Saltar para: Post [1], Comentários [2], Pesquisa e Arquivos [3]




Os populistas

por Luís Naves, em 31.01.15

O Podemos mostrou hoje a sua força em Madrid, numa marcha que atraiu uma multidão. À frente em várias sondagens, a poucos meses das legislativas, o novo partido não é apenas um protesto resultante da frustração dos espanhóis com a crise, mas uma revolução no sistema político. Há diferenças entre Podemos e Syriza, mas um elemento em comum: ambos absorveram o eleitorado comunista e estão a conquistar o espaço político dos socialistas. Na Grécia, as primeiras vítimas foram PASOK e KKE, que em 2009 somaram mais de metade do eleitorado grego e agora têm apenas 9,5% (somados). Em Espanha, a IU ameaça implodir e o PSOE surge nas sondagens em terceiro lugar, com uma votação muito inferior aos valores tradicionais.

Sem experiência de governação, os políticos de protesto apostam na retórica e nas fórmulas simples para resolver os problemas. Estas pessoas parecem muito diferentes do que a lamentável classe política que presidiu aos anos da Grande Recessão. O Syriza está a tentar uma ruptura com a União Europeia, enquanto o Podemos, mais cerebral, centra o seu programa no combate à corrupção. As eleições gregas sugerem que a franja mais à esquerda do sistema partidário está a sofrer uma convulsão inédita. O eleitorado de esquerda parece recusar as posições tradicionais de comunistas e socialistas, preferindo o tom mais utópico das novas formações populistas, que não hesitam em culpar a Europa pelas dificuldades, propondo soluções nacionais.

Em Portugal, comentadores de esquerda estão já a adoptar estes temas, atribuindo todos os problemas à adesão europeia. Segundo dizem, o país empobreceu (é extraordinário que culpem a Europa, mas é isso que está a acontecer nos espaços de debate público) e perdeu margem de manobra. Para além de imaginar uma UE que nunca existiu, esta elite continua a ignorar o que nos levou à falência e ao resgate.

Há duas formas dos movimentos populistas conseguirem engolir a esquerda: formando novos partidos que cilindrem os existentes ou conquistando os que existem. A primeira forma parece ter falhado em Portugal, a segunda está em marcha.

Autoria e outros dados (tags, etc)


18 comentários

Sem imagem de perfil

De TáQuase a 31.01.2015 às 19:53

Já faltou mais para o Costa declarar que o PS nunca foi nem será o PSOE.
Imagem de perfil

De cheia a 31.01.2015 às 20:21

E o que é que fizeram, os não populistas? Em Estrasburgo e em Bruxelas distanciaram-se dos eleitores, desenvolveram a burocracia, aumentaram as mordomias e decretaram a austeridade para os outros.
Em Portugal fizeram o mesmo, com a agravante de promoverem também a corrupção. Não contentes com a brutal corrupção, ainda decretaram o empobrecimento, só para alguns, porque cada vez os ricos estão mais ricos e os pobres mais pobres! Portanto, entre populistas e corruptos, venha o
diabo e escolha .
Não nos podemos ajoelhar a Merkel, como faz Passos. A Europa tem de dizer quem é que se esqueceu da solidariedade , e do que é que vivem os que não conseguem trabalho?
Sem imagem de perfil

De Alexandre Carvalho da Silveira a 01.02.2015 às 02:09

Cheia de razão. E em Portugal tem várias opções à esquerda, é só escolher e votar na que mais gostar.
Sem imagem de perfil

De JSP a 31.01.2015 às 21:16

Para os "coletas" , as verdadeiras sondagens vão ser em Março (Andaluzia), e em Maio , com autarquicas de âmbito nacional, e algumas autonómicas.
A ver se o folclore se mantém, já que "España es diferente"...
Sem imagem de perfil

De Vento a 31.01.2015 às 21:23

Não vai haver nenhuma ruptura com o Syriza. Dêem-lhes espaço para viver e crescer e isto não ocorrerá. É isto que está em causa na Grécia, Portugal, Espanha, Irlanda, Itália, e se assim continuar na Alemanha, onde já há mais de 3 milhões a viver no nível de pobreza TRABALHANDO, França e mais outros.

Como está delineado o programa eles jamais pagarão a dívida. Perdoem parte e reestruturem a restante. É necessário redefinir os pactos ou, se não, rasgá-los.

Merkel diz que não cede, mas lá vai pedindo a Hollande que fale com Tsipras. É o jogo da retórica que está a ocorrer.
Sem imagem de perfil

De l. rodrigues a 31.01.2015 às 22:08

"Como está delineado o programa eles jamais pagarão a dívida."

Concordará que com os planos anteriores (os da troika) o resultado era o mesmo com a agravante de cada vez mais gente passar fome.
Sem imagem de perfil

De Vento a 01.02.2015 às 00:05

Não, não concordo. A fome continua a existir. A única diferença é que eles com o crescimento actual, pagando a actual dívida, necessitam de DOIS SÉCULOS para a liquidar; e nos montantes anteriores necessitariam de 3.
Sem imagem de perfil

De Depuralino a 31.01.2015 às 22:03

Aguardo com impaciência que os que culpam de tudo a Europa não só recusem com desdém os fundos europeus que aí vêm como se disponham a devolver com juros todos os que até agora cá entraram.
Sem imagem de perfil

De l. rodrigues a 31.01.2015 às 22:11

Populismo não é sinónimo de demagogia, como tantas vezes se tenta fazer crer. Populismo, é um movimento político que reconhece que o estado está tomado por uma elite que afronta os interesses do povo, e como tal propoe políticas que reduzam o poder dessas elites.

