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Ortopedix tinha razão

por João Campos, em 10.10.15

asterix e o presente de cesar excerto.jpg

As épocas de eleições fazem-me sempre regressar às páginas de Astérix e o Presente de César, quando o vetusto Abraracourcix (continuo a usar os nomes que conheci nas traduções da Meribérica) e o recém-chegado Ortopedix se enfrentam em campanha eleitoral pela liderança dos irredutíveis gauleses. E esse regresso chega sempre a estas três vinhetas, e ao cinismo tão certeiro de Ortopedix: os números dizem o que quisermos. Como, aliás, a esquerda cá da paróquia tanto se tem esforçado por demonstrar desde Domingo último, quando se confirmaram os resultados eleitorais que as sondagens vinham anunciando.

 

A interpretação é lógica - retorcida, mas lógica. Como a coligação PSD-CDS perdeu a maioria absoluta e o Parlamento tem agora uma maioria de esquerda (de várias esquerdas, mas tais diferenças foram reduzidas à condição de pormenores, pelos vistos), deve ser essa maioria de esquerda a formar Governo - apesar de nenhum desses partidos, por si (já que não se apresentaram a eleições coligados - outro pormenor), ter ganho as eleições. Ainda que a Constituição possa dar legitimidade ao caldo, dificilmente os portugueses o dariam (mais um pormenor). Já o argumento, esse, é hilariante: 61,4% dos eleitores rejeitou um Governo da coligação, pelo que deve ser a Esquerda unida - derrotada em separado - que deve governar.

 

É uma lógica interessante, e que permite algumas interpretações não menos interessantes. Como, por exemplo:

 

  • 67,6% dos eleitores portugueses não quis que o PS fosse Governo;
  • 89,8% dos eleitores portugueses não quis o Bloco de Esquerda no Governo;
  • 91.7% dos eleitores portugueses não quis a CDU no Governo
  • 81.5% dos eleitores portugueses não quis o Bloco de Esquerda e a CDU no Governo.

 

Dito de outra forma: a mesma lógica que os partidos da esquerda utilizam para dar a coligação de direita como derrotada nas eleições pode muito bem servir para rejeitar a solução por eles proposta. É caso para regressarmos a Ortopedix: os números dizem mesmo o que quisermos. 


24 comentários

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De Pedro Correia a 10.10.2015 às 20:04

Voilà. A brilhante lógica, que tão bem refutas, começou a ser propagada pelo actual guru da esquerda radical portuguesa: Pacheco Pereira, o ex-líder parlamentar de Cavaco Silva.
O mesmo que há um ano dizia: «O PSD vai provavelmente tornar-se um pequeno partido em comparação com o que já foi.»
O mesmo que há um ano dizia: «A esmagadora maioria do eleitorado, quer do PS quer o eleitorado em geral, prefere o António Costa ao António José Seguro.»
O mesmo que não acerta uma há vários anos.
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De João Campos a 10.10.2015 às 23:03

O Pacheco Pereira, enquanto sibila, é infalível. Se ele diz para ir para cima, vai-se para baixo. Se ele recomenda virar-se à esquerda, vai-se para a direita. Faz-se o contrário do que ele diz e é sempre seguro (no pun intended).
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De Diogo Moreira a 10.10.2015 às 20:51

Basta apenas tocar um ponto para desconstruir todo o argumento do João. Como refere, "Ainda que a Constituição possa dar legitimidade ao caldo" - a Constituição dá mesmo legitimidade a alianças, mesmo que formadas após eleições.

Sendo empossado um governo com apoio minoritário no Parlamento, todos os Decretos-Leis que requerem autorização do Parlamento poderão ser chumbados. E, a qualquer altura, poderá ser aprovada uma moção de censura ao Governo, obrigando a novas rondas negociais entre o Presidente da República e os vários partidos com assento no Parlamento - inclusive a marcação de eleições antecipadas se eles não se entenderem.

Noutros países, chama a isto "Democracia". Os partidos receberam os votos dos eleitores e usam esse mandato conforme o programa de cada um.

Querer alterar as regras do jogo porque o resultado não foi favorável a uma das facções é que não é correcto.
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De Costa a 10.10.2015 às 21:18

"Querer alterar as regras do jogo porque o resultado não foi favorável a uma das facções é que não é correcto."

