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Obesidade mórbida

por Paulo Sousa, em 26.02.20

Olhando para o site da Direcção Geral do Orçamento e comparando a relação de grandeza entre o total da despesa pública e o PIB no ano de 2019, podemos afirmar que a riqueza produzida no país deixou de ser consumida pelo estado apenas no dia 23 de agosto pelas 12 horas e 14 minutos.

Neste rectângulo à beira mar plantado nunca o contribuinte luso foi chamado a contribuir com tanto para os cofres do estado. Podemos por isso afirmar com toda a propriedade que vivemos tempos históricos.

Esta data é simbólica mas serve para provar o excessivo peso do estado na vida dos seus cidadãos. Infelizmente não inclui todo o esforço que temos de despender para cumprir com todas as burocracias que nos são impostas.

A título de exemplo basta imaginar quantas horas terão sido gastas nestes últimos dias a conferir e validar facturas no portal das finanças? Cada contribuinte ou agregado terá consumido no mÍnimo duas ou três horas a fazê-lo, e a partir daí basta fazer as contas.

Fosse o estado um daqueles clérigos glutões tão bem descritos por Eça e estaria à beira de uma apoplexia.


20 comentários

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De Vorph "ги́ря" Valknut a 27.02.2020 às 08:36

Excelente pontaria. Andamos a "fazer" , durante umas horas, de fiscais das finanças
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De Paulo Sousa a 27.02.2020 às 14:23

Pois.
Já tive um patrão que quando estava satisfeito me dava palmadas nas costas. Eu olhava para o recibo de ordenado e via sempre o mesmo.
Este glutão obeso põe-nos a trabalhar de borla e nem um alento figurado merecemos. Ele que vá à fava.
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De Luís Lavoura a 27.02.2020 às 09:11

Nenhum contribuinte individual é obrigado a conferir e validar faturas no Portal das Finanças. Só o faz quem quer.
(As empresas são um caso diferente.)
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De Vorph "ги́ря" Valknut a 27.02.2020 às 17:36

Tem razão. Aliás grande parte da "malta" nem IRS precisa de fazer
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De Anonimus a 27.02.2020 às 21:01

Na verdade, ninguém é obrigado a fazer o que seja
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De Paulo Sousa a 28.02.2020 às 09:13

Entrando na lógica do que defende parece que o tempo desperdiçado pelas empresas a desempenhar tarefas não remuneradas, e que por isso oneram a respectiva actividade, não tem importância.
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De Anónimo a 27.02.2020 às 09:19

Considerando que tem inteira razão, o peso do "estado" é grande na economia do país no entanto gostaria de saber se você sabe quanto desse peso foi e é alocado a pagar ainda para a generalidade da banca falida excluindo a CGD.
O "nosso" PM anunciou 800 milhões para o SNS (para tapar buracos) e estamos em Fevereiro e a propósito do Carnaval o novo banco já veio pedir mais 1000 milhões, desde a suposta venda á estrela solitária já foram quase (com estes) - 3000 milhões
Agora os xuxas querem fazer mais um aeroporto dê por onde der para entregar a uma empresa privada monopolista (antes era publica e monopolista, dava lucro e não aumentava taxas) e esta gana toda deixa-me a pensar...

WW

P.S. 1 - A Renault apresentou prejuízos pela 1ª vez em 10 anos (10 anos) e tratou de logo de pôr a circular na imprensa um plano de reestruturação, o mui liberal governo do senhor Macron já veio dizer que podem cortar em tudo menos nos postos de trabalho em França...
É por estas e outras que eu adoro "liberais democratas"...

P.S. 2 - Ontem ouvi 5 min da entrevista do edil de Lisboa na parte onde falava sobre o projecto de "corte" de trânsito no centro da cidade, eu só gostava de saber em que escola é que estas pessoas andaram para chegarem longe na vida (não excluíndo os jornalistas obviamente) e se paga propinas para lá andar ou também temos direito a borlas.
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De Paulo Sousa a 27.02.2020 às 20:09

Está a dizer-me que o obeso gasta muito e gasta mal? Concordo.
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De jo a 27.02.2020 às 09:55

A ineficiência do Estado é exasperante, mas convém não esquecer que só no dia 31/12 à meia noite deixa de se utilizar dos seus serviços.

