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Os novos censores andam aí (5)

por Pedro Correia, em 09.02.18

waterhouse_hylas_and_the_nymphs[1].jpg

 

John William Waterhouse (1849-1917), pintor que esteve em voga na Inglaterra vitoriana, certamente nunca imaginou que um óleo da sua autoria, pintado em 1896, viria a causar tanta celeuma cento e vinte e dois anos mais tarde, nestes dias de neopuritanismo pseudo-feminista em que vivemos.

Hilas e as Ninfas acaba de conhecer súbita celebridade graças ao ímpeto censório de Clare Canneway, a conservadora (palavra apropriadíssima) da Galeria de Arte de Manchester - museu público instalado numa cidade de sólidas tradições liberais, hoje cada vez mais comprometidas.

A virtuosa senhora ordenou a remoção do quadro, onde se vislumbram sete jovens em topless. Motivo invocado: a maléfica pintura promoverá a "coisificação do corpo da  mulher", algo que faz tremer a horrorizada conservadora, dizendo-se envergonhada "por não ter tratado deste assunto mais cedo".

polémica não tardou no espaço mediático, forçando as autoridades municipais a devolver a tela à maculada parede. Mas a controvérsia continua. "Vivemos um pesadelo vivo com tanta correcção política, histórica e artística", alarma-se Rachel Johnson no Mail on Sunday. Jonathan Jones, crítico de arte do Guardian, inquieta-se com este surto de pudicícia: "O próximo será Picasso?"

Não é preciso dar-lhes ideias: as novas brigadas censórias permanecem vigilantes.

 

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38 comentários

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De Vlad, o Emborcador a 09.02.2018 às 11:55

Só falta cinzelarem o pénis de David.

https://goo.gl/images/Wd2Fq3
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De Luís Lavoura a 09.02.2018 às 12:47

Caparem-no?
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De Vlad, o Emborcador a 09.02.2018 às 18:17

Não, fazer-lhe uma extensão. Já não bastou o homem ter derrotado um gigante com uma fisga, ainda lhe deram com aquilo....haja limites na indecência
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De Pedro Correia a 09.02.2018 às 21:12

Será politicamente correcto aumentar o David.
E encolher o Golias.
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De Anónimo a 09.02.2018 às 13:00

Eu prefiro falar dos velhos censores.
O cardial de Lisboa, autoridade máxima da Igreja em Portugal, recomenda abstenção sexual aos recasados.
Provavelmente não proíbe porque é difícil controlar/verificar/certificar.
Muito mais absurdo!
João de Brito
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De Vlad, o Emborcador a 09.02.2018 às 18:19

Muitos punham esperanças nesse cardeal. Diziam-no intelectual...um palhaço...se pudesse ordenava missas em latim e de costas para o coro.
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De Vlad, o Emborcador a 09.02.2018 às 19:43

"A violência desta exigência, a sua extrema desumanidade, a chantagem religiosa, a intromissão na vida privada, a violação da consciência e, finalmente, a sua inexequibilidade, transforma-a na atitude menos cristã de que há memória na História recente da Igreja Portuguesa"

http://visao.sapo.pt/opiniao/sexto-sentido/2018-02-08-A-Igreja-anti-Cristo
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De Vlad, o Emborcador a 09.02.2018 às 19:46

"Poderia tratar-se de uma recomendação vinda de um sacerdote católico da velha escola, já com alguma idade e completamente senil. Ou de um frustrado sexual, com problemas não tratados de desempenho ou ressentimentos afetivos"

E que bons resultados têm advindo do celibato.
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De Fatima MP a 10.02.2018 às 02:49

Tão Eça de Queirós. Já dizia a tia do Raposão "relaxações, não!" ...
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De Pedro Correia a 11.02.2018 às 21:58

Eheheh... nem pensar. Bico fechado.
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De Anónimo a 09.02.2018 às 13:07

Recuso-me, subconscientemente, a escrever cardeal/bispo da mesma maneira que escrevo ponto cardeal: é que este orienta e aquele desorienta.
Daí o erro.
Peço desculpa!
João de Brito
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De sampy a 09.02.2018 às 19:23

Comentar parangonas dá nisto.
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De Lucklucky a 09.02.2018 às 13:14

Revolucionária.
A "objectivação do corpo da mulher" é uma das narrativas do feminismo politicamente correcto uma das táticas do Marxismo para controlo da linguagem.

