Saltar para: Post [1], Comentários [2], Pesquisa e Arquivos [3]




Os que "compreendem" o terror

por Pedro Correia, em 22.07.16

alalam_635847591029331090_25f_4x3[1].jpg

 

Um brutal morticínio em Nice, há oito dias, provocou 84 mortos e 330 feridos. Hoje é Munique que está em estado de choque: um novo atentado terrorista, desta vez num centro comercial, terá causado dezena e meia de vítimas mortais. O estado de emergência foi decretado na capital da Baviera, a rede de transportes públicos está suspensa e a chanceler Angela Merkel convocou uma reunião extraordinária do Governo alemão.

Vivemos dias e noites de pesadelo um pouco por toda a Europa. O espectro do terror já se instalou no quotidiano do continente. O nosso modo de vida alterou-se - e assim permanecerá por muito tempo.

Nenhum país está imune a ele.  

 

Nem a França, que se opôs tenazmente à invasão do Iraque em 2003, nem a Alemanha, que tem estado na primeira linha do auxílio humanitário aos refugiados sírios e nunca enviou forças militares para o Médio Oriente. O que basta para desmentir qualquer alegação política para os actos criminosos e contraria certos Savonarolas sempre prontos a exigir a expiação dos pecados do Ocidente enquanto supostos porta-vozes da boa consciência europeia.

Savonarolas como Boaventura Sousa Santos, que enquanto estávamos todos ainda sob o efeito do choque provocado pelas rajadas homicidas no Charlie Hebdo escrevia estas inacreditáveis linhas no Público: "A extrema agressividade do Ocidente tem causado a morte de muitos milhares de civis inocentes (quase todos muçulmanos) e tem sujeitado a níveis de tortura de uma violência inacreditável jovens muçulmanos contra os quais as suspeitas são meramente especulativas, como consta do recente relatório presente ao Congresso norte-americano. É sabido que muitos jovens islâmicos radicais declaram que a sua radicalização nasceu da revolta contra tanta violência impune."

Savonarolas como Pablo Iglesias, que horas após a tragédia de Nice justificava com frios argumentos políticos o brutal assassínio que indignou o mundo: "O que alimenta o Daeh é a situação catastrófica no Iraque e a guerra na Síria. A Europa nem sempre actuou com sensatez nem com sentido estratégico nestes conflitos, que de algum modo constituem o combustível que alimenta o Estado Islâmico."

 

A história da "destruição do Iraque", sempre invocada quando há atentados terroristas na Europa, equivale a dizer que as vítimas inocentes destes atentados "estavam mesmo a pedi-las".

Equivale também a considerar vítimas os assassinos. Porque estarão apenas a vingar o que os desprezíveis dirigentes ocidentais fizeram ao Iraque.

Essa é a lógica hitleriana do olho por olho, dente por dente. Hitler conquistou metade da Europa, espezinhando-a e escravizando-a, para vingar as humilhações sofridas pela Alemanha no Tratado de Versalhes. Alegava ele. E muitos concordaram.

 

Quando estabelecemos uma espécie de equivalência moral entre carrascos e vítimas os nossos padrões éticos invertem-se. Se este princípio do "olho por olho" fosse válido na comunidade internacional, os japoneses deviam lançar bombas nucleares em duas cidades americanas e o Estado de Israel devia executar seis milhões de alemães em câmaras de gás.

Os Savonarolas estariam na primeira fila a compreender e caucionar tais gestos.


70 comentários

Imagem de perfil

De Paulo Sousa a 22.07.2016 às 22:01

Chegamos a um tempo em os combates são travados pelas forças de segurança e inteligence tentando antever e anular o próximo ataque. Com os meios atuais e com as garantias constitucionais que os cidadãos ocidentais têm isso nunca será suficiente. Com um redução dessas garantias as forças de segurança terão mais meios de nos proteger mas ainda assim os ataques poderão continuar a acontecer.
O actual enquadramento legal no nosso país tem muitas limitações, resquícios da ressaca do Estado Novo. Felizmente temos estado fora destes ataques, mas isso não pode adiar que se esteja preparado para o pior.
Teremos de confiar mais em quem nos protege. Ficará nas suas mãos o limiar do respeito pela nossa liberdade individual.
Temos motivos para confiar nas nossas forças de segurança?
Sem imagem de perfil

De tric.Lebanon a 22.07.2016 às 23:14

foi grave intervenção da NATO no Iraque motivada pelos interesses de Israel...mas mais grave ainda foi a saída da NATO sem acautelar a defesa da Civilização Cristã na região ...Israel vai-se juntar aos Daesh, formalmente, para atacar o Libano...o que está a acontecer à Cristandade no Levante...
Sem imagem de perfil

De T a 23.07.2016 às 09:29

A NATO? Pense lá bem, a NATO até esteve presente no Iraque, com essa força massiva de 30 ou 40 instrutores.
Imagem de perfil

