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Ora, o que é um salário mínimo de diferença?

por José António Abreu, em 19.01.16

Salário médio do sector privado: 1140 euros.

Salário médio do sector público: 1621 euros.

Pelo menos as 35 horas servirão para repor alguma justiça. Ah, espera...


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De Tiro ao Alvo a 20.01.2016 às 18:46

André, é verdade que os serviços públicos também contam para o PIB (PIB não é produtividade), mas não se pode verdadeiramente dizer que o sector público dá lucro - as contas de exploração das empresas públicas deveriam ser equilibradas, salvo quando operassem em sectores sujeitos a concorrência.
Sabe o André que a esmagadora maioria das nossas empresas são micro e que as médias e grandes representam uma percentagem muito reduzida? É bonito dizer que os nossos empresários devem captar técnicos e outros quadros altamente qualificados, não reconhecendo que os "mais bem preparados" dos nossos jovens são pouco empreendedores, que o povo português está adormecido e que os nossos governantes, desde há muito, têm escorraçado o investimento estrangeiro e mal tratado os portugueses detentores de capitais.
É fácil atirar as culpas para a Banca mas, mesmo aí, há que reconhecer que os piores disparates foram feitos pela banca nacionalizada ou fortemente dependente dos governos da ocasião – repare que mais de metade da banca portuguesa está nas mãos do Estado, directa ou indirectamente.
Em conclusão, não se entende a defesa das 35 horas semanais, por parte dos funcionários públicos, nem é aceitável uma tão grande discrepância de salários entre os funcionários públicos e os funcionários do sector privado. São todos portugueses e merecem, todos eles, serem tratados de forma parecida. Quando a nossa economia produzir mais riqueza, então sim, deve ser distribuída o mais equitativamente possível.
Todavia, quando o Estado gasta mais do que consegue arrecadar em impostos e em taxas, tendo de recorrer aos credores para cobrir o défice orçamental, está a consumir valores que, no futuro, nós e os nossos descendentes, terão que pagar. E pagar com língua de palmo, porque essa habilidade, para além do mais, faz aumentar a despesa, por causa dos juros. Só não vê isto quem não quer.

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