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Os indomáveis

por Pedro Correia, em 11.07.15

tsipras-varoufakis[1].jpg

 

«Sim, cometemos erros nestes cinco meses.»

Alexis Tsipras, esta madrugada, no Parlamento de Atenas

 

O Syriza chegou ao poder em Janeiro, festejado por toda a "verdadeira esquerda europeia". E também por representantes da "verdadeira direita" - a de Marine Le Pen, em França, e de Nick Farage, no Reino Unido.

Em clima de bravatas eurofóbicas, Alexis Tsipras e o seu flamejante ministro das Finanças, Yanis Varoufakis, prometeram aos gregos aquilo que jamais lhes poderiam dar: um programa expansionista, que aumentava em 11,7 mil milhões de euros a despesa pública.

Foram ovacionados. Lá e .

 

Nesse momento a Grécia tinha acabado de sair de uma profunda recessão: equilibrara o seu saldo primário, apresentava uma leve recuperação económica (o produto cresceu 0,8% em 2014) e segundo as estimativas do Fundo Monetário Internacional o PIB do país aumentaria 2,5% no ano em curso.

Seguiram-se doze cimeiras europeias que não produziram resultados práticos, excepto os quatro meses de extensão do programa de assistência alcançado por Atenas a troco de mera retórica. E seguiram-se novas bravatas, que culminaram no inenarrável referendo plebiscitário de 5 de Julho, em que Tsipras voltou a defraudar os eleitores.

Prometendo-lhes algo que não estava em condições mínimas de lhes dar.

 

Nessa altura a Grécia já se tornara o primeiro país da NATO a suspender pagamentos ao FMI (deixando por transferir 3,5 mil milhões de euros a 30 de Junho).

Nessa altura, sem capacidade de financiamento, já Atenas se vira forçada a impor medidas drásticas de controlo de capitais.

Nessa altura já os bancos gregos estavam fechados compulsivamente após cinco meses de descapitalização contínua: mais de 40 mil milhões em depósitos voaram do sistema financeiro desde que Tsipras tomou posse.

Nessa altura já a maioria dos estabelecimentos exigia o pagamento em dinheiro vivo e pelo menos 20% das caixas multibanco estavam sem liquidez para remunerar os 60 euros diários de levantamento permitidos a cada cidadão.

 

O plebiscito abortou um acordo esboçado com as instituições europeias. Que daria luz verde a um terceiro programa de assistência financeira ao país a troco de reformas que mal ultrapassariam os 7 mil milhões de euros.

A 5 de Julho a maioria dos gregos votou sim. Foi uma vitória de Pirro do primeiro-ministro, como na altura escrevi aqui.

Três dias depois, já com Varoufakis fora de cena, o novo ministro das Finanças, Euclidis Tsakalotos, dirigiu uma carta à Comissão Europeia e ao Banco Central Europeu com um pedido formal de resgate. A troco de cortes estruturais na despesa pública que nunca serão inferiores a 14 mil milhões de euros.

Se antes tivessem procurado alcançar este consenso, a que só agora chegam em situação desesperada, teriam obtido contrapartidas menos duras.

 

O terceiro programa de resgate em cinco anos à Grécia deverá totalizar 53 mil milhões de euros e amarra os cidadãos helénicos a três anos de "austeridade" suplementar.

A mesma "austeridade" que Tsipras, na noite de 25 de Janeiro, afirmou triunfalmente ter terminado na Grécia.

 

As reformas começam quando o dinheiro acaba.

E, sem dinheiro, também as bravatas chegam ao fim.

Falando na longa madrugada de hoje aos deputados, Tsipras reconheceu que a Grécia vive num «ambiente económico de asfixia sem precedentes».

O terceiro pedido de assistência à Grécia em cinco anos foi aprovado no Parlamento de Atenas. Com 251 votos a favor, 32 votos contra, oito abstenções e a ausência de sete parlamentares da ala mais extremista do Syriza. Varoufakis foi um dos que se ausentaram.

Suprema ironia: valeu ao partido maioritário o apoio da Nova Democracia e do Pasok para conseguir luz verde do hemiciclo.

Falta agora a validação do pacote financeiro no Eurogrupo, no Conselho Europeu que reunirá de emergência amanhã e em pelo menos seis parlamentos nacionais, que poderão ratificá-lo ou chumbá-lo. Incluindo o Parlamento alemão.

 

Oiço agora alguns dizer - contra todas as evidências - que os governantes do Syriza "não cederam".

