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Os derrotados do 21-D.

por Luís Menezes Leitão, em 22.12.17

É muito fácil fazer calculismos eleitorais para não querer ver o resultado óbvio. Os constitucionalistas perderam em toda a linha as eleições na Catalunha. Tanto assim que até a Inés Arrimadas, depois de uns delírios de uma noite de Verão em pleno Inverno, já apareceu a reconhecer que nem vale a pena ela fazer contactos para formar governo. Mesmo para a Arrimadas isto já é assunto arrumado.

 

Mas o mais patético é o posicionamento de Rajoy. Avisa que se vai manter em funções até 2020 sem perceber que o seu governo está morto e enterrado já em 2017. Recusa encontrar-se com Puigdemont, preferindo falar com Inés Arrimadas, mas reconhece que vai ter que se encontrar com o novo presidente da Generalitat que será seguramente ele e não ela. E depois ameaça com novas edições do art. 155, incapaz de reconhecer o mal que isto já causou ao seu próprio partido. Entretanto Albert Rivera esfrega as mãos de contente, vendo todo o eleitorado do PP a fugir para o Ciudadanos. Por isso neste momento Rajoy já é uma carta fora do baralho na política espanhola. Só ele é que parece não o querer perceber. Um dia acontece-lhe o mesmo que a Gorbatchev. Vão visitá-lo para lhe dizer que o país que governava já não existe.


29 comentários

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De Pedro Correia a 22.12.2017 às 16:48

Não percebo a foto, caro Luís. Rivera e Arrimadas, vencedores, são "derrotados"? Então porque é que Rivera "esfrega as mãos de contente"?
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De Luís Menezes Leitão a 22.12.2017 às 16:55

Caro Pedro:

A foto destina-se a ilustrar o delírio do comício de "vitória".

Quanto a derrotados só falei de Arrimadas e de Rajoy. Rivera para mim é um vencedor porque joga a nível nacional e nesse terreno ganhou muitos pontos.

Quanto a Arrimadas, perdeu na Catalunha porque não vai formar governo e esse era o objectivo dela e do seu partido. Nas eleições ganha quem controla o parlamento e forma governo. É por isso que sempre defendi, contra muita gente da minha linha política, que Passos Coelho perdeu as eleições de 2015. A diferença é que ele insistiu em formar governo, não vendo o óbvio. Arrimadas acabou por o ver.
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De Pedro Correia a 22.12.2017 às 22:17

Ah, entendi-te. Rivera é mesmo um vencedor. Excepto na Catalunha, por sinal o único local de Espanha onde se realizaram eleições, ganhas pelo partido de Rivera.
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De Rui Henrique Levira a 22.12.2017 às 22:53

A tadinha da Inés nem teve o bom gosto de pedir desculpa pela sua miserável prestação: levou um partido constitucionalista que sempre criticou a moleza da aplicação do 155 por Rajoy a ganhar as eleições na Catalunha, a tal região autónoma onde 80% dos eleitores chorava e gemia em ânsias por se ver guiada até à terra do Cava e do pan com tomaca por esse Moisés que é Puigdemont. Isso não se faz, ó Inés...
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De Luís Menezes Leitão a 23.12.2017 às 09:55

Rivera não concorria nas eleições da Catalunha contra Puigdemont. Aí concorria Arrimadas e perdeu. Mas a nível nacional, onde os partidos catalães não têm relevância, Rivera impôs-se a Rajoy. Isso conta para poder contar vitória a nível nacional. Mas não sei por quanto tempo umas eleições na Catalunha continuarão a ter significado em Espanha.
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De Anónimo a 23.12.2017 às 21:33

Ganhas pelo partido de Albert Primo de Rivera? Ai que não aprenderam nada com a geringonça... Aconselho-o a estudar sobre os parlamentos belga e holandês, onde muitas vezes o partido mais votado não chega a 20%. E se não conseguem uma MAIORIA PARLAMENTAR, ninguém os vai considerar vencedores.
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De Marina Molares a 22.12.2017 às 16:48

