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Mais uma vez o mundo ocidental lá se consternou e emocionou perante o olhar vazio e desalmado de Omar Daqneesh, uma criança de 5 anos que, num estado letárgico quase catatónico, esperava pacientemente pelo salvamento do resto da família (felizmente todos sobreviveram, mas outras cinco crianças morreram), depois do seu prédio, localizado num bairro de Aleppo conotado com os rebeldes, ter sido atingido por um raide aéreo da aviação russa ou síria. Nem um choro ou lamento de Omar, apesar do seu rosto estar coberto de sangue e o seu corpo todo sujo de terra, como quem foi literalmente arrancado das entranhas da terra. Os jornais e as televisões, com o seu tom teatral do costume, mas sem qualquer eficácia na prossecução e pressão para uma solução política-militar, propagaram a fotografia de Mahmoud Raslan, o fotojornalista que estava no local e que captou o momento. As "redes sociais", sempre prontas para apanhar a onda da solidariedade internacional, também se indignaram e, claro está, o tema tornou-se "viral". As sociedades civis comoveram-se e a comunidade política indignou-se. Mas, tudo isto foi ontem, porque, hoje, já passou, a vida continua e já ninguém quer saber.

 

Recordo que há uns meses, em Setembro, esse mesmo mundo ocidental, sempre confortável no seu quotidiano, esses mesmos jornais e televisões, com a sua queda para o dramatismo, essas mesmas redes sociais, sempre voluntaristas, essa mesma sociedade civil, sempre predisposta para a comoção, essa mesma comunidade política, sempre indignada, reagia com lágrimas à chocante fotografia de Aylan Kurdi, um rapazinho de 3 anos, jazido de barriga para baixo, nas areias de uma praia da Turquia. Era um refugiado que, juntamente com a sua família, fugia do conflito da Síria. Na altura, por exemplo, a CNN escrevia: "Some said they hoped the images of the boy lying on the beach and his limp body being scooped up by a rescue worker could be a turning point in the debate over how to handle the surge of people heading toward Europe." O que foi feito desde então? Pouco, muito pouco mesmo, para quem se dizia tão chocado e indignado com tal barbárie.

 

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7 comentários

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De am a 19.08.2016 às 13:00

E assim vai o mundo....

O país ardia a ministra dançava!

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De tric.Lebanon a 19.08.2016 às 14:15

as crianças de Nice foram apagadas dos mass média...
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De Anónimo a 19.08.2016 às 15:30

Mundo ocidental de hipócritas. UE de hipócritas que dão euros, a um ditador turco, para que este fique com eles. Onde estão na Turquia? Que é feito de eles? Não estamos a lutar por uma sociedade melhor e mais igual, estamos a tentar tudo por tudo, por construir uma sociedade de gente sem valores, sem nada. Está à vista e não há palavras que justifiquem isto...
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De Vento a 19.08.2016 às 15:39

Quando vejo estas imagens recordo-me do discurso hipócrita dos que dizem lutar pelo futuro dos seus filhos.
Fico com a ideia, e ideia correcta, que estas crianças que nos revela, a cara de milhões de outras, não são filhos desses hipócritas. Mas são meus filhos.
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De lucklucky a 19.08.2016 às 17:29

O lema dos humanistas bem pensantes não é que as pessoas boas não podem gostar de armas?

Por isso o resultado no terreno só tem os tugues Comuno-Fascistas de Assad aliados com os Guardas da Revolução e o Partido de Deus-Heezbollah dos Ayatollah Iranianos e Putin contra os Sunitas-Islamistas da Al Qaeda e ISIL . Quer fazer o quê com esta qualidade humana?
Os Sírios bons não pegam em armas por isso este é o resultado.

Demonstra uma estranha ideia sobre a capacidade afectarmos a guerra que milhões de pessoas que não lhe ligam nenhuma têm interesse em prosseguir.

A ultima oportunidade para tornar o Médio Oriente menos opressivo foi no Iraque que o jornalismo marxista ocidental tentou sabotar por todos os meios.

Dentro de 20-50 anos espere coisas parecidas na Europa Central.
Entretanto o Festival Curdo de Colónia foi cancelado por risco de eventuais conflitos com os Turcos.

---
Já a Líbia, a Ucrânia, Yemen, Sudão continuam em guerra, mas como não chegam fotos de crianças já não existem.
Tal como não existem fotos de crianças Cubanas afogadas a fugir do paraíso Comunista que foram muitas mais mas de que não se fala nem se escreve.

---
Na Ásia as coisas estão por um fio com China a estender e reclamar zonas de outros países. Todos a armarem-se.


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De V. a 19.08.2016 às 17:52

Eu não quis saber ontem, nem quero saber hoje. Eles que se entendam e, sobretudo, que fiquem por lá.
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De pita a 20.08.2016 às 16:58

Apesar do blog ser uma "connection is not secure", lá vai porque tem valor:
http://biclaranja.blogs.sapo.pt/a-central-1112496

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