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Os limites da decência

por Diogo Noivo, em 01.02.19

Ontem os eurodeputados Marinho e Pinto (PDR), Miguel Viegas, João Pimenta Lopes, João Ferreira (PCP) e Marisa Matias (BE) deram respaldo ao regime de Maduro no Parlamento Europeu. A sensação de vergonha alheia é inevitável. Vergonha e assombro foram também as reacções normais e decentes à inauguração da praça Hugo Chávez, na Amadora, em 2016.

Mas hoje a decência foi atirada violentamente pela janela fora. O voto de pesar e condenação pela morte de manifestantes na Venezuela recebeu o voto favorável de todos os partidos com assento parlamentar, com a excepção do Bloco, PCP e PEV. Perante isto, a sensação que se impõe é de asco profundo. Tratava-se tão somente de expressar tristeza e de condenar a morte de pessoas que exerciam o seu direito de manifestação e de liberdade de expressão.

Em Portugal há quem diga - sem se rir - que não há extrema-esquerda no nosso país.

 

[ADENDA]: parece que o facto de o voto de pesar reconhecer a legitimidade de Juan Guaidó constituiu um agravo inaceitável para PCP, PEV e BE. Portanto, a condenação da morte de manifestantes subordina-se a apreciações sobre o apoio a este ou aquele político. Contudo, não é preciso especular sobre o que faria a extrema-esquerda se o reconhecimento de Guaidó não constasse do voto: o PS apresentou um voto onde tal reconhecimento não existia e, ainda assim, PCP e PEV votaram contra e o BE absteve-se.


3 comentários

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De Sarin a 01.02.2019 às 14:24

Discordo da comparação das manifestações aquando da nomeação de uma praça e de um voto de pesar no PE.
Sobre a primeira, é com os munícipes - também me causa asco o nome de algumas outras praças e ruas por este país fora, mas não sendo estruturas nacionais, cabe aos locais nomearem como entenderem. Faz parte da Democracia que temos.


Quanto ao voto de pesar, não se tratava "tão somente de expressar tristeza e de condenar a morte de pessoas", como tenta dar a entender Diogo Noivo.
Era, é, muito mais do que isso:

"Assim, a Assembleia da República, reunida em Plenário, exprime o seu Pesar pela Morte de Manifestantes na Venezuela e apela a uma resolução pacífica que salvaguarde a segurança da grande comunidade portuguesa e lusodescendente na Venezuela, que respeite e reconheça o mandato democrático da Assembleia Nacional e do seu Presidente Juan Guaidó e que reponha a normalidade democrática através da realização de eleições livres na Venezuela"

http://app.parlamento.pt/webutils/docs/doc.pdf?path=6148523063446f764c324679626d56304c334e706447567a4c31684a53556c4d5a5763765247396a6457316c626e52766330466a64476c32615752685a47565159584a735957316c626e5268636938345a4468684d474979597930314d5467774c545133595467744f544a6a4f5330774d3249304f475131596d5a6c4e4751755a47396a65413d3d&fich=8d8a0b2c-5180-47a8-92c9-03b48d5bfe4d.docx&Inline=true


Na verdade, assemelha-se mesmo a demagogia barata, usar os mortos para sub-repticiamente legitimar quem entendem dever legitimar. Parece não haver ninguém no Parlamento que não saiba lamentar mortos sem fazer jogo político.

E depois há quem venha para a rua apupar "porque era somente". Lamentável, tudo.
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De Diogo Noivo a 01.02.2019 às 14:50

Duas notas.
1. Diz que se usaram os mortos para tentar o reconhecimento de um mandato. Eu digo que se usou a oposição ao reconhecimento desse mandato para ocultar as flagrantes e grotescas violações dos direitos humanos na Venezuela.
2. Interpretações à parte, o voto do PS não reconhecia Guaidó. Ainda assim, PCP e PEV votaram contra e o BE absteve-se.
Merecem ser apupados. E muito.
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De Sarin a 01.02.2019 às 15:56

2. O Voto do PS não reconhecia Guaidó?

"Neste contexto de instabilidade, ao qual se acrescenta a grave crise social e económica do país que se arrasta há anos, é fundamental que a resolução do conflito político se faça pela via democrática, num processo pacífico e sem ingerências. Esta é a via à qual a União Europeia e Portugal têm apelado. Os países da UE reiteraram o não reconhecimento das eleições presidenciais de maio como livres e justas, confirmaram a sua confiança na legitimidade da Assembleia Nacional e apelaram à rápida convocação de eleições que reponham legitimidade democrática e estabilidade política ao país."

http://app.parlamento.pt/webutils/docs/doc.pdf?path=6148523063446f764c324679626d56304c334e706447567a4c31684a53556c4d5a5763765247396a6457316c626e52766330466a64476c32615752685a47565159584a735957316c626e52686369396b4f4463315a47526b4f533078597a6b354c545131596a41744f446b344d69316c5a6a45785a446731597a56684d7a63755a47396a65413d3d&fich=d875ddd9-1c99-45b0-8982-ef11d85c5a37.docx&Inline=true

Reconhecia as eleições presidenciais como injustas e não livres, e proclamava a legitimidade da Assembleia Nacional, portanto, do seu presidente... Juan Guaidó.
Mais uma vez, a demagogia, o repúdio das eleições escondido no meio dos mortos

E há quem venha para a rua apupar e validar as omissões.

Por mim, apupo o "Voto nº 723/XIII De condenação da nova operação golpista e da campanha de desestabilização e de agressão contra a Venezuela que atinge o seu povo e a comunidade portuguesa neste país", apupo os votos de pesar que na verdade o não são, apupo a UE por ter entrado em ultimatos em vez de se posicionar como mediador.

Todos os acima merecem ser apupados. E muito.

1. Concordo que haverá muita simpatia partidária em qualquer das manifestações pró ou contra os votos. Mas analiso cada um dos votos. Não são pesar pelos mortos. E é isso que está em causa, querer passá-los como tal.

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