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Os órfãos de Estaline no PCP

por Pedro Correia, em 07.11.17

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Imaginemos que um dirigente de um partido português elogiava Hitler: seria justamente vergastado no tribunal da opinião pública. E o que sucede quando um dirigente de um partido português elogia Estaline, "talvez o maior torcionário da história universal", como hoje o classifica Viriato Soromenho-Marques no Diário de Notícias?

Nada. Não acontece nada.

 

Na edição de domingo do mesmo jornal, um histórico membro da nomenclatura do PCP, Albano Nunes, afirma em entrevista que  "Estaline não tem só aspectos negativos, tem aspectos positivos".

Vale a pena assinalar: quem assim fala é alguém que esteve 42 anos no Comité Central, entre 1974 e Dezembro de 2016, e permaneceu 28 anos consecutivos no Secretariado, órgão de condução efectiva dos destinos do partido, tendo assumido durante décadas a responsabilidade máxima pela secção internacional dos comunistas portugueses.

Albano Nunes diz em voz alta aquilo que a maioria dos dirigentes do PCP pensa a respeito do tirano que conduziu à morte pelo menos 20 milhões de pessoas e aperfeiçoou os mecanismos de terror lançados na vasta Rússia por Lenine, faz hoje cem anos. Instaurando a censura, interditando o pluralismo político, subjugando as mais ínfimas células sociais à bota totalitária do Estado, asfixiando metade da Europa sob o domínio militar de Moscovo, condenando populações inteiras à fome e transformando o país num imenso campo de concentração onde os detidos eram despojados de todos os direitos cívicos e de toda a dignidade humana.

 

O mesmo olhar comovido e complacente pela chamada Revolução Soviética e pelo seu inesgotável cortejo de crimes surge esta manhã, ainda no DN, pela pena do secretário-geral do PCP. Sem um assomo de dúvida ou sobressalto, Jerónimo de Sousa derrama-se em elogios pelo "acontecimento maior da história da humanidade, que inaugurou uma nova época", "lançou as bases de um nova sociedade sem a exploração do homem pelo homem" e possibilitou "a instauração de um verdadeiro e genuíno poder popular".

O líder comunista chega ao ponto de distorcer clamorosas evidências históricas, ao anotar que "no final da década de 80 a URSS encontrava-se na vanguarda em diversas tecnologias, possuía um terço do total de médicos do mundo e a mais baixa taxa de mortalidade do planeta", e ao enaltecer a defunta União Soviética - então sob o mando férreo de Estaline - por ter "enfrentado sozinha durante três anos a besta nazi-fascista e os seus exércitos".

Jerónimo confunde a Rússia com o Reino Unido, que - esse sim, sob o comando de Churchill - combateu as legiões nazis enquanto o déspota do Kremlin assinava o pacto de não-agressão germano-soviético que lhe permitiu partilhar com a Alemanha os despojos da Polónia, garantindo dois anos de amabilidades diplomáticas trocadas com Berlim, entre Agosto de 1939 e Junho de 1941.

 

Leio estas referências dos órfãos ideológicos de Estaline e uma vez mais me interrogo o que pensarão disto alguns destacados militantes do PCP que conheço e respeito. Pessoas como o deputado António Filipe, o ex-deputado Honório Novo, o ex-líder parlamentar Octávio Teixeira, o escritor Manuel Gusmão ou o antigo secretário-geral Carlos Carvalhas.

Estarão confortáveis com esta persistente apologia de um regime criminoso celebrado como libertador pelo partido a que pertencem? Não sentirão pelo menos um vago incómodo ao detectarem o fantasma de Estaline vogando entre as paredes opacas da Soeiro Pereira Gomes?

