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Os doze mais infectados

por Pedro Correia, em 08.04.20

Quatro dias depois, trago aqui novamente o quadro detalhado da evolução do novo coronavírus por todos os países e territórios do planeta, com base em mais de duas dezenas de fontes consultadas e confrontadas - desde logo, a Organização Mundial de Saúde. 

Chamo especial atenção para a proporção entre o número de infectados e cada milhão de habitantes dos países que constam deste quadro incompleto (a Coreia do Norte, por exemplo, está ausente).

Um registo que nos leva a ordenar assim os países com registo oficial de Covid-19 da seguinte maneira, excluindo microestados e países com menos de um milhão de habitantes:

Espanha: 3.317 casos por milhão de habitantes

Suíça: 2.580

Itália: 2.243

Bélgica: 2.019

França: 1.671

Áustria: 1.414

Alemanha: 1.285

Portugal: 1.220

EUA: 1.210

Irlanda: 1.156

Holanda: 1.143

Noruega: 1.123

 

Notas a destacar, em comparação com a estatística anterior: a nada lisonjeira progressão de França para o quinto lugar, por troca com a Áustria; Portugal a subir do nono ao oitavo posto; descida suave da Holanda (de 10.º para 11.º) e acentuada da Noruega (de 8.º para 12.º); entradas directas dos EUA e da Irlanda.

 

Deixo também aqui novamente o registo da relação entre o número de óbitos confirmados e a população de cada país, por milhão de habitantes. Desta vez optei por seleccionar quinze:

Espanha: 311

Itália: 283

Bélgica: 193

França: 158

Holanda: 123

Suíça: 95

Reino Unido: 91

Suécia: 59

Irão: 48

Irlanda: 43

EUA: 39

Dinamarca: 35

Portugal: 33

Áustria: 30

Alemanha: 24

 

Destaco, neste caso, a dramática subida ao topo da nossa vizinha Espanha, por troca com a Itália. Bélgica entra neste triste pódio, superando a França. Irão e Suécia (país ainda sem medidas relevantes de confinamento, sem que isso suscite indignação por cá) alternam nos postos 8 e 9. Acentuada subida dos EUA, quase a entrarem nos dez mais. Portugal cai três lugares, para 13.º, sendo ultrapassado por Irlanda e Dinamarca, que há quatro dias nos igualavam neste quadro.


86 comentários

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De Luís Lavoura a 08.04.2020 às 12:00

No outro dia li um report, que talvez seja um de muitos disparates que se lê pela internet, correlacionando o impacto do covid-19 nos diversos países com a prevalência da acina BCG nesses países. Parece que a vacina BCG (que é obrigatória em Portugal, mas não é usual em Espanha, Itália e EUA) está fortemente correlacionada com a resistência dos países ao vírus. Sendo que correlação não é causalidade.
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De Pedro Correia a 08.04.2020 às 12:24

Mais uma bacorada. Uma entre tantas.
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De Luís Lavoura a 08.04.2020 às 12:37

Talvez seja uma bacorada, mas talvez não.

É preciso explicar os desempenhos diferentes de Portugal e da Espanha, ou da Alemanha e da França. Não me parece que tudo se possa reduzir a uns países terem sistemas de saúde melhores que outros, ou a uns países tenham deixado a epidemia desenvolver-se mais que outros antes de terem introduzido medidas de confinamento.

Parece-me muito mais provável que as diferenças entre os países se deverão a diferentes suscetibilidades das populações, e não à atuação das autoridades.
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De João André a 08.04.2020 às 20:21

Li o mesmo e não partilho da opinião do Pedro Correia que o seu comentário foi uma bacorada. Se começa por dizer que foi apenas uma leituran(que foi citada em mais lugares) e que vale o que vale, não vejo a bacorada. Adiante.

Tem razão, não é causalidade. Pessoalmente penso que reflectirá mais certas atitudes nos países em relação à saúde pública, mas é apenas opinião pessoal.

Seja como for, os números, sejam eles qual forem e normalizados como forem, valem de pouco para nós, sem treino e com poucos dados. Só no fim se poderão tirar conclusões. O resto parece-me que servirá mais para encher chouriços e conseguir publicações.
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De Luís Lavoura a 09.04.2020 às 10:08

Só no fim se poderão tirar conclusões.

