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Ou não sabe ou sabe e cala

por Pedro Correia, em 03.02.20

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Joacine Katar Moreira, deputada portuguesa sem inscrição partidária natural da Guiné-Bissau, está preocupada com o seu país natal.

Nada mais compreensível.

O balanço de 45 anos de independência é calamitoso.

Golpes de estado, presidentes assassinados, líderes militares abatidos em ajustes de contas, uma dilacerante guerra civil.

A Guiné-Bissau figura hoje no topo das listas de várias organizações internacionais pelos piores motivos. Desde logo pela permanente ameaça às liberdades políticas e civis no seu território.

Segundo a Liga Guineense dos Direitos Humanos, o sistema nacional de saúde do país está doente. Por incúria, rapina, corrupção. Os doentes são forçados a comprar até fios de sutura.

Faltam hospitais, escolas, tribunais. As aulas são interrompidas a qualquer momento, o sistema judicial está minado por práticas corruptas.

Segundo a Transparência Internacional, ocupa o 168.º lugar entre 176 nações no índice mundial de percepções de corrupção.

Figura entre os 20 países mais pobres do mundo, com um PIB per capita de apenas 646 euros anuais. Cerca de 70% da população vive abaixo do limiar da pobreza.

As crianças, em diversas zonas do país, estão sujeitas à mendicidade forçada, a castigos físicos e a abusos sexuais.

A excisão genital continua a fazer parte do quotidiano.

Esperança de vida à nascença, para as mulheres: apenas 50,6 anos. Para os homens, ainda pior: 48,6 anos.

Há quem não hesite em usar a expressão "estado falhado" , referindo-se à Guiné-Bissau. O Nobel da Paz José Ramos-Horta, por exemplo.

Na imprensa de referência, a ex-colónia portuguesa é hoje mencionada como o "primeiro narco-estado" do planeta. Onde quem manda são os barões internacionais da droga.

 

Mas a preocupação da senhora deputada, guineense de nascimento, não se centra em nada disto: a prioridade dela é que algumas obras de arte (não especificadas) oriundas da Guiné-Bissau estejam em museus ou outras instituições públicas de Portugal.

Eu esperaria dela que abordasse sem temor os factos chocantes que menciono nos parágrafos iniciais. Denunciá-los, torná-los públicos, partilhar com todos os portugueses a imensa dor do comum cidadão guineense. Afinal, com uma chocante indiferença pelos problemas concretos da Guiné-Bissau, a deputada Katar Moreira prefere exigir a criação em Portugal de uma «comissão multidisciplinar composta por museólogos, curadores, investigadores científicos e activistas anti-racistas» com a missão de «descolonizar a cultura».

Demonstrando assim até que ponto está divorciada da situação real do seu país de origem.

Ou não sabe, o que é incompreensível. Ou sabe e cala, o que é intolerável.


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