Pois não.

Só cederam no aumento do IVA (subida de 13% para 23% nos restaurantes).

E na questão das pensões (as do regime contributivo ficarão congeladas até 2021).

E no aumento da idade da reforma (dos 65 para os 67 anos).

E nas privatizações, que afinal vão por diante (portos do Pireu e de Salónica e redes de aeroportos regionais, nomeadamente).

E no imposto da propriedade, que será mantido.

E no quadro de mobilidade da função pública, que verá enfim a luz do dia.

E na exigência de condicionarem as reformas à reestruturação da dívida.

E na garantia aos cidadãos gregos que não haveria novas medidas de austeridade.

Mas quase não cederam nos cortes das despesas para as forças armadas. Os generais gregos podem dormir tranquilos no país europeu da NATO que tem maior ratio de militares por habitante e reserva maior fatia do seu orçamento para a defesa: 2,2%, correspondentes a 4,7 mil milhões de euros anuais.

Afinal só terão um corte de 300 milhõezitos nos próximos dois anos...

 

São indomáveis.


44 comentários

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De Cabo dos Trabalhos a 11.07.2015 às 14:31

Agora, falta ver se o prometido será cumprido, ou se a percentagem dos praticantes de espertezas gregas, número que não deverá andar longe dos 80% que querem ficar no Euro, fará o caminho costumeiro.

Mas, como não embolsarão a massa toda à cabeça, talvez se lixem...
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De Pedro Correia a 11.07.2015 às 21:48

Um terceiro programa, se chegar a ocorrer, será monitorizado até ao último cêntimo. Pela tróica, a tal entidade que Tsipras disse que iria terminar.
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De da Maia a 11.07.2015 às 15:06

Caro Pedro,
não se cansa de nos mostrar que Tsipras não dá uma para caixa.

Quando vence o "não", a vitória é de Pirro, e quando mesmo assim "sem triunfalismos", tentam uma negociação, é porque sai então derrotado em toda a linha do seu programa.
Nem no meio futebolístico encontramos tanto fanatismo clubista.

Como bem ilustra, houve uma aparente cedência em toda a linha.
- Se "indomáveis" não são os gregos, então quem é?
- Haverá bestas que, mesmo perante tantas evidentes cedências gregas, mesmo assim não cedem um milímetro?

Schäuble diz que contas dos gregos “não são credíveis”, enquanto troika fala em recomeço das negociações

http://observador.pt/2015/07/11/atenas-olhos-postos-bruxelas-eurogrupo-avalia-proposta-terceiro-resgate-grego/

Pronto, tem aqui muito espaço para novas piruetas na narrativa.

Houve a obsessão alemã que tinha apenas uma via para a Europa, sem alternativas... chamava-se nazismo.
- Solução única, sem cedências, e ai de quem se atrevesse a ter dúvidas!

Viva o caminho sem alternativas. Palavra dos senhores.
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De Pedro Correia a 11.07.2015 às 15:37

Caro daMaia:
Tsipras é que não se cansa de demonstrar a toda a Europa a sua incompetência política.
Convocou um plebiscito para rejeitar um acordo a que se submeteu 72 horas depois do fecho das urnas. Com a agravante de este acordo ser mais "austeritário" do que o anterior.
"Acabou a austeridade!", proclamou ele aos gregos a 25 de Janeiro. Um caso exemplar de fraude política.
É agora forçado a fazer reformas - provavelmente com a presença mensal em Atenas dos técnicos da tróica... perdão, das instituições - a monitorizar milimetricamente a actuação do Governo grego.
Fica, portanto, sob tutela. Tanto ou mais do que os antecessores, que "martelaram" as contas gregas, mentindo aos parceiros europeus.
Que haja quem ainda por cá quem o aplauda, tal como faz Madame Le Pen, já não é questão política. Trata-se apenas de algo do domínio da fé.
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De Costa a 11.07.2015 às 18:47

Não sei se deveremos qualificar como "piruetas na narrativa" (o que foi escrito já o será, de acordo consigo, caro da Maia, pois que com este seu comentário convida à produção de "novas piruetas"), o simples - e oportuno, ainda que, na substância, infelizmente - elencar de factos. Demonstrados e que terão esse terrível vício de subsistir, sejam eles sujeitos ao escrutínio conservador ou progressista, de direita ou de esquerda, neoliberal ou colectivista. Ou talvez a realidade, quando desagrada, passe a pirueta.