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62 comentários

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De Weltenbummler a 07.11.2017 às 11:11

bochechas, o Kerenski nativo
esteve quase a sair com os pés para a frente

hoje tinha ido

esqueceram-se de convidar Gorbachov
leiam as memórias de Krutchev prefaciadas pelo filho
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De Pedro Correia a 07.11.2017 às 18:32

Já li. Krutchov também tinha bochechas...
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De Luís Lavoura a 07.11.2017 às 11:36

Eu não sou do PCP nem lá próximo, mas também reconheço que Estaline, tal como Hitler aliás, tiveram aspetos positivos. Em particular no aspeto económico, Estaline industrializou o seu país de forma extremamente rápida. Portanto, Albano Nunes tem em minha opinião razão: Estaline não teve somente aspetos negativos.

o Reino Unido [...] combateu as legiões nazis enquano o tirano soviético assinava o pacto de não-agressão germano-soviético

É verdade. Porém, a contribuição fundamental, decisiva, para a derrota de Hitler foi dada pela União Soviética. Não sei números exatos, mas provavelmente 2/3 dos soldados alemães terá morrido em combate contra os soviéticos. Os ingleses deram um contributo bastante pequeno.
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De Vlad, o Emborcador a 07.11.2017 às 12:54

Meu caro, a URSS perdeu dezenas de milhões de soldados na frente leste. Os alemães, centenas de milhares. A estratégia da URSS era essencialmente esta. Mandar para a frente mais soldados que o número de balas dos nazis. A chamada estratégia de "carne para canhão"

A Inglaterra e os Aliados tinham um problema que Estaline não tinha. A Opinião pública. Por isso, os aliados (e mesmo Hitler) tinham de pensar a guerra, no sentido de evitar um número exagerado e injustificado de baixas.

Quanto ao aspecto económico, de ambos os ditadores, ela resumia-se a pôr a Industria ao serviço da guerra. Pela mesma linha argumentativa nunca deveríamos ter como meta politica o fim da guerra pois esta iria gerar uma massa de desempregados. Da mesma forma contribuindo os serviços de saúde para o PIB, não deveríamos procurar a cura para as doenças uma vez que isso seria mau para a economia.
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De Luís Lavoura a 07.11.2017 às 15:10

O que eu escrevi foi que "a contribuição fundamental, decisiva, para a derrota de Hitler foi dada pela União Soviética". Isto é indubitavelmente verdade. Não escrevi nada sobre a estratégia da URSS ter sido correta ou humanitariamente boa.

Estaline e Hitler tiveram valiosas contribuições económicas muito antes de a guerra ter começado. Hitler eliminou o desemprego alemão, e não foi somente com o desenvolvimento da indústria bélica (foi também com a construção de autoestradas, etc). Estaline desenvolveu muita indústria pesada durante os anos 30, mais uma vez sem qualquer relação direta com a guerra (que ele não sabia que vinha aí).
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De Vlad, o Emborcador a 07.11.2017 às 16:59

Sabe quem ajudou materialmente a URSS ? Os EUA.
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De Luís Lavoura a 07.11.2017 às 18:04

Sim, já ouvi dizer que os EUA forneceram motores de tanque à URSS. Não sei se é verdade, mas acredito que sim.
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De lucklucky a 08.11.2017 às 14:00

Atravesse-se a escrever sobre a II Guerra Mundial e depois escreve isto...

"Sim, já ouvi dizer que os EUA forneceram motores de tanque à URSS."


Nikita Krutchev nas suas memorias:

"I would like to express my candid opinion about Stalin’s views on whether the Red Army and the Soviet Union could have coped with Nazi Germany and survived the war without aid from the United States and Britain. First, I would like to tell about some remarks Stalin made and repeated several times when we were "discussing freely" among ourselves. He stated bluntly that if the United States had not helped us, we would not have won the war. If we had had to fight Nazi Germany one on one, we could not have stood up against Germany's pressure, and we would have lost the war. No one ever discussed this subject officially, and I don't think Stalin left any written evidence of his opinion, but I will state here that several times in conversations with me he noted that these were the actual circumstances. He never made a special point of holding a conversation on the subject, but when we were engaged in some kind of relaxed conversation, going over international questions of the past and present, and when we would return to the subject of the path we had traveled during the war, that is what he said. When I listened to his remarks, I was fully in agreement with him, and today I am even more so."


