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Os talibãs e a tentação da carne

por Pedro Correia, em 28.03.17

pablopicassotoro4[1].jpg

 Um touro desenhado por Picasso

 

Sinto uma aversão inata a todo o tipo de extremismos. Por mais em voga que estejam. Isto inclui o extremismo animalista, povoado de fanáticos com vocação para policiar comportamentos alheios. Não tenho a menor dúvida: hoje invadem ruedos e cercam ganadarias, exigindo a abolição imediata das touradas. Amanhã assaltarão instalações agro-pecuárias reivindicando o fim do abate de aves e gado. Depois de amanhã patrulharão restaurantes para impedir os incautos de consumir iscas ou bifanas.

As minhas últimas dúvidas dissiparam-se ao ler há dias, numa revista feminina, a exaltada proclamação de uma activista vegan contra os agricultores que se atrevem a colher leite em vacarias e ovos em capoeiras. Eis a tese marxista da luta de classes aplicada à relação entre o homem, as vacas e as galinhas. “Os animais trabalham indevidamente para servir os seres humanos”, escandalizava-se esta animalista, insurgindo-se contra o “stress e o sofrimento dos animais quando estão em fila para o sacrifício” em aviários e matadouros.

 

Se pudessem, no seu incansável proselitismo, estes devotos da rúcula e do agrião decretavam o consumo exclusivo de produtos macrobióticos. Aboliriam rodízios e encerrariam churrasqueiras. Proibiriam a extracção de mel das colmeias para não beliscar o labor das abelhas. A matança de porcos, frangos e coelhos seria rigorosamente interdita. No limite, todas estas espécies – só existentes pelo seu valor alimentício e, portanto, comercial – extinguir-se-iam, para deleite destes supostos defensores dos direitos dos animais. Antes vê-los desaparecidos de vez do que em “sofrimento potencial".

Como mandam as cartilhas, tudo isto ocorre em nome de autoproclamados princípios éticos, levando as falanges animalistas mais extremas a entrincheirar-se sem um esgar de hesitação contra os bípedes no milenar confronto entre homens e bestas. A exemplo daquela talibã “antitaurina” que nas redes sociais em Espanha desejou a morte imediata de um rapazinho doente de cancro só porque o miúdo teve a desdita de confessar que quando fosse grande queria ser toureiro.

“Devias morrer já”, assanhou-se a meiga patrulheira, acusando o menino de querer “matar herbívoros inocentes”.

 

Quem é capaz disto é capaz de tudo. Capaz inclusive de exigir a extracção compulsiva dos dentes caninos à população humana para evitar a proliferação do pecado entre quase todos nós, aqueles que continuamos a ceder à tentação da carne.

Já estivemos mais longe.


76 comentários

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De Justiniano a 28.03.2017 às 12:18

São, caríssimo Pedro Correia, personagens impossíveis de aturar!! Intriga-me, verdadeiramente, a relevância que é dada às alucinações desta gente! Já cheguei a ler coisas substancialmente próximas na chamada media de referencia. Não sei que referencia, mas é assim considerada!!
Tendo à sua leitura, da tese marxista, uma vez que esta gente revê opressão, superável, para além de, evidentemente, no direito natural, na natureza das coisas! De todas as coisas! Diferem, substancialmente, dos românticos recauchutados, da tese do romantismo do sec XVIII e XIX que vislumbrava a pureza ética do espírito num primitivismo apoteótico e redentor!!
Mas dali, destes nóveis jacobinos tremendistas, não sairá nada!!
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De Pedro Correia a 28.03.2017 às 12:22

Os mais alucinados extremistas desta corrente político-social fazem-me lembrar aquelas personagens da fábula 'Animal Farm', do Orwell, aos gritos: "Quatro patas sim! Duas patas não!"
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De Einstürzende Neubauten a 28.03.2017 às 15:08

Deguste Justiniano. Aprecie a música Bestial!

https://www.youtube.com/watch?v=HrpOvyO9ydo

https://www.youtube.com/watch?v=YM-drQmBeZ8
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De Justiniano a 28.03.2017 às 15:39

Recomendo, caro Haber Mensch, um registo diferente. Telúrico! Um equilíbrio complexo entre o histriónico e o contemplativo!!
https://www.youtube.com/watch?v=0ixJZQmzLBU
https://www.youtube.com/watch?v=zAuqAOBeAQQ
https://www.youtube.com/watch?v=cOAIsb0qkn4
https://www.youtube.com/watch?v=FbnDxYti4VM
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De Einstürzende Neubauten a 28.03.2017 às 16:52

Acredita na Evolução Cultural, em que umas culturas estão, em etapas, "superiores", comparativamente a outras?