As coisas (será lamentável, acredito, mas é assim) são como são. E apedrejar o mensageiro não modifica por si a mensagem.

A austeridade, tal como tem sido seguida não é solução? É capaz (eu que vivo nela e lhe sinto os efeitos, detesto-a e, graças a ela - e graças a quem nos trouxe ao ponto em que ela foi apontada como solução -, já arrumei na gaveta dos sonhos que morrerão comigo, coisas que há não muitos anos ainda admitia como realisticamente possíveis; sem viver acima das minhas possibilidades e sem me afundar em créditos que ao primeiro abalo não poderia honrar).

Mas a via de rebeldia pura e dura, do insulto desbragado, de cuspir na mão que - goste-se ou não dela e dos termos em que no-lo faz - nos dá de comer, deu no que deu... Rebeldia pura e dura que, na hora da verdade, não teve afinal coragem de seguir o caminho de solidão autárcica que era a sua lógica conclusão. E agora volta, humilhada, a esmolar. O bluff é um risco tremendo e se a austeridade não resulta, estes "gritos do Ipiranga" acabam por se perder sem sequer eco.

Quanto às alusões, aos paralelos, ao nazismo (a essas e às que abordam os apoios à Alemanha, após a Segunda Guerra Mundial; que, bem sei, você não fez), tenho-o na conta de demasiado inteligente para querer mesmo ir por aí.

Costa
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De Pedro Correia a 11.07.2015 às 21:52

A propósito de piruetas: faz algum sentido chamar "assassinos" aos credores, como fez Varoufakis, e na semana seguinte o Governo grego pedir aos mesmíssimos credores mais um pacote financeiro, no valor mínimo de 53 mil milhões de euros?
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De da Maia a 11.07.2015 às 23:29

Caro Costa,
obrigado por fazer notar que me fiz entender mal. Dirigia-me numa continuação de conversa com o Pedro Correia, mas poderá estar menos claro, fora desse contexto.

Um dos poucos propósitos que me traz aqui é mostrar o outro lado de um argumento, quando isso me parece relevante.

Neste caso, o argumento que o Pedro Correia trazia ao debate, era o da cedência grega na negociação.
Esse é um lado.
Ora, o outro lado, é que, em contraponto, continua a não haver qualquer cedência pela parte alemã, a avaliar pelas declarações de Schauble.

Portanto, o que seria de esperar?, no seguimento da suposta lista objectiva de cedências, contrariando o programa eleitoral do Syriza, e indo para além até da anterior proposta "Sim", seguindo este texto e alguns comentadores da praça.

O que seria de esperar... se houvesse adultos na sala, seria um acordo imediato, dadas as tantas cedências que o Pedro elencou aqui.

Porém não é isso que acontece.
E portanto, haverá nova pirueta no discurso, é que isso nada tem a ver com a má fé, ab initio, de Schauble, mas terá a ver com qualquer outra coisa. Tem que ser, a clubite assim o exige.

Certamente será novo defeito de Tsipras, ou de Tsakalotos, ou do afastado Varoufakis, seja de quem for...
Estou ainda à espera dessa nova narrativa, porque, meu caro, não há limites para a imaginação retórica despudorada.

A UE enfiou-se bem fundo no seu poço de contradições, sem sequer ter destapado o poço de imensa podridão... e não me refiro apenas à escandaleira que Juncker apadrinhou no Luxemburgo. É muito pouco o que se sabe, e assim convém que fique.

Agora, Schauble não confia nos gregos e está cheio de razão. Eu também não confiaria um milímetro... mas tem um problema:
- Não pode desconfiar deles.
Essas são as regras de funcionamento da UE.
Schauble não tem o poder de Fuhrer para decidir por si, quem é, e quem não é confiável.
Ao fazer isso, está a colocar-se acima da própria UE, e da sua diplomacia.
Ao fazer isso, está a decretar o Grexit por sua exclusiva iniciativa.

Schauble caiu na sua armadilha de burocrata, que secundariza a política.
Entre Schauble e o Grexit, Merkel poderá ter que escolher... e não é claro que escolha o Grexit.
Ou seja, poderá haver outro ministro das finanças a ter que cair neste processo.

Depois, o resto das piruetas são um fartote de riso, que nem dá para circo.

Veja bem.
Ao contrário do que diziam as sondagens, eu aqui coloquei preto no branco, a vitória por larga margem do "não".
Mas, a persistência no erro não incomoda o circo, e de novo as sondagens aparecem com 80% dos gregos a favor do Euro.
Espantoso!
Insiste, insiste, insiste, insiste... e não se trata de outra coisa. Sempre a mesma retórica trivial, demasiado tendenciosa, e pouco esclarecedora.