A propaganda Marxista feita pelo jornalismo tem consequências. Agora fazem-se de inocentes.É só ver quem escreve artigos no The Guardian.


" Ai que coisa mais linda mais cheia de graça..."
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De Pedro Correia a 09.02.2018 às 21:02

O Vinícius não era marxista? Marchista era, seguramente.
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De Lucklucky a 10.02.2018 às 00:22

É verdade que teve uns afloramentos com o Fascismo Brasileiro mas era mais boémio.

As marchas do carnaval brasileiro serão certamente manifestação da "masculinidade tóxica"...

E os grandes momentos jornalísticos da Reuters, certamente merecedora de um Pulitzer
https://www.reuters.com/article/us-usa-dogshow-gender/glass-ceiling-for-dogs-males-win-westminster-almost-twice-as-often-idUSKBN1FT1FB
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De maria madeira a 09.02.2018 às 13:49

"em topless" não é demasiado séc.XXI?

Não sei porquê, mas isto soa-me a estratégia de marketing, provavelmente vai levar muitas pessoas a querer conhecer a Galeria de Arte, a pesquisar e querer saber mais, sendo por aqui, a senhora em questão passa automaticamente de conservadora a senhora muito esperta nisto de bem saber gerir "arte".
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De Pedro Correia a 09.02.2018 às 21:05

Ninfas desnudas, de peito ao léu.
Provocou celeuma nas madres lá do convento em Manchester.
Nunca se tinha visto tal coisa na pudibunda Inglaterra.
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De Fatima MP a 10.02.2018 às 02:57

O que nos falta ver ainda, em nome da moral e dos bons costumes? Retirar os quadros dos museus, derrubar as esculturas de nús, ou, quem sabe, a Joana Vasconcelos piedosamente as cubra de crochet? Depois de tantos filmes, tantos livros, tantos direitos resgatados, tanto make love not war, drogas, sexo e Rock and Roll, queimadas de soutiens, filhos de produções independentes, filhos que não chegaram a ser porque o corpo é da mulher, todo o género de géneros humanos que a imaginação permite, bikini, topless, nudismo, Beauvoir / Sartre, Bardot, Sex and the City, etc, etc, depois de tudo isto, será que ainda iremos andar todas de burka? Sim, porque nada é mais eficaz como desincentivo do desejo, do assédio e da violação, ou seja, como desincentivo de pensamentos, palavras e obras pecaminosos contra a mulher, frágil e indefesa, do que a bendita burka. Ainda daremos razão a essas "culturas"? Sei lá … o importante é não coisificar o corpo da mulher.
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De Sarin a 09.02.2018 às 14:03

Isto sim é censura ao melhor nível do extinto mas longevo Tribunal da Santa Inquisição... suponho que as seguradoras irão aumentar o prémio do resseguro de algumas obras, e desconfio mesmo que surgirá uma nova exclusão: "danos por pudor", muito diferentes dos selváticos actos de vandalismo perpetrados por brutos analfabetos...
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De Pedro Correia a 09.02.2018 às 21:07

Questiono-me se os efebos do David Hockney também já andarão a ser resguardados pelas madres superioras.
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De Sarin a 09.02.2018 às 22:27

Pois não sei, mas haverá mais quem queira defender as sensibilidades tapando nas obras as, como diria Bárbara Emília parteira numa das mais deliciosas apropriações populares da erudita palavra, partes fudengas??
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De Cristina M. a 09.02.2018 às 16:23

ridiculous, my dear.
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De Pedro Correia a 09.02.2018 às 21:11

