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Ouro alpino

por José António Abreu, em 02.12.14

Num fim-de-semana marcado por um congresso partidário onde se evocaram as vítimas de violência de género (por que não as de pedofilia, começando talvez pelas da Casa Pia?) mas se evitou cuidadosamente evocar um ex-líder, é compreensível que raros órgãos de comunicação social tenham prestado atenção ao facto de os suíços estarem a deslocar-se mais uma vez às urnas para responder a três questões em referendo. As duas primeiras versavam temas habituais: maiores restrições à imigração  e eliminação de benefícios fiscais para residentes estrangeiros sem ocupação lucrativa. A terceira, porém, justifica menção especial. Perguntava-se aos helvéticos se o banco central deveria ser obrigado a repatriar o ouro que mantém nas instalações da Reserva Federal americana (seguindo o exemplo da Holanda) e a manter pelo menos 20% dos activos nesse material. Como nos restantes casos, o «não» venceu. Ainda assim, e para além de ser gratificante constatar que existem países onde temas aparentemente herméticos são alvo de discussão pública e votação popular, é sintomático que se comecem a perceber os riscos ligados a todo o lixo que os bancos centrais têm vindo a introduzir nos seus balanços. Sendo que o BCE parece estar apenas a começar.

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10 comentários

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De Luís Lavoura a 02.12.2014 às 11:43

Eu diria que essa proposta sobre o ouro era a mais tola das três propostas referendadas, pelo que não merece mênção especial. É que não passa mesmo pela cabeça de ninguém, a não ser de um tolo, ir ensinar o Banco Central Suíço a governar as suas reservas! Se há banco central que sabe perfeitamente governar uma moeda fiduciária, é o suíço!
As outras duas propostas faziam, em minha opinião, bastante mais sentido, e uma delas, a sobre a imigração, tem especial importância para nós portugueses. Se tivesse sido aprovada, isso teria sido péssimo para Portugal.
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De José António Abreu a 02.12.2014 às 12:06

Sim, a aprovação da proposta sobre imigração teria sido má para os portugueses. Mas permita-me que - sabendo perfeitamente que por cá vigora o pensamento único (até na comunicação social) de ver como positivas (e até insuficientes) todas as medidas de estímulo do BCE - ache mais significativo que em alguns países já se andem a discutir abertamente os riscos ligados às políticas dos bancos centrais.
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De Luís Lavoura a 02.12.2014 às 12:12

acho significativo que em alguns países se andem a discutir os riscos ligados às políticas dos bancos centrais

Sem dúvida que é positivo em geral, mas não no caso suíço! A Suíça tem a moeda mais estável do mundo, tem o banco central que melhor sabe governar uma moeda no mundo, e não sofreu nada com a crise financeira. É a este banco que indivíduos com ideias fixas na cabeça pretendem dar lições?! Give me a break...
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De Vento a 02.12.2014 às 12:42

Reflecte-se em seu texto duas questões importantes:

1 - Com o petróleo em queda, o dinheiro papel que tem sido indexado a malabarismos virtuais a revelar-se lixo e a economia em frangalhos o padrão ouro está aí em franca emersão.

2- A economia helvética, tal como as grandes economias europeias, estão de tal forma dependentes do factor imigração que tocar aí significa mexer num ninho de vespas muito agressivas.
Significa isto que hoje não se vive em democracia e/ou com valores éticos de determinem uma coesão social, mas sim uma relação de interesses e funcionalidades que a todo o momento pode estourar.
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De lucklucky a 02.12.2014 às 16:06

"Significa isto que hoje não se vive em democracia e/ou com valores éticos de determinem uma coesão social, mas sim uma relação de interesses e funcionalidades que a todo o momento pode estourar."

Este é o parágrafo mais importante.
Democracia é o voto da maioria a dizer quem tem direito á violência do Estado para defender os seus interesses.
Até agora o sistema menos mau quando tem alguma tolerância imbuída. Está a acabar. Estamos obviamente a caminhar para um Social Fascismo com eleições de 4 em 4 anos onde a maioria dominante acha bem o Estado tudo controlar.

Mas como bem diz se não há quase nenhuns valores éticos partilhados temos sempre os mesmos vencedores e vencidos e a ruptura será inevitável.

----------------------
O BCE já tem muito lixo, talvez até devamos incluir a Dívida do Estado Português nesse lixo.


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De Vento a 02.12.2014 às 18:42

Não, a democracia não é isso. Mas estamos de acordo quanto ao resto. Aliás, a ruptura já se iniciou e espero não ver algum "Mussolini" pendurado de cabeça para baixo.
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De José António Abreu a 02.12.2014 às 19:18

"O BCE já tem muito lixo, talvez até devamos incluir a Dívida do Estado Português nesse lixo."

É verdade. E, no entanto, agora é que parece preparar-se para um 'quantitative easing' a sério.
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De Vento a 02.12.2014 às 20:32

Mas o quantitative easing também está aí para varrer o lixo para debaixo do tapete.
Neste momento o BCE já adquiriu 5.7 mil milhões desse mesmo lixo. Se para reciclar é necessário lançar ácido, então, faça-se.
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De José António Abreu a 02.12.2014 às 19:25

"Significa isto que hoje não se vive em democracia e/ou com valores éticos de determinem uma coesão social, mas sim uma relação de interesses e funcionalidades que a todo o momento pode estourar."

Se quisermos ver isto por um lado positivo, estamos todos ligados - o que impede a tomada de decisões relevantes a nível local (pelo menos sem correr riscos enormes) mas também dificulta egoísmos locais. Pelo menos até ao momento em que as dificuldades os fizerem vir à tona.
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De Vento a 02.12.2014 às 20:28

O que diz é aceitável. Não nega minha afirmação, reforça-a. O objectivo visa tão somente fazer evoluir o modelo de democracia e ajustar as relações para além do mero esquema funcional.

O José necessita postar os argumentos usados, em um e outro quadrante, para se chegar a esta votação.
As maiorias nunca determinaram a sanidade fosse do que fosse. Hitler ganhou o poder pelo apoio de uma vasta maioria.

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