A alusão ao nazismo serve apenas como um dos muitos casos de ortodoxia de pensamento, em que não era autorizada alternativa.
O comunismo seria outra ortodoxia desse género. Coisas dessas acontecem sucessivamente na História, e vemos sempre grandes defensores da ortodoxia, com o mesmo tipo de retórica e propaganda:
- Estamos no caminho certo, não há alternativa.

Quantas vezes foram os europeus enganados com discursos desses?

Cumprimentos.
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De Rosa a 11.07.2015 às 15:14

Apesar de tudo e tudo, uma coisa é certa: Com a questão grega, começou-se a levantar a questão dos tratados europeus, da suicida ênfase nas austeridades e já se começa a pensar e repensar. Nunca como dantes se viu tanta reunião ao mais alto nível nas instituições europeias.

E nunca se viu quem é quem e quem manda em quem.

Espero que, progressivamente, (que isto da História leva tempo) os cidadãos europeus mandem os eurocratas e hipócritas europeus levantarem o rabo das suas cadeiras e darem lugar a outros.

Ide de férias, ide.....
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De Anónimo a 11.07.2015 às 16:55

Tem toda a razão. O que eles querem, todos nós sabemos, é pôr a Grécia fora, o que é uma pouca vergonha dos sem vergonha da UE. Já não há pachorra para aguentar tanto egoísmo e tanta maldade junta. UE a pouca vergonha, dos que ainda sentem que há vida e pessoas, para além do euro.
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De Pedro Correia a 11.07.2015 às 21:47

Não sei se vocelências perceberam, mas esta madrugada houve outro referendo na Grécia. Desta vez foi no Parlamento e ganhou o sim. Com 251 votos a favor, 32 votos contra e oito abstenções.
Eis a verdadeira democracia a funcionar. A democracia representativa.
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De Anónimo a 12.07.2015 às 01:25

O que se passa é intolerável, para uma união que em vez de unir, separa. O parlamento e o governo tudo tentam fazer para resolver aquilo que o senhor alemão das finanças se recusa a aceitar e que os seus seguidores aplaudem. Há vida para lá do euro, mas parece que há muitos que insistem na morte lenta dum povo que vive atormentado, por gente que sabe que eles jamais conseguirão pagar, mas insistem no massacre. Revolta, aqueles que olham o outro, como a si mesmos.
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De Pedro Correia a 12.07.2015 às 19:00

Conversa da treta. Os gregos receberam mais de 500 mil milhões de euros em ajudas da Europa. Só cada português pagou 253 euros. E eles, os gregos, continuam sem pagar impostos. E a reformar-se muito mais cedo do que nós. E com níveis salariais muito mais elevados. Com o dinheiro dos restantes europeus.
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De Anónimo a 12.07.2015 às 21:15

O que está em questão é um povo que está num país em morte lenta e que a UE, quer pôr esse povo fora. Lamento que hajam portugueses que não se juntem àqueles que estão mal e se juntem, aos que querem destruir a UE. Não se desvie do assunto porque sabe que há desemprego, fome, miséria, um povo que agoniza e que já pouco tem e ainda diz que eles vivem com dinheiro dos restantes europeus e que têm níveis salariais elevados... Será que o salário mínimo deles é igual ao da Irlanda? Não é e sabe que não. Então e a Irlanda que tem o salário mínimo de 1600€. Esses sempre puderam, os outros não, porquê? Gostava que experimentasse viver com o nosso salário mínimo, ou 800€ e como chegaria ao fim do mês, num país, com impostos e nível de vida igual a países com salários mínimos como a Irlanda. Que mundo quer afinal?
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De Pedro Correia a 12.07.2015 às 22:34

"Um povo em morte lenta"?
Onde foi você buscar isso?
Lamento, uma vez mais, mas estas discussões deixam de fazer sentido se não forem baseadas em números. E os números são claros: a Grécia tem um PIB 'per capita' de cerca de 26 mil dólares anuais.
Ao nível de Portugal, República Checa, Chipre, Estónia e Eslovénia.
Mais do que a Polónia, a Lituânia, a Letónia, a Hungria e a Croácia.
Muito mais do que a Bulgária e a Roménia.
https://en.wikipedia.org/wiki/List_of_sovereign_states_in_Europe_by_GDP_(PPP)_per_capita
O que tem a Irlanda a ver com isto? A Irlanda tem um PIB 'per capita' superior a 46 mil dólares. Gera riqueza para ter um salário mínimo dessa dimensão. A Grécia não.
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De Anónimo a 13.07.2015 às 01:03