Esta atitude parece-me errada. Estamos numa guerra económica - pessoas estão a perder os empregos, muitas já estarão a passar fome. Não nos podemos dar ao luxo de deixar tudo para o fim. Qualquer sugestão que nos possa ajudar a fazer previsões sobre onde e se o impacto da epidemia será maior é benvinda. Aqui e agora. Qualquer ideia sobre se e quando poderemos relaxar o boicote económico é necessária.
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De Pedro Correia a 19.04.2020 às 09:20

Entendi mal a alusão à vacina. Usei a expressão "bacorada" por supor que se ligaria àqueles grupos de maluquinhos anti-vacinas que agora andam por aí a fazer muito barulho nas redes sociais.
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De João André a 08.04.2020 às 20:23

Espanha, Alemanha e França terão a mesma política de terem no passado recomendado vacinação para toda a população mas não o fazerem actualmente.

A informação é a que encontrei aqui: https://www.researchgate.net/publication/50892386_The_BCG_World_Atlas_A_Database_of_Global_BCG_Vaccination_Policies_and_Practices/figures?lo=1
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De Miguel a 08.04.2020 às 12:52

A correlação parece ser real e foi detectada por médicos. Resta saber se é uma mera coincidência.
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De Ricardo Abreu a 08.04.2020 às 22:31

A BCG já não faz parte do plano nacional há pelo menos 4 anos.
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De Luís Lavoura a 09.04.2020 às 10:10

A BCG já não faz parte do plano nacional há pelo menos 4 anos.

Obrigado pela informação. Se há quatro anos ainda toda a gente era vacinada, então praticamente toda a gente atualmente existente estará vacinada. Se a BCG tiver um efeito protetor, ainda que parcial, contra o covid-19, então isso explicará (ou poderá explicar) o bom desempenho de Portugal nesta epidemia.
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De João Lopes a 09.04.2020 às 16:38

Sabe lá você se é uma bacorada! Algum motivo tem de haver para a disparidade de números entre países!
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De Pedro Correia a 09.04.2020 às 20:02

Boa Páscoa. Cuide-se.
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De Anónimo a 08.04.2020 às 12:56

Ainda é cedo para dizer.

lucklucky
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De Pedro Correia a 08.04.2020 às 14:56

Ainda é cedo para dizer o quê?
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De Anónimo a 08.04.2020 às 15:42

Sobre a BCG

lucklucky
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De Vorph Valknut a 08.04.2020 às 16:43

Se o vírus não é marxista.
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De Pedro Correia a 09.04.2020 às 08:55

Pode ser pior que isso: marxista-leninista. A própria sigla (BCG) não augura nada de bom.
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De Anónimo a 09.04.2020 às 17:57

Sem surpresa temos os Marxistas a tentar convencer-nos que não existem.


lucklucky
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De Elvimonte a 08.04.2020 às 18:47

"Sendo que correlação não é causalidade."

Algo que a generalidade das pessoas ignora, infelizmente, neste e noutros domínios.

Nomeadamente, quando se refere a correlação existente entre a temperatura média global do nosso planeta e a concentração atmosférica de CO2.
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De Elvimonte a 09.04.2020 às 19:39

Pois. Se, por acaso, se deslocar a Marte, tenha cuidado com o efeito de estufa, visto que a atmosfera do planeta é constituída por 95% de CO2.

O facto da temperatura média à superfície ser de -60 ºC (menos sessenta) é apenas um pormenor.

Leve calções, T-shirt e chinelos.

(Desculpe-me a ironia, mas esta é uma daquelas tiradas a que não consigo resistir.)
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De Miguel a 09.04.2020 às 11:59

Correlação mais física conhecida desde há cem anos, se fazem favor.
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De Elvimonte a 09.04.2020 às 19:51

Pois. E como é que calcula o gradiente vertical de temperatura adiabático seco na atmosfera? É capaz de ser uma boa questão...



