os "players", se as jogadas são legitimas ou não. E a jogada de Tsipras foi neste contexto.

Por favor, Pedro, eu estou em contacto como uma pessoa vivida e inteligente, não me obrigue a estes pormenores. Compreendo que não se tenha apercebido disto porque deve estar ocupado a responder e é normal que a leitura na diagonal possa suscitar incompreensões. Também me acontece isso.
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De Pedro Correia a 06.07.2015 às 17:51

Nots-se que Tsipras joga xadrez. E acaba de sacrificar um cavalo: Varoufakis. Os bispos é que se mantêm intocáveis: a Igreja Ortodoxa continua sem pagar um dracma de imposto na Grécia. As torres também estão intactas: o orçamento militar grego é o maior dos países europeus da NATO.
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De Pedro Correia a 07.07.2015 às 00:48

A dama, claro, é a austeridade. Permanecerá intacta.
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De Vento a 07.07.2015 às 11:54

Eu também jogo xadrez, Pedro. Tem algum mal?

Agora tocou nas suas contradições, Pedro.

Sim, o orçamento militar é o maior. Mas a senhora Lagarde não quis aceitar que se tocasse no orçamento militar, recusando a proposta de redução de 400 milhões na despesa de forma imediata.

Por vezes interrogo-me sobre estas recusas, e lá vou abrindo um pouco os olhos. Repare bem nesta notícia:

http://www.voltairenet.org/article171847.html

Sobre a Igreja Ortodoxa, meu caro, no contexto grego ela deve permanecer isenta. Sabe porquê? Porque é ela que se constitui como o verdadeiro estado providência e previdência para milhões de gregos.
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De Pedro Correia a 07.07.2015 às 12:50

Então já somos dois, pois eu também jogo xadrez. E até já participei em torneios.
Você insiste em falar da Grécia como se fosse um país isolado. Não é. A Grécia é um dos 28 estados-membros da UE. É um dos 19 países da eurozona. Ninguém obrigou os gregos a aderir à UE: eles quiseram fazê-lo em 1981: na altura até vetaram a entrada de Portugal e da Espanha. Ninguém obrigou os gregos a aderir à moeda única: eles fizeram-no por acto voluntário em 2001.

A Grécia é uma parcela em 28. Ou em 19, noutro contexto. E não vale mais do que as restantes. Nem a opinião pública grega pesa mais do que as restantes opiniões públicas.
Sabia, por exemplo, que o ministro das Finanças alemão é neste momento a personalidade política mais popular do país? Setenta por cento dos alemães gostam dele: nunca foi tão aplaudido como agora. Por bater o pé aos gregos.

Se aplicarmos aos restantes países da UE a sua lógica de análise da Grécia, teremos uma explosão incontrolada de nacionalismos. Aquele que se pronunciar com maior vigor contra o outro, contra o "estrangeiro", é o que colhe mais aplausos, é o que ganha todos os plebiscitos.

Tsipras representa uma mistura explosiva de nacionalismo com a demagogia mais irresponsável, sob uma pintura superficial de retórica esquerdista. Uma espécie de peronismo à moda dos Balcãs que transforma os parceiros europeus em inimigos, para gáudio de todos os eurofóbicos. Não admira, por isso, que Marine Le Pen seja a admiradora número 1 do líder do Syriza.
E, no entanto, a Terra move-se. À revelia de todas as retóricas. A Grécia precisa, como de pão para a boca, de sete mil milhões de euros. E lá estão eles de novo, como os antecessores do Pasok e da Nova Democracia, a bater à porta do "inimigo":
http://ionline.pt/artigo/401029/grecia-tsipras-pede-7-mil-milhoes-de-urg-ncia?seccao=Mundo_i
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De Vento a 07.07.2015 às 14:05

Resposta ponto a ponto.

Já vi que não há mal nenhum em jogar xadrez. Quando quiser podemos fazer umas partidas online.