Que se passa, quando nos hospitais não há médicos nem medicamentos? Que se passa, quando se quer comer e não se tem comida? Que se passa, quando não se tem casa e o único que lhes resta é rua, o sol e a lua, como companhia? Não é morte lenta, para si, deve ser uma vida de esperança e bem estar. Chegou a altura em que os números não me interessam nem deviam interessar a si, é que estão em causa vidas e as vidas, não se podem discutir como se fossem números.
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De Pedro Correia a 13.07.2015 às 01:21

Os números não lhe interessam? Essa é a atitude dos gregos. Por isso se tornaram um estado falhado.
Receberam o maior empréstimo de sempre da comunidade internacional e beneficiaram do maior perdão de dívida de que há memória.
Não lhes serviu para nada.
Continuam a não ter uma máquina fiscal minimamente eficiente que permita recolher receitas: a fuga aos impostos na Grécia atinge níveis estratosféricos.
Continuam sem estatísticas fiáveis: não dispõem de algo semelhante ao nosso instituto nacional de estatística.
Continuam sem registo prediais minimamente credíveis: ignora-se quem são os verdadeiros titulares das propriedades gregas.
Continuam a manter isentos de impostos os armadores milionários e o poderoso clero ortodoxo. Como se nadassem em receitas.
Continuam a ter o maior índice proporcional despesas militares dos países europeus da NATO, sustentando uma clique militar inútil e parasitária.
Estão há 34 anos - repito: 34 anos - na Comunidade/União Europeia e não deram um passo em frente para melhorar a eficiência do Estado. Limitaram-se a engordá-lo com sucessivas camadas de clentelismo e a conspurcá-lo com níveis inacreditáveis de corrupção, que não é combatida porque a justiça grega também não funciona. Você ouviu falar de algum político grego alguma vez detido? Eu não.
Portanto, continue a dizer que os "números não interessam". Para os contribuintes europeus cansados de financiar o buraco orçamental grego interessa, sem sombra de dúvida.
E não culpe outros Estados pelo buraco grego: culpe a própria Grécia.
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De Anónimo a 13.07.2015 às 12:22

Se quer culpar a Grécia chame aqueles que a puseram neste estado e não fale, nem culpe este governo nem as pessoas que não têm culpa do que foi feito. A mim e àqueles que olham o ser humano, como um ser superior, não olham nem discutem pessoas com números. Não exija que um governo faça em cinco meses aquilo que se faz em anos e não se esqueça que o governo grego tem andado nesta andança com a UE desde que foi eleito. Fala dos gregos quando Portugal não é exemplo para ninguém. É um mau exemplo porque aumentou a dívida, vendeu tudo a preço de saldo e deixa um país sem nada, com sacrifícios astronómicos e que mentiu, mente, desobedece ao TC e não respeita a constituição nem os portugueses.




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De William Wallace a 13.07.2015 às 15:25

A vontade de fazer propaganda é tanta que até se omitem factos.

Diz o Pedro Correia :

"Você ouviu falar de algum político grego alguma vez detido? Eu não."

Aqui está a resposta e não é detido, é mesmo condenado e em prisão EFECTIVA

http://www.nytimes.com/2013/10/08/world/europe/greek-ex-minister-is-convicted-in-bribery-case.html?_r=0

E em abono do sistema de Justiça grego o processo só durou 5 meses.

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De Pedro Correia a 13.07.2015 às 16:39

Fantástico. Você conseguiu encontrar UMA condenação na Grécia por corrupção!
É anedótico.

Para a próxima leia com atenção os artigos que cita. Porque eles desmentem a tese que você pretende comprovar:
«(...) the highest-profile case against a Greek politician in more than two decades.»
«He is the most senior government official to stand trial since 1991.»
«The conviction on Monday was unusual in a country where top-ranking state officials are rarely prosecuted. »

Ao contrário do que você garante, a notícia deixa claro que a sentença não transitou em julgado:
«His lawyer, Leonidas Kotsalis, added that his client would appeal.»
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De Pedro Correia a 11.07.2015 às 21:50

Já vi, Rosa, que está em sintonia com Marine Le Pen, outra reputada eurofóbica.
Disse ela esta semana no Parlamento Europeu:
«É hora de dissolver o euro. Quando este por fim desaparecer, os países da Europa vão entender-se muito melhor. O euro e a austeridade são siameses.»
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De Rosa a 11.07.2015 às 22:00

O P Correia deve sofrer de alguma deficiência na curvatura do cristalino.
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De Pedro Correia a 11.07.2015 às 22:22

Olhe que não, Marine, olhe que não.
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De William Wallace a 11.07.2015 às 16:17

A verdade é um conceito de geometria variável para o Pedro Correia e para muitos e muitas mais.

