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Olhar o Mundo (RTP 3)

por jpt, em 02.12.17

olhar o mundo.jpg

 

 

Tendo vivido duas décadas fora o que me mais me marcou no regresso a Portugal foi o estupor patrício face ao mundo. O que se nota nas opiniões individuais, quando peroramos diante de cervejas, uísques ou vinhos (é de ti que estou a falar; é de si que estou a falar). Mais ainda nos opinadores privados, antes frenéticos nos blogs, agora no FB. E imenso na mediocridade dos profissionais jornalistas, absortos entre o umbigo europeísta e o prepúcio lusófono (e laivos da obamaland saídos de um digest qualquer, claro). A desatenção, o desconhecimento, o "estar nas tintas" sobre o mundo - e, como tal, não compreendendo o que vai aqui à volta acontecendo - é uma espécie de gripe, toca a todos. Em três anos de Portugal nunca, repito, nunca encontrei alguém medianamente informado sobre o mundo. Encontrei, claro, a Helena Ferro de Gouveia, mas ela vivia fora (e vale ouro, o que a isenta da nossa demissão colectiva), e encontrei-a fora daqui, entre o Maputo e a Terra Blogal. De resto não vejo nada de jeito, escrito ou audível. A RTP, que vive dos nossos impostos em nome de um falsário "serviço público", é uma desgraça. Espancável, literalmente falando. O resto é mais ou menos inexistente. Ou narcísico, como as coisas de Rogeiro.

Isto vem a propósito da minha surpresa. Por mero acaso, face a um penne take away tão mau que me levou ao fora-de-moda zapping, acabo de ver o programa "Olhar o Mundo" na RTP 3. O já velho António Mateus, que conheci na África do Sul e reencontrei, brevemente, em Maputo, aqui um bocadinho engravatado demais, com uma universitária (não apanhei o nome), a abordarem com densidade, informação, reflexão, rapidez (o Mateus deixa-a falar, o que é excelente), as questões do mundo. É às 14 horas, no sábado, na RTP 3, pouca gente verá. Servirá como álibi para a RTP, se calhar. É evidente que poderia ter um pouco mais de meios, para animar a emissão, e assim ser transmitida num belo horário generalista. Seria um acto de civilização. Contra o estupor actual. Que é tão gigantesco que as pessoas nem o percebem. Entenda-se, que nele vão.

 

(Adenda: à procura da imagem para encimar este postal escrito de rajada chego à página de FB do programa e percebo que há vários colaboradores e que um deles é Francisco Seixas da Costa. Aconselhar (e louvar) um programa que integra um colaboracionista destes impele-me a apagar o texto. Mas retenho-me. Continuo fiel ao meu princípio, há que os combater "rua a rua, prédio a prédio, flete a flete". Para isso é melhor ouvi-los. Escutá-los, na sua perfídia.)


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