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Os que já cá não estão

por Pedro Correia, em 30.04.15

 

Um dos efeitos da passagem dos anos é verificarmos como coexistimos com gente que apenas nos perdura na memória. Confesso não estar ainda vacinado contra o espanto que isto me causa. Há dias, na saída do metro, cruzou-se comigo alguém que me fez lembrar muito uma antiga colega de trabalho. "Será ela?", questionei-me. E só daí a momentos caí na real, como dizem os brasileiros. Essa colega morreu há vários anos, num trágico acidente de aviação.

Há uns tempos, de férias em Cabanas, descobri a Rua Dr. João Amaral. Fiquei a olhar para a placa toponímica ainda meio incrédulo: conheci muito bem este ex-deputado e dirigente comunista, fiz-lhe uma das últimas entrevistas que ele concedeu a um jornal e por vezes ainda me custa acreditar que já morreu. Há dias, folheando uma agenda telefónica com números anotados em 1999, quase fiquei chocado ao verificar como são tantos os nomes daqueles que partiram de vez.

Sentir o tempo passar por nós é também isto: verificar a soma crescente das ausências. Uma voz familiar ao telefone que se apagou de súbito e jamais voltaremos a escutar.

 

Reedito este texto no dia em que os meus pais fariam 60 anos de casados. Sempre associo esta data a um clima de alegria redobrada lá em casa. Festejaram-na durante 55 anos. Hoje, pela primeira vez, evoco-a sem nenhum dos dois cá estar.


18 comentários

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De cristof a 30.04.2015 às 17:33

Onde se tem mais consciência desse facto é quando a partir de certa idade começamos a ir aos funerais de amigos; e (não) encontramos outros.
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De Pedro Correia a 30.04.2015 às 20:24

Aí percebe-se (e de que maneira). Tenho ido muito mais a funerais do que a casamentos ou baptizados. Houve uma altura em que era ao contrário.
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De Teresa Ribeiro a 30.04.2015 às 17:51

Como eu te entendo, Pedro. Beijinho
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De Pedro Correia a 30.04.2015 às 20:23

Obrigado, Teresa. Escrever também ajuda. Ou melhor: ajuda sempre.
Beijinho.
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De Anónimo a 30.04.2015 às 20:54

Também foi um dia triste cá em casa. O meu único irmão faria hoje anos se um cancro do pulmão não o tivesse levado aos 58 anos.
Datas felizes que passam a dias tristes...
Antonieta
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De Pedro Correia a 30.04.2015 às 21:03

Lamento muito saber, Antonieta. A vida vai-se fazendo também destes momentos dolorosos que marcam cada despedida. Têm pelo menos o condão de nos alertar para a importância do que vai ficando.
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De João António Saraiva Dias de Melo a 30.04.2015 às 21:41

Um abração Pedro .tudo de bom
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De Pedro Correia a 30.04.2015 às 22:34

Um grande abraço, primo.
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De .. a 30.04.2015 às 22:59

Um beijinho, Pedro! Há acontecimentos na nossa vida, perante os quais qualquer palavra, pecaria por excesso, ou insuficiência. O meu profundo respeito e amizade neste momento difícil, em que os recorda. Um abraço!
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De Pedro Correia a 30.04.2015 às 23:22

Muito obrigado pelas suas palavras amigas, Fátima. Um beijinho.
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De Carlos Azevedo a 01.05.2015 às 01:00

Um abraço, Pedro.
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De Pedro Correia a 01.05.2015 às 22:30

Uma vez mais, Carlos, a palavra certa. Não esqueço.
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De da Maia a 01.05.2015 às 03:34

Meu caro,

https://www.youtube.com/watch?v=WrGI6QbXq0U

com um abraço, de outro órfão adulto.
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De Pedro Correia a 01.05.2015 às 22:31

Abraço retribuído e reconhecido.
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De Custódia CC a 01.05.2015 às 21:11

Ficam-nos as memórias, especialmente as boas, para nos fazer sorrir e atenuar a saudade. Abraço Pedro.
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De Pedro Correia a 01.05.2015 às 22:33

É verdade, Custódia. Muito grato pelas palavras amigas que aqui (me) deixa.

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