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Os assassinos do assalto ao Charlie Hebdo combateram aquilo que consideram blasfémia violando o mais sagrado dos direitos: o direito à vida. Usando armas de guerra para matar gente desarmada.

O tiro disparado contra o polícia ferido, que pedia clemência estendido no solo, permanecerá muito tempo na memória colectiva. Como um retrato da barbárie à solta numa cidade que se orgulhava de ser sinónimo de civilidade e sofisticação.
Um crime repugnante, cobarde, inaceitável.

 

Dizem-me que devemos procurar as "justificações" de quem premiu o gatilho. Penso precisamente o contrário. O respeito pela memória das vítimas de Paris obriga-nos a não alimentar atenuantes de qualquer espécie para estes crimes.

Claro que nestas ocasiões há sempre quem defenda que a culpa é da "sociedade", das "injustiças" ou da "marginalização" a que são sujeitos certos grupos étnicos ou religiosos.

As práticas criminosas concretas ficam diluídas neste caldo de palavras abstractas capaz de inverter a realidade mais básica. Transformando-se os criminosos em vítimas e as vítimas em cúmplices passivos de um sistema iníquo que segrega os seus monstros.

É de imediato excluída, à luz deste critério, toda a responsabilidade individual.

 

No limite, mandam-nos "compreender" a burca. E a escravização de meninas e mulheres. E a mutilação genital feminina. E as crianças forçadas a transformar-se em bombistas suicidas, como vem sucedendo no nordeste da Nigéria. E os apelos à guerra aos blasfemos do Ocidente propagados por imãs e mulás em mesquitas de Londres a Teerão.

"Compreenda-os" e justifique-os quem quiser. Eu não consigo. Nem quero.


25 comentários

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De Marquês Barão a 12.01.2015 às 23:26

Um dia, li qualquer coisa que dá que pensar parecida com isto: "O único animal capaz de matar para ostentar um troféu é o bicho homem" ou "Fazer parte dos humanos, ao contrário de funcionar abusivamente como desculpa deve constituir e ser entendido racionalmente como um privilégio".
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De Pedro Correia a 13.01.2015 às 11:06

Tudo isso faz sentido. Tanto uma frase como outra. Ambas representam duas faces antagónicas da condição humana: a predadora, que nos gruda ao chão, e a sonhadora, que nos dá asas.
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De cristof a 13.01.2015 às 06:04

Discriminação começa logo quando se tem que afirmar os terroristas são islamicos fanaticos. A crença não devia ter que ser mencionada por tão basica como o respirar, mas tambem as liberdades não deviam ser questionadas por nada, por evidentes =credo ou não credo os nossos valores basicos- crianças, mulheres,imprensa , não precisam de ser "compreendidos" respeitam ponto.
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De Pedro Correia a 13.01.2015 às 11:09

Não consigo compreender quem nos quer destruir. Quem mata, estropia, viola, decapita, extermina.
Não consigo compreender quem faz tábua rasa de um milénio de conquistas civilizacionais. Hoje, com o totalitarismo islâmico, como ontem, com o totalitarismo nazi.
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De José Manuel a 13.01.2015 às 07:56

Só se consegue combater um inimigo quando se conhece bem a sua forma de pensar e quando se percebe as suas motivações, incluindo as do subconsciente e a forma de agir. Tudo o resto são apenas declarações retóricas sem nenhum efeito prático. É portanto desonesto associar "compreender" a "justificar".
Podemos usar um exemplo da ficção televisiva como a equipa da série "Criminal Minds" onde a determinação do perfil do criminoso é a peça essencial do combate ao crime.
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De Pedro Correia a 13.01.2015 às 11:11

«Declaração retórica sem nenhum efeito prático» é para mim, por exemplo, a frase «só se consegue combater um inimigo quando se conhece bem a sua forma de pensar e quando se percebe as suas motivações». Desde logo porque atribui a condição de ser racional a quem comete os actos mais irracionais e primitivos que possamos conceber.
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De l.rodrigues a 13.01.2015 às 10:34

Discordo frontalmente com esta sua insistência.
Primeiro, entende qualquer tentativa de procurar explicações fora da "responsabilidade individual" como desculpabilizadoras, o que é errado. Só procurando as variaveis externas ao indivíduo é possivel agir de forma verdadeiramente política. É impossível querer diminuir a probabilidade deste tipo de violência se ficarmos reduzidos à explicação individual. Nesta visão, são todos uns malucos psicopatas sem desculpa. Suponho que não alargue esse julgamento às meninas de 10 anos que se fizeram explodir na Nigéria. Mas nada do que diz me diz o contrário, é apenas um crédito que lhe dou.