In recent years there has been a movement convergence of this cluster of related theories, towards seeing cultural evolution as a unified discipline in its own right.

Quanto aos Massai estamos conversados.

Quanto à tradição desde, pelo menos, a Revolução Francesa, que ela deixou de ser legitimativa. Guiamo-nos agora pela Razão e a razão diz-nos que temos à nossa disposição outras formas de vivermos que não impliquem matança.

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De Justiniano a 28.03.2017 às 21:32

As culturas têm um pressuposto, caro halterofilismos, são humanas! Em evolução ou regressão, são as culturas que revelam a mundividencia que o à questão!!
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De Justiniano a 28.03.2017 às 21:35

Meu caro não há discurso legitimador sem cultura, nem cultura, e já agora tradição, sem razão!!
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De Pedro Correia a 29.03.2017 às 08:59

De acordo. Não existe discurso legitimador sem cultura, nem cultura sem razão.
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De Justiniano a 29.03.2017 às 09:05

Mil desculpas ao caro Halber Mensch! Tenho de arranjar maneira de desligar este corrector ortográfico!
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De Pedro Correia a 29.03.2017 às 09:11

Eu já o fiz. E tenho-me dado bem com isso.
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De Einstürzende Neubauten a 29.03.2017 às 09:43

"nem cultura sem razão"

Essa é boa! E então o rito? Poderão dizer que o rito, obedece a uma lógica interna, mas essa lógica pode ser errada e irrazoável, não dotada de razão.
Para o louco a loucura tem sentido.

Há razões que a Razão desconhece, mas isso não as torna verdadeiras. Apenas verosímeis para quem nelas acredita
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De Justiniano a 29.03.2017 às 10:35

Caro Halber, o rito tem, naturalmente, a racionalidade inerente ao interesse, ou esclarecimento, de enaltecer determinados factos da vida individual e colectiva! Fixa os elementos essenciais do percurso e vivência de uma determinada comunidade! A história universal ensina que quando determinada cultura é, em si, desprovida de racionalidade, no sentido intrínseco em que se não firma na manutenção de interesses ou num quadro normativo tendente à reprodução ou à exploração produtiva dos recursos, suicidária, tal cultura, como tal povo, têm um destino fatal, caindo, mais das vezes, às mãos de outros povos! Contudo, desde a segunda metade do sec XX que vivemos uma era de concessões onde se reconhece o direito dos povos a serem quem são, implicando tal razão a concessão de domínio sobre um determinado território que se quedará moral, económica e politicamente indigente!! Não é, portanto, o rito em si que é irracional, no sentido de irrazoável ou desprovido de razão, mas sim o sentido subjacente ao rito ou a sua teleologia! Note que os ritos estão presentes, também, nas comunidades mais prósperas e desenvolvidas económica, ética e culturalmente, e que, sobretudo, se revêm como comunidades!
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De Einstürzende Neubauten a 29.03.2017 às 12:38

"o rito tem, naturalmente, a racionalidade inerente ao interesse, ou esclarecimento, de enaltecer determinados factos da vida individual e colectiva"

Parte do principio que a sobrevivência do grupo/comunidade se sobrepõe ao do individuo. Que um rito, ou meme cultural, terá tanto mais possibilidades de se manter quanto mais benéfico. E se lhe disser que mais importante que a comunidade é o individuo, como o demonstram os recentes estudos na sociobiologia e biologia evolutiva - ver Gene Egoísta ( a lei natural não obedece a um altruísmo grupal, mas sim à perpetuação do pool genético/individual de cada um. Ou seja, mais importante que a sobrevivência do grupo, para o individuo, é mais fundamental a sua própria sobrevivência, nem que para isso o grupo a que pertence saia prejudicado - veja hoje a crise económica e a falta de solidariedade entre os indivíduos - génese de revoluções)

E se lhe disser que o rito, a maioria das vezes é unicamente um meio de controlo de quem sabe soletrar, fórmula mágica - o jargão como elemento complexificador, de baralhação, para que uns decidam por todos. O jargão, tal como a fórmula, um meio de esconder a verdade. O rito como arma de comando/subordinação. Não conhecendo o rito, não se sabe como mandar, apaziguar os deuses - hoje, os mercados.