Há por aí um desejo insaciável (e irresponsável) de caos. Porque sim...

Venha então isso que você quer, venha a ingovernabilidade, a demagogia populista da esquerda cega, venham as eleições antecipadas (esperemos...). Lado bom: as coisas serão clarificadas; lado mau: muito do que já se sofreu sofrer-se-á em ainda maior dose.

Mas este povo só aprende - se alguma vez aprender - dessa forma. O eixo Chiado/Príncipe Real/Rato governar-se-á sempre, entre as suas sucessivas bolsas universitárias e subsídios disto e daquilo, e as suas sinecuras nas empresas do regime, entre "lofts" e outras coisas do estilo - coisas "gourmet", de preferência (quanto ao eixo Soeiro Pereira Gomes/Atalaia, (sobre)viverá sempre, como tiver que ser, desde que tenha a sagrada miragem "do Partido").

O resto, o povão estúpido e sabiamente manipulado, pagará isto tudo, uma e outra vez.

Mas parece que, muito que grite e proteste, gosta.

Costa

Ps.: se se quiser dar ao trabalho - ousadia minha! - de nos explicar, expressa e taxativamente, onde legitima a constituição isso que você afirma...
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De Diogo Moreira a 10.10.2015 às 22:59

Estou farto de pessoas que debitam sem cessar a famosa expressão "depois de mim, o caos". Se nos mantivéssemos nessa toada, ainda hoje teríamos o Sócrates como Primeiro-Ministro - afinal, mais valia o mal conhecido que arriscar o desconhecido, certo?

Tudo o resto que diz é um chorrilho do habitual comentário contemporâneo: "se não é por nós, é contra nós". É uma lógica demasiado tribal, sem recurso à razão, no qual não me revejo minimamente.

Só para clarificar um ponto: sim, foi isto que o povo português escolheu. Não deu nenhum voto de confiança em nenhum dos tradicionais partidos do habitual arco da governação. E é com isso que temos que viver. Passar um atestado de menoridade a todos os que votaram é, essencialmente, ser anti-democrata (por antítese, apenas se admite que os "escolhidos" ou "iluminados" possam deter o poder de escolher os governantes e os planos do futuro da imensa "manada", a qual só é chamada para pagar a factura).
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De João Campos a 10.10.2015 às 23:06

Mas o ponto é precisamente este: foi isto que o povo escolheu.Daí a querer fazer passar a ideia de que o povo escolheu uma "grande coligação de Esquerda" vai um salto que não está sequer ao alcance do Nélson Évora.

Não discuto que seja legítimo que se forme tal coligação.
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De Costa a 11.10.2015 às 11:50

Lamento se está farto de mim e do que para aqui eu "debite". Acredito que isso o deixe francamente incomodado, mas arrisco dizer que não lhe cabe (ainda, pelo menos) o poder de me remover dos comentários deste blogue. Pode, evidentemente, poupar-se ao trabalho - apercebo-me que penoso ao ponto da insuportabilidade - de ler o que me acontece escrever por aqui. Sempre será uma coisa menos de que terá que se fartar.

Quanto à remoção de Sócrates, e excepto eventualmente por tacticismo político, a sua remoção naquela altura era um imperativo de emergência nacional. Já no que respeita à sua alusão, enfadada e denotando o desprezo a que um ser que se acha superior vota os timoratos (e embrutecidos tribais, como nos é magnanimamente revelado umas linhas mais abaixo) que o rodeiam, a critérios de prudência e conservadorismo, sim, é verdade: a mudança não deve por princípio cego ser afastada, mas deve ser cuidadosamente ponderada.

Se for mero fruto de emoções, sede de vingança sabiamente inflamada, com bem pouco ou nada de racionalidade e visando entregar o poder a gente agarrada a pensamentos que a falência de toda uma ideologia demonstrou tragicamente errados, tirânicos e assassinos, é caso para pensar muito, muito bem. Pelo menos.

O resto que você escreve não é mais do que a clássica e liminar desconsideração radical e apriorística do oponente. Também por aí nada de novo. Está até muito em linha com a prática das esquerdas, sempre convencidas da sua superioridade moral.

O que você não me revela, mau grado o meu pedido, é a tal disposiçãozinha constitucional que revelaria a bondade inquestionável do caminho que você quer ver seguido.

