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Os derrotados

por Pedro Correia, em 08.05.17

Melenchon-vs.-Marine-Le-Pen-et-de-deux-proces[1].j

 Marine Le Pen e Jean-Luc Mélenchon, dois dos derrotados em França

 

Galeria de derrotados nas eleições presidenciais francesas:

 

1. Marine Le Pen. Chegou a vaticinar que atingiria os 40%. Ficou muito longe disso, tendo recolhido apenas um terço dos votos. Sai com uma derrota expressiva desta corrida ao Eliseu, que aliás culmina com a dissolução anunciada da Frente Nacional.

 

2. François Hollande. O Presidente cessante confirmou-se como o mais impopular Chefe do Estado da V República Francesa. Termina o mandato como uma figura irrelevante, quase patética. Quem diria que há cinco anos foi saudado como uma lufada de esperança da esquerda europeia...

 

3. Socialistas. Os últimos três anos têm sido catastróficos para a família socialista a nível europeu: derrotas copiosas em Espanha, Grécia, Hungria, Polónia, Bélgica, Holanda e Reino Unido. Seguiu-se o humilhante quinto lugar alcançado pelo representante do PS francês, Benoit Hamon, nesta corrida ao Eliseu, em que só recolheu 6,3% dos votos.

 

4. Comunistas. Desde a queda do Muro de Berlim tornaram-se num “tigre de papel”, para usar uma velha expressão maoísta. O seu representante indirecto neste escrutínio, Jean-Luc Mélenchon, prometia muito mas nem à segunda volta chegou. Terminaram numa espécie de terra de ninguém, recomendando a abstenção.

 

5. Conservadores. O caos estratégico na direita conservadora francesa, de inspiração bonapartista e gaullista, levou-a a ser contaminada pela sua adversária histórica, de inspiração orleanista e colaboracionista (duas fontes históricas da Frente Nacional). Ignorar a probidade do general De Gaulle foi meio caminho andado para chegar aqui.

 

6. Corrupção. Os franceses, como os europeus em geral, decretaram tolerância zero à corrupção em todas as suas formas. Político apanhado a delapidar o erário público é político condenado à derrota por antecipação. François Fillon, que chegou a ser apontado como favorito ao Eliseu, experimentou isto na pele.

 

7. Primárias. Este processo de escolha dos concorrentes a cargos políticos do máximo relevo foi seriamente posto em causa ao longo dos últimos meses. Tanto Fillon, que à direita derrotou Sarkozy e Alain Juppé, como Hamon, que ultrapassou Manuel Valls, venceram as primárias à direita e à esquerda. De nada lhes valeu na eleição a sério.

 

8. Eurofóbicos. Politólogos de vários matizes andaram meses a repetir a mesma tese: a eurofilia estava em acentuada regressão na União Europeia, apressando-lhe o fim. Mas as presidenciais francesas, ganhas pelo eurófilo Emmanuel Macron, desmentem esta tese em toda a linha. A eurofobia, essa sim, sai derrotada deste escrutínio.

 

9. Catastrofistas. A propósito das presidenciais francesas, legiões de comentadores e “analistas políticos” desfilaram nos jornais e nas pantalhas advertindo para os riscos de implosão da União Europeia, do sistema monetário europeu e até da democracia política neste espaço geográfico em que nos inserimos. Não tinham qualquer razão, mas também não darão o braço a torcer. Vão continuar a repetir-nos essas balelas nos tempos mais próximos, serão após serão.

 

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54 comentários

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De tric.Lebanon a 08.05.2017 às 16:58

Marie Le Pen a grande derrotada!!!??? 35 %...contra tudo e todos...é sempre a crescer...
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De Pedro Correia a 08.05.2017 às 17:07

Quem perde, é derrotado. Quem perde por 33 pontos percentuais de diferença, é copiosamente derrotado.
Lamento o seu desgosto, mas as coisas são como são - como gostava de dizer o general De Gaulle.