O actual governo grego ANTES do referendo propôs um pacote de austeridade, isto além das outras inúmeras cedências que já tinha feito ao longo das negociações para sair da calamidade em que a Grécia foi mergulhada nos anos anteriores tentando mesmo assim dar prioridade ás pessoas e á economia REAL em vez de aos deuses mercados.
É mais que óbvio que era o caminho correcto, pois não se conseguem pagar dividas desempregando quem as tem ou tirando-lhe as ferramentas de trabalho.
Esse pacote de Austeridade foi chumbado pelo directório Alemão e o governo grego procurou na sua população um ultimo ponto de apoio que contra tudo e todos conseguiu.

Apesar de tudo a humilhação continua todos os dias e isto não vai acabar bem para os gregos e por arrasto para outros povos europeus que não conseguem pagar dividas porque lhes retiraram toda a possibilidade de o fazerem, vivem para pagar juros e ao mínimo sobressalto interno precisam logo de ajuda externa que lhes aperta ainda mais o garrote.

Em Portugal temos um governo que vive de medidas avulsas e em quatro anos não conseguiu reformar NADA a não ser a lei do trabalho (que pelos vistos nem os patrões queriam na sua globalidade) e depois temos um partido ( o PS) que volta á sua maneira de vencer eleições que é dar agora para tirar em triplo logo depois, aliás só não vê isto quem não quer.

Voltando á Grécia e ao triste papel do governo Português que poderia ter tido uma posição PONDERADA e pelo menos ter feito conversa de diplomata ou nem isso bastava ficar calado mas não, o sacrifício dos outros e de nós portugueses por arrasto é o garante que o medo perdurará e lhes poderá permitir não perder por muitos ou até talvez vencer isto com a ajuda inefável dos instalados ou dos que pelo menos não querem perder o "trabalho" que mendigam todos os dias com subserviência.

Temos o observador, o insurgente, o blasfémias e agora o delito de opinião como caixas de ressonância da teoria que não existe alternativa e que a DEMOCRACIA e o PLURALISMO só são bons quando o lado deles ganha.

A história recente (15 anos) tem mostrado inúmeras vezes e em assuntos dramáticos que já envolveram a morte de CENTENAS de Milhares de Pessoas assim como a destruição de NAÇÕES o quão errados estão mas eles teimam e conseguem levar as suas opções em frente para desespero de muitos e muitas que nada podem fazer para trazer LUCIDEZ e TEMPERAMENTO ao rumo seguido.

O que se está a fazer á Grécia e aos Gregos é só mais um erro que nos prejudicará a todos inclusive aos que todos os dias escrevem e dizem mata / esfola.


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De Pedro Correia a 11.07.2015 às 21:44

Falo-lhe em factos e você responde com retórica.
A Grécia foi o país mais beneficiado em fundos 'per capita' do orçamento europeu - recebeu anualmente, desde 1981, o equivalente a 3,5% do seu PIB, sobretudo dinheiro dos contribuintes alemães, em forma de ajuda à agricultura e à coesão no quadro dos países mediterrânicos.
Desperdiçou esses fundos: manteve a economia anquilosada, o clientelismo larvar e a corrupção generalizada que já tinha. E entrou na moeda única em 2001 sem ter cumprido os critérios de convergência. Só num ano - o primeiro - cumpriu o tecto de 3% da dívida pública. A partir daí foi falseando sempre as estatísticas até se descobrir o défice real das contas públicas do país, só em 2009: era nada menos de 15,2%.
Em seis anos - entre 2004 e 2010 - a Grécia duplicou a dívida externa.

Ou seja: demonstrou sempre não ser um parceiro confiável. Além disso detém um lamentável recorde: é de longe o país onde se regista maior evasão fiscal de toda a União Europeia. Sem que o clero pague um tusto, nem os armadores milionários (que registaram lucros de 17 mil milhões de euros em 2014).
Isto são factos. Lamento muito se perturbam a sua retórica. Mas pode sempre continuar a exercitá-la. Assim até fazemos de conta que estamos a debater.
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De William Wallace a 11.07.2015 às 22:17

Tem razão Pedro Correia, contra factos não há argumentos, há propaganda.