Ainda não consegui perceber qual o número de votos que cada lado teve , porque é isso que interessa dado os votos nas eleições serem ponderados consoante a população do município . podem ter a maioria dos assentos parlamentares mas não a maioria dos votos. E não era justo que a vontade independentista de um catalão de Gerona valha mais que a de um de Barcelona ou assim. Em 2015 já sei que os independentistas não tiveram a maioria dos votos , estas gostava de saber.
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De Luís Menezes Leitão a 22.12.2017 às 17:06

Esse é um bom exemplo do calculismo eleitoral a que me refiro. Numas eleições parlamentares ganha quem elege mais deputados. Votos que não elegeram deputados não servem para nada.

Quanto à contabilidade dos votos, depende onde põe o Catalunya en común / Podemos. Os constitucionalistas (PP, PSC e Ciudadanos) tiveram 43,44% e os independentistas (JpC. ERC e CUP) 47,53%. Não me parece que faça sentido somar aos constitucionalistas os votos da Catalunya en comùn / Podemos de 7,44%, já que estes, emboram defendam a pertença da Catalunha a Espanha defendem o referendo à independência, o que não permite incluí-los nos constitucionalistas. Por isso, a meu ver, mesmo em votos o bloco independentista é vencedor. Mas o que conta é a maioria absoluta dos deputados, e isso eles tiveram.
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De Tiro ao Alvo a 23.12.2017 às 15:50

Pelo que escreveu, não me parece legítimo falar em Bloco "independentista"; em Bloco "referendista", isso sim. E se os eleitores mantivessem o sentido do voto que os Partidos "referendistas" defendem, então, a haver referendo, não haveria independência.
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De Anónimo a 23.12.2017 às 21:35

"a haver referendo, não haveria independência."
Então porque é que o Estado Espanhol ataca o povo catalão por querer votar? Se têm assim tantas certezas que o povo catalão não deseja a independência, porque não deixam que o povo catalão vote? Se Rajoy aprendesse com o exemplo de David Cameron e a Escócia (ou o exemplo do Quebec onde houve dois referendos), não fazia figura de facho.
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De Carlos a 24.12.2017 às 08:53

Custa-me a entender estas campanhas a favor da independência da Catalunha.
Eu só queria chamar a atenção para a incorrecção dos que dizem "o bloco independentista". A mim, parece-me que não é legitimo falar nestes termos. Mais nada.
Mas de uma coisa tenho a certeza, os espanhóis e os catalães vão resolver o problema. E os de fora racham lenha mas pouco ou nada adiantam.
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De Anónimo a 30.12.2017 às 17:44

Custa-me a entender que pessoas que vivem num país que tanto lutou para se separar de Espanha (e apenas o conseguiu em 1640 porque a Catalunha revoltou-se ao mesmo tempo) tenha tão pouca solidariedade com o povo catalão. Isso diz realmente muito sobre o povo português.
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De Marina Molares a 22.12.2017 às 17:05

Afinal já sei :) há um post lá mais para baixo que presta essa relevante informação . Os independentistas perderam votos.
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De Luís Menezes Leitão a 22.12.2017 às 17:19

Mas continuaram a ganhar as eleições…
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De João Pedro Pimenta a 22.12.2017 às 20:35

Eu não faria já o funeral a Rajoy: desde 2004 que lho fazem e ele permanece lá, primeiro como líder da oposição e depois como chefe do governo. Claro que até ele acabará por esgotar as suas vidas, mas é precipitado anunciá-lo como morto.