De Pedro Correia a 24.07.2016 às 09:43

Não adianta argumentar com lógica e racionalidade, T. Os anti-semitas, cegos pelo ódio a Israel, são incapazes de enxergar o óbvio ululante.
Sem imagem de perfil

De tric.Lebanon a 24.07.2016 às 12:26

cegos!!!??? é muito claro o que Israel anda a fazer no Líbano...
Imagem de perfil

De Pedro Correia a 24.07.2016 às 13:42

Cegos. A defender a estratégia do 'olho por olho'. Para o mundo inteiro ficar cego também.
Sem imagem de perfil

De tric.Lebanon a 24.07.2016 às 17:27

"cegos pelo ódio a Israel"
.
eu nunca pensei é que os Israelitas tivessem tanto ódio à Cristandade no Libano, ao ponto de a pretenderem destruir !!! isso é que nunca pensei...
Imagem de perfil

De Pedro Correia a 24.07.2016 às 17:40

O pior cego é sempre o que não quer ver.
Sem imagem de perfil

De tric.Lebanon a 24.07.2016 às 17:07

cegos!!!??? é muito claro o que Israel anda a fazer no Líbano...
Imagem de perfil

De Pedro Correia a 24.07.2016 às 17:42

Não querer ver é uma forma de cegueira. Mais lamentável do que a outra.
Sem imagem de perfil

De tric.Lebanon a 24.07.2016 às 20:19

realmente, mas acho que a razão não é não querer vêr...não vêm mesmo...os Israelitas colocaram umas palas nos mass média e estes só vêm o que eles querem...
Imagem de perfil

De Pedro Correia a 24.07.2016 às 20:53

Já tinha ficado evidente que não vêem. Se também não vêm isso só agrava o problema.
Imagem de perfil

De Pedro Correia a 24.07.2016 às 09:41

Resposta à pergunta do Paulo Sousa: sim, temos motivos para confiar nas nossas forças de segurança. Mas não temos motivos para confiar nos nossos políticos. A demagogia política contra os riscos de um regime "securitário", somada às sucessivas alterações legais que esvaziaram de recursos humanos e financeiros os serviços de informações, arrisca-se a produzir consequências desastrosas em Portugal.
Enquanto a classe política não perceber que precisamos de serviços de informações competentes, bem pagos, com perspectivas de progressão de carreira e dotados de meios eficazes para produzir resultados (fazer escutas contra suspeitos de terrorismo, por exemplo) estaremos sempre à mercê da protecção divina - e pouco mais.
Portugal está neste momento tão dependente das receitas turísticas que bastará um atentado terrorista de pequena dimensão em território nacional para nos matar a galinha dos ovos de ouro.
E sem serviços de informações eficazes esse atentado pode ocorrer a qualquer momento.

Comentar post



O nosso livro



Subscrever por e-mail

A subscrição é anónima e gera, no máximo, um e-mail por dia.




Links

Blogue da Semana

  •  
  • Afinidades

  •  
  • Lá fora cá dentro

  •  
  • Mais ligações

  •  
  • Informações úteis


    Arquivo

    1. 2020
    2. J
    3. F
    4. M
    5. A
    6. M
    7. J
    8. J
    9. A
    10. S
    11. O
    12. N
    13. D
    14. 2019
    15. J
    16. F
    17. M
    18. A
    19. M
    20. J
    21. J
    22. A
    23. S
    24. O
    25. N
    26. D
    27. 2018
    28. J
    29. F
    30. M
    31. A
    32. M
    33. J
    34. J
    35. A
    36. S
    37. O
    38. N
    39. D
    40. 2017
    41. J
    42. F
    43. M
    44. A
    45. M
    46. J
    47. J
    48. A
    49. S
    50. O
    51. N
    52. D
    53. 2016
    54. J
    55. F
    56. M
    57. A
    58. M
    59. J
    60. J
    61. A
    62. S
    63. O
    64. N
    65. D
    66. 2015
    67. J
    68. F
    69. M
    70. A
    71. M
    72. J
    73. J
    74. A
    75. S
    76. O
    77. N
    78. D
    79. 2014
    80. J
    81. F
    82. M
    83. A
    84. M
    85. J
    86. J
    87. A
    88. S
    89. O
    90. N
    91. D
    92. 2013
    93. J
    94. F
    95. M
    96. A
    97. M
    98. J
    99. J
    100. A
    101. S
    102. O
    103. N
    104. D
    105. 2012
    106. J
    107. F
    108. M
    109. A
    110. M
    111. J
    112. J
    113. A
    114. S
    115. O
    116. N
    117. D
    118. 2011
    119. J
    120. F
    121. M
    122. A
    123. M
    124. J
    125. J
    126. A
    127. S
    128. O
    129. N
    130. D
    131. 2010
    132. J
    133. F
    134. M
    135. A
    136. M
    137. J
    138. J
    139. A
    140. S
    141. O
    142. N
    143. D
    144. 2009
    145. J
    146. F
    147. M
    148. A
    149. M
    150. J
    151. J
    152. A
    153. S
    154. O
    155. N
    156. D