E se não pretender fazer on line o amigo crie aqui um post para nós e cada um com seu tabuleiro em casa, no trabalho ou em qualquer outro sítio pode ir dizendo ao outro as peças que se movimentam. Mas tome cuidado, não vá o amigo apanhar com um cheque pastor :-)

1 . Não, Pedro. Não falei na Grécia como um país isolado. E tenho afirmado que se a empurram para o isolamento lá se vai a Europa, até porque esta também tem uma situação muito delicada nos Balcãs, e a alteração geopolítica no mediterrâneo. O que tenho afirmado é que a política do Eurogrupo, que obedece a um diktat, está a provocar o caos e a coesão social que existia. Têm apontado e abominado falsamente o Syriza como a causa de tudo quanto está a ocorrer, e eu afirmo que eles são A CONSEQUÊNCIA.

2 . O início do anterior ponto responde parcialmente à questão do seu 2º. parágrafo. E acrescento: a popularidade de Schauble não é estranha num país que ainda goza de um certo bem-estar, mas bem-estar provocado por 50% do seu PIB que está alocado às exportações deste país. E estas resultam dos benefícios que o euro lhes trouxe e das políticas de enxugamento da economia e do empreendedorismo nos restantes países do alargamento que foram transformados em devedores/consumidores. E estas políticas têm um preço que deve ser pago de forma diferente daquelas que pretendem impor.

3 . Respondi a este parágrafo no primeiro. A minha lógica é a constatação do que as políticas reflectidas também no anterior parágrafo produziram. Não fui eu que criei divisões, o meu discurso é de UNIÃO através de uma DESTRUIÇÃO CRIATIVA.

4 . Tsipras está para o povo Grego na exacta proporção que Schauble está para o povo Alemão. E o Pedro não quer ver isto, e faz um discurso redondo que o impede de ver similaridades em torno disto. Esse dinheiro, os 7 Mil, aparece e é-lhes devido. Foi-lhes negado pelo BCE os 3.9 mil milhões a que eles têm direito pelos lucros gerados. E o Pedro não fala disto. A Grécia é o resultado do que os credores produziram. Há culpas de parte a parte, suportem todos as culpas. A Grécia terá sempre alguma austeridade não pode ter é o abismo que lhe ofereceram.

Por último, o Eurogrupo afirmou que se o Não vencesse a Grécia estaria fora. Por favor, mostrem-me tal coragem.

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De Pedro Correia a 07.07.2015 às 16:36

O Eurogrupo reuniu. Uma vez mais, reuniu em vão.
Porque a Grécia voltou a chegar lá com uma mão cheia de coisa nenhuma.
http://www.elmundo.es/economia/2015/07/07/559bec1246163f22728b4596.html
A manchete do 'El País' em linha diz tudo numa frase bem expressiva:
"Grécia defrauda a Europa"
http://internacional.elpais.com/internacional/2015/07/07/actualidad/1436277193_531071.html
Tem sido assim desde que o engenheiro Tsipras chegou ao poder: seis meses de retórica vazia. Com o nível de vida dos gregos a deteriorar-se a olhos vistos. A única coisa que o Governo de Atenas fez em concreto, de então para cá, foi organizar um plebiscito a que deu o pomposo nome de "referendo". Prova de fraqueza, não de força.
Vem o terceiro resgate a caminho. Cada vez mais inevitável. Com novo pacote de austeridade. Tsipras permanece em estado de negação.
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De Vento a 07.07.2015 às 22:17

Meu caro Pedro,

os seus anexos só revelam que ignora que anteriormente a essa reunião estiveram em conversação Tsipras, Merkel, Juncker e Hollande. Foi nesta reunião que tudo se cozinhou. Por conseguinte não havia nada a apresentar na reunião dos restantes ministros da finanças.

Quanto à questão do eventual resgaste, ele seria necessário com ou sem Tsipras no governo. O diktat estava simplesmente a empurrar com a barriga uma realidade que pretendia esconder debaixo do tapete para poder obter lucros, em FORMA DE RENDAS, com os juros dos empréstimos anteriores e dos que se produziam com a dívida rolante.
Todavia, também está em cima da mesa a reestruturação da dívida.