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De Miguel a 09.04.2020 às 20:34

primeira e segunda lei mais equilíbrio hidrostático, e é improvável ter convecção se o ar estiver seco sem humidade (dT/dz)_{atm} > -T_d = -g/c_p quase sempre, e usar a temperatura potencial ajuda-o a calcular as oscilações da parcela de gás (buoyancy frequency); mas eu aconselhava-o a ter em conta o calor latente libertado durante a condensação à medida que a parcela de gás sobe, é capaz de convectar afinal de contas e talvez chova um pouco para lhe arrefecer a cabeça ... é sempre melhor fazer as contas com a água molhada do que com ela seca ...

Não me lixe.
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De Elvimonte a 10.04.2020 às 00:57

Errado. Lamento desiludi-lo.

Introduz-se a equação fundamental da Hidrostática na equação de estado dos gases perfeitos, que estabele uma relação entre pressão e temperatura absoluta, derivando-se posteriormente T (a temperatura absoluta) em ordem a z.

Com a coordenada z a aumentar com a altitude, atendendendo aos valores da massa específica do ar seco (ou da massa molar, noutra forma da equação de estado dos gases perfeitos), ao valor da constante específica do ar (ou da constante universal dos gases perfeitos, na outra forma já referida da sua equação de estado) e ao valor da acelaração da gravidade usado genericamente, obtém-se para dT/dz o valor de -0.0098 K/m, portanto cerca de -1 ºC por cada 100 m de aumento da altitude.

Trata-se do gradiente vertical de temperatura adiabático seco. Repito: adiabático seco. Talvez na net e seguramente em livros de texto de Termodinâmica, de Meteorologia e de Climatologia encontrará mais informação. Na net sugiro pesquisa por adiabatic lapse rate.

Aconselho-o vivamente a não se pronunciar sobre assuntos que, pelo que escreve, não domina.

E não, não o quero lixar. Se quisesse, "escrevia com lixa nº 3" (Baptista Bastos).

Vamos à questão seguinte.

Porque diminui, genericamente, a temperatura atmosférica com a altitude, exceptuando os casos em que existem inversões de temperatura? E porque aumenta, genericamente, a referida temperatura com a profundidade, registando-se as temperaturas mais altas do planeta em depressões, como o Vale da Morte?

PS - Acho melhor não responder a estas questões. Poupa-se trabalho a si e a mim.
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De Miguel a 10.04.2020 às 16:57

«Na net sugiro pesquisa por adiabatic lapse rate.»

É uma boa ideia. Mas onde procurar?... Encontrei!, no comentário mesmo anterior ao seu.

Nesse comentário, assinado por um tal Miguel, lá está escarrapachado o seu querido «dry adiabatic lapse rate»:

(dT/dz)_{atm} > -T_d = -g/c_p, g: aceleração da gravidade e c_p: calor específico a pressão constante.

Xiii, pelo vistos, o meu caro não reconhece o tal «dry adiabatic lapse rate» mesmo quando está à frente do seu nariz (sem dizer o nome).

Lições de física em caixinha de comentário não lhe darei. Mas aqui tem um bom livro «Atmospheric, Ocean and Climate dynamics», de John Marshall e Alan Plumb ambos do MIT (encontra o seu DALR no capítulo 4, equação (4-14) na página 40; e como bónus tem o SARL, saturado em vez de seco, um pouco mais à frente na equação (4-28), e muito muito mais incluindo os processos de balanço radiativo e uma explicação sucinta de como é que os modos de vibração e o dipolo eléctrico de moléculas como CO2, CH4 e vapor de água absorbem e reemitem radiação no infra-vermelho ). Está disponível em pdf livre na net e ainda tem um website com bastante material de apoio.

http://shoni2.princeton.edu/ftp/lyo/lecture-notes/refs/MarshallPlumbAtmosClimDynamicsBook2008.pdf


http://marshallplumb.mit.edu/

Um outro bom livro é de Sir John Houghton «Global Warming», Cambridge Un. Press. Existe um pdf da versão de 2004 livre na net, a de 2015 não sei, talvez tenha de comprar.


Bom estudo.
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De Elvimonte a 11.04.2020 às 19:21

Concordamos na expressão de dT/dz (adiabático seco). Não me parece que a saiba deduzir ou que alguma vez a tenha deduzido. Ao contrário do que acontece comigo.