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De Anónimo a 12.07.2015 às 12:17

Essa propaganda está gasta e é muito mal feita. Muitos já acordaram e já não cedem a mentiras, propagandas e ilusões esfarrapadas.
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De Pedro Correia a 12.07.2015 às 16:04

Esse blablablá quer dizer o quê, anónimo?
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De jj.amarante a 11.07.2015 às 16:34

Mas que narrativa tão bonita. Realmente a economia chegou finalmente ao estádio em que se calcula milimetricamente o caminho a seguir e não há que hesitar, visto que, como diz o Schauble é preciso manter o rumo e como dizia a Margaret Thatcher não existe alternativa e quando os mestres falam há que aceitar o que dizem.

Quem suspeitar da via única poderá ver o Expresso da Meia-noite de ontem onde o deputado europeu José Manuel Fernandes defende esta narrativa do que se passou e a Marisa Matias dá uma visão diferente.
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De Pedro Correia a 11.07.2015 às 21:35

Há sempre outro caminho a seguir. Na vertical, até ao fundo do poço.
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De Anónimo a 12.07.2015 às 16:06

Claro que há! É mesmo para o poço que estão a levar a UE.
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De Pedro Correia a 12.07.2015 às 16:12

Típico paleio da extrema-direita. Acabo de ler uma entrevista da Marine Le Pen que diz praticamente o mesmo.
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De Anónimo a 12.07.2015 às 18:04

Umas vezes são de extrema esquerda, outras são de extrema direita. Não há extremos, mas tem de haver bom senso que é o que falta na UE. É intolerável que um deputado belga, que usa duma extrema falta de educação e de respeito, se tenha dirigido ao ministro grego" Tsipras,"questionando-o sobre o que devia ou não fazer, coisa que os governos belgas provavelmente não sabem, ou seja, são tão maus que a Bélgica governa-se sem governo. Também Paulo Rangel se submeteu essa triste e ridícula figura
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De Pedro Correia a 12.07.2015 às 19:02

Depois de o Varoufakis ter chamado "assassinos" aos credores você defende a lei da rolha a quem critica os gregos.
Bonita noção da democracia. Em que só uns falam e os outros... pagam. Ao nível de uma Marine Le Pen ou de um Putin.
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De cristof a 11.07.2015 às 16:41

A filosofia é uma arte. Mas a incompetência pode socorrer-se de muita retórica; quando os resultados estão a vista podemos socorrer-nos dos filósofos para dourar a pílula, mas não se pode negar a pilula.
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De Pedro Correia a 11.07.2015 às 21:34

O problema, caro Cristof, é que os melões não se compram com retórica. Nem o pão. Nem o café com leite.
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De Maria Dulce Fernandes a 11.07.2015 às 17:07

Muito esclarecedor e transparente.
Temos que partir do princípio que este excelente apontamento será lido sob diversos prismas e com lentes de diferentes cores . Pouco consensual, principalmente para os daltónicos, palavra que em inglês é traduzida e muito bem por color blind, não é por isso menos correcto ou verdadeiro.
Aplaudo a sua paciência; dar vista aos cegos é praticamente um milagre nos dias de hoje, mas vale sempre a pena tentar fazê-los ver sem terem que enxergar. Exercício hercúleo, árduo, penoso e exigente, mas não impossível.
Não basta desligar a cassete, nem desprogramar o sistema. É preciso formatar a drive.
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De Pedro Correia a 11.07.2015 às 21:32

Obrigado pela simpatia das suas palavras, Dulce. Faz-me imensa impressão ver pessoas entrincheiradas em "verdades" rapidamente contraditadas pelos factos e mesmo assim permanecerem de palas nos olhos e pá na mão, escavando a trincheira para que se torne mais funda, cada vez mais funda.
É o que sucede nesta mesma caixa de comentários.
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De Vento a 12.07.2015 às 00:54

Meu caro Pedro Correia,

ainda tenho um momentinho para trocar umas impressões consigo a respeito de mais um de seus posts. Aliás, em linha com o que era a cegueira generalizada de um Eurogrupo que andava a reboque de uma Alemanha que ganhava, até aqui, por 18-1. Porém este diktat, já foi demonstrado hoje, acabou.
Não quero qualificar a sua obsessão, usando notícias que selectivamente escolhe, para tentar emendar os erros em que caiu sobre o tema Grécia. E tive oportunidade de dar conta desse erro quando lhe referi ali num post que se tinha reservado para se pronunciar quando pensava que navegava à vista mas, acrescentei, engana-se. E enganou-se mesmo. E começo a compreender que o Pedro nestas matérias faz lembrar o temperamento de um Presidente em exercício que quer fazer parecer que nunca ou raramente se engana.