Segundo, se a questão é toda de responsabilidade individual, então o caso está encerrado. Os indivíduos responsáveis morreram. Ponto final. Suponho que a sua recomendação seja apenas estarmos alerta para o próximo indivíduo responsável. Mas de peito aberto, com bravura.
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De Pedro Correia a 13.01.2015 às 11:56

Acho inconcebível o paralelo que chega a sugerir entre homicídios cometidos a sangue frio por homens adultos (relembro - não por acaso - o tiro fatal desferido no polícia de ascendência magrebina, indefeso e ferido, estendido no passeio) e as meninas-bombas da Nigéria - raptadas, escravizadas, violentadas e no fim assassinadas, com este requinte macabro de as forçarem a transportar os próprios engenhos explosivos que acabarão por vitimá-las.

Posso tentar "compreender" e analisar a "envolvente social" do assassino norueguês que em 2011 matou 77 pessoas indefesas. Posso tentar "estudar" os passos que deu, desde o berço até ao momento em que começou a premir o gatilho naquelas horas fatais. Mas nada disso apaga a evidência do facto bruto, irreversível, inaceitável à luz do menos exigente dos padrões civilizacionais. Escrevi na altura sobre o assunto aqui no DELITO DE OPINIÃO:
http://delitodeopiniao.blogs.sapo.pt/3283901.html
O mesmo se aplica aqui. Há uma responsabilidade individual, indelegável, fruto do livre-arbítrio, daqueles assassinos em França. Uma responsabilidade anterior e posterior à pertença a qualquer grupo social, étnico, cultural, desportivo, político ou religioso.
Um pouco como o Mersault da novela 'O Estrangeiro', de Camus. Que matou um árabe numa praia argelina aparentemente porque não conseguia suportar a luz do sol que incidia sobre ele àquela hora. Este era um motivo tão válido - ou tão absurdo - como qualquer outro. Mas sempre decorrente do livre-arbítrio que legiões de psicólogos, sociólogos, políticos e gurus da opinião pretendem negar-nos a todo o momento em função da nossa alegada pertença a um qualquer "contexto" geográfico, religioso ou social.

Eu não quero "compreender" o autor da execução sumária e cobarde do polícia Ahmet Merabet em função da condição social ou da crença religiosa do assassino.
http://www.lexpress.fr/actualite/societe/ahmed-frederic-elsa-les-autres-victimes-de-l-attentat-contre-charlie-hebdo_1638586.html#
O facto, que pudemos testemunhar graças a um registo filmado, fala por si. Sem necessidade de "contextualização", muito menos em função de uma pretensa "interculturalidade", sempre invocada nestas situações por certos arautos do relativismo moral, que avaliam os crimes em função da classe social, do meridiano político ou da latitude geográfica.
E é quanto basta para eu emitir um juízo categórico, tal como fiz no Verão de 2011, relativamente ao homicida norueguês:
«Indigna-me ver o nome dele a toda a hora impresso e difundido pelos órgãos de informação. Como se de um filantropo ou um benemérito se tratasse. Como se fosse uma figura familiar, muito lá de casa. Como, no fundo, fosse um de nós.»
Não é um de nós.
Como estes também não eram.
Tivessem as ideias políticas que tivessem (admitindo que teriam algumas), professassem as crenças que professassem.

E se aparecerem outros mil do mesmo género, prontos a silenciar inocentes à lei da bala seja em que continente for, direi deles exactamente o mesmo que já disse de outros e reafirmo agora em relação a estes.
E não adianta trazerem Alá ou Deus para o debate. Até porque não há argumento mais aberrante - ou, noutros termos, não existe blasfémia maior - do que assassinar alguém invocando uma pretensa vontade divina para atenuar toda a responsabilidade individual inerente à condição humana.
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De l.rodrigues a 13.01.2015 às 12:30

"paralelo que chega a sugerir"

O paralelo é o suscitado pela forma como julga quem procura outros factores, que não apenas a responsabilidade individual. Afinal quando é que começamos a ser 100% responsáveis pelo que fazemos?

Concordamos que não é aos 10 anos, e em circunstâncias de terror intimidatório (que podemos presumir). Mas será aos 12? Aos 16?

Não se confunda, se eu estivesse naquele telhado com uma arma em vez de uma câmara, teria certamente premido o gatilho. Não confundo lados.