Depois de anteriormente ter respondido "primeira e segunda lei mais equilíbrio hidrostático" sem referir a equação de estado dos gases perfeitos, fundamental na dedução, é bem provável que não saiba do que está a falar. Mas adiante.

Volto a repetir as questões anteriores. Porque elas têm um propósito e ainda não vi a sua resposta.

Porque diminui, genericamente, a temperatura atmosférica com a altitude, exceptuando os casos em que existem inversões de temperatura? E porque aumenta, genericamente, a referida temperatura com a profundidade, registando-se as temperaturas mais altas do planeta em depressões, como o Vale da Morte?

Questões simples, que não precisam de revisão blibliográfica feita na net ou onde quer que seja. Pelo menos para quem compreende as equações e as suas implicações.
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De Miguel a 12.04.2020 às 11:42

Elvis, quanto ao que o senhor sabe deduzir, parabéns, não serei eu quem o irá neste contexto contradizer. Não obstante, não lhe faria mal frequentar a cadeira de Atmospheric Physics para consolidar. Consolida, como dizia o José Mário Branco.

Independentemente do resto, quando alguém nos oferece informação bibliográfica pertinente é de bom tom agradecer.
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De Elvimonte a 12.04.2020 às 17:29

Volto a repetir as questões anteriores. Porque elas têm um propósito e ainda não vi a sua resposta.

Porque diminui, genericamente, a temperatura atmosférica com a altitude, exceptuando os casos em que existem inversões de temperatura? E porque aumenta, genericamente, a referida temperatura com a profundidade, registando-se as temperaturas mais altas do planeta em depressões, como o Vale da Morte?

Questões simples, que não precisam de revisão blibliográfica feita na net ou onde quer que seja. Pelo menos para quem compreende as equações e as suas implicações.
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De Cristina Torrão a 08.04.2020 às 12:05

Excelente, Pedro. Obrigada por estas informações.
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De Pedro Correia a 08.04.2020 às 12:25

Grato, Cristina. Temos de ir fazendo algum serviço público. Desde logo separando a informação credível dos boatos.
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De Luís Lavoura a 08.04.2020 às 12:05

Há também as mortes não registadas. No Equador, em Guayaquil, parece que a siatuação é tal que as pessoas morrem em casa e os cadáveres são depositados nas ruas, enterrados em jardins ou queimados ao ar livre, pois já não há cangalheiros que cheguem.
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De Pedro Correia a 08.04.2020 às 12:25

Talvez. Mas o "parece que" comigo não vale.
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De Cristina Torrão a 08.04.2020 às 12:07

P.S. De destacar a boa performance de Portugal, bem semelhante à da Alemanha. Pelo que vou lendo, sempre tive essa sensação que a situação nos dois países era semelhante.
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De Pedro Correia a 08.04.2020 às 12:27

Situações muito similares, sim. Sublinho o bom desempenho sanitário da Alemanha nesta pandemia comparado, por exemplo, com a vizinha França. Apesar de a despesa pública em França equivaler a 55% do PIB do país - doze pontos acima da despesa pública alemã.
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De Miguel a 08.04.2020 às 13:05

Os orçamentos dos hospitais públicos em França têm sido vítimas de cortes draconianos de há uns quinze anos para cá. Tal como nos EUA, e em muitos outros países ocidentais. Em 2005, tanto a França como os EUA estavam muito mais bem preparados para enfrentar esta pandemia. A ocupação média dos leitos hospitalares nestes países *antes* da epidemia (Janeiro 2020) rondava os 90-95% (em 2005, as unidades de reanimação nos hospitais em França tinham o triplo da capacidade que tinham em Janeiro de 2020), os stocks de todo o tipo de material são escassos (como estamos a ver), uma antiga ministra da saúde francesa (de Sarkozy) foi quase crucificada em 2009 por alegadamente ter desperdiçado dinheiro público com a criação de stocks de máscaras e outros itens (entretanto os stocks foram desfeitos em 2012-2013), as urgências hospitalares em França antes da eclosão da epidemia estavam sistematicamente engarrafadas com doentes à espera durante horas espalhados pelos corredores e com os médicos a trabalharem 'round the clock' (falta de pessoal), diminuição drástico do número de hospitais e médicos generalistas nas regiões mais afastadas dos grandes centros ...

