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Os comentários da semana

por Pedro Correia, em 28.08.16

«Compreendo a sua preocupação e é razoável o seu receio de que "para o ano cá estaremos, impotentes e aflitos, a assistir a mais uma reprise do (maior) espectáculo de sempre". Assim tem sido apesar das repetidas promessas dos nossos governantes.

Mas não me parece mal a ideia de tentar melhorar a prevenção de incêndios atribuindo às Câmaras Municipais [CM] a responsabilidade para intervirem na gestão das áreas florestais, através de equipas de sapadores, limpando caminhos e cuidando da manutenção de reservas estratégicas de água para combate a incêndios e, quando necessário, procederem à limpeza de parcelas abandonadas, ressarcindo-se dessas despesas juntos dos proprietários ou pela apropriação pela via administrativa desses terrenos abandonados – há legislação que prevê algumas medidas.

Falo assim por saber que muitas CM, pela sua reduzida dimensão, não têm condições para assumirem, de imediato, responsabilidades deste género. Todavia, as que já estão habilitadas com o mínimo necessário deveriam avançar imediatamente. O pior que nos pode acontecer é, como disse, chegarmos ao próximo ano com tudo na mesma.

Concordo que o governo central pode tomar a iniciativa, começando pelo cadastro e pela transferência para os municípios dos meios financeiros indispensáveis para se operar a mudança de estratégia prometida, ou seja, o desvio de recursos hoje gastos no combate (muitos) para a prevenção.

Uma nota final: para bem se combaterem os fogos florestais não é necessário proceder à limpeza de toda a área ocupada com floresta e com matos - isso até iria contra a necessária biodiversidade. Há zonas inóspitas que só produzem matos que até devem ser periodicamente queimadas, embora de forma controlada, como faziam os pastores no antigamente. Na floresta propriamente dita, o necessário é ordená-la, escolhendo as espécies adequadas e proceder, no terreno, nos moldes adoptados pelas fábricas de celulose (nas zonas que administram) e que muito raramente ardem ou, quando ardem, os fogos nunca atingem grandes dimensões.»

 

Do nosso leitor Tiro ao Alvo. A propósito deste texto da Teresa Ribeiro.

 

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«Se acabarem com o ordenado mínimo o valor do trabalho desce a pique quase de imediato. Se mesmo com a legislação existente as entidades patronais tentam empregar sem contratos e recorrem sistematicamente a estágios o que acha que iria acontecer se não houvesse um limite mínimo a pagar?
Se mesmo com legislação protectora do trabalhador o empregador abusa do poder, faz pressão psicológica, exige o que bem lhe apetece, o que acha que iria acontecer se pudessem despedir quando bem entendessem?
Primeiro tem de se mudar a mentalidade, caso contrário iríamos regredir anos e anos em condições laborais.
Deveriam sim existir diferenças entre sectores, isso concordo, tabelas de ordenados distintas e as empresas deveriam ser obrigadas a ter uma política de recursos humanos que estudasse e fomentasse a progressão das carreiras dos colaboradores.
Mas quando temos pessoas incompetentes, míopes e centradas apenas no lucro imediato e fácil é muito difícil que tal coisa venha a acontecer.»

 

Da nossa leitora Psicogata. A propósito deste texto do João André.

 