Mas é muito natural. De duas uma: ou você não está para perder o seu precioso tempo com um tribalista produtor de chorrilhos, ou é toda a revolução que está bem acima das considerações de um conservador. Esmague-se pois o conservador e as leis burguesas a que se agarra.

Costa
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De Diogo Moreira a 11.10.2015 às 14:29

Eu não o conheço e, como tal, não vou tecer considerandos sobre a sua pessoa. O que eu discuto é o que escreve e, isso, tem sido repetido até à exaustão por elementos de um lado e outro da barricada. Uns e outros radicalizam-se e usam dos mesmo argumentos - só uma determinada cor política é que é boa e todas as outras são o pior dos malfeitores. E, "se não estão por nós, estão contra nós" (uma deturpação das palavras bíblicas que são inclusivas - "se não estão contra nós, estão por nós" - ao contrário da exclusão oferecida a todos os que não comungam da mesma cor partidária).

O que me custa cada vez mais é a incapacidade de um número crescente de pessoas de aceitar fazer cedências. Quando alguém, no decurso de uma argumentação, concede a cedência ao "adversário", esse passa a ser um ponto de ataque, em vez de ser um ponto de concórdia. Ambos concordamos que o governo de Sócrates era mau - mas isso não faz com que todos os governos liderados pelo PS sejam igualmente maus. Como o Vento refere um pouco mais abaixo, o actual governo manteve as políticas que derrubaram esse outro governo (e até foram ainda mais longe, como se gabavam frequentemente).

Quanto às nossas argumentações, deverá reparar que foi o Costa que atacou em primeiro lugar: "Venha então isso que você quer, venha a ingovernabilidade, a demagogia populista da esquerda cega, venham as eleições antecipadas (esperemos...)." E remata no segundo texto "O resto que você escreve não é mais do que a clássica e liminar desconsideração radical e apriorística do oponente. Também por aí nada de novo. Está até muito em linha com a prática das esquerdas, sempre convencidas da sua superioridade moral." Eu posso dizer o mesmo do Costa, com a troca da palavra "esquerda" por "direita". Mas, repare, estaremos somente a discutir as nossas personalidades percebidas através de textos na internet e não estamos a progredir minimamente na compreensão do assunto que estamos a discutir.

E o que estamos a discutir é se a Constituição permite a formação de um governo com acordos de três partidos que, isoladamente, não chegaram a nenhuma maioria. Como o João Campos aponta aqui nos comentários, "Não discuto que seja legítimo que se forme tal coligação." E o Vento colocou nos comentários um belo ponto de partida para essa reflexão.
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De Costa a 11.10.2015 às 20:03

O que então nos separa aqui, tudo visto, parece ser simples: o meu caro parece disposto a presumir bondade na actuação e declarações de a) um partido político sob cuja tutela do poder Portugal mergulhou numa devastadora crise, dolosamente provocada e cujos efeitos nos afectarão por ainda muito tempo, e isso sabendo que esse partido nunca se retractou dessa ruinosa actuação, afirma pretender ressuscitar alguns aspectos da mesma e mantém uma atitude de desculpabilização daqueles que em seu nome nos arruinaram; b) formações políticas - partidos, blocos, o que seja - cuja ideologia a História revelou em muitos aspectos absolutamente inaceitável, bárbara e assassina, novamente sem que se escute um leve rumor de reconhecimento disso mesmo. Além de que tais organizações, em aspectos cruciais, como o Euro ou a NATO, revelam não caminhos diversos para um mesmo fim, mas fins opostos aos que o PS ainda chama seus.

Para si, esta verdadeira mistura tóxica pode gerar soluções virtuosas, devendo portanto ser-lhe dada uma oportunidade. Mesmo que o modelo de sociedade em que historicamente (já) nos integramos seja incompatível - mais: a derrubar - com parte dessas forças políticas.

Ora eu devo discordar firmemente dessa sua crença. Talvez isso faça de mim, como você se esforça em demonstrar, um maniqueísta.

Seja.

Costa
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De Diogo Moreira a 11.10.2015 às 22:16

O que nos distingue neste momento é que estamos a discutir coisas diferentes.