P. S. - Aprenda a escrever os nomes dos seus ídolos: é MARINE Le Pen, não "Marie Le Pen".
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De tric.Lebanon a 08.05.2017 às 17:20

já vai em 35%...sem a ajuda dos jornalistas...nem do regime jacobino Islamico!!! é imparavel...por mais que tentem!!! o Euro acabou...
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De tric.Lebanon a 08.05.2017 às 18:01

um regime jacobino islamico e o jornalismo todos contra e ainda aumentou a votação em 10%...foi o partido em França que aumentou mais a votação !! Macron é uma manta de retalhos...
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De Pedro Correia a 08.05.2017 às 18:05

"Regime jacobino islâmico" é uma designação que não faz o menor sentido. Os dois conceitos não se fundem. Ou é jacobino ou é islâmico.
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De tric.Lebanon a 08.05.2017 às 18:10

não se fundem!!!??' se o Laicismo em França se fundiu com o Islamismo..
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De Pedro Correia a 08.05.2017 às 18:11

Você imagina algum fundamentalista islâmico convertido ao laicismo?
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De tric.Lebanon a 08.05.2017 às 18:17

não...mas acredito num regime laico convertido ao Islamismo...acredito!!!??? é um facto em França...Laicidade em França persegue os Cristãos e promove o Islão...
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De Pedro Correia a 08.05.2017 às 21:38

Você insiste no casamento entre islamistas e laicistas... Ora os primeiros, como é sabido, detestam os segundos.
Não houve, não há nem haverá casamento algum.
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De V. a 08.05.2017 às 18:25

É uma mistura de laicismo anti-cristão de inspiração bloquista com pró-islamismo e pró-africanismo retornado benfiquista. Tipo SIC Notícias, vá.
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De tric.Lebanon a 08.05.2017 às 19:16

uma mistura !!??? uma aliança entre os Jacobinos e os Meccas...e o seu papel na Europa está à vista de todos com os seus actos no Grande Libano...persegue os cristãos e promove a expansão islamica e judaica...
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De Pedro Correia a 08.05.2017 às 21:16

Meccas é o quê? O nome de algum jogador de futebol?
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De V. a 08.05.2017 às 21:20

A expansão judaica? Esse conceito é novo para mim.
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De Pedro Correia a 08.05.2017 às 21:16

Não adultere, queria eu dizer.
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De tric.Lebanon a 08.05.2017 às 22:09

"Você insiste no casamento entre islamistas e laicistas... Ora os primeiros, como é sabido, detestam os segundos."
.
Laicismo na Europa significa processo de Islamização em curso...basta olhar para França !! para chegar a essa trivial conclusão...
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De Pedro Correia a 08.05.2017 às 22:23

Não há nenhuma "islamização em curso". A esmagadora maioria dos muçulmanos em França são cidadãos franceses. A menos que você defenda a deportação compulsiva destes cidadãos em vagões, aos magotes, como sucedeu com os judeus na França de Vichy, colónia de Hitler.
Um lamentável e repugnante crime xenófobo e racial. Um crime contra a humanidade.
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De tric.Lebanon a 08.05.2017 às 23:33

Não há nenhuma "islamização em curso".
.
começou com a queda do Império Militar Católico Português...
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De Pedro Correia a 08.05.2017 às 23:48

Ehhhhhhh.... para onde isso já está a escorregar. Aquí me quedo, como dizem os espanhóis.
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De Inês Pedrosa a 09.05.2017 às 01:21

Queda-te, sim, que já gastaste um ror de trocos, Pedro. És um perdulário. Não cesso de me espantar com a tua extraordinária generosidade para os trolls. Ganhas o céu, rapaz.
P.S. - Concordo em absoluto com a tua análise sobre os derrotados destas eleições francesas. Estou fartinha de supostos democratas que passam a vida a bichanar ao medo e aos gritinhos (de alegria?) com o ror de fachos que há em França. Já expliquei que em 1940 a percentagem deles era maior, mas não querem mesmo sossegar, porque lhes estraga a tese do "quanto pior melhor", que é um substituto da inteligência que, não parecendo, faz muita vista.
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De Pedro Correia a 09.05.2017 às 09:03