G.K. Zhukov. Marechal da União Soviética

Today [1963] some say the Allies didn’t really help us… But listen, one cannot deny that the Americans shipped over to us material without which we could not have equipped our armies held in reserve or been able to continue the war.



Só um exemplo reduzido:
http://lend-lease.airforce.ru/

Aquilo que de mais importante que aviões, tanques que os EUA forneceram foi material para fabricar explosivos, rádios, borracha, material ferroviário, camiões e maquinaria industrial.

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De Vlad, o Emborcador a 07.11.2017 às 17:02

A recuperação da economia alemã já tinha começado nos ultimos anos da República - conferir Guerra do Mundo, de Niall Ferguson.

Essa da crise económico é mais expiação do que explicação
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De Luís Lavoura a 07.11.2017 às 18:06

Niall Ferguson é um historiador neoliberal, que finge ser economista. Não acredito nele. E essa tese de que a economia já tinha começado a recuperar antes das políticas keynesianas é uma treta comum dos meios neoliberais, também em relação à economia dos EUA.
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De Vlad, o Emborcador a 07.11.2017 às 19:23

Oxalá o seu proctologista não seja neoliberal.
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De am a 07.11.2017 às 14:20

"Eslaline desenvolveu o país d'uma forma (positiva), extremamente rápida"...

Quer com isso dizer:

O senhor Lavoura aplaude uma lavoura fertil ...mesmo trabalhada por escravos...
Conhece-lo, amá-los e f****.
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De Vlad, o Emborcador a 07.11.2017 às 11:40

Estaline, ao saber que o filho tinha tentado o suicídio, vai visitá-lo ao Hospital, dizendo-lhe:

- Nem isso (o suicídio) o conseguiste fazer como deve ser!

Quanto ao fogo, ele arde na cabeça dos revolucionários, e não nos telhados:

The Duties of the Revolutionary toward Himself (Sergey Nechayev 1869)

Ponto 6:

Tyrannical toward himself, he must be tyrannical toward others. All the gentle and enervating sentiments of kinship, love, friendship, gratitude, and even honor, must be suppressed in him and give place to the cold and single-minded passion for revolution. For him, there exists only one pleasure, on consolation, one reward, one satisfaction – the success of the revolution. Night and day he must have but one thought, one aim – merciless destruction. Striving cold-bloodedly and indefatigably toward this end, he must be prepared to destroy himself and to destroy with his own hands everything that stands in the path of the revolution.

Entendidos.







"no final da década de 80 a URSS encontrava-se na vanguarda em diversas tecnologias, possuía um terço do total de médicos do mundo e a mais baixa taxa de mortalidade do planeta"

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De Vlad, o Emborcador a 07.11.2017 às 12:43

"no final da década de 80 a URSS encontrava-se na vanguarda em diversas tecnologias, possuía um terço do total de médicos do mundo e a mais baixa taxa de mortalidade do planeta"

Faltou-me falar sobre aquilo:

Segundo as estatísticas, de um qualquer Organismo Internacional, no Nepal a taxa de mortalidade, por acidentes rodoviários, é das mais baixas do planeta

No Etiópia o número de casos de diabetes e doenças metabólicas, associadas, à obesidade são, em termos quantitativos, dos mais baixos do mundo.

E isso diz-nos que devemos copiar a Etiópia e o Nepal quanto as temáticas em questão?





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De Maria Dulce Fernandes a 07.11.2017 às 16:04

No princípio da década de 80 estive na URSS .
Bonito por fora e podre por dentro. Era apenas importante mostrar em grande. Os Gum em Moscovo, o expoente máximo da sociedade comunista, as lojas do povo, estavam vazias de comida, tal como o país. As filas para limões (!!) e vodka eram intermináveis. Ikra do bom, só nas Berioskas e tinha que ser pago com divisa, assim como as entradas no Bolshoi e no Kirov. Tudo Dólar, Marco, Franco ou Libra. Não bebi leite sem coalho nem café sem borra. Carne e peixe ... enfim. No hotel davam 1/4 de laranja por pessoa, o que era considerado um luxo. A água da torneira não era para beber... se calhar nem para banhos... Era baça e escura... desde os candeeiros da rua aos magníficos painéis, quadros, baixos relevos , etc, das estações do metro, tudo era pintado "por cima" em sucessivas camadas brilhantes para mostrar ao povo a magnificência de um regime herdado do "paizinho", do grande homem que deixou apodrecer a raiz das suas crenças, transformando -a apenas em fogo de vista.