"história universal ensina que quando determinada cultura é, em si, desprovida de racionalidade"

Diga-me, a nossa é provida de racionalidade? Os EUA neste momento querem aumentar o arsenal nuclear, quando já tem suficiente para destruir o mundo 10 vezes. Não me parece. A emoção faz da razão o que quer. Presumo, pelo Justiniano, sermos uma sociedade suicidária - alterações climáticas, guerras, egoísmo, e destruição do Estado Social (confirme o que se passou nas sociedades onde o Estado Social falhou - o Poder caiu na rua e com ele os fascismos, populistas; o Estado Social não foi inventado pela pena dos pobrezinhos, mas para aplacar a capacidade de destruição das massas, quando fome e crise económica se juntam - ver Revolução Francesa, onde se falou pela primeira vez na necessidade de um Estado Social)

O que é o resultado do progresso, Justiniano?
Britney Spears, Iphone7, ou Júnio Bruto?

https://www.youtube.com/watch?v=2BlH5VUce3E
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De Justiniano a 29.03.2017 às 15:11

A cada resposta ou justificação que lhe ofereço replica o meu caro com outras tantas questões, comentários, de natureza diversa! As questões e, consequentemente, a discussão perpetuar-se-ia (acho que finalmente consegui desactivar aqui a treta do CO)! O que lhe disse resume-se, simplesmente, ao seguinte exercício:
O papel integrador das instituições compreende a ritualização e a ritualidade. (Sim, as instituições são ritualísticas e, sim, há verdade nas formas) (Tribunais, Forças Armadas, empossamento em funções etc...) As Instituições e os seus ritos não são ontológicamente o símbolo da razão, ou melhor, não existem na natureza da coisa racional (se preferir, epistemologicamente, ela não se explica a si própria), ela explica-se, a sua razão de ser legitima-se, todavia, por juízos de oportunidade, necessidade e sentido de justiça! Em suma, compete-lhe a si, como intérprete, compreender o rito!! Se quiser, claro está!
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De Justiniano a 29.03.2017 às 15:44

Por fim, posso garantir que o CO do tal Iphone da maçãzinha não é progresso algum, pelo contrário, é uma trampa inoportuna e estorvadora!!
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De Einstürzende Neubauten a 29.03.2017 às 18:59

Sempre um prazer falar consigo. Abraço
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De lucklucky a 31.03.2017 às 21:35

"Guiamo-nos agora pela Razão"
Haha, guiam-se pelo Marxismo...

Temos artistas a pedirem a destruição de pinturas:
http://www.artnews.com/2017/03/21/the-painting-must-go-hannah-black-pens-open-letter-to-the-whitney-about-controversial-biennial-work/
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De lucklucky a 01.04.2017 às 07:41

E voltando aos Marxistas da igualdade animal:

"Did you know that milk has long been a symbol used by white supremacists?"

https://twitter.com/peta/status/847832116322639872

Os senhores jornalistas vão já deixar de beber leite...