«The enemy is the gramophone mind, whether or not one agrees with the record that is being played at the moment.»
Orwell
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De Costa a 09.02.2018 às 16:27

Permita-me discordar, Pedro Correia, da qualificação que faz dessa senhora. Não é conservadora, ainda que exerça um cargo assim denominado. Ser conservador perante a vida, nada tem de patológico ou de pejorativo. É posição assaz respeitável perante o mundo. Significa apenas um primado da prudência perante a mudança, uma atitude de saudável (enfim, para mim) cepticismo perante o salto para a incerteza, desde logo quando essa mudança surge elevada à dignidade de fim em si mesmo. É o exercício de uma prudente ponderação das vantagens e defeitos do presente, perante um futuro de caixa de Pandora. Antes de se abrir essa potencial caixa.

Essa senhora é, isso sim (e coisa bem diferente), uma verdadeira reaccionária. Como cada vez mais se vai revelando a vanguarda alegadamente intelectual das causas fracturantes.

Vanguarda perante quem (e perante o seu crescente poder) é a Antiguidade Clássica e a sua representação que é, como se demonstra, inaceitável e a literalmente esconder. Esconder agora, destruir um dia (não é a primeira vez que se dá esse destino vanguardista à arte; há umas décadas fez-se isso, na culta e civilizada Europa Central).

Essa Antiguidade, a raiz da nossa civilização. O nosso passado. E destruir o passado é, como se sabe, coisa extremamente útil quando se quer domesticar e embrutecer as massas.

Costa
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De Pedro Correia a 09.02.2018 às 21:11

Reaccionária será, amigo Costa. Não deixando de ser conservadora (de museu).
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De Octávio dos Santos a 09.02.2018 às 17:05

Não, Pedro, «conservadora» não é uma «palavra apropriadíssima» neste caso... e não só porque «curadora» talvez seja uma ainda mais apropriada, correspondente portuguesa de «curator», cargo de Clare Gannaway (e não Canneway) na Galeria de Manchester. Já afirmei aqui, e repito: todos estes recentes actos censórios na arte, cultura, comunicação e entretenimento são cometidos e defendidos por esquerdistas, em nome do «progress(ism)o», quer contra o «racismo» (lembre-se as tentativas de «apagamento» de «Gone With The Wind» e de «Huckleberry Finn») quer contra a «objectificação» da(s) mulher(es) - e assim se colocam, na prática, do mesmo lado dos fundamentalistas islâmicos, para quem cobrir, ocultar, o corpo feminino é uma obrigação.
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De Pedro Correia a 09.02.2018 às 21:01

Você também com impulso censório, Octávio?
Já percebi que quer banir a palavra "conservadora" referindo-se à guardiã-mor de um museu.
Típico de uma certa esquerda e de uma certa direita: quando a palavra incomoda, fogo à peça. Abate-se a palavra.
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De Maria Dulce Fernandes a 10.02.2018 às 15:54

Se curadoria também é preservação, a Senhora está sem dúvida a ser muitíssimo preservativa, o que é um total despropósito :)
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De Octávio dos Santos a 11.02.2018 às 15:01

A sério, Pedro? Eu, com «impulso censório»?! Sabe que já fui várias vezes alvo de censura (até aqui no DdO)... não sou dos que fazem aos outros o que não gostam que se faça a eles próprios. Não se trata, obviamente, de «banir» palavras, mas sim aplicá-las correctamente, consoante os casos.
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De Maria Dulce Fernandes a 09.02.2018 às 17:18

Deve ser a encarnação do Pio IX no Século XXI.
É o que eu digo... tudo de burca... só a alguns uma camisa de forças ficará seguramente a matar.
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De Lucklucky a 09.02.2018 às 18:03

Não tem nada que ver com religião católica tem tudo que ver com Marxismo.

As lágrimasde crocodilo do The Guardian que é um dos jornais que tem puxado para que isto aconteça. Basta ler autores como Laurie Penny etc.

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