PS. ainda vi o Lenin, ou seja, vi de passagem, olhos baixos e mãos postas e casaco abotoado até ao queixo. Isto para quem a religião é uma droga é um brutal paradoxo. E vi o Gorbashov no Teatro, porque "comprei" por 5 USD dois lugares de camarote.
Salvou-se Sr. Petersburg ( Leningrad na altura), a alegria das gentes e as White nights.
Curioso que depois de serem massacrados pelos alemães na WWII, tenham escolhido precisamente o alemão como 2a língua...
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De Pedro Correia a 07.11.2017 às 18:37

Não diga isso, Dulce. Segundo Jerónimo de Sousa, a URSS nesses mesmos anos "já tinha mais de 5 milhões de cientistas, ou seja, um quarto do total existente em todo o mundo".
E prossegue: "A URSS tinha, em 1987, 140 mil jardins-de-infância frequentados por mais de 16 milhões de crianças. Em 1985, mais de 80% da população já tinha casa ou apartamento individual e as rendas não sofriam qualquer alteração desde 1928 representando apenas 3% a 4% do orçamento familiar. Em 1979, a URSS ocupava o primeiro lugar na Europa e o segundo lugar no mundo a nível de produção industrial. Na mesma década de 80 era já o país onde se faziam maiores inventos."
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De Maria Dulce Fernandes a 07.11.2017 às 19:03

A minha guia em Leningrad morava com o marido e mais dois casais um dos quais com dois filhos num apartamento com 3 assoalhadas, serventia de cozinha e casa de banho.
Tinha a sala maior porque o marido era fotógrafo da Tass e teve que "construir " uma câmara escura. Montaram uma estrutura em madeira em que dormiam na parte de de cima e comiam, trabalhavam e socializavam na parte de baixo.
Os co-habitantes viviam em idênticas condições, que até não eram as piores.
Passámos uma tarde inteira numa espécie de cemitério de módulos espaciais, com Soiuz, Sputniks, a Laika ,fotos do Gagarin, etc, tudo preso por arames e ferrugento. A guia em Moscovo desfazia-se em desculpas por ter que traduzir a ladeinha interminável de um centenário militar que vergava sob o peso das medalhas, mas que tinha que trabalhar psra pode ter onde dormir. A velhinha babulya que punha música na pista de gelo do Gorky Park precisava do cubículo para poder aquecer-se...
É viva o paizinho, que tanto fez pelos seus ...
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De Vlad, o Emborcador a 07.11.2017 às 19:04

Pedro, o grande problema da ex URSS era a quantidade de internados nos Serviços de Psiquiatria.
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De Maria Dulce Fernandes a 07.11.2017 às 20:57

Danados para inventar, esses soviéticos, Pedro. Será um gene que passa por osmose partidária ?
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De Vlad, o Emborcador a 07.11.2017 às 19:10

Dulce, não há nada como ver. Nas
matérias humanas conhece-se vendo. E as misérias vistas descobrem-se com o corpo todo.
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De Vlad, o Emborcador a 07.11.2017 às 19:50

Olhe que capitalismo da moda não é melhor.
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De Maria Dulce Fernandes a 07.11.2017 às 21:35

Um dia destes conto-lhe como "comprámos" o comboio que nos trouxe de St. Petersburg de volta a Moscovo, à troca de isqueiros cricket canetas BIC, uma Parker, um punhado de pastilhas eslásticas e um par de calças Levi's.
E também da dificuldade que tivemos em "despachar" os Rublos que fomos obrigados a comprar porque nem para comprar pretzels os aceitavam, habst du dolá?
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De Pedro Correia a 07.11.2017 às 23:38

Aconteceu-me algo muito semelhante em Berlim-Leste, em 1983.
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De Anónimo a 07.11.2017 às 12:42

Adoro sempre que vejo alguém a tremer com o fantasma do Camarada Estaline. Vem logo ao de cima as tendências fascizantes que sempre estão lá, no âmago do burguês, que o medo desperta.