Chamavam a isto "racionalidade económica". Vai sair-nos barata esta "racionalidade", como se pode constatar. Vamos ter uma hiper-recessão, se não for mesmo uma depressão económica. Para não falar nos milhares de vidas perdidas vítimas desta "racionalidade económica"....
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De Pedro Correia a 08.04.2020 às 14:56

Teremos recessão, sim. E muito provavelmente enfrentaremos até uma depressão.
É verdade o que diz sobre os cortes em França. Mas os franceses têm um problema mais estrutural, relacionado com a profunda falta de eficácia dos serviços públicos.
Faz pouco ou nenhum sentido que a França trema com esta pandemia quando a sua despesa pública corresponde a 55% do PIB do país. A Alemanha tem respondido com bastante mais eficácia com muito menos despesa pública (cerca de 43% do PIB). E se mudarmos de continente verificamos que a resposta da Coreia do Sul foi muito mais eficaz apesar de este país reservar para gastos públicos cerca de um terço menos do que gasta a França em percentagem do PIB.
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De Miguel a 08.04.2020 às 16:38

Os serviços públicos franceses são ainda dos mais eficientes do mundo, ainda que tenham vindo a decair graças aos cortes orçamentais sucessivos e a uma gestão que impôs "zero-stock" e "fluxos no limite". O valor em percentagem do PIB é pouco informativo se não se especificar para onde vai o dinheiro. O caso das auto-estradas oferecidas a um privado (Vinci) são um exemplo paradigmático de como o dinheiro público é oferecido ao desbarato a privados sem escrúpulos em vez de servir para assegurar um serviço público. Então não se veio a saber que o contrato firmado com o Estado garante, entre outras maravilhas, que o Estado tem de pagar à Vinci uma compensação pela diminuição do tráfico (não é sequer por causa da ordem de confinamento; é, pura e simplesmente, pela diminuição do tráfico irrespectivamente do que quer que seja). Ora, empreendedor assim também não me importava de ser: "não invisto, não construo, não corro riscos" . No meu tempo, antes da novilíngua da gestão tomar conta do éter, chamava-se a isto viver das rendas. No fim, temos engarrafamentos infindos porque é absolutamente necessário haver portagens, bruxo! A cereja em cima do bolo é que, via compensação pelo Estado, continuamos a pagar portagem enquanto estamos confinados. Privatização, mon oeil! O que isto é: privatização dos lucros, socialização dos custos.

A outra parte do problema que sofre a França em relação à Alemanha é um muito maior grau de deslocalização da produção e desindustrializaação. A ponto de num aperto ser incapaz de produzir máscaras ou outro equipamento hospitalar, e estar dependente de importações que podem vir ou não vir em função da boa-vontade da China. Agora, pensemos nas consequências que isto poderá ter do ponto de vista militar. E temo que não seja só a Farnça. No domínio dos metais raros e não só o grande produtor mundial é a China, e ouvi gente que percebe da poda dizer que até os americanos sofrem nesse domínio de alguns estrangulamentos potencialmente comprometodores da sua máquina de guerra. Não me espantava nada se fosse o caso.
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De Vorph Valknut a 08.04.2020 às 16:59

O Estado Social na Coreia do Sul é bastante deficitário, ao contrário do francês.
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De Pedro Correia a 09.04.2020 às 08:51

Parece-me antes uma questão de eficiência na gestão do chamado "Estado social", que funciona em larga medida na Coreia (do Sul, não da do Norte), onde o sistema nacional de saúde abrange cerca de 94% da população - números oficiais.
http://www.korea.net/AboutKorea/Society/Labor-Social-Welfare-System

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De Anónimo a 08.04.2020 às 17:22

A esse respeito volto aqui a deixar este link:
https://tinyurl.com/uk9r62w

Não é exaustivo, porque é difícil arranjar séries temporais de óbitos para todos os países (nomeadamente dois exemplos de que muito se fala, Suíça e Suécia, por supostamente terem conseguido controlar as suas epidemias com poucas medidas, e sobretudo medidas voluntárias).