Mas repito que desvalorizar qualquer tentativa de compreender circunstâncias, é deixar-nos um campo muito curto de acção, para lá de dar o corpo às balas com heroísmo.

A psicologia já percebeu nos anos 60 como se criam "monstros". Basta pegar em pessoas normais e colocá-las em circunstâncias extraordinárias. Milgram e Zimbardo mostraram isso com clareza nas suas experiências.

Há antídotos para essas circunstâncias, mas implicam aquilo que o Pedro Correia nega. Uma compreensão do fenómeno e uma acção sobre os sujeitos para que, surgidas as circunstâncias, as reconheçam, desconstruam e se comportem como heróis e não como monstros.
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De Pedro Correia a 13.01.2015 às 15:14

Não tenho nada de substancial a discordar de si nesta fase do debate. Julgo até que estamos mais em consonância nesta matéria do que possa parecer à primeira vista. Embora eu não me canse de reafirmar que há pelo menos dois momentos essenciais de reacção perante casos como este. No primeiro, que quanto a mim deve ficar claramente isolado dos restantes (e pessoas como Ana Gomes e Boaventura Sousa Santos não respeitaram isso, o que me chocou), só há lugar à condenação inequívoca do morticínio, sem outros considerandos de qualquer espécie.
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De João André a 13.01.2015 às 10:45

Pedro, quando eu falo em compreender não o faço no sentido de compreender as justificações. Só que se partirmos do princípio que os muçulmanos, venham de onde vierem, são à partida pessoas iguaizinhas a nós (e se não o fizermos então a discussão é inútil), então temos que aceitar que a potencial percentagem de pessoas violentas, criminosas ou bondosas será igual à existente entre cristãos, judeus, hindus, ateus ou maradonistas.

Se partirmos desse princípio, então temos que compreender porque razão há estes ataques por parte de muçulmanos. As raízes disso. Estão na religião? Estão nas sociedades? Noutros aspectos? Se sim a um ou mais destes pontos, quais as suas origens e como ajudar a eliminá-las?

Não tenho qualquer intenção de compreender quem assassina inocentes, dispara sobre pessoas indefesas, impõe seja o que for à força ou usa crianças em ataques. São criminosos, ponto final. Mas convém saber como os combater para além do uso da força, caso contrário ficamos presos num ciclo interminável.
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De Pedro Correia a 13.01.2015 às 12:13

João, como já respondi acima ao L. Rodrigues, sou incapaz de diluir a responsabilidade individual dos homicidas em factores étnicos, culturais, sociais ou religiosos.
Mesmo nas organizações criminosas há níveis diferentes de responsabilidade criminal: nem todos podem ser medidos pela mesma bitola.

Um "crime passional" (expressão detestável) pode ser avaliado por factores externos: solidão, ciúme, depressão, desemprego, exclusão social. Podemos tentar "compreender" a vertente externa do crime. E, se formos advogados de quem cometeu esse crime, até talvez devamos invocar tudo isso como possível atenuante em tribunal.
Nada apaga, no entanto, uma componente de livre-arbítrio. É o grande trunfo - e também o grande fardo - da condição humana.

Isto ficou, de resto, plasmado na jurisprudência internacional nos célebres julgamentos de Nuremberga que julgaram os responsáveis pelos crimes cometidos durante o regime totalitário hitleriano. A linha defensiva dos réus era invariável: todos tinham agido em obediência a ordens superiores, como se a responsabilidade de cada um estivesse diluída numa espécie de imperativo categórico ditado pelas forças do mal.
O tribunal rejeitou esta tese - e muito bem. Foi uma conquista civilizacional do direito que não deve ser revertida nestes tempos de barbárie à solta em tantos locais - de Paris ao Paquistão, passando pela Nigéria:
http://www.bbc.com/news/live/world-asia-30491113
http://www.independent.co.uk/news/world/africa/nigeria-committing-war-crimes-to-defeat-boko-haram-9674775.html

Alá nada tem a ver com isto. É tudo humano, demasiado humano, por vezes insuportavelmente humano.
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De da Maia a 13.01.2015 às 12:24

