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O comentário da semana

por Pedro Correia, em 31.01.16

«Há uma dimensão das análises que, curiosamente, nunca vi contemplada: o financiamento dos partidos através das eleições.
Os das esquerdas, que não contam com a simpatia nem as bolsas dos privados que têm a massa, financiam-se através do Estado, de diversas formas, incluindo as eleições.
O caso é evidente no bónus de 500 mil euros que o BE irá receber por estas eleições e na (lamentada) perda de 380 mil do PCP pelo mau candidato que escolheu e pela participação na geringonça (bendita geringonça se ajudar a acabar com o último dinossáurio político na Europa Ocidental).
E o PCP financia-se ainda através das autarquias que gere, que enche de filiados (só na minha, com 903 funcionários, tem mais de 500 militantes), pois estes pagam a dízima ao partido. E através de todos os cargos que consegue em todas as estruturas do Estado, nos mais diversos acordos que faz: veja o caso da Área Metropolitana de Lisboa, cujo 1.º secretário é Demétrio Alves.
Por isto o PCP é o mais acérrimo opositor de qualquer reforma do Estado: está sempre contra qualquer racionalização administrativa.
A proliferação de estruturas é o sangue donde se alimenta.
O instinto de sobrevivência deste dinossáurio, forjado na clandestinidade durante quase metade da sua longa existência (foi criado em 1921), condiciona toda a racionalidade que que por lá possa existir.»

Do nosso leitor M. S. A propósito deste meu texto.


6 comentários

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De cristof a 31.01.2016 às 23:37

Os cidadãos que vivem a politica sem ser um credo, fazem bem em conferir os factos e expurga-los da propaganda enganosa que está subjacente aos salários e privilégios das empresas publicas "nossas", a falta de resultados da escola publica "nossa", a defesa das autarquias "nossas" e a recusa sistemática em discutir com racionalidade sua redução, e a redução dos lugares de chefia na administração local e central. Quando se afirma que é pela defesa da democracia, quem gosta da verdade faz bem em perceber que a defesa é de privilégios inquistados e que nos custam um arrastar de atrasos inadmissiveis.
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De M. S. a 31.01.2016 às 23:51

Caro Pedro:
Obrigado pelo destaque, mas estava muito longe de imaginar que uma pequena reflexão sem outras pretensões pudesse ter esta atenção da sua parte.
Eu manifestei esta opinião em contraponto com a ideia mais ou menos generalizada de que à esquerda não há um candidato comum devido a incompatibilidades políticas, guerrinhas de grupos e conflitos de chefes.
Penso que esta dimensão prática que refiro tem sido muito esquecida.
Quando se diz que à esquerda não há sentido da realidade isso não é totalmente verdade, só é pena que esta consciência da realidade, manifestada em causa própria, não se estenda às preocupações que devem existir em relação ao país: especialmente a de que só se distribui depois de se produzir.
Outra coisa é a justiça na redistribuição (de proventos e sacrifícios), e aí as esquerdas têm muita razão nas queixas que manifestam.
E também se não deve perder de vista as condições de competição que o país enfrenta.
Mas isto serão contas de outro rosário, embora sequencial ao assunto principal.

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De sampy a 01.02.2016 às 11:00

Sugiro cruzar o texto postado com este artigo de opinião:
PCP: Um partido de funcionários políticos (http://observador.pt/opiniao/pcp-um-partido-de-funcionarios-politicos/)
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De lucklucky a 01.02.2016 às 11:21

"Os das esquerdas, que não contam com a simpatia nem as bolsas dos privados que têm a massa"

Não é verdade. O PCP tem mais de 200 andares e edifícios segundo as ultimas notícias. E tem muitos doadores inclusive empresas/ sucursais em que muita vezes o patrão não sabe sequer que é doação ao PCP.

http://www.tsf.pt/portugal/interior/pcp-e-o-partido-portugues-com-mais-patrimonio-imobiliario-1798506.html

Note-se a última frase no artigo:

o PCP reafirma que «os partidos devem ser financiados, no essencial, com recursos provenientes da sua própria actividade e não devem ser meros departamentos do Estado nem sucursais políticas dos grupos económicos e
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De jo a 01.02.2016 às 12:13

Se os partidos de esquerda têm dinheiro, não é dinheiro legítimo. e não o deviam usar em eleições.

Se os partidos de esquerda não têm dinheiro, não deviam receber do Estado, e não deviam ir a eleições.

Conclusão: os partidos de esquerda não deviam ir a eleições.

Já os partidos de direita, podem ir se forem financiados por empresas e particulares que é, como se sabe, a maior garantia de independência que existe (para os particulares que financiam, mas ninguém disse que era para os partidos).
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De lucklucky a 01.02.2016 às 14:06

É o PCP e os Partidos mais à Esquerda que mais estão contra o que é privado.

O PCP fez ocupações de propriedade privada, o PCP está contra a propriedade privada de empresas - controlo dos meios de produção - o PCP apoia regimes Comunistas onde a propriedade privada é diminuta.

No entanto o PCP quer para si as protecções da propriedade privada do capitalismo e não hesitará em chamar a polícia se alguém lhe fizer aquilo que fez a muitos.


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