"Quanto pior melhor" tornou-se num importante nicho de mercado no mercado da opinião, Inês. Um mercado potenciado pelas chamadas "redes sociais", sempre propensas a anunciar a guerra, a peste, a fome e a morte.
Emitir opiniões de senso comum, moderadas, sem extremismo sem sectarismo, é considerado de mau tom. Pior: não são "vendáveis" - pecado capital nos tempos que correm.
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De tric.Lebanon a 09.05.2017 às 14:49

"Emitir opiniões de senso comum, moderadas, sem extremismo sem sectarismo, é considerado de mau tom."
.
mas desde quando o defender o Jacobinismo Islamico é emitir opiniões de senso comum, sem extremismo (!!!??? ) sem sectarismo (!!!???)...
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De Troll a 09.05.2017 às 17:54

Aqui outro Troll ou suprassumo da inteligência!
Quando se perde a razão insulta-se.
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De V. a 09.05.2017 às 01:15

Não há nenhuma "islamização em curso"

Aqui discordo. A própria ideia do estado enfermeiro e sanitário vai nesse sentido. Em Inglaterra, por exemplo, há muito sítios onde os distribuidores de carne já só distribuem carne halal porque não compensa distribuir os dois tipos: neste caso a população invasora força os nativos a adquirir hábitos que não desejam.
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De João Pedro Pimenta a 09.05.2017 às 01:40

Não admira: esta tese do "laicismo islâmico" é herdeira directa da "conspiração judaico-maçónica". Aliás o nosso simpático comentador não se coíbe em falar da "expansão islâmica e judaica" no Líbano (se calhar não sabe que Israel era aliada dos principais clãs cristãos, de que Sabra e Chatila foram os piores exemplos).
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De tric.Lebanon a 09.05.2017 às 14:39

mas sei que em 2017 os principais clãs cristãos estão em guerra com Israel...e isto é um facto !! e sei também que os Israelitas querem roubar a agua aos cristãos do Líbano !! e sei também que Israel apoiou activamente a desestabilizarão da Siria com grande impacto nas comunidades cristãs na Síria e no Líbano, colocaram uma bomba relógio prestes a explodir...foi insane terem colocado 1,5 milhoes de mecas dentro do Libano!! quanto ao Jacobinismo Islamico, a França fala por si...
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De António a 09.05.2017 às 17:51

Se a Marine quisesse um melhor resultado bastava dizer que não saia do euro. Essa perspectiva criou ansiedade em potenciais votantes.
Também não saíram as Macron leaks...guardadas para melhor altura...
Agora é assistir ao desgaste contínuo deste menino mimado e lacaio da Goldman Sachs.

Macron é eleito mas a sua base de apoio é de pouco mais de 20 por cento. E que dizer de 12 % dos que se deram ao trabalho de votar terem votado nulo ou branco?...
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De Guida Gonçalves a 10.05.2017 às 00:41

Infelizmente, não se pode dizer que Marine Le Pen seja uma derrotada depois de obter um terço dos votos dos franceses e não é exacto que isso culmine com a dissolução da Frente Nacional: a Frente Nacional vai apenas ser "profundamente transformada, ou seja, vai, na realidade, mudar de nome, como já anteriormente fora tentado com o "Bleu Marine". E talvez daqui a 5 ou a 10 anos tenhamos pela frente uma Marion Maréchal Le Pen em vez da Marine, que é uma "moderada" quando comparada com a sobrinha.
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De Anónimo a 08.05.2017 às 17:02

Boa tarde Pedro Correia.
Concordo com a maioria da suas observações e, como parece ser o seu caso, estou muito farto de catrastofistas e politólogos.
Mas isto dito, confesso alguma apreensão sobre a situação em França.
Como escrevi no meu blogue, não me parece seguro/ possível tirar já muitas consequências do resultado de ontem.
O que se passa nos dez Km à volta de cada uma das grandes cidades francesas?
O que se passa quanto à força industrial francesa (i.e indústria naval?
Eu vou aguardar para ver.
António Cabral
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De Pedro Correia a 08.05.2017 às 17:20

A sua posição é respeitável, meu caro. Mas eu prefiro tirar conclusões desde já.
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De João Pedro Pimenta a 08.05.2017 às 17:21