Mostra Portugal sensivelmente no mesmo patamar da Alemanha e Áustria, um pouco pior. Como o gráfico é logarítmico, estamos sensivelmente 10x melhor que o pelotão da frente. E mostra alguns candidatos a ultrapassar Itália e Espanha: Bélgica e França. Eventualmente o Reino Unido.

Também convém notar que as diferenças metodológicas influenciam muito estes dados. França parecia claramente mais controlada que Espanha, Itália, até que começar a quantificar óbitos em lares. A Bélgica parecia estar a dominar a epidemia mas na verdade durante 4 dias não foram reportados óbitos nos lares da Flandres. Em muitos destes países, só são contados casos confirmados, e não são feitos testes póstumos.
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De Pedro Correia a 12.04.2020 às 11:48

Agradeço-lhe a importante ligação que aqui nos traz.
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De singularis alentejanus a 08.04.2020 às 12:23

Duvido muito dos números portugueses. No concelho de Santiago do Cacém, há vários dias que o número de infectados não varia, no entanto, há dois dias foi confirmado pelo executivo de uma das freguesias a existência de mais um caso.
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De Pedro Correia a 08.04.2020 às 12:31

A propósito de Santiago do Cacém, sublinho o relevante facto de até ao momento em que escrevo ainda não se ter registado qualquer vítima mortal no Alentejo.
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De Vorph Valknut a 08.04.2020 às 12:48

Tendo vivido no Alentejo e tendo lá familiares dizem - me que a vantagem do Alentejo, sobra as outras regiões, consiste em o vírus se transmitir de forma rápida e o alentejano não.

Tudo de bom para vós, compadres. (a sério )
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De Pedro Correia a 08.04.2020 às 14:49

Pode ter a ver com a temperatura ambiente, caso se confirme que este coronavírus aprecia muito mais o frio do que o calor.
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De Vorph Valknut a 08.04.2020 às 14:57

O Alentejo é bem frio no inverno, não tanto como costumava ser. O problema pode também estar associado à humidade (o coronavírus parece gostar de ambientes húmidos).

Tenho lá os meus pais e outros familiares.
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De Anónimo a 08.04.2020 às 15:52

O Alentejo também tem menor densidade populacional, os transportes públicos como consequência também são fracos. A mobilidade é menor.

As áreas menos urbanizadas são menos atingidas. Em Itália o desastre é na Lombardia.


lucklucky
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De singularis alentejanus a 08.04.2020 às 12:52

Infelizmente tenho que dizer: Vamos ver até quando.
Bastou uma pequeníssima notícia positiva da parte do governo, e já anda toda a gente na rua sem qualquer protecção.
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De Pedro Correia a 08.04.2020 às 14:49

Isso é verdade. Noto isso também em Lisboa. O pessoal fica logo mais "à vontadinha" (expressão muito portuguesa).
Incluindo os que andam mascarados.
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De Elvimonte a 08.04.2020 às 18:36

À primeira vista, parece-me sobretudo uma questão de densidade populacional. Não descarto, contudo, a existência de outros factores.
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De Elvimonte a 08.04.2020 às 19:16

Além do mais, se o Alentejo fôr a região com menor número de casos diagnosticados, o que não fui verificar, é bem provável que seja também a região com menor número de óbitos.

No limite, se uma região não tiver habitantes, não terá infectados nem óbitos.
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De Pedro Correia a 09.04.2020 às 08:46

Contribui para isso, naturalmente, faltando apurar uma relação entre a temperatura média ambiente (e respectivo grau de humidade) e este vírus.
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De Luís Lavoura a 08.04.2020 às 12:43

No concelho de Santiago do Cacém, há vários dias que o número de infectados não varia

Depende do número de testes que por lá se (não) fazem.

Há certamente muitíssimos infetados que não aparecem nestas estatísticas, porque são assintomáticos ou têm poucos sintomas, e não lhes são feitos testes.