Também se poderia chamar democracia, no fundo, se o povo votasse sempre na defesa dos seus próprios interesses. Coisa que é rara.
Sem imagem de perfil

De rmg a 31.01.2015 às 23:05


O povo vota sempre na defesa dos seus próprios interesses: cada pessoa vota no seu próprio interesse.

That is the question!
Sem imagem de perfil

De da Maia a 01.02.2015 às 00:31


"Populismo" foi um adjectivo escolhido pelo status quo para classificar uma oposição política que ganha apoio popular, assim como "teoria da conspiração" é o nome usado pejorativamente para denunciar todas as teorias incómodas, como se vivessemos num mundo de contos de crianças em que a história política é transparente.
Sem imagem de perfil

De JS a 31.01.2015 às 22:33

Mas que estão assustados (PS e PSD) lá isso estão.

Passos Coelho já com voz de falsete, incomprênsível num cantor esperiente.
Costa gritando incoerências avulso transparece estar menos seguro que o dito.

Sem imagem de perfil

De Temos Professor a 31.01.2015 às 22:46

incomprênsível esperiente
Sem imagem de perfil

De JS a 01.02.2015 às 14:31

Obigadinho Sotô. (cordialmente)
Sem imagem de perfil

De Tiro ao Alvo a 31.01.2015 às 22:48

O que vale é que os socialistas andam todos contentes, desde o Mário Soares até ao Costa, passando pelo Sócrates.
Sem imagem de perfil

De Alexandre Carvalho da Silveira a 01.02.2015 às 02:19

O Costa que não é a inteligência que alguns apregoam, mas é manhoso, já percebeu, tarde mas percebeu, de onde é que saem os votos para engordar os novos partidos populistas: maioritáriamente dos partidos socialistas. Na Grécia o Syrisa deixou o Pasok com 4%, e em Espanha o Podemos está a deixar o PSOE pouco acima dos 10% e em França a FN está a deixar o Hollande com 12-15%. Portanto há que pôr as barbas de molho não vá o Diabo tecê-las. Posso estar enganado mas com este zigzaguiar do PS, o Marinho e o Tavares vão deixar os socialistas na casa dos 20 e tal%.
É no que dá a politica do "NIM"!
Sem imagem de perfil

De Zé a 01.02.2015 às 16:45

... E vai ser muito bem feito. Sedentos do seu protagonismo doentio e de uma vaidade imensa vão fazendo uma caminhada inglória, mas não estão sozinhos.
Afinal o Tozé até nem era assim tão totó como alguns iluminados do seu (deles) partido apregoavam.
Sem imagem de perfil

De Justiniano a 02.02.2015 às 10:12

De facto, caro Naves, "Para além de imaginar uma UE que nunca existiu", extraordinário. É impressionante a facilidade com que o sem número de vozes presume a realidade e se instila de um sentido de justiça infantilizado, derrogando miles de anos de história universal!!
E o mais extraordinário é que a sanha advenha também de custódios do tratado de lisboa, não sei se ainda o recordam com saudade!!
As contradições são tantas e tamanhas que a meio do acto hão de haver vícios tornados virtudes e virtudes que serão tidas por vícios.
Um bem haja,

Comentar post



O nosso livro






Links

Blogue da Semana

  •  
  • Afinidades

  •  
  • Lá fora cá dentro

  •  
  • Mais ligações

  •  
  • Informações úteis


    Arquivo

    1. 2019
    2. J
    3. F
    4. M
    5. A
    6. M
    7. J
    8. J
    9. A
    10. S
    11. O
    12. N
    13. D
    14. 2018
    15. J
    16. F
    17. M
    18. A
    19. M
    20. J
    21. J
    22. A
    23. S
    24. O
    25. N
    26. D
    27. 2017
    28. J
    29. F
    30. M
    31. A
    32. M
    33. J
    34. J
    35. A
    36. S
    37. O
    38. N
    39. D
    40. 2016
    41. J
    42. F
    43. M
    44. A
    45. M
    46. J
    47. J
    48. A
    49. S
    50. O
    51. N
    52. D
    53. 2015
    54. J
    55. F
    56. M
    57. A
    58. M
    59. J
    60. J
    61. A
    62. S
    63. O
    64. N
    65. D
    66. 2014
    67. J
    68. F
    69. M
    70. A
    71. M
    72. J
    73. J
    74. A
    75. S
    76. O
    77. N
    78. D
    79. 2013
    80. J
    81. F
    82. M
    83. A
    84. M
    85. J
    86. J
    87. A
    88. S
    89. O
    90. N
    91. D
    92. 2012
    93. J
    94. F
    95. M
    96. A
    97. M
    98. J
    99. J
    100. A
    101. S
    102. O
    103. N
    104. D
    105. 2011
    106. J
    107. F
    108. M
    109. A
    110. M
    111. J
    112. J
    113. A
    114. S
    115. O
    116. N
    117. D
    118. 2010
    119. J
    120. F
    121. M
    122. A
    123. M
    124. J
    125. J
    126. A
    127. S
    128. O
    129. N
    130. D
    131. 2009
    132. J
    133. F
    134. M
    135. A
    136. M
    137. J
    138. J
    139. A
    140. S
    141. O
    142. N
    143. D