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De Pedro Correia a 01.04.2017 às 10:33

No dia das mentiras, não acredito. Isso só pode ser irónico.
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De lucklucky a 01.04.2017 às 10:42

O twit é de dia 31. Investigue o que eles pensam do leite tirado de animais.
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De Pedro Correia a 01.04.2017 às 11:00

Sei o que muitos deles pensam.
Ordenhar a vaca, tirar os ovos à galinha ou extrair o mel das colmeias são atentados aos "direitos dos animais".
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De jo a 28.03.2017 às 12:59

Razão tem o Jô Soares:
Verdadeira cobardia é comer alface, que não pode fugir nem atacar de volta.
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De Pedro Correia a 28.03.2017 às 13:03

Eheheh. Essa não conhecia. Muito boa!
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De Einstürzende Neubauten a 28.03.2017 às 16:55

O jô que core quando se olhe ao espelho. Com aquela pança nem dobrar-se consegue para uma alface apanhar. Já não falo no resto. Unmensch
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De isa a 28.03.2017 às 18:28

Porque, realmente, os outros sempre podem fugir e atacar e, a gracinha ainda fica melhor acompanhada com música.

https://www.youtube.com/watch?v=jtL3Jsl2ieE&list=RDVASywEuqFd8&index=3

Quanto a extremismos, isto de abrir as portas sem triagem, só quem viva num aquário é que acredita que seja para continuar com os tais "Sessenta anos de paz e progresso"

Presentemente, há quem perceba perfeitamente que não estamos a viver uma Evolução Natural dos Seres Humanos mas, a grande maioria fica a chafurdar nos pormenores, talvez para não ver que faz parte do problema em vez da solução.
Por mim, prefiro fazer parte dessa minoria, sem vender a minha Consciência, continuando a pregar mesmo que seja para as paredes e, uma Boa Semana para todos... com música porque, felizmente, sei que há outros que sabem e até sentem o mesmo que eu.

https://www.youtube.com/watch?v=VASywEuqFd8
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De Pedro Correia a 29.03.2017 às 09:04

Haja boa música e já o cenário se torna menos negro ("no pun intended").
Bom resto de semana também para si.
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De Costa a 28.03.2017 às 13:35

O extremismo cego - o extremismo, enfim - é de facto dificilmente defensável. Não direi "nunca", por ser palavra que por princípio apenas com extrema prudência se deverá aplicar e por, decerto, todos conseguirmos afinal invocar uma ou duas coisas (ou um pouco mais) que em nossas vidas seguramente jamais aceitaríamos ou professaríamos. A história recente bastaria, creio, para sem grande esforço elencar algumas.

Mas acho que posso quanto à tourada invocar extremismo (se pensar como penso sobre elas o for): não aceito a sua defesa, por estes tempos, pura e simplesmente. Que argumento atendível - digno do ser racional que reclamamos ser; o que se nos dá acrescidos direitos sobre o que nos rodeia, nos deveria impor acrescidos deveres - resiste à barbaridade do sofrimento prolongado de um animal, lentamente torturado até à morte, na arena ou já fora dela, privado até de defesas próprias, para gáudio asselvajado de uma plateia de "humanos" que se deleitam com o sangue e a dor, alheios evidentemente, e que têm ainda o desplante de invocar a dignidade, a altivez, o que seja, desse animal?

Mas não desejarei - nunca! - a morte de uma criança, por ter o pueril sonho de ser toureiro. Nem a morte do toureiro na lide. Se bem que, entre o toureiro e o touro, saiba quem ali está voluntariamente e ciente dos riscos - invocando até elevadas considerações "para-filosóficas" para tanto - e quem definitivamente não está ali nessa condição. E quem por norma e até ansiadamente dali sairá, ou "deveria" sair, morto após longo e evidente e penosíssimo sofrimento. Deliberadamente prolongado.

E como carne, ovos e bebo leite. Mas sim, tendo a escolha (que nem sempre tenho), procuro comer carne de gado criado em pastagem e beber do seu leite. E comer aves, e os seus ovos, que saiba não tenham sido criados naqueles locais de óbvio horror que são frequentemente os aviários. Como o são, por exemplo, tantas vezes as suiniculturas. Como o são aqueles camiões transportando animais, com que todos já nos cruzámos na estrada e onde, a pretexto de "ser para abate" os animais são carregados e levados em condições absolutamente inomináveis. Verdadeiros vagões para campos de morte (escrevia eu, acima, sobre exemplos da história recente...).