Absolutamente de acordo com tudo, Pedro, menos com uma coisa: a inspiração orleanista de Marine LePen. Creio que o sector "orleanista" esteve bem mais ao lado de Macron (e em parte, na primeira volta, de Fillon), e jamais poderia servir de inspiração a uma candidata nacionalista e autoritária. Aliás conto escrever umas linhas sobre isso.
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De Pedro Correia a 08.05.2017 às 18:04

Não vou contestar, João Pedro. Até porque estas fronteiras politico-ideológicas são sempre mais fluidas do que pensamos.
Mas sempre me habituei a distinguir duas grandes famílias tradicionais na direita francesa: a bonapartista e a orleanista, ambas contra-revolucionárias, mas nada coincidentes. A primeira inspirou já no século XX o general De Gaulle e a sua peculiar noção de soberania, alicerçada na "grandeza" francesa. A segunda teve um derivativo no regime de Vichy, do qual partiu o núcleo fundador da FN.
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De João Pedro Pimenta a 08.05.2017 às 18:56

Eu acrescentaria ainda uma terceira (de acordo com a teoria das três famílias de direitas francesas de René Remond), a legitimista, que, com outras roupagens e outro vocabulário, corresponde grandemente (mas não totalmente) à actual FN.
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De Pedro Correia a 08.05.2017 às 21:19

Temas de análise não faltam, João Pedro. Pela minha parte, tenciono continuar a acompanhar com interesse a evolução política francesa. Para já, com a recomposição do espectro partidário. Não é novidade: todas as décadas tem havido mudanças substanciais a este nível. Os franceses, como é sabido, preocupam-se muito com a semântica. E até o Partido Comunista já teve três designações.
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De V. a 08.05.2017 às 18:22

Os últimos três anos têm sido catastróficos para a família socialista a nível europeu: derrotas copiosas em Espanha, Grécia, Hungria, Polónia, Bélgica, Holanda e Reino Unido.

Em Portugal também. Só que cá temos uma esquerda canalha, excesso de parlamentarismo e legislação e muitos, muitos funcionários públicos todos com casinhas para pagar. Medo de arriscar e de existir.
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De A.Vieira a 08.05.2017 às 19:20

Excelente comentário, de V. !
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De Pedro Correia a 08.05.2017 às 21:44

Em Portugal o PS é governo. Como é na Eslováquia, por exemplo. Casos raros numa Europa onde socialistas e trabalhistas quase desapareceram do mapa governativo.
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De V. a 09.05.2017 às 10:43

É governo graças a um método estatístico que não é representativo dos números directos — e a substituição da democracia directa por um parlamentarismo profissional centrado na actividade partidária que não representa o País nos seus matizes e vontades. Daí a falta de ligação das pessoas à política — e a mania de falar e interpretar a vontade dos "portugueses" como única e absoluta. Daí as golpadas pós-eleições e a esperteza saloia da CDU com os Verdes. Daí passarem um AO que quem utiliza a língua rejeita, daí as diferença entre o espectro político nas legislativas e nas eleições presidenciais (as únicas que possuem representatividade directa), o ódio aos partidos e a entronização dos PRs, etc, etc.

Se usássemos outro método não havia Geringonça e Costa tinha visto o que realmente pensam dele. Assim, graças a um sistema desenhado para permitir habilidades e truques habilidosos (como os do PCP e dos Verdes — quantas propostas relativas a ecologia e ambiente, por exemplo, fazem os Verdes para justificar a sua existência parlamentar?) temos de passar a vergonha de ser o único País que ainda tem socialistas — que são os burocratas dos anos 90.
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De Miguel a 08.05.2017 às 19:50

Nem o PCF nem Mélenchon recomendaram a abstenção (tornar o voto obrigatório era uma das propostas do programa deste último!). O PCF recomendou o voto em Macron para fazer "barrage" a Le Pen; Mélenchon disse que havia três alternativas (votar Macron, votar branco ou votar nulo) respeitáveis. Não divulgou o seu voto para não dividir o movimento "France insoumise", mas deixou claro que votaria Macron (com pinças no nariz) contra Le Pen.
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De Pedro Correia a 08.05.2017 às 21:37

Não foi por acaso que escrevi "comunistas" e não PCF.
Há bastante mais comunistas do que aqueles que estão hoje representados pelo Partido Comunista, que aliás já abandonou a foice e o martelo.
O PCF, que já foi o maior partido de França, vale hoje muito pouco eleitoralmente. Na última vez em que apresentou uma candidatura presidencial autónoma - em 2007, com Marie-George Buffet - não atingiu 2%. E nas legislativas desse ano, também as últimas em que surgiu com a sua sigla autónoma nos boletins de voto, ficou abaixo dos 5%.

