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Os que "compreendem" o terror

por Pedro Correia, em 22.07.16

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Um brutal morticínio em Nice, há oito dias, provocou 84 mortos e 330 feridos. Hoje é Munique que está em estado de choque: um novo atentado terrorista, desta vez num centro comercial, terá causado dezena e meia de vítimas mortais. O estado de emergência foi decretado na capital da Baviera, a rede de transportes públicos está suspensa e a chanceler Angela Merkel convocou uma reunião extraordinária do Governo alemão.

Vivemos dias e noites de pesadelo um pouco por toda a Europa. O espectro do terror já se instalou no quotidiano do continente. O nosso modo de vida alterou-se - e assim permanecerá por muito tempo.

Nenhum país está imune a ele.  

 

Nem a França, que se opôs tenazmente à invasão do Iraque em 2003, nem a Alemanha, que tem estado na primeira linha do auxílio humanitário aos refugiados sírios e nunca enviou forças militares para o Médio Oriente. O que basta para desmentir qualquer alegação política para os actos criminosos e contraria certos Savonarolas sempre prontos a exigir a expiação dos pecados do Ocidente enquanto supostos porta-vozes da boa consciência europeia.

Savonarolas como Boaventura Sousa Santos, que enquanto estávamos todos ainda sob o efeito do choque provocado pelas rajadas homicidas no Charlie Hebdo escrevia estas inacreditáveis linhas no Público: "A extrema agressividade do Ocidente tem causado a morte de muitos milhares de civis inocentes (quase todos muçulmanos) e tem sujeitado a níveis de tortura de uma violência inacreditável jovens muçulmanos contra os quais as suspeitas são meramente especulativas, como consta do recente relatório presente ao Congresso norte-americano. É sabido que muitos jovens islâmicos radicais declaram que a sua radicalização nasceu da revolta contra tanta violência impune."

Savonarolas como Pablo Iglesias, que horas após a tragédia de Nice justificava com frios argumentos políticos o brutal assassínio que indignou o mundo: "O que alimenta o Daeh é a situação catastrófica no Iraque e a guerra na Síria. A Europa nem sempre actuou com sensatez nem com sentido estratégico nestes conflitos, que de algum modo constituem o combustível que alimenta o Estado Islâmico."

 

A história da "destruição do Iraque", sempre invocada quando há atentados terroristas na Europa, equivale a dizer que as vítimas inocentes destes atentados "estavam mesmo a pedi-las".

Equivale também a considerar vítimas os assassinos. Porque estarão apenas a vingar o que os desprezíveis dirigentes ocidentais fizeram ao Iraque.

Essa é a lógica hitleriana do olho por olho, dente por dente. Hitler conquistou metade da Europa, espezinhando-a e escravizando-a, para vingar as humilhações sofridas pela Alemanha no Tratado de Versalhes. Alegava ele. E muitos concordaram.

 

Quando estabelecemos uma espécie de equivalência moral entre carrascos e vítimas os nossos padrões éticos invertem-se. Se este princípio do "olho por olho" fosse válido na comunidade internacional, os japoneses deviam lançar bombas nucleares em duas cidades americanas e o Estado de Israel devia executar seis milhões de alemães em câmaras de gás.

Os Savonarolas estariam na primeira fila a compreender e caucionar tais gestos.


70 comentários

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De WW a 24.07.2016 às 18:32

Volto a repetir eles não são imigrantes, são uma força invasora, nem como refugiados se portam, se fossem refugiados ficavam pela Turquia em vez de procurarem os países mais ricos do centro da Europa onde já têm enormes comunidades e respectivos (e impenetráveis) guetos que lhes servem para propagar a sua cultura islâmica.

Em relação aos Portugueses lá fora só você para fazer tais comparações, os Portugueses não vivem em guetos por opção, tal como os indianos, os brasileiros, os polacos, os israelitas ou outros, aparentemente quem opta por guetos são os muçulmanos por uma questão de autodefesa e para mais facilmente imporem as suas leis inclusivamente sobrepondo-as ás leis dos países onde estão, veja lá...

O Pedro Correia sabe tão bem como eu que em França os imigrantes muçulmanos nunca quiseram sair dos guetos e "diluir-se" na sociedade francesa. Eu não elogiei a ditadura de Kadafhi fiz uma constatação do que era a realidade no passado recente e sim os emigrantes lá, eram imgrantes, trabalhavam lá e assim que deixaram de o poder fazer voltaram para casa sem mais problemas.

P.S. - O comentário das 14h29' é "meu"
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De Pedro Correia a 24.07.2016 às 20:59

Você mete tudo no mesmo saco. Há cerca de cinco milhões de muçulmanos em França, grande parte dos quais já com nacionalidade francesa. A esmagadora maioria está integrada.
Quanto aos imigrantes que têm fugido do continente africano e do Médio Oriente em demanda da Europa, a grande maioria permanece em campos na Turquia e no Líbano.
Eu gostaria de ver o camarada Putin - figura que você tanto admira - abrir-lhes as portas da vasta Rússia, um país em fortíssima regressão demográfica e com vastas extensões de território desabitado. Aí sim, ele mereceria elogios. E - sabe-se lá - talvez até acabasse por ganhar o Nobel da Paz...
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De WW a 24.07.2016 às 23:28

A não integração dos islamitas que vivem em França é mais que obvia, caso contrário não seriam eles quem feito ataques terroristas na Europa, os que vêem agora serão os terroristas de amanhã, que ninguém tenha duvidas.

O Pedro Correia e os outros têm é de se entender num ponto, ou são refugiados ou são imigrantes ?
Se são refugiados podem ficar na Turquia, no Líbano, na Jordânia, na Tunísia / Egipto (no caso dos Líbios ) e assim sucessivamente, se são imigrantes têm de se submeter ás regras que existem para os imigrantes o que aparentemente também não está a ocorrer pois não trazem documentos válidos consigo (passaportes / identificação) e são na sua maioria homens sem família que aparentemente conseguiram (não sei como mas imagino...) pagar milhares de euros por cabeça a passadores...

A Rússia não está isolada, a Polónia, a Hungria, a Dinamarca, e outros não aceitam "refugiados" mas aceitam imigrantes (dentro dos seus limites) desde que devidamente documentados.

Eu não admiro Putin apenas penso que mediante os problemas em causa é o único que tem tomado as melhores medidas para combater o EI e ainda por cima com resultados inegáveis, quantos aos problemas de demografia e espaço vital não ocupado, o Kremlin saberá muito melhor do que eu e você como os resolver...

Penso que o meu raciocínio está perfeitamente explicado e não será necessário voltar a sintetiza-lo pelo menos até ao próximo " post "...
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De Pedro Correia a 25.07.2016 às 11:52

A Rússia não aceita refugiados? Pois: foi precisamente isso que eu referi.
Quanto aos imigrantes, os russos precisam deles como de pão para a boca. Com a demografia em declínio acelerado, todos os sonhos de restauração da "grandeza" imperial por parte do novo czar esbarram nesta realidade elementar: a população russa não quer fazer meninos.
Aproveito o seu interesse por estas questões para lhe deixar uma sugestão de leitura:
http://www.theatlantic.com/international/archive/2011/10/in-russia-a-demographic-crisis-and-worries-for-nations-future/246277/

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