Caro João,
suponhamos que os espanhóis não tinham aniquilado a cultura e religião Azteca, ou Maia. Talvez em nome de uma tolerância civilizacional, houvessem ainda sacerdotes ungidos com a missão salvífica de preservar o legado antigo, capazes de colocar uns desgraçados em cima duma pirâmide e arrancar-lhes o coração.
Sabemos pouco de outras culturas, mas isso tanto funciona por um lado, como por outro. O conhecimento literal do Corão permite ler que, contra os inimigos do profeta, são determinadas a execução, crucifixação, corte de pés e mãos, entre outros mimos que nos horrorizam, reportados à prática do próprio Maomé.
A Bíblia, especialmente o Velho Testamento, está cheio de actos cruéis, alguns reportados a Moisés. Por exemplo, Moisés teria ficado irado com os soldados por terem morto todos os homens de uma cidade e lhe terem trazido mulheres e crianças. Explicou então aos ignorantes da palavra divina, que era mesmo para matar todos, excepto as virgens, essas os soldados poderiam tomar para si (Bíblia, Números 31).

Se já não há sacerdotes da velha religião Azteca, há sacerdotes de outras religiões que tomam os escritos antigos literalmente. Sempre que isso acontece, entra o conflito entre os valores do humanismo moderno, e valores da barbárie antiga.
Os católicos habituaram-se a ligar pouco à literalidade bíblica, e vêem essas alusões antigas como anacronismos, coisas próprias da época, que não devem ser tomadas à letra. Não acontece assim sempre, há quem tome a herança antiga como sua herança.
O problema é que a mais valia das religiões antigas reside na sua antiguidade, e dificilmente prescindem do que consideram sagrado desde tempos imemoriais.
Por isso, há efectivamente um choque civilizacional, quando se permite que fantasmas, formados em práticas de barbárie antiga, estejam sempre a reaparecer trazendo para a modernidade valores da antiguidade, por meio de sacerdotismos anacrónicos.

Depois há outro problema, que se tem misturado mal. A prática ocidental foi especialmente dura para algumas comunidades, confundindo-se a religião com a população. Os jovens que nascem em comunidades emigrantes não perdem por completo essa afiliação. No caso islâmico é fácil pensar que sentem as dores da política internacional que protege Israel e despreza a Palestina árabe.
Confundem-se aí os arranjos políticos com a afiliação religiosa, e assim falhando a via política com estados religiosos, entra-se no radicalismo religioso.

Por isso, o Ocidente actual acaba por se ver num balanço complicado.
Talvez devesse decretar intolerância para religiões intolerantes, que continuam com costumes e práticas tribais... mas por esse lado tem receio de provocar ainda maior ira religiosa. O que tem procurado fazer é agregar os moderados, para ver se consegue uma mudança lenta nas mentalidades laicas. Mas como não pode parar o tempo, há uma rapidez na aquisição de conflitos que servem de pretexto para extremismos. Depois tem os seus próprios problemas, radicalismos e idiotas internos, que deitam fogo na gasolina, ao estilo Bush.

Agora, é claro que sempre que relaxarmos na nossa matriz humanista, não condenando explicitamente ideias anacrónicas, estamos a lançar o tapete para que a intolerância antiga trepe pela tolerância moderna.
Isso não é apenas ligado ao Islão. Há vontades de radicalismo cristão, que bebendo na tradição medieval, também gostariam de trazer as suas burcas de novo ao Ocidente. Esse radicalismo cristão até acaba por se ver mais nos leitores da Bíblia, do que propriamente nos católicos, que ouvem a Bíblia através da Igreja. Mas é claro que há de tudo...

Sendo ligeiro, podemos encarar as religiões antigas como antigos idosos.
É claro que têm conhecimentos preciosos do seu tempo, não tinham que ser enfiados num asilo onde ninguém os ouvia, mas também não tinhamos que lhes prestar veneração, como só eles fossem portadores da verdade. Não tínhamos que ligar quando se escandalizavam com mini-saias, palavrões, blasfémias, etc.
Haverá sempre os filhos que procuram agradar aos velhos, esperando ficar com maior quinhão na herança. Assim, estão os herdeiros da palavra antiga, ficaram sempre à espera de que obedecendo cegamente, se lhes abram nos céus o maior tesouro. Racionalidade? Não interessa.
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De am a 13.01.2015 às 11:15

Alguem por favor me diga:

Será razoável que certas escolas francesas proíbam a exibição de símbolos cristãos, com o argumento de não ofenderem os crentes muçulmanos?

Este pequeno, mas simbólico exemplo, multiplicado por miares de cedências, acabará por perverter a civilização europeia.