E eu, ao contrário do Costa, não vou tecer comentários sobre a sua pessoa.
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De João Campos a 10.10.2015 às 23:01

Qual argumento? Limito-me a demonstrar como, à luz dos números das últimas eleições, a legitimidade de formar ou não formar Governo tem muito que se lhe diga.

Até lhe digo mais. Pela parte que me toca, espero que o PS faça mesmo a coligação de esquerda e forme Governo por aí. Seria o melhor abre-olhos possível para que os eleitores finalmente percebessem como funciona o sistema eleitoral (ainda que o preço a pagar por essa "aula" seja talvez demasiado elevado a curto prazo).

Ninguém aqui quer alterar regras de jogo algum, meu caro.
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De Diogo Moreira a 10.10.2015 às 23:20

O argumento é o do voto "contra" - isoladamente, os partidos PS, CDU e BE foram menos votados. Porém, a questão que se coloca não é de saber se os portugueses aprovam ou não estes partidos - o que amiúde se diz é que as eleições 'avaliam' o trabalho desenvolvido pelo governo em funções. E a votação, nesse sentido, foi clara: a força PaF, anteriormente maioritária no Parlamento, não conseguiu manter a confiança da mesma percentagem de votos válidos.

Quanto ao resto, da maneira como as forças políticas estão na Europa (e atendendo ao caso grego, onde apertaram tudo ao Tsipras que ele até deu meia pirueta e faz o que lhe mandam), não haverá grandes diferenças de substância entre o governo anterior e o próximo. Caso alguém pie fora da linha e lá vem o BCE ameaçar que corta o financiamento ao país.

Esperam-nos tempos curiosos.
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De João Campos a 11.10.2015 às 00:02

Tempos interessantes, como diz aquela velha expressão (maldição?) chinesa.
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De Vento a 10.10.2015 às 22:31

Antes de avançarmos vamos aqui colocar algumas questões a que o governo se submete:

CAPÍTULO II
Formação e responsabilidade


Artigo 187.º
Formação


1. O Primeiro-Ministro é nomeado pelo Presidente da República, ouvidos os partidos representados na Assembleia da República e tendo em conta os resultados eleitorais.

2. Os restantes membros do Governo são nomeados pelo Presidente da República, sob proposta do Primeiro-Ministro.


Artigo 188.º
Programa do Governo


Do programa do Governo constarão as principais orientações políticas e medidas a adoptar ou a propor nos diversos domínios da actividade governamental.



Artigo 189.º
Solidariedade governamental

Os membros do Governo estão vinculados ao programa do Governo e às deliberações tomadas em Conselho de Ministros.



Artigo 190.º
Responsabilidade do Governo

O Governo é responsável perante o Presidente da República e a Assembleia da República.



Artigo 191.º
Responsabilidade dos membros do Governo

1. O Primeiro-Ministro é responsável perante o Presidente da República e, no âmbito da responsabilidade política do Governo, perante a Assembleia da República.

2. Os Vice-Primeiros-Ministros e os Ministros são responsáveis perante o Primeiro-Ministro e, no âmbito da responsabilidade política do Governo, perante a Assembleia da República.

3. Os Secretários e Subsecretários de Estado são responsáveis perante o Primeiro-Ministro e o respectivo Ministro.



Artigo 192.º
Apreciação do programa do Governo


1. O programa do Governo é submetido à apreciação da Assembleia da República, através de uma declaração do Primeiro-Ministro, no prazo máximo de dez dias após a sua nomeação.

2. Se a Assembleia da República não se encontrar em funcionamento efectivo, será obrigatoriamente convocada para o efeito pelo seu Presidente.

3. O debate não pode exceder três dias e até ao seu encerramento pode qualquer grupo parlamentar propor a rejeição do programa ou o Governo solicitar a aprovação de um voto de confiança.

4. A rejeição do programa do Governo exige maioria absoluta dos Deputados em efectividade de funções.
Ver aqui:
http://www.parlamento.pt/LEGISLACAO/Paginas/ConstituicaoRepublicaPortuguesa.aspx

Já agora, os resultados nacionais:
http://www.rtp.pt/noticias/eleicoes/legislativas/2015/?country=&cache=1

Creio que, neste cenário, o Ortopedix deve ser algum colchão ortopédico imaginário que Portas, Passos e as contas que nos apresenta pretendem.