Por falta de apontamentos credíveis em seus anexos, a sua resposta não colhe provimento algum nem sob o ponto de vista substantivo, o da política, nem sob o ponto de vista técnico.

O Pedro só pretende fazer da vitória do Não uma derrota negocial na arena do Eurogrupo. Ainda agora se iniciou a nova procissão.

Registe agora para memória futura: Isso não vai ocorrer.
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De Pedro Correia a 08.07.2015 às 00:15

Registe para memória futura:
- A Grécia terá um terceiro resgate (que Tsipras sempre negou)
- A Grécia terá novas e mais duras políticas de "austeridade" (que Tsipras sempre negou).

Chamar vitória ou derrota ao plebiscito de domingo é irrelevante. Não houve campanha eleitoral - o que constituiu uma fraude democrática. Os gregos responderam a uma pergunta incompreensível e que aludia a uma realidade ultrapassada - o que viola o contrato de transparência que deve existir entre eleitos e eleitores. O processo plebiscitário foi convocado a meio de uma negociação com as instituições europeias - à revelia das mais elementares regras de cortesia entre parceiros de boa fé reunidos numa organização comum.
O plebiscito foi convocado por meras razões de ordem táctica, com vista ao robustecimento de Tsipras dentro do próprio Syriza. Nada tem a ver com política a sério. Essa joga-se noutros tabuleiros, como sabemos.
E até agora apenas provocou uma vítima: o seu adorado ex-ministro Varoufakis, entretanto decapitado.
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De Vento a 08.07.2015 às 00:39

Curiosamente, o Pedro vem fazer o discurso de Passos aqui:
http://ionline.pt/artigo/401196/grecia-passos-coelho-situacao-deteriorou-se-e-medidas-vao-exigir-mais-esforco?seccao=Mundo_i

Este discurso, o seu e o de Passos, é dos que estão empenhados em transformar uma falsidade numa verdade. Isto é, Passos não se empenhou numa boa e credível negociação com os credores. Foram os credores que, perante os resultados, alteraram as medidas quanto aos objectivos do défice, quanto à flexibilização do pagamento da dívida, isto é, fazer o rolling da mesma, pagar com dívida, trocando-a. Em troca Passos dizia que as "reformas" estavam aí para melhorar a economia e que os juros baixaram por conta destas. É MENTIRA. Nenhuma reforma foi feita e as alterações legislativas só prejudicaram os equilíbrios. Os juros caíram de acordo com o cenário internacional e por causa da situação na Crimeia.
Confirma isto aquele receituário do FMI, o último, isso, aquele que o ministro da economia dizia que não tinha tempo para ler. Eu sei, 80 páginas que desfazem o discurso deste governo é mesmo perda de tempo, principalmente quando dizem que 14% dessas ditas reformas poderão ter contribuído para uma melhoria dos juros. Isto para não serem totalmente mauzinhos neste desancar. Percebe?

Continuando. O que Tsipras vem dizer é isto:
http://ionline.pt/artigo/401190/tsipras-propostas-sao-socialmente-justas-e-economicamente-viaveis?seccao=Mundo_i

Já que está tão informado, por favor, diga-me em que notícia se baseia, que possua as tão duras medidas que refere(?)

Também não é verdade a decapitação de Varoufakis. O acordo foi estabelecido antes mas concretizado só depois das eleições. Isto era comentado antes mesmo do resultado.
O seu adorado Passos custa-lhe a engolir a vitória do Não, e o Pedro também. Porque na realidade ele não soube fazer nada de nada que não o de pretender mostrar que ia além da troika, e estatelou-se ao comprido levando o país na sua esquizofrénica aventura. Não fosse o TC e estaríamos bem pior. Depois, e por último, veio falar em investimentos. Chamando investimento às compras que outros fizeram em saldo a empresas com raíz que faz o estado perder dinheiro.
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De Pedro Correia a 08.07.2015 às 00:51