Isto posto, não aceito a redução de porcos, coelhos, aves, o que seja, a seres que só existem pelo seu valor alimentício e comercial. Que saiba já cá andavam antes de os começarmos a comer, sendo, como nós, fruto da Natureza. E antes de os termos transformado em meros activos de uma cadeia industrial e comercial, como o será o fabrico de pregos ou de bolas de futebol e onde se calhar em grau maior do que nesses exemplos, a matéria-prima é tantas vezes bem pouco considerada e a redução de custos levada ao extremo. E antes até de os termos criado e explorado - nós - em moldes que demonstradamente já desequilibram o ambiente (e aqui, na nossa terra, temos claro exemplo disso, com os recorrentes e largamente impunes, suponho, casos eufemisticamente denominados como "efluentes de suiniculturas").

E algo me diz que se um "day after" acontecer, por cá se aguentarão depois de nós.

Comê-los - omnívoro, de minha natureza, não me culpo por isso - não deveria significar coisificá-los em absoluto, desprezar por completo a sua condição. As condições em que os criamos e os abatemos. E deles nos servimos, quando animais de trabalho. E bem sabemos como por razões "civilizacionais" e económicas isso assim é tantas vezes. A grande maioria das vezes. Como se o seu bem-estar fosse completamente irrelevante.

Sem extremismos, racional e humanamente, aceitando que a questão exigiria mudanças de comportamento, de hábitos, de estruturas industriais, de custos, seria bom que se olhasse para isto com outros olhos. E se falasse disto noutros termos. Aos mais novos, desde logo.

Mas não creio que no tempo das nossas vidas (e voluntariamente, pelo menos) tal aconteça.

Costa
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De Pedro Correia a 28.03.2017 às 14:38

"Sem extremismos" é para mim a expressão-chave. Nisto, como em tudo.

Infelizmente começa a haver demasiado extremismo nas facções animalistas, como é bem patente nas opiniões nas redes sociais espanholas - de que destaco apenas uma aqui - a desejar a rápida morte do rapazinho de oito anos só porque se atreveu a dizer que queria ser toureiro quando fosse grande.

Existe aqui uma linha civilizacional que é transposta. E não para o lado positivo, muito pelo contrário.
Há quem se proclame defensor dos "direitos dos animais" para dar ainda mais voz à besta humana que de algum modo todos transportamos na nossa identidade genética.
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De Einstürzende Neubauten a 28.03.2017 às 17:03

Os extremismos existem a partir do momento em que para se ser ouvido é necessário gritar. E o grito, nos dias de hoje, terá que ser rugido

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De Pedro Correia a 28.03.2017 às 17:06

Em relação ao rugido, não posso estar mais de acordo. Sobretudo quando soa em Alvalade.
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De Einstürzende Neubauten a 28.03.2017 às 17:14

Bem sei. Veja:

https://www.youtube.com/watch?v=7KmRTrpUcsw

Lindooooooooooooooooooooo..................
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De Pedro Correia a 28.03.2017 às 17:27

Falando em bicharada, isto é muito mai' lindo:
https://www.youtube.com/watch?v=iiJEFK0A0zM
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De Einstürzende Neubauten a 28.03.2017 às 17:33

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De Plinio a 28.03.2017 às 13:39

No fundo no fundo "a quinta dos animais" triunfa. Os porcos aqui são substituídos pelos extremistas. Mas sabemos como acabou a quinta dos animais, com os porcos a jogarem às cartas e a mandarem às malvas os outros animais.
Em suma concordo em absoluto com o seu excelente texto.
Aceito quem não come carne nem peixe.
Aceito quem por opção não queira sequer comer.
Aceito que o estado ofereça refeições veg em cantinas públicas.
Espero que me aceitem como comedor de carne e peixe sem que me vejam como assassino.
Curiosamente há dias fui com mais três pessoas comer francesinhas.
Uma das pessoas perguntou se havia francesinha sem carne e não havia. Ficou furiosa. Direito que lhe assiste. Perguntei-lhe se fosse eu com ela a um restaurante veg e se pedisse um prato de carne mo serviam!? Não respondeu.
Pimenta no rabo dos outros é refresco.
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De Pedro Correia a 28.03.2017 às 14:41