É no xadrez parlamentar que se constroem as soluções. Se Passos e Portas forem capaz de jogar neste tabuleiro, pois então governem.
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De William Wallace a 10.10.2015 às 23:08

O PAF venceu por isso deve governar, como não tem maioria absoluta deve procurar junto dos outros partidos formas de viabilizar as suas politicas (do PAF ) e estes devem ser receptivos porque reconhecem a sua (deles) derrota, é assim em todo o lado.

O PS partilha toda a cartilha do PAF nas questões ditas fracturantes que a verdadeira esquerda não partilha, logo o PS não pode nunca promover uma frente que não representa e para a qual não foi legitimado uma vez que antes das eleições essa hipótese foi rejeitada tanto pelo PS como pelo PCP e BE.

O que é necessário é que as pessoas sejam honestas, sérias, assumam as suas responsabilidades e as consequências dos resultados eleitorais.

As patifarias do PAF não podem nunca justificar uma frente de esquerda assente débeis pilares só porque sim, até porque o PAF apesar de todas as escandaleiras e dolo na governação venceu as eleições e não podemos andar a brincar ás eleições até as mesmas nos conferirem o resultado que pretendemos que por acaso é um modus operandi muito a lá PS.

Como o Vento sabe que eu sou fortemente contra o PAf , as suas politicas na forma e conteúdo por isso estou mais que á vontade para lhe dizer que não reconheço qualquer legitimidade a esta pseudo frente liderada por uma pessoa oportunista e refém de interesses que não o NACIONAL.


" Somos um país pequeno, com problemas sérios, e não podemos aderir a frentes débeis, só com o fim de proclamar que - brincamos às democracias "
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De jo a 10.10.2015 às 23:53

Então a Pàf que procure as soluções e as apresente.

Neste momento só apresenta lamúrias e a exigência de governar como bem entende. Esse tempo já acabou, tal como a campanha. Agora não basta dizer que os outros são maus, é preciso merecer o que se quer.
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De William Wallace a 11.10.2015 às 11:07

A procura de soluções diz respeito aos dois lados mas temos de entender que o PAF é o vencedor e o PS o partido derrotado sendo que o que os une (ao PAF e PS) é muito mais sólido do que aquilo que une o PS ao PCP ou ao BE sendo portanto que ambos (PS e PAF ) têm de fazer concessões mutuas e o PS encontra-se muito mais vinculado ás mesmas.
O PS não pode nem deve patrocinar o subverter das regras estabelecidas só porque as suas entourages pretendem o poder pelo poder, isto que fique claro.
Sempre advoguei que quem estivesse indeciso entre PS e PAF deveria votar PAF exactamente por aquilo que está a acontecer, o PS não quer aceitar a realidade e os factos, a sua busca do poder pelo poder pode levar Portugal e os portugueses a sofrerem ainda mais.

Alguém acredita que se o PS tivesse ganho as eleições com maioria simples iria procurar apoio á esquerda !
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De Vento a 11.10.2015 às 11:58

Meu caro William,

creio que em matéria de verdade e do verdadeiro o meu amigo cola-se com o discurso da "verdadeira esquerda" ao calvinismo propagado pela coligação PàF. Aliás, esta coligação depois de ter andando aos pufs parece-me que terminará com um grande páf à Obelix.

O governo Sócrates ganhou as eleições nas urnas e perdeu no parlamento, com todos a derrubá-los. Os da pàf e dos pufs argumentavam a salvação patriótica da nação com tal derrube. E eu alinhei.
Acontece que, na mesma linha, abriram ainda mais o buraco mostrando-nos que estes gajos da pàf só estavam chateados por não poderem ser eles a implementar as medidas que Sócrates aplicava. Os tipos eram a imagem e semelhança de Sócrates, e até mesmo a igualdade. Desejavam as políticas mas odiavam o seu líder, que era Sócrates. E não obstante continuam a reivindicar tal salvação depois de uma encenada tentativa religiosa, à moda dessa "verdadeira esquerda" que refere, do crime, castigo e recompensa.

Acontece que Costa está refém. E ainda bem que ele se sente refém. Pois o voto que eu lhe dei e outros milhões mais deve torná-lo refém em todas as suas acções. Os únicos que não se sentem refém de nada são os mentirosos que se colocaram de cócoras ao longo dos últimos 4 anos.