( Peço desculpa de não ter poder de escrita para desenvolver esta minha opinião)

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De Pedro Correia a 13.01.2015 às 12:58

Respondo-lhe sem hesitar: a ostentação de símbolos de fé, desde que não hostilizem crenças alheias, nada tem de censurável. É aliás um louvável indício de pluralismo neste vasto mosaico social em que vivemos. O mesmo se dirá de brincos, tatuagens e diversos outros 'signos' de pertença a determinadas tribos ou simples afirmação de individualidade.
Abro uma excepção, para mim inevitável, em relação à burca e ao nicabe. Não por serem alegados símbolos religiosos (que não são) mas por menorizarem e estigmatizarem a condição feminina no espaço público, algo totalmente inaceitável.
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De Cabanas a 13.01.2015 às 15:26

Condeno qualquer tipo de violência, seja ela qual for... não é pela força que os problemas se resolvem... e neste ponto é bom pensar como as crianças... e basta ver que num momento estão zangadas e choram mas no momento a seguir já sorriem e brincam... depois para as crianças também não há passado nem futuro há o presente...e nós, adultos, raramente vivemos o presente e isso gera tantas complicações...
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De lucklucky a 13.01.2015 às 18:03

Portugal só existe por causa da violência, o Estado Novo foi derrubado por causa da violência, a escravatura acabou por causa da violência.

O seu texto só explica com lógica se você estiver a pensar em fazer algo violento e não quer resistência.


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De Pedro Correia a 13.01.2015 às 18:05

Condeno toda a violência também. Mas condeno-a ainda mais se for desproporcionada. E mais ainda se tiver intuitos homicidas, como foi o caso.
Não consigo compreender como é que se encara tudo isto com um encolher de ombros ou com declarações do género "sempre foi assim" ou com frases que levam a crer que a culpa afinal é de todos nós. O mesmo é dizer que não é de ninguém.
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De lucklucky a 13.01.2015 às 18:26

A "compreensão das causas" é um método narrativo com o objectivo de transferir culpas para os inimigos da esquerda marxista.

São só apenas um pouco mais polidos que a Ana Gomes.

Nada mais.
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De Pedro Correia a 13.01.2015 às 18:38

Qualquer um consegue ser mais polido que Ana Gomes. Excepto o Pulido Valente.
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De Pedro Almeida a 13.01.2015 às 19:09

A mutilação genital feminina não tem nenhuma origem religiosa, é sim de origem tribal africana. Os países africanos onde essa prática é mais comum até são predominantemente católicos.
Fica o reparo.
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De Pedro Correia a 13.01.2015 às 21:30

Irrelevante para o caso. Não trago aqui a questão religiosa - de tal maneira que realço no meu texto o cobarde assassínio do polícia muçulmano.
O que me interessa aqui não são clivagens religiosas mas fracturas civilizacionais. Há certas linhas que não podem ser transpostas em nome da "interculturalidade".
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De Paulo Sousa a 13.01.2015 às 22:55

Um filosofo, julgo que foi Kant, distinguiu que o que é legal pode ser imoral e vice-versa. O que é moral varia de pessoa para pessoa, ou de grupo de pessoas para grupo de pessoas, mas a lei é universal. Individualmente podemos considerar o aborto, o casamento gay, a eutanásia, etc, como sendo imorais mas aceitamos viver num país em que isso possa ser legal. E isso não é aceite por estes terroristas nem pelos seus instigadores. Tal como na Idade Média e ainda hoje nas ditaduras e nos regimes autoritários essa diferença não existe. Os líderes medievais assim como os dirigentes dos regimes autoritários eram e são donos da moralidade. Por isso temos de colocar no mesmo saco a Inquisição e os clérigos radicais muçulmanos. Uns organizavam autos de fé e os outros apelam ao assassinato de infiéis. O que aconteceu em França foi um auto de fé, não contra uma mulher a quem chamavam bruxa mas contra uns tipos que faziam uns desenhos provocadores e que até tinham pouca tiragem. Quem quiser 'compreende-los' inventando justificações para os inquisidores, ou para os carrascos que apenas cumpriram ordens, que o faça mas o que assistimos em Paris foi ataque medieval aos valores ocidentais.
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De Pedro Correia a 14.01.2015 às 11:45

Um auto-de-fé, sim. Por isso o paralelo é correcto, Paulo. E a repugnância que tal acto nos suscita é semelhante. A diferença é que dantes atiravam-se pessoas para as fogueiras, agora fazem-nas explodir em locais públicos acionando telemóveis à distância ou liquidam-nas com rajadas de kalachnikovs

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