As patrulhas já andam aí a policiar costumes. Muitas delas ao serviço da poderosa indústria alimentar "alternativa", que enche televisões e jornais de mensagens alarmistas sobre os malefícios da comida "tradicional" para impor a "revolução vegan", muito na moda, muito ecológica e sobretudo muito mais dispendiosa para a bolsa do cidadão comum.
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De Luís Lavoura a 28.03.2017 às 16:02

a "revolução vegan" [...] muito mais dispendiosa para a bolsa do cidadão comum

Isto não é verdade. A comida vegan não é mais cara. O seitan e o tofu biológicos vendem-se a cerca de 5 euros o quilo; isto é comparável ao preço da carne e, se não fossem biológicos, esses produtos poderiam ser mais baratos. E uma pessoa pode nem comer seitan ou tofu e comer simplesmente leguminosas (feijões, lentilhas, grão), que fica ainda mais barato.

Uma alimentação vegetariana não é certamente mais cara do que a não-vegetariana.
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De Pedro Correia a 28.03.2017 às 16:34

O caviar e o 'foie gras' são certamente muito mais caros. Mas o fim do acesso a esses dois bens alimentares iria privar alguns dos nossos mais distintos tudólogos de duas importantes fontes de inspiração. Com destaque para aqueles que se movimentam no eixo Chiado-Príncipe Real.
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De Einstürzende Neubauten a 28.03.2017 às 17:12

Pedro, vamos ser verdadeiros?
A "policia dos costumes" é essencial porque a maioria não nasce, nem pretende/quer aprender. Desejam apenas espojar-se na "boa selvajaria".

O melhor argumento contra a democracia, ou o famigerado saber popular, é entabular uma conversa com essa "maioria" durante 5 minutos. Se não meter "bejecas" e gajas adormecem .

https://www.youtube.com/watch?v=EZDPqdFNKOo&t=14s
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De Pedro Correia a 28.03.2017 às 17:23

Ó diabo, encontrei logo uma citação do George Bernard Shaw, como suposto avalista intelectual da coisa.
Será o mesmo que entoava loas ao camarada Estaline?
http://www.telegraph.co.uk/news/uknews/1433323/How-Shaw-defended-Stalins-mass-killings.html
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De Einstürzende Neubauten a 28.03.2017 às 17:40

Temos também outros, como o Bertrand Russell

O que sucedeu de mal na antiga URSS, não foi consequência do comunismo, mas sim da "experiência" ter sido feita na Rússia...Só sabem viver em autocracias, desde Ivan. Sempre preferiram a persuasão do látego, ao do púlpito.
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De Pedro Correia a 29.03.2017 às 09:05

Que chatice. E eu a pensar que os amáveis Khmers Vermelhos não tinham medrado na Rússia.
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De Einstürzende Neubauten a 29.03.2017 às 09:47

Meu caro, é antiga história que vem desde as guerras entre Grécia e Pérsia. Entre a Democracia e os regimes autocráticos. Entre Ocidente e Oriente.
Bem sei, que não sou democrata popular, defendendo um Despotismo Virtuoso, de reeducação. Escolham-se os lideres nas Faculdades de filosofia, no Exército, e ou mesmo na Abadia, mas nunca nos partidos. E se der para o torto dancemos enquanto a festa durar
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De lucklucky a 31.03.2017 às 21:33

Shaw defendeu muito mais que Estaline... Bernard Shaw é a ponte entre o Eugenismo, o Comunismo.
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De Teresa Ribeiro a 28.03.2017 às 13:47

A forma como as pessoas tratam os animais é um dos parâmetros que servem para avaliar o nível civilizacional de uma sociedade. Infelizmente nesta, como noutras matérias, essa evolução só se consegue promover com a imposição de leis que regulam os nosso hábitos em sociedade. No tempo da minha avó ainda era normal, em plena Lisboa, deitar toda a sorte de lixo pela janela. Só há poucos anos, quando enfim se estabeleceram multas para o efeito, é que as pessoas passaram a apanhar o cócó do cãozinho na rua. E podia continuar, indefinidamente, a dar exemplos de boas práticas que assimilámos como normas básicas de comportamento em sociedade e que no entanto nos foram impostas por lei.
A promoção de um tratamento "humano" dos animais que nos servem - quer para alimento, quer para companhia - tem sido abundantemente ridicularizada, pergunto-me porquê. É assim tão ridículo sermos sensíveis ao sofrimento - a que não escapam se são criados para consumo alimentar? Devo ser indiferente aos maus tratos que certas pessoas infligem, com requintes de sadismo, aos seus pets por prazer?
Todos os extremismos são censuráveis, mas não se meta tudo no mesmo saco. Sou anti-tourada, porém não me revejo no comportamento da senhora que citaste. Como carne, mas antes de se transformar num bife é desejável - até para a minha saúde - que a vitela tenha vivido em boas condições.
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De Teresa Ribeiro a 28.03.2017 às 13:54