Quanto a Mélenchon, patinou em toda a linha. Num momento em que se exigem mais que nunca posições claras dos políticos, sem ambiguidade de qualquer espécie, ele preferiu chutar para canto. Uma atitude que lhe valeu muitas críticas e contrastou em toda a linha com a que teve na segunda volta das presidenciais de 2002, ao recomendar o voto no conservador Chirac contra Jean-Marie Le Pen, pai de Marine.
Desta vez o ódio a Macron - um centrista moderado, bastante mais próximo da esquerda do que alguma vez Chirac foi - falou mais alto, levando Mélenchon a tomar a atitude de Pilatos.
Lavou as mãos.
E os Pilatos, como é sabido, nunca ficam bem na história.
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De WW a 08.05.2017 às 20:22

O principal derrotado destas eleições é o povo francês, em seguida a Nação francesa e depois as restantes nações que foram aprisionadas pelas suas elites ao "projecto europeu".
Os franceses (assim como outros povos europeus) irão pagar ainda mais pela traição de que são alvo pelas suas elites.

P.S. - Espero cá estar para ver o caos (que já começou hoje) quando o E.M. tentar reformar estruturalmente 120 mil funcionários públicos.
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De Pedro Correia a 08.05.2017 às 21:21

Tinha que aparecer um catastrofista. Já tardava. Por isso os incluí entre os derrotados do escrutínio de ontem.
Macron ainda só venceu a eleição há 24 horas e já chegam as Cassandras de pacotilha a profetizar: "A tragédia... o caos... a desgraça... o horror!"
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De WW a 08.05.2017 às 21:26

Catastrofista, não, antes realista...
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De Pedro Correia a 08.05.2017 às 21:43

Macron tem um forte mandato popular. Sai das urnas com a mais expressiva votação num escrutínio presidencial por sufrágio universal e directo - só ultrapassada pela vitória de Chirac contra o pai Le Pen, em 2002, com 82%.
Vai fazer seguramente melhor mandato do que o do Presidente cessante. Hollande, esse sim, foi uma nódoa. E mesmo assim a França resistiu incólume.
Os povos com História têm esta vantagem. Já viram muito, já viveram muito, já experimentaram muito.
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De Octávio dos Santos a 08.05.2017 às 21:57

«(Emmanuel Macron) vai fazer seguramente melhor mandato do que o do Presidente cessante. Hollande, esse sim, foi uma nódoa.»

Como pode ter a certeza disso, Pedro?
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De Pedro Correia a 08.05.2017 às 22:04

Como posso ter a certeza de que Hollande foi uma nódoa? Não só eu tenho essa certeza: ele próprio a tem, caso contrário ter-se-ia recandidatado. Foi o único Presidente da V República que, podendo fazê-lo, não o fez.
Talvez a melhor decisão que assumiu desde que foi empossado Presidente. Sai de rastos, com 4% de apreciação positiva.
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De Octávio dos Santos a 08.05.2017 às 22:34

Reformulo ;-): como pode ter a certeza de que Macron vai ser melhor presidente do que Hollande?
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De Pedro Correia a 08.05.2017 às 23:04

Quanto a Macron, como é óbvio, não posso ter certezas.
Tenho essa convicção. Só isso.
Para alimentar essa convicção contribui fortemente o facto de Hollande ter sido um péssimo Presidente. O pior de todos desde que a V República foi implantada, em 1958.
Como toda a política é feita de comparações, torna-se menos difícil vaticinar o que vaticinei. O que não significa que a missão do novo inquilino do Eliseu seja fácil. Longe disso.
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De Octávio dos Santos a 09.05.2017 às 01:01

Em relação a François Hollande a minha opinião também está «desalinhada» da que é (aparentemente) maioritária: não acho que tenha sido assim tão mau, péssimo mesmo. Para socialista situacionista bem que poderia ter sido pior. E foi censurado pelos obamistas, o que não deixa de ser um ponto a favor dele.