O PR afirmou em 03 de Outubro que o futuro governo devia contemplar o xadrez parlamentar. Mas nada fez que não enviar o seu encarregado a nada fazer para construir tal xadrez.
Resultado, a PáF vai levar um valente pàf e ficará sem ar para os tradicionais pufs.
As democracias já demonstraram, como foi o caso desta última desgovernação, que os débeis também têm direito a ir a jogo.
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De William Wallace a 11.10.2015 às 13:39

Sócrates aguentou o barco durante dois anos, enquanto houve dinheiro fresco mas nunca tentou puxar o CDS ou o PSD para si. Beneficiou das lutas intestinas de poder no PSD que tacitamente lhe garantiram a permanência no poder, quando isso acabou PPC foi obrigado pelo aparelho a fazer um golpe que Sócrates em desespero aproveitou tentando colar a aprovação do pec IV a uma moção de confiança apesar de ter de véspera acertado tudo com PPC , ou seja ambos mentiram e jogaram com Portugal em favor dos seus interesses e das entourages que á volta deles gravitavam, tal como Costa pretende agora fazer.

O que Costa pretende fazer é para mim inaceitável do ponto de visto democrático e ético.

A irresponsabilidade do PS na governação sempre foi grave, neste momento não governam e já estão a ir pelo mesmo caminho independentemente de quem sofra as consequências que neste caso como noutros serão os Portugueses, que lutam cada dia por se manterem á tona, quem passou este período sem agruras (o establishment de ambos os lados) continuará a assobiar para o lado na sua retórica egoísta , egoísmo esse que é cada vez mais uma doença social dos nossos tempos.

"As democracias já demonstraram, como foi o caso desta última desgovernação, que os débeis também têm direito a ir a jogo"

Esta sua afirmação é de surpreender (pelo menos para mim), os erros de uns não podem nunca justificar que se comentam mais erros, não se pode construir o futuro com base em premissas erradas.

A acontecer este desvario do PS o governo durará 6, talvez 8 meses, Marcelo chegará á Presidência e assim que puder dissolverá a Assembleia sem problema algum e com o apoio do POVO e a coligação PAF vencerá com maioria absoluta (ou mais) e os custos desta manobra do PS terão como consequência um total aniquilamento das posições moderadas de muita gente que ainda se ouvem por aí - É isso que você quer, levar milhões de Portugueses a sofrerem em dobro ou triplo daqui a 8 meses já descontando as asneiras que uma governação assente em débeis pilares promoverá.



" O homem do Estado jamais encontrará alguma coisa útil ou eficaz nos trocadilhos de palavra, nas acrobacias da inteligência ou no desvairo das imaginações exaltadas "
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De Vento a 11.10.2015 às 17:20

Quase todo o primeiro parágrafo de sua resposta só confirma o que afirmei. O líder da direita era Sócrates, e estes estavam chateados com tudo isto. Não foi derrubado anteriormente porque suas políticas iam ao encontro dos desejos de seus pares. PPC dá o golpe à boleia da insatisfação popular e da ira do PR relativamente a Sócrates.
http://www.jornaldenegocios.pt/economia/politica/detalhe/presidente_da_republica_nao_tem_nenhuma_autoridade_moral_para_falar_sobre_lealdade_institucional.html
Em 2011 Sócrates justificou assim:
http://www.dn.pt/especiais/interior.aspx?content_id=1804266&especial=Crise%20pol%EDtica%20no%20segundo%20governo%20de%20S%F3crates&seccao=POL%CDTICA
Procure as diferenças.

já agora:
http://www.tsf.pt/portugal/politica/interior/oposicao_reage_com_protesto_ao_pec_4_1811858.html

E Passos oferece sua solidariedade depois do parlamento ter rejeitado o governo Sócrates:
http://www.publico.pt/politica/noticia/o-psd-nao-deixara-de-apoiar-o-recurso-aos-mecanismos-financeiros-externos-escrevia-passos-1707876

Significa isto meu caro que sobre Sócrates e Passos tudo está provado. E o período de tempo que refere não indicia qualquer bondade e/ou vontade de colaboração.