Isto de não poder editar comentários é uma tremenda chatice. Por obséquio, considera em vez de "Todos os extremismos são censuráveis, mas não se meta tudo no mesmo saco" o seguinte: "Todos os extremismos são censuráveis, portanto não se meta tudo no mesmo saco"
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De Pedro Correia a 28.03.2017 às 14:44

O meu ponto é precisamente esse, Teresa. Contra os extremismos. Também contra os extremismos animalistas - que existem e são cada vez mais vociferantes nas redes sociais.
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De Luís Lavoura a 28.03.2017 às 14:45

Muito bem. Concordo inteiramente com este post.
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De Pedro Correia a 29.03.2017 às 09:06

Haja alguma vez.
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De sampy a 28.03.2017 às 14:47

Ao menos, todos gostamos de fêveras.
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De Pedro Correia a 28.03.2017 às 15:01

Eu também gosto de um agriãozito no meio da fêvera.
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De Einstürzende Neubauten a 28.03.2017 às 15:06

O Pedro, é um bom garfo, pelo que tenho visto. Solar dos Presuntos, etc e tal

Mas existe algo decadente num corpo redondo. Na maioria das vezes tapa um espirito cansado, aborrecido. Faz uso excessivo de temperos que dissimulam, mais do que revelam. Fragilidade. Cobardia, na corrida. Apenas lestos no abrir e fechar de boca. Admiro mais a frugalidade, a temperança e a força do punho, que se acha num corpo seco. Numa boca domada.

O vegetarianismo e a filosofia par detrás dela data de tempos tão antigos como Pitágoras, passando por Einstein. Existe algo de semelhante a uma boa moral quando se tenta fugir a essa filosofia, natural, bem sei, que defende a sobrevivência de uns, através da morte de tantos outros (vejam-se hoje os desperdícios alimentares e o exagero do que se come)

Não sendo vegetariano, tento fazer uma refeição, por dia, apenas com vegetais. E gostaria de conseguir sê-lo totalmente.

Pedro, já visitou um matadouro? Se o fizesse, talvez pensasse de outra forma, e não aguentasse em lá estar mais de 5 minutos. Com o grito de animais mal sedados, ao mesmo tempo que o magarefe lhe espeta uma facalhão na goela. E o sangue a jorrar por todo o lado, estando a animal pendurado de cabeça para baixo num tipo de espeto.

"Nada beneficiará tanto a saúde humana e aumentará as chances de sobrevivência da vida na Terra quanto a evolução para uma dieta vegetariana. A ordem de vida vegetariana, por seus efeitos físicos, influencá o temperamento dos homens de uma tal maneira que melhorará em muito o destino da Humanidade."
Albert Einstein

Consegue ver isto, sem remorso?

https://www.youtube.com/watch?v=HrpOvyO9ydo


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De Pedro Correia a 28.03.2017 às 15:14

Faz ideia como se mata um ganso - operação sem a qual o requintado 'foie gras' jamais encontraria as suas glândulas salivares?
Imagina como se recolhem as ovas de esturjão, actividade fundamental para que nunca o caviar escasseie na sua delicadíssima mesa 'gourmet'?
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De Einstürzende Neubauten a 28.03.2017 às 16:59

"'foie gras' e ovas de esturjão"??

Prefiro mais pito e cavala.

