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Olhares

por José António Abreu, em 26.07.15

Pode ser apenas a minha leitura (uma distorção que, adiantada a ressalva, julgo coerente com o meu tipo de pessimismo) mas as crianças parecem-me ter um olhar cada vez mais adulto. Ou antes: cada vez mais parecido com o de muitos adultos actuais, começando pelo dos progenitores. Um olhar onde o desejo se cristaliza, se torna permanente em vez de intermitente, e a ameaça da tristeza é submergida pelo pânico do aborrecimento.

 

Adenda: Leiam esta entrevista a Carlos Neto, professor da Faculdade de Motricidade Humana, no Observador; não tem directamente a ver com o olhar das crianças mas, ainda assim, tem tudo a ver.

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4 comentários

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De Anónimo a 26.07.2015 às 14:11

O artigo está excelente. Carlos Neto pelo que sei trabalhou com adolescentes e jovens e não com crianças. Isso não quer dizer que o que escreveu não esteja correcto.
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De lucklucky a 26.07.2015 às 17:21

O artigo é interessante mas mais uma vez foge ao essencial.

E o corolário é que uma criança tem de ter mais probabilidades de ter acidentes para se desenvolver correctamente. E alguns serão fatais.

A cultura da segurança total e da ambição do zero erro tem um ângulo político.
Perfeição. Totalitarismo.









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De isa a 26.07.2015 às 20:22

Há uma série australiana em 6 episódios que pode ver no YouTube e que, se calhar, é capaz de explicar muita coisa.

Decadence - Meaninglessness of modern life - Episode 1 - Money
Decadence - Meaninglessness of modern life - Episode 2 - Sex
Decadence Episode 3 Democracy (este aparece com este título, mas faz parte da mesma série)
Decadence - Meaninglessness of Modern Life - Episode 4 - Education
Decadence - Meaninglessness of Modern Life - Episode 5 - Family.avi
Decadence - Meaninglessness of Modern Life - Episode 6 - God

Dá muito que pensar mas não é, de certeza, para se ficar mais optimista ;)
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De Costa a 27.07.2015 às 15:13

As crianças deixam, por estes tempos, de o ser aflitivamente cedo. Em poucas décadas os contos e lendas aparentemente ingénuos mas cheios de preciosos ensinamentos, foram arredados por monstros e afins que sob um hipócrita pretexto de confronto entre o bem e o mal (ou já sem sequer esse apenas aparente cuidado) tudo reduzem à pura e simples violência. Mesmo na mais tenra infância deixámos de ter anões, princesas, animais docemente antropomorfizados, para ter monstrinhos cuja ternura - havendo-a - se manifestará forçosamente sob uma capa de garras, mandíbulas, escamas não exactamente delicadas.

Depois chegam uns bizarros seres - quanto mais feios e com vozes assustadoras, melhor - que tudo resolvem disparando armas poderosíssimas e deixando destruição à sua volta.

Mais tarde, mas ainda na infância, chegam em dose cavalar, desde logo pela televisão, prematuras questões como as drogas, a homossexualidade, complicados namoros acabando em gravidez inesperada ou tremendos dramas passionais. As aventuras juvenis, as histórias de férias de Verão, nem chegam a sê-lo, espezinhadas por enredos de vidas desfeitas numa idade em que uma boa formação reclamaria a preservação de um grau de inocência e, com esse alicerce sedimentado, a gradual introdução no mundo como ele é.

Ou então sou eu que, mais do que conservador, estou cada vez mais reaccionário.

Costa

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