Achei desta vez a linha do seu raciocínio tão confusa que nem consigo dar-lhe réplica, Vento. Você mistura o que eu escrevi sobre a situação grega com a Crimeia e o Passos Coelho e o Tribunal Constitucional português.
Talvez influência do novo ministro grego das Finanças, que hoje andou literalmente aos papéis em Bruxelas: leu umas notas manuscritas à pressa no hotel e prometeu que depois as passaria a limpo. Deixando os interlocutores estupefactos.
Andam os gregos a ser governados por esta gente... Não admira que já tenham voado 40 mil milhões de euros dos bancos gregos desde que eles tomaram posse.
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De Vento a 08.07.2015 às 01:01

Não tem confusão nenhuma.

1 . Afirmo que sua afirmação é errónea porque se baseia na informação de Passos.

2 Confirmo com a notícia que Tsipras veiculou internacionalmente, e actualizada no ionline às 00H20m, em confirmação ao que lhe informei anteriormente também sobre a reestruturação da dívida estar em cima da mesa. E não se fala em resgate.

3 . Abordo toda a trajectória de Passos Portas para pretender dizer que eles, e parece-me que o Pedro também, estão desejosos de poder dizer que se não fossem bons rapazes teria ocorrido um cataclismo que desejam ocorra na Grécia. Mas não ocorrerá. E se a Grécia saísse do Euro também não ocorria.

O novo ministro Grego marcou presença porque, como lhe referi, quem reuniu foi Merkel, Tsipras, Hollande e Juncker.
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De Pedro Correia a 08.07.2015 às 09:35

O novo ministro grego apareceu no Eurogrupo com umas folhas de papel recém-garatujadas no quarto do hotel onde estava hospedado. E dava sinais de ter adormecido em cima do casaco que levava vestido...
Este ministro pertence ao Governo que já chamou "assassinos" aos credores. O mesmo governo que volta a estender a mão aos mesmos credores, exigindo-lhes agora sete mil milhões de euros sem contrapartidas. E sem base negocial.
É o cúmulo da irresponsabilidade. A mesma irresponsabilidade que levou Tsipras a proclamar, na noite de 25 de Janeiro: "A austeridade acabou!"
O que acabou, de vez, foi a confiança dos restantes europeus na Grécia. E a confiança dos gregos no seu sistema financeiro. Por isso - desde aquela noite - já desapareceram mais de 40 mil milhões de euros da banca grega.
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De Vento a 08.07.2015 às 01:57

Ainda em sequência à resposta que ainda não publicou, deixo aqui o relatório preliminar da auditoria à dívida grega:

https://www.facebook.com/reporterbrasilnarede/videos/727068884087784/?pnref=story
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De Pedro Correia a 08.07.2015 às 09:31

Você anda a fazer 'spam', caro Vento, ao espalhar isto por todas as caixas de comentários.
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De Vento a 08.07.2015 às 11:59

Julgo que os diferentes colegas seus também estão interessados em obter estas informações a que chama "spam" para poderem ajustar suas reflexões.

Acha que tem mal esta minha intenção?

A verdade é assim tão incómoda aos cidadãos que pretendem ser livres?

Não é um acto de cidadania contribuir para que todos tenham conhecimento do que se está a passar em torno de algo que tão profundamente nos afecta?
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De Pedro Correia a 08.07.2015 às 12:20

Não me incomoda absolutamente nada. Aliás, como bem sabe, este blogue é um exercício permanente de liberdade.
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De lucklucky a 06.07.2015 às 13:11

A situção anárquica foi criada porque o Syriza e os seus apoiantes são Marxistas.
Por aqui nos comentários temos o belo exemplo do Vento que se o deixassem destruiria a Liberdade de pessoas se associarem.

Não veio do nada, veio do Marxismo. O Tsipras não é um inconsciente ou adolescente, ou burro. É um Marxista.
E faz aquilo que os Marxistas defendem. E o que o Syriza defende.