Mesmo os números de mortes não são fiáveis, porque há muitas mortes que não são atribuídas ao covid-19 mas que com grande probabilidade se devem a ele. No Economist desta semana estimam, com base na diferença de mortalidade entre este ano e anos passados, que em certas regiões de Itália e Espanha o número de mortes devidas ao covid-19 é o dobro, ou até mais, do registado. As pessoas morrem em casa sem nunca chegarem a ser testadas ao vírus.
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De Inês a 08.04.2020 às 12:35

Tenho dificuldade em acreditar nos números portugueses de infectados (mas talvez noutros países a realidade de testagem seja semelhante). Num lar de idosos onde trabalham familiares meus foram testados dois doentes e uma enfermeira com sintomas, os três positivos. Os três tiveram contacto directo com os restantes idosos e trabalhadores mas mais ninguém foi testado, nem vai ser a não ser que apresente sintomas...
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De Pedro Correia a 08.04.2020 às 14:47

Não me parece que os números portugueses estejam subdimensionados em comparação com as estatísticas internacionais.
Desde logo porque Portugal encontra-se já entre os dez países que tem feito mais testes ao novo coronavírus.
https://www.jornaldenegocios.pt/economia/coronavirus/detalhe/portugal-entre-os-paises-que-mais-testam-na-europa
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De Tiro ao Alvo a 08.04.2020 às 17:11

Ainda me parece muito cedo para se tirarem conclusões deste tipo de estatísticas. É evidente que o número de infectados é bem superior ao número de testados positivos. Tanto em Portugal como nos outros países.
Estranho, e muito, é que a China não apareça no quadro. Alguma coisa de errado se está a passar.
Por outro lado, só nos últimos dias é que Portugal atingiu o patamar dos 10.000/dia, diferente do que se passou noutros países que há muitos dias atrás testavam, percentualmente, muito mais pessoas.
Aguardemos. No futuro vai entender-se melhor o que está a acontecer.
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De Pedro Correia a 09.04.2020 às 08:45

Sim. Quanto à China, beneficiou essencialmente do facto de ser um país enorme, com vasta dispersão populacional e ter registado o foco de infecção numa área bastante específica - na província de Hubei, o que faz diluir as estatísticas em termos nacionais. As medidas draconianas ali postas em vigor permitiram aparentemente estancar a progressão do vírus.
https://www.france24.com/en/20200325-province-at-epicentre-of-coronavirus-outbreak-lifts-restrictions-as-china-reports-no-new-virus-cases

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De Vorph Valknut a 08.04.2020 às 12:45

Obviamente que lamento a morte dos doentes e desejo as melhoras dos infectados sintomáticos, mas preocupa - me mais, neste momento, a possibilidade de uma nova vaga caso a imunidade adquirida seja fraca e ou curta no tempo (ex:menos de 6 meses)

Obrigado pela informação
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De Pedro Correia a 08.04.2020 às 14:45

Directora-geral da Saúde, hoje:
«Testes serológicos serão úteis só na fase de convalescença da doença.»
https://ionline.sapo.pt/artigo/692260/testes-sorologicos-podem-vir-a-ser-muito-teis-para-as-pessoas-regressarem-a-sua-vida-normal
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De Vorph Valknut a 08.04.2020 às 15:00

Possivelmente haverá segunda vaga mas com uma taxa de infecção de evolução mais lenta o que permite um maior controlo. Também se tem falado nas mutações. Estas na maioria dos casos enfraquecem os microorganismos/organismos. (daí a Evolução ser tão lenta)
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De Vorph Valknut a 08.04.2020 às 15:04

Em termos de virologia é um vírus quase perfeito (ao contrário do Ébola) . Fácil transmissão, período de incubação lento, sintomatologia inespecifica e na maior parte dos casos ligeira, sem tratamento /cura. Os virologistas devem estar todos "satisfeitos" a estudá-lo (o pessoal de investigação é meio marado... no bom sentido)
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De V. a 08.04.2020 às 16:57

O ébola é um brutamontes: limpa o sarampo a toda a gente e cria obstáculos à sua própria retransmissão. É tipo Kraken. Este é sofisticado, mata marginalmente os hospedeiros e privilegia os saudáveis.
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De Vorph Valknut a 08.04.2020 às 21:43

Ouve lá, queres ir comigo no final disto tudo ao Gerês. Dormimos por lá
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De V. a 09.04.2020 às 01:22

Aprecio o convite — mas não vai ser possível este verão.

