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Olivais (e não só) nos anos 70s

por jpt, em 04.10.18

sandro.jpg

 

Inaugura hoje na Casa de Cultura dos Olivais, Lisboa – à Rua Conselheiro Mariano de Carvalho, entre os Olivais Velhos e a Expo – e ficará até 27 de Outubro, esta exposição fotográfica do Sandro (João Alexandre Taborda). É uma memória única – que então fotografar era muito mais raro – da geração lisboeta, olivalense, dos anos 1970s e início dos 1980s, roupas, hábitos, personagens, artefactos usados, e a arquitectura vivida daquele bairro. Pura história cultural, se quiserem. Há dias em que custa estar longe …

Quando o Sandro morreu, há (já!?) um ano, deixei um breve postal – Driol (o grão-diminutivo que nos merecia), e recupero agora um pouco do que dele disse, e que se associa a esta exposição: 

"O Sandro era da “geração acima”, 4-5 anos mais velho. Por isso então a seita dele era outra, esses que a gente conhecia de vista e nome, cobiçando-lhes as motos e as maravilhosas namoradas. Ou pelos irmãos mais novos. Mas, vizinho, também acampava por vezes, e, mais tarde, já nós mais crescidos, ainda mais, já ombreando. O Drinô (como alguém graffitou em fugaz era de influência do “glamour rock”) era um dos tipos mais idiossincráticos que havia (...) 

Mas o que muito marcou a imagem pública do Driol foi o ter ele sido o fotógrafo “oficial” daquela nossa geração: raros eram os que tinham máquina, ainda menos os que tinham dinheiro para rolos e revelações, apenas dois ou três os que tinham o gosto, mas só ele trazia a tiracolo a paixão de fotografar. (...) E fez um arquivo lindo sobre aquela época de “dias gloriosos”.

Nesta foto (a do cartaz da exposição) estava a fotografar os irmãos mais novos da sua geração, os finais dos anos 70s, os putos a descerem (descermos) as ruas nos carrinhos de rolamentos. Em tantas outras tem os outros, as andanças de nós mais-velhos. Voltar ao acervo do Driol é uma delícia, cada um encontra-se e aos seus queridos de então, na beleza da memória. Certo, há uma “patine” afectiva que nos convoca, coisas até da nostalgia. Mas há outro registo, bem mais alargado, pois tem muito mais nesse legado do Driol. Encontra-se a memória da paisagem urbana como foi: as vestes, os tiques, os penteados, as poses – e quão cinéfilo tudo parece, ainda para mais naquele preto-e-branco. As ruas, os carros, as motos, a arquitectura então tão nova.  Mas é ainda mais do que essa memória social. Pois o Driol teve um olhar, amador, jovem de juvenil a júnior, mas muito cuidado e assim tão adulto, sobre a sua geração naquele tão especial bairro. Por isso nessa sua colecção o que nós encontramos não é o retrato daquela geração. É mesmo um auto-retrato, a voz própria de uma “malta”, esses que nos sonhámos “heróicos” naqueles confusos tempos do pós-pós-Abril. E, se calhar, fomos."

 

Vão ver, para saberem (como se que recordando) como foi, como fomos e nos fizemos:

 

 


2 comentários

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De Anónimo a 04.10.2018 às 10:14

Essa foto é da minha rua (9 na altura depois Fulacunda). Sou dessa época e provavelmente estou na foto éramos todos mais ou menos da mesma idade.
Tenho que perguntar à minha mãe se me reconhece.
Não me lembro de alguém tirar fotos.
A malta da Bolama normalmente não ia por ali. Nós é que íamos para lá andar de bicicleta no parque das "maminhas".

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De jpt a 04.10.2018 às 11:07

O fotógrafo era da D. Aleixo Corte-Real ...

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