O Syriza odeia a liberdade, odeia uma simples pessoa com liberdade para dizer não ao Estado. Para o Marxista o Estado é tudo.
Por isso odeiam a cultura da Europa Ocidental.

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De Pedro Correia a 06.07.2015 às 17:53

Marx é fruto da cultura ocidental. Tsipras, marxista? Sim. Mas é, antes de mais, um nacionalista. Daí a aliança governamental que selou com a direita identitária. Navegam ambos nas águas do nacionalismo e do populismo: é a moda da estação.
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De Ai, coitada dela a 06.07.2015 às 12:01

Não sei se Isabel Moreira irá aguentar o desgosto.
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De da Maia a 06.07.2015 às 12:11

... e mais uma vez, será que aquilo que se nota é a inflexibilidade do radical Syriza em atingir uma negociação?
Já outro ministro das finanças, Schauble, que desafiou o referendo grego, será que pode interpretar tudo isto como mais uma vitória, sendo uma derrota objectiva?
Bom, mas nesse caso não devemos gozar com as suas deficiências. Sempre negligenciou o problema dos membros inferiores da UE.
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De Gostos... a 06.07.2015 às 13:25

Falar de membros inferiores a respeito de Schauble é assim do género de quem censurou o Gaspar por o ter cumprimentado sentado na cadeira...
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De William Wallace a 06.07.2015 às 14:30

"Sempre negligenciou o problema dos membros inferiores da UE"

Gostei , soltei uma pequena gargalhada.

Quanto ao Post em si, é que o que seria de esperar do Pedro Correia (e do resto da malta) tudo serve para achincalhar um povo ou uma ideia.

E já agora deixo uma sugestão ao Pedro Correia, troque o nome de Varoufaquis pelo de Samaras e obtém o mesmo resultado o que só prova que o que escreveu é propaganda e não um conjuntos de argumentos sérios, aliás, algo cada vez mais em voga por muitos sitios.
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De Pedro Correia a 06.07.2015 às 16:01

Quem "solta gargalhadas" com graças sobre deficientes físicos autodefine-se.
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De da Maia a 06.07.2015 às 16:29

Entendi a figuração de Varoufakis na amputação de um membro superior, como contraponto à amputação que a UE está a conduzir a Europa por amputação de um membro inferior - a Grécia.
Não me estava a referir à localização geográfica, apesar de a Alemanha estar a norte e a Grécia estar a sul.
Falei em questão de superior/inferior pela sua capacidade económica negocial.

As deficiências negociais de Schauble são conhecidas, porque ele é intransigente e considera que a parte superior é que interessa, prescindindo de igual consideração com a Europa inferior.
Figurativamente isso corresponde à ideia do Utilitarismo, enquanto filosofia económica, que considera que o desenvolvimento dos membros superiores, beneficiará por arrasto os membros inferiores. Pode ser representado figurativamente por um corpo sem pernas arrastado pelos braços.

A interpretação de que com isso me referia à condição física de Schauble faz tanto sentido, quanto pensar que Varoufakis iria mesmo cortar os seus braços, conforme também se poderia ler neste post.
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De William Wallace a 06.07.2015 às 17:48

Da Maia é só propaganda, estão em completo estado de negação !

Vamos esperar pacientemente pela próxima jogada e ver onde esta loucura nos leva.

"Quem com ferros mata com ferros morre"
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De da Maia a 06.07.2015 às 19:36

Propaganda?
Leva... a uma banda alemã:
https://www.youtube.com/watch?v=660ZCEhvbnw

Another hope feeds another dream
another truth installed by the machine.
A secret wish the marrying of lies
today comes true what common sense denies.


Isto só para relativizarmos o problema, que tem milénios.
E se os actores não sabem bem ao que vão, nem o que fazem, haverá quem saiba.