Quanto a Arrimadas, é impossível não ver nela uma vencedora. Se pela primeira vez um partido não regionalista ganha eleições na Catalunha, isso tem um capital simbólico grande. Arrimadas passou a ser por direito próprio uma das protagonistas políticas da Catalunha. Já agora, embora Puigdemont seja um dos vencedores, a sua tese de que "90%" queriam a independência também cai por terra.
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De Vento a 22.12.2017 às 21:34

O capital simbólico é grande. Mas não tem valor facial. Seria necessária uma indexação ao padrão ouro para que o capital tivesse valor facial. Assim, metaforicamente, foi desvalorizado pelo padrão parlamentar.
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De Luís Menezes Leitão a 23.12.2017 às 10:04

Tudo depende das expectativas. Se a expectativa fosse apenas subir a votação, Arrimadas seria uma vencedora. Mas a expectativa, que todos referiam antes dos votos, era a de que ela iria governar a Catalunha e, como não o conseguiu, perdeu. Quanto ao capital simbólico, a transferência de votos dos independentistas para os constitucionalistas foi muito pequena. O primeiro lugar de Arrimadas dá-se à custo do descalabro do PP. Enquanto o bloco independentista se divide ao meio entre dois partidos principais, no bloco constitucionalistas, assume a liderança. É muito pouco para cantar vitória e muito menos sobre os independentistas.
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De Rui Henrique Levira a 22.12.2017 às 21:30

Sim, os independentistas "ganharam todos"...
Analisemos mais de perto a magnífica vitória independentista: os 80% de votos a favor da independência daquele "referendo" de Outubro transformaram-se nuns meros 50% (nem aí chegam) de votos pró independência em Dezembro; o líder do segundo partido mais votado - o Sr. Puigdemont - formará governo e governará a partir... da Bélgica, pois mal ponha o pé em território espanhol irá parar com os costados a Soto del Real.
Ver as coisas do avesso tem destas coisas e como alguém aqui há uns tempos dizia as jogadas do Sr. Carles devem vir certamente de um cérebro que tem um funcionamento "sui generis": o estratega em "exílio" entre os netinhos dos bravos combatentes Waffen SS belgas matou com as próprias mãos a sua tão acarinhada independência, teimando em exibir o cadáver da sua vítima como a prova provada de que os cadáveres andam, falam, comem e reproduzem-se. É com políticos desta rija cepa que os países se constroem, pois certamente que é...
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De Vlad, o Emborcador a 23.12.2017 às 11:29

"Os 80% de votos a favor da independência daquele "referendo" de Outubro transformaram-se nuns meros 50%"

Meu caro está confundido. O que aconteceu na Catalunha foram eleições regionais e não um referendo sobre independência. Como sabe que os que foram, ou não foram, votar são contra ou a favor da independência. Fazendo um exercício mental. Poderão haver eleitores Socialistas contra a Aborto, ao contrário da linha partidária seguida. Assim o mesmo para a questão independentista catalã - eleitores que não se revêm em qualquer partido mas são pró independência
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De Rui Henrique Levira a 23.12.2017 às 13:06

Quem está confundido é o caro Vlad: se o prezado amigo assim pensa, vá comunicá-lo ao bom do Puigdemont, o tal genial xadrezista que, ao mesmo tempo que concorria a eleições que afirmava alto e bom som serem ilegais, as via como um autêntico referendo confirmativo do referendo fantoche de 1 de Outubro. E caso tenha algumas dúvidas sobre isso, faça o prezado Vlad a bondade de rever as declarações do genial Carles na noite das eleições.
Como anteriormente disse, o sonho independentista viu derrocar a sua ficção de que 80% dos catalães apoiava a independência: não há independências com 50% do povo contra elas; o que há é a esperançosa hipótese de uma futura guerra civil.
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De Anónimo a 25.12.2017 às 01:15

"o estratega em "exílio" entre os netinhos dos bravos combatentes Waffen SS belgas matou com as próprias mãos a sua tão acarinhada independência"
Como é que não surpreende ninguém que a lei de Godwin tenha sido aplicada?
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De Rui Henrique Levira a 22.12.2017 às 21:42