Repetem as mentiras de Hitler, as mentiras de 100 anos de terror do capitalista perante o avanço dos povos. Hitler foi derrotado em Estalingrado, em Moscovo, em Kursk. Foi derrotado em Berlim e assim foram libertados os povos do jugo do fascismo que Londres, Paris e Washington (não esquecendo Lisboa, Madrid, Roma) estavam dispostos a aceitar em 39, desde que derrotasse o Estado dos Trabalhadores.

Vocês não perdoam aos sovietes terem tido a ousadia de provar que não precisamos de capitalistas para construir o nosso futuro!

Os trabalhadores e o povo não perdoaram a quem lhes fez durante séculos a vida em farrapos, a quem os condenou à pobreza durante gerações e gerações.

No futuro, também não perdoarão.

No Centenário da Gloriosa Revolução de Outubro, alimenta-me a fé num futuro livre de parasitas que vivem à custa do suor de quem trabalha.
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De Pedro Correia a 07.11.2017 às 13:15

Parabéns, camarada. A cassete mantém-se bem conservada aí no museu.
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De Vlad, o Emborcador a 07.11.2017 às 13:34

"Vocês não perdoam aos sovietes terem tido a ousadia de provar que não precisamos de capitalistas para construir o nosso futuro! "

Qual é o valor da tua farramenta?

https://www.youtube.com/watch?v=l7qs_nfLMSc
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De JPT a 07.11.2017 às 13:52

Aqui o comuna analfabeto (passe o pleonasmo) não sabe que o camarada Estaline apenas se manteve em combate graças aos vastos fornecimentos de material de guerra americano que, ainda antes da entrada dos EUA na guerra, lhe foi fornecido: 14 mil aviões, 12 mil tanques, 44 mil jipes, 375 mil camiões, pólvora, explosivos, aço, rolamentos, botas, cobertores, petróleo, tudo a chegar, em contínuo, das fábricas "capitalistas". E que a vitória na frente Leste seria inconcebível sem o bombardeamento aliado da Europa ocupada, da França à Roménia, que degradou a capacidade industrial e de produção petrolífera dos Nazis. E que sem a segunda frente, aberta em Itália (sem sucesso) e na Normandia pelos aliados ocidentais, os milhões de mortos soviéticos não teriam valido qualquer vitória. E que quem esteve aliado a Hitler, entre Agosto de 1939 e a data em que este decidiu acabar com a aliança, foi Estaline, e com ele, as quintas colunas comunistas, que, obedecendo às ordens do Comintern, na França ou na Polónia desertaram e sabotaram os seus próprios exércitos, e, nos EUA, militaram activamente contra a entrada do país na Guerra. No Centenário da Gloriosa Revolução de Outubro (que, sintomaticamente, foi em Novembro), o que alimenta os comunistas é o mesmo de sempre: a mentira.
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De Vlad, o Emborcador a 07.11.2017 às 19:47

"que alimenta os comunistas é o mesmo de sempre: a mentira"

Uma experiência mental. Onde lê comunistas, leia o padre e o frade. A beata e o diácono. O capitalista, e o vendedor de gelados....