Não esquecer ainda que o lema de Seguro, quando vê agora a AR-TV é:
"Quem com Ferro me ata, com Ferro morre (de tédio)".
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De William Wallace a 07.07.2015 às 00:32

Sim concordo, o FERRO é mesmo um tédio, o homem não consegue articular uma ideia SÓLIDA em menos de 1 minuto e depois faz aquele ar de enjoado quando o esquecido dos impostos lhe troca as voltas em 3 tempos.

P.S. - Aquela ideia dos debates quinzenais do Sócrates até nem foi má, nem para ele nem para o esquecido dos impostos.
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De Anónimo a 06.07.2015 às 13:19

Quando se negam a discutir com um homem, o apelidam de criança, só porque quer outras medidas para o seu povo, resta-nos observar que esta UE não presta. Está cheia de vícios e de regras, aplicadas a uns até à morte e outros passam imunes a tudo.
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De Pedro Correia a 06.07.2015 às 16:04

"Esta UE não presta". Talvez você preferisse viver na órbita turca. Ou sob a pata do czar Putin. Ou - sabe-se lá - à sombra da bandeira benfeitora do "estado islâmico".
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De Anónimo a 08.07.2015 às 14:37

Não, não presta, se prestasse tentava resolver a situação dum povo que espera e desespera por um dia melhor e esse dia nunca vem. Eu não, mas parece que a UE não vê nem quer ver, a localização da Grécia e o que a saída da mesma, poderá trazer a este "bem estar" na UE.
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De Pedro Correia a 08.07.2015 às 14:46

... Ou na Síria. Ou na Arábia Saudita. Ou na Venezuela, onde sobra petróleo e falta o pão.
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De Anónimo a 08.07.2015 às 17:08

Não estamos a discutir o mundo, mas sim a UE. Os senhores que a comandam não o sabem fazer, como o fariam nesses países? Deixem sair a Grécia e depois falaremos e veremos quem tem razão.
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De Pedro Correia a 08.07.2015 às 17:16

Se "esta UE não presta" aguardo que me indique qual é a parcela do globo que lhe merece elogio e admiração.
Se "esta UE não presta", muito me espanto por saber que sete em cada dez gregos querem não só permanecer nela mas na própria eurozona.
Eles lá sabem o que lhes interessa. Com certeza você não saberá mais ou melhor que eles.
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De Anónimo a 08.07.2015 às 19:31

A CEE tal como a idealizaram, era óptima, mas de CEE, passou-se a UE e a pouco e pouco degradou-se o ideal. A UE foi pensada para se apoiarem os países mais desfavorecidos, pois todos sabiam, desde o seu início que todos são diferentes entre si, mas isso, é passado porque hoje olham-se os números e não as pessoas. Não posso conceber que setenta anos passados, o homem nada tenha aprendido e esteja pronto para mais desgraça. Os mentores da CEE, depois de tantas guerras quiseram mostrar ao mundo que unidos seríamos um exemplo. Enganaram-se, essa Europa ou muda de personagens ou as personagens mudam ou preparemos-nos que a seguir à Grécia somos os fregueses seguintes e isto é mau, muito mau.
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De Pedro Correia a 08.07.2015 às 21:54

Profecias da desgraça não precisamos por cá, obrigado. Bem bastaram nos últimos anos aqueles que profetizaram um "segundo resgate" (que nunca ocorreu), um "programa cautelar" (que não foi necessário) e uma "espiral recessiva" (que jamais aconteceu). Houve até quem profetizasse que Portugal viria a sair da eurozona!
Não vale a pena anunciar mais catástrofes. São boas para animar debates televisivos e vender uns quantos exemplares de jornal. Nada mais.
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De Dêem-lhe os parabéns a 06.07.2015 às 13:21

Se o sim tem ganho, o fakas demitia-se - toda a gente pôde ouvi-lo e vê-lo (através da TV) tal declarar.

Como o não ganhou, ele bolsou que seria possível alcançar um acordo com os credores em 24 horas.