E, já agora que vem na linha da conversa, a seguir a um Gorbachev vem sempre um Ieltsin - que, desta vez e dadas as diferentes coordenadas geográficas, em vez de lhe dar na vodka vai afinfar com largueza no cava - verdade? Pobre Catalunha, pobre Espanha, pobre Europa...
E como é bom lembrar o que os furores nacionalistas produziram em não poucas ex- Repúblicas Socialistas Soviéticas...
Esta alegria incontida face a uma futura implosão do Estado nosso vizinho já há muito que deixou de ser analisável sob a lupa do pensamento político e racional para entrar no campo dos recalcamentos emocionais subconscientes que teimam em persistir do lado de cá da fronteira.
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De Luís Menezes Leitão a 23.12.2017 às 10:07

Não tenha dúvidas. Da mesma forma que Portugal se libertou de Espanha em 1640, é mais de que altura do que a Catalunha fazer a mesma coisa. Ainda que com quase 400 anos de atraso, mais vale tarde do que nunca.
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De Rui Henrique Levira a 23.12.2017 às 13:28

O caro senhor há de perder essa mania de analisar problemas alheios sob a lupa das soluções próprias: o que foi bom para nós (em 1640!!
!) é hoje bom para os catalães. E aqueles catalães (os outros 50% de catalães) que se estão borrifando para as lições daqueles que ainda há pouco tinham retirado o 1º de Dezembro da lista dos feriados nacionais que se conformem com a vontade dos indepes ou que... partam para o exílio. Genial, meu caro.
Depreendo pelas suas palavras que tanto se lhe dá a Espanha ser um país viável, economicamente próspero e em paz, como lhe não causa qualquer problema ver a Espanha afundar-se em sangrentos conflitos intestinos e transformar-se numa terra de ninguém mesmo aqui ao lado. Só uma pergunta me assalta: que ganhamos nós com isso?
Mas uma coisa positiva encontro eu no seu comentário, meu caro Luís Menezes Leitão: ele confirma magistralmente aquilo que eu afirmei no último parágrafo do meu comentário anterior.
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De Anónimo a 23.12.2017 às 00:01

Os votos que não elegeram deputados servem para lembrar à maioria que não pode fazer o que só um referendo permite fazer, porque num referendo todos os votos contam! LML, os independentistas têm a maioria dos assentos parlamentares, como já tinham, e julgo que até diminuíram. A não ser que o LML advogue a tirania das maiorias parlamentares, explique-me lá como é que estas eleições tão alargadas podem substituir-se a um referendo? É porque se isto era um referendo, então os independentistas perderam. Portanto, imagine-se que o PCP ganhava a maioria dos assentos parlamentares em Portugal. O LML acha então que o PCP tinha a legitimidade para suspender a constituição e impor a ditadura do proletariado. É isso?
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De Luís Menezes Leitão a 23.12.2017 às 10:10

Não era um referendo, e nem foram os independentistas que convocaram eleições. Elas foram convocadas por quem não queria a independência. Mas os independentistas voltaram a ganhar. Por isso executarão o seu programa. Não tenha dúvidas de que o PCP faria o mesmo se tivesse maioria parlamentar. Ou está convencido de que seria moderado pelo facto de não ter 50% dos votos? A coligação PSD/CDS não tinha maioria de votos e fez tudo o que quis nos tempos da "troika". Só muito raramente o Tribunal Constitucional a travou.
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De xico a 23.12.2017 às 20:37

O anónimo, sou eu. Peço desculpa. Portanto depreendo das suas palavras que as Constituições não servem para nada quando se tem a maioria dos votos. É isso? Gostava da sua opinião e não do que os partidos fazem ou deixam de fazer. É que para alterar a constituição (a nossa) é preciso uma maioria de dois terços. Não basta a maioria simples. Por isso os partidos da Catalunha governam mas não podem impor sobre mais de metade da população a sua vontade de independência. Isso seria desvirtuar a Democracia para além da própria Constituição.
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De amendes a 23.12.2017 às 16:11

Quando a Catalunha for independente:

Já "ganharam" um bom Embaixador em Portugal...

Adivinha-lo é fácil....

Boas Broas


Am
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De Carlos a 23.12.2017 às 20:34

O "pior" é que isso só poderá acontecer no dia de São Nunca...

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