Mas sobre a Grécia e as questões que em torno dela todos giram, queira saber que a primeira mentira que se propaga é o facto de afirmar-se que as regras são para respeitar. Mas a mentira não está aqui, está no facto de se pretender fazer parecer que é regra não poder haver discussão em torno da dívida e de sua sustentabilidade e não se poder contrariar os credores nas medidas que exigem.
Seguidamente surge uma outra mentira, que é fazer depender da reacção dos governantes gregos actuais a ineficácia das medidas pelos credores impostas e pelo desastre que eles mesmo causaram.
E acresce ainda mais uma outra mentira, e esta baseia-se também no facto de ter ficado demonstrado que as exigências dos credores, durante os últimos anos do "plano" imposto, não estavam canalizadas para reformas mas para uma espécie de lavagem de activos tóxicos que compensariam a banca resgatada com cash fresquinho.

Agora sobre o que verte em seu texto.
Na realidade é o Pedro com seus textos que faz despertar nos leitores a necessidade de lhe revelar que as "cedências" que refere não são cedências, são resultados de negociações e acordos ao mais alto nível que levaram, por exemplo, que uma equipa técnica francesa se tivesse deslocado à Grécia para elaborar em conjunto esta nova proposta que até agora só foi bloqueada pela Finlândia e Alemanha - nada de novo debaixo do Sol.

Para além do abordado no anterior parágrafo, acresce referir que o Pedro na sua virtuosa campanha de revelar o diabo no lado grego ainda não foi capaz de estabelecer num texto seu a relação entre as propostas anteriores e as actuais, para esclarecer seus leitores.
O meu caro, assim como muitos outros opinativos, quer fazer depender a atitude dos governantes gregos para justificar o massacre injustificável que têm sido os tais "memorandos", onde até vão descobrindo virtuosas oportunidades que não têm correspondência nos tais números que acima refere a que lhes dá o nome de "contra todas as evidências". Evidências essas que não consubstancia na elevada visão técnica tão propagada em suas reportagens.

E apega-se a notícias com meias-verdades, que me recorda a criança que se apega a uma chupeta (é meramente figurativa esta afirmação e não visa chamá-lo de garoto) julgando que extrai desta o alimento real que corre dos peitos de uma mãe. Mas todos sabemos que tal chupeta só disfarça o real, nunca o substitui. E em última instância só pode adormecer a criança de uma birra que tenha surgido.
NOTA: Mais uma vez peço-lhe que veja nestas afirmações um aspecto literário imagético para fazer compreender a minha visão perante sua atitude, e não intencionalidade em associá-lo ao ser criança.
FOI SIMPLESMENTE A FORMA QUE ENCONTREI PARA EXPLICAR MINHA VISÃO.

Quanto à questão sobre o orçamento da defesa.Ttive oportunidade de elucida-lo sobre alguns acontecimentos em torno do mesmo. Mas aproveito este seu argumento para dizer-lhe que os credores são tão irresponsáveis quanto a irresponsabilidade dos anteriores governantes gregos na medida em que injectavam dinheiro que sabiam o país não ter oportunidade de pagar. Alguém pagaria, sabiam os credores.
Mas parece-me que agora, através da birra da Alemanha, já todos se vão apercebendo quem podem ser tais credores. E sabendo-se isto é (a)normal que um país que o tenha divulgado, que foi a Grécia, se torne num incómodo para tais credores. Saiba que no caso português se empurra a insolvência com troca de dívida. É disto que gostam.
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De Pedro Correia a 12.07.2015 às 16:06

Leia o editorial do 'El País' de hoje, Vento:
http://elpais.com/elpais/2015/07/11/opinion/1436641350_056730.html

Cumprimentos
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De Maria a 13.07.2015 às 16:26

Excelente, como sempre!
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De Maria a 14.07.2015 às 01:33

Excelente o texto do vento, não o seu. Lamento
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De Pedro Correia a 14.07.2015 às 07:20

Você confunde texto com comentário. Ou então muda de opinião mais depressa do que o engenheiro Tsipras.

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