Saltar para: Post [1], Comentários [2], Pesquisa e Arquivos [3]

Delito de Opinião

Os sinais da História

Pedro Correia, 09.12.21

End-of-the-war-Gdansk-1-1.png

 

Em 2009, os polacos protestaram vigorosamente contra a visita de Vladimir Putin a Gdansk, no Mar Báltico, para assinalar o aniversário do início da II Guerra Mundial. Húngaros e eslovacos vão esgrimindo tensos argumentos dos dois lados da fronteira. A minoria húngara na Roménia reclama direitos que, segundo garante, não lhe são reconhecidos. O mesmo se passa com a minoria russa na Letónia. O exército turco desfila periodicamente em parada para lembrar o dia em que esmagou os invasores gregos na Trácia, há cerca de cem anos. Bascos e catalães mantêm a obsessão de cortar com Madrid. Na Finlândia e na Lituânia, as recordações dos massacres soviéticos ainda ferem muitas sensibilidades. A Bélgica ameaça implodir a prazo, fragmentada por conflitos étnicos e linguísticos. Os Balcãs são um barril de pólvora temporariamente neutralizado. A Escócia exige novo referendo para se tornar independente do Reino Unido. A Córsega aceita com crescente relutância o domínio político de Paris enquanto os pós-fascistas, no norte de Itália, ainda sonham com a erupção da Padânia. Na antiga Alemanha de Leste crescem os sentimentos xenófobos: os movimentos de extrema-direita atingem mais de 20% dos votos de eleitores jovens em Estados como a Saxónia e Brandemburgo.

Convém anotar, de passagem: Gdansk é o nome actual da velha Danzig, onde começou a II Guerra Mundial. Há oito décadas. Anteontem, em termos históricos.

A Europa é uma construção política demasiado frágil para podermos adormecer confiados em sonhos de paz perpétua. Não nos iludamos: este continente em que vivemos mantém feridas mal cicatrizadas, fronteiras mal definidas, conflitos de toda a natureza que poderão reacender-se a qualquer pretexto. Quem se gaba de a Europa ser a parcela mais "civilizada" do globo terrestre esquece que foi precisamente aqui que começaram as duas guerras mais sangrentas e devastadoras de todos os tempos. Saibamos interpretar os sinais da História.

62 comentários

Comentar post

Pág. 1/2