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Onde tudo começou

por José António Abreu, em 29.06.15

A Grécia entrou no Euro em 2001. Desde essa altura, teve um crescimento imparável.

Muito superior ao registado em Portugal - ou na Alemanha. Convém ver os números (PIB, salários, consumo) e perceber porquê. Leitura essencial, n'O Insurgente. Por Carlos Guimarães Pinto.

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16 comentários

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De Vento a 30.06.2015 às 01:12

Onde tudo começou foi precisamente no endividamento, na despesa e no investimento improdutivo, tal como se iniciou em Portugal na era Cavaco Silva e que mais tarde foi apelidado de "pai do monstro".

http://diariodigital.sapo.pt/news.asp?id_news=175537

http://www.dn.pt/inicio/interior.aspx?content_id=600944

http://paginaglobal.blogspot.pt/2012/11/portugal-quem-e-o-noco-pai-do-monstro-o.html

Em Portugal tudo se passou assim com excepção do montantes em jogo.

Na Grécia o endividamento gerou endividamento e mais endividamento, tal como em Portugal.

E o que o novo governo grego pretendia fazer, contrariando todas as políticas anteriores, era aumentar a receita três vezes superior à despesa.

Aonde pretende chegar, José?
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De Costa, onde pretendes ir? a 30.06.2015 às 09:41

António Costa: Syriza tem combatido a Europa “de forma tonta”.
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De José António Abreu a 30.06.2015 às 09:50

O endividamento é resultado de políticas. Onde é que a economia grega justificou um aumento do peso dos salários na economia de 75%? Aliás, os gregos fizeram exactamente o que muita gente - incluindo você e o PS de Costa - defendem ainda hoje que se faça em Portugal (menos algum investimento público, presumo).
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De Vento a 30.06.2015 às 10:36

Pois é verdade que o endividamento é resultado de políticas. E as propostas que vi da parte do Syriza visavam contrariar esse ciclo, o que o José e o PSD/CDS não defendem. Preferem mais endividamento por inércia - o que acontece - e menos economia.
Parece-me também que o José não lê o que posta: O aumento de peso dos salários está relacionado com a tal evolução do PIB grego. No caso português, no tempo de Cavaco, as despesas do estado aumentam 51% com um crescimento do PIB infinitamente inferior àquele que viria a registar-se na Grécia.

Acontece que o que tem vindo a ser feito em Portugal é de uma incompetência e irracionalidade nunca vista. Quero com isto dizer que o que feito só teria resultado numa economia A QUENTE, pois assim poder-se-ia compensar a diminuição do peso do estado com a economia em funcionamento que até podia absorver, por exemplo, aqueles que saiam da FP. Como assim não foi feito, o que está a acontecer por toda a parte é o regresso daquilo que eu defendo muito antes das propostas feitas pelo PS. É aqui que reside a pescadinha que o José não compreende. Mas uma pescadinha fabricada pelos que queriam desmontar o sistema.
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De da Maia a 30.06.2015 às 01:20

Ora aí está uma boa análise.

Esse é um muito bom exemplo para mostrar a falácia do Keynesianismo de pacotilha, tão do agrado socialista.
O Keynesianismo, copiado do Alves-dos-Reisismo, é uma política eficaz quando o dinheiro é criado do nada, e assim desenvolve o consumo interno... a custo zero para as contas da nação.
Nada tem a ver com a criação de consumo baseado numa dívida noutra moeda, que endivida a nação indefinidamente.

Essa confusão parece ainda não ter saído da cabeça dos economistas socialistas.

Em geral, a criação artificial de moeda é vantajosa desde que essa aposta nos futuros vise ser materializada na criação de alguma riqueza efectiva, e não no simples consumo.
Aliás, a introdução do negócio de futuros no mercado não teria dado nenhum problema, se os investidores tivessem visado a aposta na criação de riqueza real, e não apenas no arrastar de outros para a especulação sobre o vazio.
Porém, parece que se tratou apenas da reedição da enésima representação do engôdo das túlipas, sempre creditada aos mesmos protagonistas.

