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Os vizinhos não se escolhem

por Pedro Correia, em 11.11.14

AFP Lluis Gene.jpg

 Foto Lluis Gene/AFP

 

A Catalunha, que nunca foi uma nação independente, goza hoje de ampla autonomia - maior do que a da Escócia e muito maior do que a Córsega, por exemplo - em quase todos as áreas da governação.
Num mundo cada vez mais interdependente, defender a "independência" é de algum modo ambicionar um estatuto equivalente ao da Coreia do Norte, provavelmente o único estado realmente independente do planeta.


De qualquer modo, há dois caminhos para lá chegar.
Primeiro: o da legalidade constitucional, adoptando o modelo escocês - e aqui a Constituição de 1978, sufragada em referendo por todas as regiões de Espanha incluindo a Catalunha, é taxativa ao não permitir a consulta sobre este tema apenas a uma parte do povo espanhol. Foi esse aliás o entendimento do Tribunal Constitucional, que retirou chancela legal à "consulta" promovida pelo executivo catalão no passado domingo. Uma consulta que contou apenas com a participação de cerca de um terço dos eleitores inscritos.
Segundo: o da ruptura constitucional - e aqui os nacionalistas catalães teriam de assumir, com todos os riscos que essa opção comporta, uma declaração unilateral de independência em conflito aberto com o Estado espanhol.


Acontece que não há declarações de independência quando apenas metade da população, no máximo, aspira a tal objectivo. A independência ou é um projecto colectivo ou não é nada.
Acresce que a força política maioritária na Catalunha - a Convergência e União, lesada por inúmeros escândalos de corrupção nos últimos meses, nomeadamente os que afectam o seu ex-líder carismático, Jordi Pujol, que governou a região durante 23 anos - não inclui a independência na sua declaração de princípios nem a defendeu abertamente no seu programa eleitoral das últimas eleições autonómicas, realizadas em Novembro de 2012.


Com nacionalistas a meia haste como estes não corremos o risco de ver a Península Ibérica balcanizada. O que é, convém dizer, uma boa notícia para Portugal. A última coisa de que precisaríamos era da implosão do Estado espanhol, cindido por efeito de uma espécie de guerra civil de baixa intensidade, numa réplica dos Balcãs.
Porquê? Desde logo, convém recordar, porque a Espanha é de longe o nosso principal parceiro comercial - e uma constipação por lá pode contribuir para uma pneumonia aqui. Os amigos escolhem-se, os vizinhos não.

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10 comentários

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De Pedro Correia a 11.11.2014 às 16:21

Os bascos quiseram ser "independentes" a tiro - e falharam. Gozam da maior autonomia de um território não-independente no continente europeu, aliás como a Catalunha. E para isso não foi necessário disparar tiro nenhum: vem reconhecido na Constituição de 1978.

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