A mentira é um ar que se respira.
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De JPT a 08.11.2017 às 10:12

Como tudo na vida, caro Emborcador, é tudo uma questão de escala. Por exemplo, eu também emborco, mas manifestamente menos, e só às refeições.
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De Vlad, o Emborcador a 08.11.2017 às 13:13

Não acredite em tudo o que lê! Ou ouve!
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De João Pedro Pimenta a 07.11.2017 às 17:46

Não sei se estou a responder a um brincalhão ou a uma múmia despertada por instantes, mas esses tais povos foram ocupados pelo "jugo fascista" também com apoio da URSS e do seu querido paizinho dos povos, ou esqueceram que depois do infame pacto Molotov-Ribbentrop a Alemanha nazi invadiu a Polónia por um lado e a URSS estalinista pelo outro, e as suas tropas desfilaram juntas? Isso enquanto Paris e sobretudo Londres, as tais que, segundo as suas palavras, "estavam dispostas a aceitar o fascismo" declaravam guerra ao vosso aliado de então, Adolf Hitler.
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De Costa a 07.11.2017 às 18:05

Uma versão burguesa e nazi-fascista da História, essa que você anda para aqui a espalhar. Olhe que Peniches e Tarrafais podem muito bem ser locais de justíssima punição e reeducação.

Costa
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De Pedro Correia a 07.11.2017 às 18:39

Enquanto Churchill resistia isolado na Europa, Estaline cortejava Hitler e partilhava com ele a anexação criminosa de diversos países da Europa - no caso, além da Polónia Oriental, ainda a Finlândia, a Estónia, a Letónia e a Lituânia.
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De Vlad, o Emborcador a 07.11.2017 às 19:56

Churchill também não é um modelo de virtude. Basta ler as opiniões que esse alcoólatra tinha sobre os indianos e os negros sul africanos. Não esqueçamos que o racismo científico começou na Inglaterra e não na Alemanha.
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De Pedro Correia a 07.11.2017 às 20:07

Cuidado com essa obsessão em ser governado por gente "perfeita". Perfeito era o Pol Pot: três milhões de cambojanos não sobreviveram para testemunhar.
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De Vlad, o Emborcador a 07.11.2017 às 20:19

Pensava mais no Marther Luther King, ou no Rubin Hurricane Carter.
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De Joana Cruz a 07.11.2017 às 22:18

Tem toda a razão, aos nossos tudo se perdoa.
O chato é que os outros pensam da mesma maneira.
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De V. a 07.11.2017 às 19:18

Só à chapada.
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De Costa a 07.11.2017 às 12:48

"(...) que pensarão disto alguns destacados militantes do PCP que conheço e respeito. Pessoas como o deputado António Filipe, o ex-deputado Honório Novo, o ex-líder parlamentar Octávio Teixeira, o escritor Manuel Gusmão ou o antigo secretário-geral Carlos Carvalhas."

Face ao que aqui tem deixado escrito, Pedro Correia, o que fariam eles de si se um dia chegassem (ou quando um dia chegarem) ao poder, o poder como o cantam, O Poder, por eles tão vibrantemente invocado, por cá? Não me recordo - por estes tempos em que tanto e tão justamente se comenta o servilismo de alguma comunicação social - de pergunta análoga lhes ter sido alguma vez assim colocada: clara e exigindo resposta clara.

Não creio que um bom comunista sinta incómodos - no sentido de pesos na consciência ou embaraços de (in)coerência - na sua necessariamente heróica e inabalável caminhada para a vitória final. É imperativo de um bom comunista que o não sinta, pois em caso algum como no dessa gente os fins justificam os meios. Fizeram, fazem e farão as alianças necessárias (refere você uma que é, como agora é uso dizer-se, disso um "paradigma"), aplicarão aos princípios os golpes de circunstância que houver que aplicar e utilizarão repetidamente os mecanismos da repugnante sociedade a que chamam com desprezo burguesa, de forma sábia e na exacta medida em que sirvam os seus (deles) confessados interesses. Os da destruição dessa sociedade.

São bem-falantes, alguns dos "novos", parecem libertos de lastros anacrónicos de forma, exibem cultura (de esquerda, claro; aliás, como bem se sabe, a única digna de o ser), mas fundamentalmente nada criticam, nada rejeitam, de nada se demarcam - a não ser por ocasionais formulações vagas, inócuas e que cuidadosamente se anulam a si mesmas - dos crimes que os seus deuses e apóstolos perpetraram.

E têm um sonho, para o qual aguardam a sua vez. Pacientemente, como um bom comunista.