Em menos do que isso, demitiu-se. E invocando um pretexto esdrúxulo: já não era ele que ia às negociações com as instituições anteriormente conhecidas como troika (era sim Euclides Tsakalotos) e por isso a sua presença ou ausência não vinha manifestamente ao caso...
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De Pedro Correia a 06.07.2015 às 16:06

"In 24 hours we could have an agreement"
https://twitter.com/yanisvaroufakis

Todos pelo menos estamos de acordo 24 horas depois: ele demitiu-se. O homem nunca se engana e raramente tem dúvidas.
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De Anónimo a 06.07.2015 às 13:51

Lá a bem do povo demitem-se. Aqui, de irrevogáveis passam a revogáveis. Lá, tudo fazem pelo povo grego. Aqui, tudo fazem em prol da banca e dos grandes grupos económicos.
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De Pedro Correia a 06.07.2015 às 16:07

Concordo consigo. Varoufakis fez o melhor que pôde pelo povo grego: deu à sola.
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De AntónioF a 06.07.2015 às 17:04

Caro Pedro,
presumo que nestes dois seus últimos comentários se tenha enganado nas personagens, pois não creio que este ministro, vá-se lá saber porque razão causou tantos anticorpos bexigosos nos seus compartes europeu - não estou muito longe se afirmar que se deve a inveja intelectual, seja o que definiu.
Quem nunca se engana e raramente têm dúvidas é a brilhante personagem dos «19-1=18», já sobre o «dar à sola» para um emprego melhor... saberá a quem o dizer!
Se pretender fazer fazer alguma analogia com o pedido de demissão deste ministro, presumo que o melhor que se pode encaixar será a uma figura da Grécia Antiga: Leónidas depois da sua batalha de Temópilas (qual plebiscito ao olhos do Pedro).
Permita-me que recupere, um texto de Hannah Arendt, sempre actual, que em tempos que em tempos enviei ao seu companheiro de bolg Luis Naves ( http://delitodeopiniao.blogs.sapo.pt/depois-da-crise-6886772 ):

«Ainda que as verdades politicamente mais importantes sejam verdades de facto, o conflito entre a verdade e a política foi descoberto e articulado pela primeira vez relativamente à verdade racional. O contrário de uma afirmação racionalmente verdadeira é, ou o erro e a ignorância, nas ciências, ou a ilusão e a opinião, em filosofia. A falsidade deliberada, a vulgar mentira, desempenha apenas o seu papel no domínio dos enunciados de facto, e parece significativo, ou melhor, bizarro que o longo debate que incide sobre o antagonismo da verdade e da política, de Platão a Hobbes, aparentemente ninguém tenha acreditado que a mentira organizada, tal como hoje a conhecemos, pudesse ser uma arma apropriada contra verdade.»

In ARENDT, Hannah - Verdade e política. Lisboa : Relógio d'Água, 1995. p. 16
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De Pedro Correia a 06.07.2015 às 17:55

Meu caro, aprecio a forma sofisticada com que tentou chamar-me mentiroso. Com o prestigiado aval de Hannah Arendt, uma das pensadoras a quem sempre prestei tributo.
É uma honra rara. Que não posso deixar passar sem uma palavra de reconhecimento.
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De Já Faltou Mais a 06.07.2015 às 17:42

Não me admira nada que Guterres e Angelina Jolie tenham de deslocar-se em missão humanitária, com urgência, a esse país do terceiro-mundo mais desfavorecido e assolado por toda a espécie de inclemências chamado Grécia .
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De Pedro Correia a 06.07.2015 às 23:21

Um país em "crise humanitária", como ouço dizer nos nossos telediários. Um país com 20 mil dólares de PIB 'per capita' oficial (fora a economia paralela). Ou seja, com mais riqueza do que a de Portugal. Riqueza que não produz: só recebe.
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De José António Abreu a 06.07.2015 às 22:55

Isto está renhido, Pedro. Neste momento, ganhas-me por um comentário (34 contra 33).

(Raios, agora é por dois!)
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De Pedro Correia a 06.07.2015 às 23:22


(não há dois sem três)

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