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De Einstürzende Neubauten a 28.03.2017 às 17:42

Pito, é a franga nascida e criada no norte
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De Pedro Correia a 28.03.2017 às 17:49

Franguinha na grelha... tome cuidado com a brigada dos costumes, que anda por aí a fazer a ronda.
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De Justiniano a 28.03.2017 às 16:18

Ouve um tempo, caro Halber, em que a ilustração servia, ao estilo maneirista dos tipos com a pungência vazia do realismo, para confrontar a dignidade do indivíduo humano, a dignidade e o valor do trabalho dos indivíduos expostos e o desvalor das condições objectivas em que prestavam o trabalho na unidade de produção!! O enternecimento era outro, e nos matadouros as peças eram agentes passivos da história!! O retrato que aqui invoca é tão velho e enternecedor quanto a virtude da animação que antigos helénicos já consideravam!
As religiões compreendem a benção das refeições, com o enaltecer da humildade do homem, da gratidão pelo trabalho e do sacrifício dos animais que lhe servem de alimento!
Torga fá-lo com uma mestria singular, ainda que, logo, nos convoque a apanhar ninhos!! Ou a caçar! Sem contradição alguma e de uma sensibilidade a toda a prova!!
E mil e um exemplos, mais e tudo, sobre a origem e a natureza do constrangimento que aqui invoca! Antes do advento da agricultura era a caça!
A cultura, em sentido lato, impõe-nos uma forma unilateral de relacionamento com a fauna, a flora e a geografia! O homem recria a fauna, a flora e a geografia à sua semelhança!
Mas se o caro Halber assim não se apreciar, boa aventurança nessa andança e que bem lhe aprouvenha!
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De Justiniano a 28.03.2017 às 16:56

Ouve do verbo Haver, claro está!!
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De Pedro Correia a 28.03.2017 às 17:20

Não será do verbo a ver?
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De Einstürzende Neubauten a 28.03.2017 às 17:20

Caro Justiniano:

Esquece-se de outra mensagem, não menos religiosa/filosófica, encontrada em muitas outras escrituras orientais/ocidentais:

O Domínio do corpo, pelo domínio dos desejos. O domínio do apetite, pela vontade de não comer. O jejum, como libertação
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De Justiniano a 28.03.2017 às 21:40

Claro, meu caro, um ritual de enaltecimento à valoracao da rotina da refeição!! Tal como a espiacao, das mais extraordinárias construções da alma humana!
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De Pedro Correia a 29.03.2017 às 09:06

Espiação, que o arguto Bond punha em prática. James Bond.
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De Justiniano a 29.03.2017 às 09:31

Lá está, desisto!! Como é se desliga esta coisa do CO!?
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De Trigueiros a 28.03.2017 às 15:17

Mas se dissermos a estes fanáticos que os legumes também têm sentimentos eles revoltam-se e dizem que não podemos ser tão extremistas...

Apenas devemos certificar-nos que os animais são mortos com dignidade e sem sofrimento.

Eu ainda como os frangos e carne do porco que a minha sogra cria! E é bem bom
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De Pedro Correia a 28.03.2017 às 15:39

Os vegetais também são seres cientes, naturalmente. Há que lidar com eles com o máximo carinho. Falar-lhes ao ouvido, real ou imaginário. E cantar-lhes uma cantiguinha, se for caso disso.
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De Anónimo a 28.03.2017 às 16:32

E nada de sexo com animais nem com vegetais. Sexo só com a própria mão.
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De Pedro Correia a 28.03.2017 às 17:19

Os pastores que queiram ir buscar lã acabam tosquiados. E é muito bem feito.
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De António Afonso a 28.03.2017 às 16:31

Lembrou o PRÉMIO DE ENSAIO FILOSÓFICO SPF 2016, sobre a égide da Sociedade Portuguesa de Filosofia: Em que medida a discriminação baseada na espécie será eticamente aceitável? Vivemos momentos inéditos na história humana, e essas modas são levadas muito a sério, como se não houvesse ontém e talvez amanhã.
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De Pedro Correia a 28.03.2017 às 17:27

Sou a favor da preservação de todas as espécies. E também dos dentes caninos.
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De Anónimo a 28.03.2017 às 23:31

A propósito de sexo: o PAN preconiza a criminilização da zoofilia!!
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De Pedro Correia a 28.03.2017 às 23:40

Disparate. Etimologicamente, zoofilia é a amizade pelos animais.

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