O resto é a História e a Justiça dos vencedores. E os compromissos que impuseram. Vá lá que já se pode escrever que Estaline foi esse torcionário. Mas convém talvez que não nos iludamos quanto à solidez desse direito.

Costa
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De Pedro Correia a 07.11.2017 às 19:45

Caro Costa: ao contrário do que transparece cá para fora - graças, em boa parte, a um jornalismo preguiçoso que há muito deixou de escrutinar o PCP - há várias divergências internas no partido da foice e do martelo. Boa parte dessas divergências relacionam-se precisamente com questões de política internacional, nomeadamente a colagem a regimes como o norte-coreano. Outra parte tem a ver com o estalinismo: nisto a linha oficial do partido, embeiçada por este absurdo neo-estalinismo serôdio, está muito longe de ser consensual.
Sei do que falo porque acompanhei de perto durante alguns anos, como profissional da informação, a vida interna do PCP. Nada disto me é estranho.
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De Costa a 07.11.2017 às 23:14

Que tenha, Pedro Correia, toda a razão. Não é o de que me apercebo no dia-a-dia desse jornalismo, no que se vê da festa do avante, no "site" do partido ou nas capas do Avante ou d'O Militante.

Permita-me que, respeitando profundamente o que expõe, me mantenha, na matéria, bem mais céptico. Coisas, talvez, de filho de pequeno empresário revolucionária e metodicamente chacinado, na fazenda, na saúde e na honra pelo PREC (para alguns comentadores deste blogue, bem sei, nada mais do que um dano colateral perfeitamente natural, aceitável e em absoluto desresponsabilizável).

Coisas que não se esquecem. Menos ainda perante os que dominaram esse "processo", ou o aceitaram e ainda hoje vivem em paz e sinecuras ou com panegírica memória oficial.

Costa
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De Vlad, o Emborcador a 08.11.2017 às 08:02

Aos meus pais caçaram-lhes uma casa. E o meu pai por misericórdia - um velhote rebentado pela pobreza -por lá o deixou ficar.
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De Anónimo a 07.11.2017 às 13:47

Excelente o seu texto pela oportunidade e pela clarividência que evidenciou.
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De Pedro Correia a 07.11.2017 às 18:29

Grato pelas suas palavras.
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De Anónimo a 07.11.2017 às 14:06

A farta cabeleira é um aspecto positivo e o moustache também é de considerar.

Não me levem a mal, mas esta malta de cassete em punho cansa um bocadinho.
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De Pedro Correia a 07.11.2017 às 18:30

Da 'cassette' ao 'casse-tête' vai um curto passo.
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De Manuel Alves a 07.11.2017 às 14:30

" seria justamente vergastado no tribunal da opinião pública. E o que sucede quando um dirigente de um partido português elogia Estaline, "
A ideia subjacente de vergastar os adeptos do PCP, do Bloco, alguns do PS e outros anónimos parece-me ligeiramente exagerada. Mas seria interessante (todas as ideias têm algo de positivo) pois se as vergastadas fossem em público teríamos espectáculo para muitos meses e, em vez das feiras medievais tanto em moda, teríamos reconstituições aproximadas das cerimónias da Inquisição.
Chalk one up to you.
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De Pedro Correia a 07.11.2017 às 18:41

As cerimónias da Inquisição foram revividas e largamente ampliadas durante o terror estalinista.
A elas não sobreviveu sequer a clique fundadora da URSS. Mais de dois terços dos membros do primeiro comité central do partido comunista soviético foram liquidados por Estaline na década de 30.
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De João Marques a 07.11.2017 às 19:14

Os fanáticos sempre foram cegos para parte da realidade. E assim continuarão até morrer.
Não é qualquer um que abre um comício a louvar os camaradas da república progressista da coreia do norte, com milhares de surdos, imbecis ou lunáticos, a aplaudir.
Tamanha tem sido a vilania do PC nesta jovem democracia que é de espantar que seja possível tratar-se de um partido com representação parlamentar e não um movimento revolucionário clandestino ou uma associação recreativa de festivais musicais.
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De Manuel Alves a 07.11.2017 às 19:34