Agora, uma coisa é uma análise útil para a compreensão do problema, outra coisa diferente seria um julgamento moral sobre a responsabilidade dos gregos num engôdo para o qual foram arrastados... sendo que até a sacrossanta UE deu luz verde reguladora a tudo isso.
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De José António Abreu a 30.06.2015 às 09:52

Não é uma questão de responsabilidade moral; é de responsabilidade objectiva. A Grécia tinha ou não soberania quando aplicou as políticas que levaram ao endividamento?
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De da Maia a 30.06.2015 às 10:27

Essa é uma boa questão, porque a actuação de um governo tem arrastado os seguintes para o desvario anterior.
Um governo está legitimado para uma actuação no seu mandato, e não para fazer contratos para a eternidade. Senão poderíamos ter concessões de séculos ou milénios.
O que se tem passado, veja-se o caso das PPP, é que numa democracia basta haver um governo inconsciente para arrastar o país para compromissos de décadas... muito além do seu mandato real.
Para os credores isso é uma situação legal, mas é claramente um risco... Se os governos querem usar dinheiro que não têm, isso fica por conta e risco dos credores. Seria um jogo demasiado fácil e distorcido, se os credores tomassem conta de um país pela simples corrupção de um governo.
Agora, os credores podem proteger-se, e é claro recusar a continuar a financiar um governo que quebra o contrato anterior.
Por isso a opção é continuar ligado à máquina do crédito, e aceitar a hegemonia externa, ou então quebrar isso e refazer a economia sem o crédito externo. É claro que a segunda opção é bem mais radical, mas pode ser opção a considerar quando as condições sobre o crédito são consideradas incomportáveis.
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De José António Abreu a 30.06.2015 às 10:45

Claro que pode. E ninguém - ou pouca gente - contesta o direito da Grécia (ou de Portugal) dizer "basta", arcando com as consequências. Agora exigir - para mais em nome da democracia e da soberania - uma renda permanente para não fazer ajustamentos...

(Quanto às heranças entres governos, talvez então a ideia da inclusão de limites constitucionais ao défice e/ou à dívida faça sentido.)
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De da Maia a 30.06.2015 às 11:33

A Grécia está agora a jogar com a promessa de "união" que foi vendida pela UE... é um activo que acaba por estar em cima da mesa, quando se coloca o afastamento. Aí entra o valor da política na economia, e esse preço é de avaliação mais sensível.

O limite à acumulação de dívida no mandato, é claro que faria muito sentido... mas na prática estar ou não na constituição não altera muito, quando ela pode ser revista por 2/3, e isso tem sido a soma dos governos do arco, que se têm endividado.

Depois, o problema base - o que acontece aos partidos dos governos que não cumprem? Não acontece nada... continuam alegres nas novas promessas.
A ser eficaz, o partido deveria ser proibido de concorrer às eleições seguintes. Alguém quer proibir o PS de concorrer?... sendo que este governo igualmente fez disparar a dívida, e seguindo os números da dívida, seria então igualmente impedido de concorrer, por mais que argumentasse que isso resultava do desvario anterior!
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De João André a 30.06.2015 às 08:09

O problema não foi o endividamento em si: foi o este não ter levado a qualquer investimento. Foi feito para sustentar os custos. Há ainda a questão dos Jogos Olímpicos de 2004, investimentos faraónicos (que não são únicos na Grécia) à custa de uma enorme pressão internacional para poder realizar o evento. Isto levou a um disparar do PIB (como um amigo economista me explicou simplificadamente: todos os gastos são bons para o PIB) até 2004 (aliás, vemos depois um estagnamento). Depois disso o estado continuou a meter dinheiro para se ir mantendo no poder à custa ir continuando as subidas do nível de vida pré-Jogos Olímpicos.
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De José António Abreu a 30.06.2015 às 10:03

O problema é precisamente o endividamento que, de facto, em grande medida foi causado pelas obras públicas e pelo clientelismo. Mas a Grécia não era um Estado soberano? Os gregos gostaram - e percebe-se porquê: vê o aumento da massa salarial (75%) e do consumo (33%) (*). Sendo que, atendendo a que o sector privado até se endividou menos do que o português, o valor do aumento dos salários no sector público deve ter sido ainda maior (iria pesquisar mas de momento não tenho tempo).

(*) Ainda hoje uma das propostas do PS para tirar Portugal da crise.
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De da Maia a 30.06.2015 às 10:07

Sim. Uma situação semelhante onde o Brasil se acabou por meter, porque ninguém aprende com os exemplos dos erros dos outros.
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De lucklucky a 30.06.2015 às 13:04

Mais uma vez a responsabilidade não é dos Gregos, pelos vistos as suas escolas publicas, as sua universidades publicas não servem para parar a malvada "enorme pressão internacional" que os fez gastar milhões.


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De Boa! a 30.06.2015 às 09:39

Excelente leitura para o colaborador do DdO directamente enviado do Largo do Rato.
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De da Maia a 30.06.2015 às 11:35

Os postais estão bem esgalhados, e contribuem muito mais para uma discussão séria, do que a presença ou ausência de gravatas.

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