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«Não quero criticar os brasileiros (ou os espanhóis), mas antes a nossa postura, muita das vezes subserviente em relação aos mesmos: são os nuestros hermanos e o país irmão quando, na realidade, a maioria das vezes estão-se borrifando para nós ou, pior, somos tratados como algo de inferior - no caso do Brasil, basta ver a "cotação" do português ou do italiano.
Seria importante perceber que essas "demonstrações de afecto" são muitas vezes unilaterais ou usadas como sinal de subserviência política. Mesmo em relações de outro calibre, a posição do Reino Unido face aos Estados Unidos da América é em tudo similar e a special relationship só vale quando interessa aos segundos, em prejuízo dos primeiros - um bom exemplo será o tratado de extradição assinado entre os dois países que dá poderes quase plenipotenciários à justiça norte-americana no Reino Unido sem contra-partida em casos análogos inversos.
Isto para dizer que já é tempo de nos deixarmos de apoquentar com essas coisas e partirmos para outra. As relações bilaterais valem o que valem. Devem certamente ser exploradas, até porque é das poucas coisas que o nosso passador de império mercantil deixou, mas em situações em que somos, de facto, acarinhados. Por cada espanhol que não sabe quem é Marcelo teremos portugueses em Malaca ou no Ceilão que sabem e que, mais importante que isso, se importam e são ignorados.»

 

Do nosso leitor Carlos Duarte. A propósito deste meu texto.


3 comentários

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De lucklucky a 28.08.2016 às 15:41

Nem de propósito o 1º e 2º comentário estão bem ligados.

O Tiro ao Alvo não tem noção dos recursos necessários e da destruição biológica que implica "limpar as matas".
Por exemplo há várias fases de enchimento da "mata" que implica em alguns casos limpá-la duas vezes por ano.
A caruma e casca do pinheiro por exemplo acaba de cair em meados de Agosto. Mas os "fenos" e muito material seca já em Junho, e até mais cedo se o Maio não for molhado.

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A psicogata quer direitos sobre os outros comme d'habitude.
Para defender o que defende deveria criar um empresa e ter muitos trabalhadores. Como há trabalho que não vale o ordenado minímo, fica por fazer e tem desempregados. Limpe as matas e depois faça as contas a quanto custa.

Não se esqueça de fazer as contas que ordenado minímo incluí ainda os custos da segurança social, administrativos e de investimento no posto de trabalho para valer a pena contratar um trabalhador.

Quando não existirem empresas - as que existem cada vez mais são só as protegidas politicamente- não se queixem, foi desenhado por vocês.
Só querem multinancionais.

E para comparação o Contrato de Emprego é para toda a vida o de Casamento pode-se quebrar quando quiser. Aí já não há choque, injustiça, dependência e outras palavras muito politicamente emocionais.

---
Carlos Duarte concordo em parte, mas numa situação difícil é que se vê os amigos. Os Americanos estavam lá para os Ingleses - centenas de milhar de Americanos morreram pelos Ingleses e pela Europa.
Isso claro acabou, as ultimas gerações Europeias demonstraram que odeiam a América e com a demografia dos EUA a mudar não se espere que "hispanicos" e " afro"-americanos venham guerrear na Europa.

Foi assim que a Esquerda quiz assim será.
Já não haverá é Lend Lease para a União Soviética...Mas um Pacto Molotov-Ribbentrop II remenda as coisas...



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De Tiro ao Alvo a 28.08.2016 às 19:37

Caro lucklucky, surpreendeu-me este seu comentário. Parece-me, até, que não leu tudo o que escrevi.
Permita-me chamar-lhe a atenção para esta passagem: "para bem se combaterem os fogos florestais não é necessário proceder à limpeza de toda a área ocupada com floresta e com matos - isso até iria contra a necessária biodiversidade. Há zonas inóspitas que só produzem matos que até devem ser periodicamente queimadas, embora de forma controlada, como faziam os pastores no antigamente. Na floresta propriamente dita, o necessário é ordená-la, escolhendo as espécies adequadas".
Lendo isto, não me parece legítimo concluir que eu "não tenha noção dos recursos necessários e da destruição biológica que implica "limpar as matas"".
Além disso, saiba que, não me sentindo uma autoridade na matéria, sei razoavelmente do que falo, pois vivo numa zona com floresta e eu próprio sou dono de uma parcela.
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De lucklucky a 30.08.2016 às 22:42

Tem toda a razão Tiro ao Alvo. Precipitação minha ao ler depressa demais. As minhas desculpas.

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