Há muitos portugueses malucos a votarem no PCP e BE. O melhor seria vergastá-los a todos para ver se tomam juízo. Só vejo um problema: o número de malucos é um bocado elevado. Como diminuí-lo?
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De Pedro Correia a 07.11.2017 às 19:37

Se ainda estivessem abertos os hospícios soviéticos, iam para lá. Conhecer 'in loco' o paraíso socialista.
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De Manuel Alves a 07.11.2017 às 22:21

Boa ideia. Infelizmente os hospícios fecharam todos (suponho).
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De João Marques a 07.11.2017 às 19:57

Não há solução. Nem a medicação funciona nos casos de alucinação.

O único aspecto positivo é que, para eles, o paraíso está apenas à distância de um mera viagem de avião. Escusam continuar a sua fracassada tentativa de evangelização.
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De Pedro Correia a 07.11.2017 às 20:08

Com bilhete só de ida. Do paraíso ninguém regressa.
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De João Marques a 07.11.2017 às 21:28

Nem mais.
Excelente texto caro Pedro.
Pena é que nem esfregando a dimensão dantesca da tragédia na face daquela gente se consiga sequer suscitar um assomo de dúvida.
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De Vlad, o Emborcador a 07.11.2017 às 21:46

Eu sou filiado no BE. Mas penso pela minha cabeça. Confidencio que maior do a minha crença no Bloco é o meu ódio pelos hipócritas dos partidos "responsáveis " que têm afundado o país. Se houvesse uma purga estaria na linha da frente segurando a pedra pomes do verdugo Sansão. Tenho um ódio viperino à hipocrisia.
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De Pedro Correia a 07.11.2017 às 23:39

Faz muito bem.
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De João Marques a 08.11.2017 às 15:05

"Tenho um ódio viperino à hipocrisia."
Deve então ter acompanhado com satisfação a "evolução governativa" do Bloco.

Só o facto de sentir necessidade de afirmar "sou do Bloco, MAS penso pela minha cabeça..." explica muita coisa.
Há um aspecto positivo, nunca poderia ser do PC.

Ainda para terminar, alguém falou de partidos "responsáveis"?

O tema tem sido irresponsáveis versus fanáticos.
Andamos por aqui a tentar "foçar" o menor dos males. O problema é que os fanáticos acabaram de perder a auréola do idealismo e, além do fanatismo, enfermam igualmente de irresponsabilidade e hipocrisia.

Neste aspecto, o PCP é menos "hipócrita" que o Bloco.
Pelo menos continua a tentar partir a mesma pedra.
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De Vlad, o Emborcador a 08.11.2017 às 15:36

"Só o facto de sentir necessidade de afirmar "sou do Bloco, MAS penso pela minha cabeça..." explica muita coisa"

Não me diga que a partidarite e a disciplina de voto/controlo da consciência são inerentes ao BE/PCP!!?? São intrínsecos a todos os partidos e a todos os clubes....inclusive os da bola...mesmo com vídeo arbitro.

O BE tem varias faccões/tendências...como o PS, e o PSD....excluindo o CDS e o PCP...ambos partidos religiosos
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De João Marques a 08.11.2017 às 17:11

Não digo. Nunca fiz apologia partidária. Aos políticos só exijo um mínimo de seriedade. Nem sequer necessitam ser particularmente inteligentes.

Nem sei a que se refere, por ignorância minha, por nunca ter feito parte da minha experiência, nem sequer enquanto aluno chato que questionava tudo.

Sem clube, sem partido, sem religião, tal e qual o jingle da antiga Voxx.
Há uma certa sensação de liberdade inerente à coisa.

Mas digo-lhe, tenho uma certa repulsa, e pena das vítimas, desse conceito de controlo de consciência. Talvez seja, como diz, inerente ao sistema (ou à natureza humana). Exactamente o aspecto que deveria ser expurgado desse mesmo sistema.
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De Anónimo a 10.11.2017 às 10:29

Nem mais.

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