Abraço
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De Anónimo a 09.04.2020 às 17:54

Um vírus que mata é um vírus estúpido. Este está na mesma linha só num grau menor que o Ebola.

lucklucky
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De Pedro Correia a 12.04.2020 às 11:38

Um vírus que mata é um vírus assassino.
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De singularis alentejanus a 08.04.2020 às 14:29

Voltando aos números. Um jornal espanhol informa que 90% dos casos de pessoas infectadas em Espanha não estão contabilizados.
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De Pedro Correia a 08.04.2020 às 14:44

Isso não pode ser verdade. À velocidade a que se processa hoje a informação, ninguém consegue esconder essas notícias. Nem em ditaduras, quanto mais em sociedades livres.
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De Anónimo a 08.04.2020 às 15:59

Parece-me SG está a dizer que há muitos infectados que não foram detectados. Provavelmente resultado de um estudo qualquer.



lucklucky
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De Miguel a 08.04.2020 às 16:40

É bem possível, Pedro. São infectados que estão completamente fora do radar porque quase assintomáticos. Apenas quando os testes serológicos estiverem disponíveis se poderá fazer um estudo para estimar a percentagem da população que tem anti-corpos, i.e que esteve em contacto com o vírus. Todos os médicos e epidemiologistas que eu ouvi avançam uma estimativa com essa ordem de grandeza.
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De Pedro Correia a 09.04.2020 às 08:40

Uma aproximação aos números reais, nesse caso, só poderá ocorrer daqui a uns meses. «Esse teste [à imunidade] será útil só na fase de convalescença da doença», disse ontem a directora-geral da Saúde. Numa espécie de reparo (pareceu-me) ao PR, que se apressou a fazer o teste e a comunicar ao País que o tinha feito.
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De V. a 08.04.2020 às 16:58

Então como é que sabem que é 90%?
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De Elvimonte a 08.04.2020 às 18:54

Dada a escassez de testes e a percentagem de casos assintomáticos já verificada, entre 30% a 75%, estima-se que o número real de infectados possa ser superior ao de casos diagnosticados por um factor de 10 a 20.
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De Anónimo a 08.04.2020 às 15:39

Boa tarde ,
só por curiosidade , aonde está o Brasil e o México ?
Parece que estes dois países tem uns presidentes malucos , segundo a nossa imprensa .
E como explicar os números da Suécia sem confinamento?

Luis Almeida
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De Pedro Correia a 09.04.2020 às 08:36

A Suécia tem números nada animadores: 8.419 infectados, 687 mortos.
https://www.svt.se/datajournalistik/har-sprider-sig-coronaviruset/

Isto até levou o Rei a dirigir há poucos dias uma mensagem ao país, pedindo aos suecos para tomarem medidas de precaução.
Como sabemos, este foi um dos raros países europeus que não encerrou escolas nem estabelecimentos comerciais.

Excluindo microestados, é neste momento o oitavo país, a nível mundial, com maior número de óbitos por milhão de habitantes. Mesmo tendo uma assistência sanitária superior à nossa, em quantidade e qualidade, estes números já fizeram soar campainhas de alarme por lá.
Desde logo porque a Suécia contabiliza hoje mais mortos do que os restantes três países nórdicos juntos: Dinamarca tem 218, Noruega tem 101 e Finlândia (o que adoptou medidas mais drásticas) só 40.
Estas três nações somam pouco mais de metade do número de óbitos já registados na Suécia.

Por milhão de habitantes, a Suécia regista neste momento 68 mortos, a Dinamarca 38 (ao nível de Portugal), a Noruega 19 e a Finlândia apenas 7.
Não há coincidências...
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De Leticia a 08.04.2020 às 15:45

Interessante seu post, muito bem explicado. Parecido um pouco com outro artigo
Sp cap (https://www.noticiasdaweb.com.br/sp-cap/) que lir resentimente na internet.

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