Porém, não foi tão bom, sem dúvida, quanto Nicolas Sarkozy... que falhou a reeleição e foi vencido pelo agora alegado «pior presidente da V República». O que indica que não se deve confiar muito nas convicções dos eleitores franceses, susceptíveis na sua maior parte, ficou demonstrado, à demagogia, à desinformação, à chantagem emocional - acusar Marine Le Pen de ser fascista é pura e simplesmente ridículo. E em Paris, que em três anos viu vários atentados causarem cerca de 150 mortos, deu a vitória (com 90% dos votos!) a Emmanuel Macron, um homem que se conformou - e apela aos seus compatriotas para fazerem o mesmo - com o terrorismo ser algo de inevitável, «normal» e com o qual se deve (sobre)viver... fácil de dizer para alguém que tem protecção policial permanente.

O recém-eleito chefe de Estado francês apontou os que votaram na líder da Frente Nacional - e não os extremistas islâmicos - como os seus principais inimigos. Algo que não é, decididamente, um bom augúrio.
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De Pedro Correia a 09.05.2017 às 09:14

Ao nível do Estado e da sociedade, Hollande deixa um país pior do que aquele que recebeu do antecessor, Nicolas Sarkozy. Mais pobre, mais inseguro, mais fragilizado, com mais fracturas sociais e menos prestígio internacional.
No plano partidário, deixa um PSF em cacos. Ao ponto de não faltarem socialistas que vaticinam hoje sem rodeios o fim deste partido, que imita assim a rota do Pasok grego e do PSOE espanhol.
Comparar o quadro existente no momento em que se recebe o legado com aquele que vigora quando se transmite a herança: esta é sempre a minha medida para avaliar o mérito dos mandatos.

Quanto a Macron, ainda nem tomou posse. Há que deixá-lo mostrar o que vale. Sem sectarismos, sem preconceitos, sem intolerância.
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De V. a 09.05.2017 às 17:45

Tal como dizia Albarran (mais um da pandilha retornado-jacobino-islâmica-benfiquista).
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De O SÁTIRO a 09.05.2017 às 14:43

derrotada a marine ?
tem 34% dos votos com todos os média a vomitar calúnias a toda a hora.....extrema direita...x enofobia....blá blá.....

foi uma grande Vitória
quem perdeu foi o povo francês.
matanças de inocentes....mais de 900 bairros onde a selvajaria islâmica NÃO deixa entrar a Polícia....
chicotes....apedrejamentos....poligamia...
tb os povos muçulmanos sofrem esta barbárie....com a ajuda silenciosa dos media

dentro de 5 ou 10 anos.....obviamente marine ou Marion vão ganhar
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De Pedro Correia a 09.05.2017 às 15:28

Conseguiu 34% a "vomitar calúnias"? Pois.
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De Makiavel a 09.05.2017 às 18:39

1. Marine Le Pen: perdeu as eleições mas a extrema direita veio para ficar em França. Não haja ilusões. Com verdadeiros tiros no pé como são as declarações do actual presidente da EU opinando sobre os maus gastos do governo francês, o nacionalismo xenófobo gaulês só fica a ganhar. Perdeu as eleições mas está longe de ser uma das derrotadas a médio prazo.
"(...) culmina com a dissolução anunciada da Frente Nacional" wishful thinking mas infelizmente está longe de vir a acontecer.
4. Comunistas: o candidato obteve perto de 1/5 dos votos expressos na primeira volta. Quando é que um candidato comunista ou da esquerda dita radical disputou a 2ª volta em França, consegue dizer? Ou quando é que obteve perto de 20% na votação? Manifesto exagero dizer que apelaram à abstenção.
9. Catastrofistas: se Marine Le Pen tivesse ganho, tem dúvida que a EU entraria em colapso? Não se trata de catastrofismo.

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