Quanto a Costa, tudo está por provar. E o William quer dizer que um líder que se apresentou com um programa sufragado pelos eleitores no PS deva fugir dessa linha para dar a mão a quem nunca deu a mão quer ao PS quer ao país. Ao PS não deu, porque, como afirmei, o líder da direita sempre foi Sócrates e suas políticas foram aquelas que estes desejavam e que mais tarde implementaram indo mais longe num atrevimento ignorante e ao país tirou-lhe o tapete numa obra que veio criticar mais tarde ao Syriza tendo este ganho uma reestruturação da dívida.

A minha frase não vem em auxílio de qualquer erro, porque nada está provado em matéria de erro sobre Costa. O único erro que julga ver é o facto de Costa não apoiar a política PSD/CDS. Se isto é erro, então a "verdadeira esquerda" na sua óptica deve estar em pecado mortal.

Compete ao PR, escutando os partidos, nomear o governo. E o William quer colocar o ónus dessa formação e nomeação em Costa. Isto é um absurdo.
O PR devia ter tomado a iniciativa. Mas enviou seu encarregado a nada fazer. Estas negociações deviam ter por base uma proposta concreta por parte da coligação. O discurso de Costa na noite eleitoral deixou o mote.
Eles andam a fingir que fazem alguma coisa e o PR está a ganhar tempo.

Meu caro, o país já sofreu o que tinha a sofrer nas mãos destes que defende agora em nome de uma "verdadeira esquerda". E só a cobardia impede que um homem de estado aja como tem de agir.

Por último, creio que esquece que nesses "débeis pilares" se encontra também a coligação que ora critica ora deseja ver governar. Eles também têm assento parlamentar. Em que ficamos?
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De William Wallace a 11.10.2015 às 19:23

O meu 1º paragrafo serviu para enquadrar o que se passou de 2009 a 2011 e as possíveis analogias que poderia haver com o presente caso Costa tivesse sido homem e tivesse posto o lugar á disposição.

É preciso notar que Costa, a sua entourage e o PS subterrâneo que pretende o poder pelo poder está a fugir para a frente ignorando um facto muito relevante, o PAF venceu as eleições (tal como Sócrates em 2009) á boleia de muito marketing e abrandar da sanha das reformas (leia-se austeridade) engodos semelhantes aos lançados por Sócrates em 2009.

Quanto a Costa nada está por provar pois não mereceu a confiança dos portugueses, perdeu deve assumir as suas responsabilidades e não embarcar Portugal num jogo perigoso que todos sabemos que não leva a lado nenhum a não ser a uma possível maior vitória desta falsa direita na próxima e no entretanto maiores custos lhe estarão associados além de que DESRESPONSABILIZA por completo o ónus da governação dos últimos 4 anos podendo virem eles dizer que estava tudo bem e o Costa e a esquerda radical é que lixou tudo.

Acho que após tantas respostas aqui o meu raciocínio é cristalino, quem venceu deve governar lançando pontes aos outros pois não tem maioria absoluta e cabe aos outros serem responsáveis (tal como a coligação) para bem dos Portugueses.

Fico por aqui, penso que o meu raciocínio está mais que bem explicado e fundamentado.
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De Vento a 11.10.2015 às 20:11

O seu erro é transformar uma acto governativo num enquadramento pitagórico. As disposições legais, comumente aceites em sociedade, determinam a possibilidade governativa.
O William procura, através de uma selectiva postura catoniana, fugir a isto e busca negar a realidade.

Para mim todos os cenários são plausíveis se existir acordo de princípios e respeito pelo acto sufragado, à esquerda e à direita. Não estamos perante um golpe de estado mas diante de uma possibilidade que a carta constitucional permite.
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De am a 11.10.2015 às 00:57

O maior problema para os portugueses é que o Costa, não é um politico confiável!

Ele derrubou/roubou/sonegou o AJSeguro com a teoria de ter ganho duas eleições por poucochinho(!!!!)... Costa perdeu as eleiçoes... não se demitiu.

Quem pode confiar num homem destes? Ele quer o poder pelo poder!

Só a a forma como saiu e disse depois da reunião com a "barriga de aluguer do PCP (verdes) é demonstrativo do caracter da pessa.
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De João Campos a 11.10.2015 às 12:59

Precisamente. Considerando os quatro anos de austeridade (e os muitos disparates que a coligação fez no Governo), se Costa tivesse um mínimo de credibilidade (e de competência, já agora) teria ganho as eleições nas calmas.

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