Exigir bons serviços públicos sem impostos é querer sol na eira e chuva no nabal.
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De Vorph "ги́ря" Valknut a 27.02.2020 às 14:35

Vá explicar isso aos que se vêm obrigados a adquirir seguros de saúde em virtude do caos /inexistência de cuidados básicos de saúde (friso - oferta não implica disponibilidade em tempo medicamente recomendado). Vá explicar isso aos que vivem em permanente insegurança por causa do fecho de esquadras (no Alentejo chega a haver um carro patrulha da GNR para patrulhar 200 km). Vá explicar isso ao contribuinte, etc, que já viu serem metidos na Banca mais de 5 mil milhões de euros.
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De Anónimo a 27.02.2020 às 16:27

O Pedro tem razão á excepcção da injecção de dinheiro na banca falida, já la vão mais de 20 mil milhões em 10 anos e estes são só as injecções directas fora os custos indirectos de gestões ruinosas que alastraram a outras empresas algumas das quais ainda geravam empregos e lucros e impostos para o estado.
Se fosse no tempo do PPC , o governo já teria caído e a revoçução socialista / popular posta em marcha com um passarinho a cantar aos ouvidos de um qualquer xuxa chavista , madurista.

WW
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De jo a 28.02.2020 às 11:19

Talvez se o SNS não andasse a subsidiar as empresas que beneficiam dos seguros de saúde privados com concessões de serviços, tivesse dinheiro para melhorar, mas assim sempre temos um mundo mais justo: A saúde a quem a pode pagar.

Não leu as recomendações da troika, era preciso cortar no número e no vencimento dos funcionários públicos, no dinheiro para investimento, porque vivíamos acima das nossas possibilidades. Ninguém disse que era preciso cortar na banca ou na corrupção, isso era desempregar aqueles funcionários que nos vieram ajudar. A banca era segura e confiável e os nossos gestores são tão bons que têm direito a prémios até quando perdem dinheiro.
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De Paulo Sousa a 28.02.2020 às 12:42

Jo,
Continuo à espera que me expliquem porque é que chamaram esses patifes da Troika.
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De Vorph "ги́ря" Valknut a 28.02.2020 às 13:17

Milagre, respondeu. Obrigado.

Explique-me porque é que os médicos se recusam a ir trabalhar /preencher vagas em Hospitais do Interior, sabendo, aqueles, que irão ser melhor pagos, e ter outras regalias, atribuídas, frequentemente, pelas autarquias, como habitação, etc? A culpa é dos Privados ou da gestão caótica do SNS? Explique-me lá, porque é que o Estado continua com o regime de médicos avençados /outsourcing? Onde é que entram aqui os Privados?

Os seguros de saúde têm sido adquiridos pelos cidadãos da, designada, classe média baixa, porque consideram que o SNS deixou de dar resposta à maioria dos quadros clínicos que os leva a procurar cuidados médicos (ex:como já aqui disse, 3 semanas, em média, para uma TAC, RM, ecografia, para patologias/quadros clínicos não urgentes, mas cuja morbilidade impede, frequentemente, os pacientes de levarem uma vida normal, piorando, à posteriori, de forma não dispicienda, o prognóstico /recuperação - ex: numa situação ortopédica o atraso no diagnóstico /tratamento pode implicar um período de fisioterapia mais longo e portanto mais dispendioso para Estado).

Quanto ao resto estou de acordo. Vivemos num regime Capitalista. Os Bancos deveriam falir, ficando salvaguardados os depósitos até 200.000€ (acima do limite actual). Se são" too big to fail "não devem ser entregues a Privados, tal como os Monopólios naturais o não devem ser. O que falta no Estado português é uma política de responsabilidade individual. Ou seja, em se provando má gestão da coisa pública deveria existir suspensão /despedimento e não esta ginga joga de serem, os funcionários públicos, mudados de serviço (ex: quando fazem "porcaria" passam das Câmaras, para as Empresas Municipais ; quando criam buracos nas empresas municipais, estas são assumidas pelas Assembleias Municipais, porque a todos os Partidos dá jeito ; quando esgotam o limite legal de mandatos, como autarcas, passam para presidentes das Assembleias Municipais, quando jantam fora pedem recibos para pôr como despesas de representação....).

Há Lodo no Estado

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De Anónimo a 29.02.2020 às 08:59

Pior Jo, continuamos a viver acima das nossas possibilidades mas para o funcionalismo instalado a teta contínua a jorrar leite e por incrível que pareça os funcionários públicos mais beneficiados são os que menos riscos e sobrecargas de trabalho têm.
Como entender que exista uma parte significativa da população que apenas trabalhe 35h por semana e receba bem mais do que quem trabalha 40h.
Os serviços publicos estão de rastos, nem no tempo da troika e os impostos sempre a aumentar.
Quando acabar o dinheiro dos outros, chama-se outra troika e os xuxas farão como se nada fosse, talvez uma abstenção violenta...
A banca é um bordel que paga com favores a quem a protege.

WW
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De Anonimus a 27.02.2020 às 16:50

Onde estão esses "bons serviços"?

O tipo que mora em Lisboa pode descontar tanto como o que mora em Serpa, mas tem serviços melhores. E mais investimento.
Entretanto, quem quer qualidade de vida, paga ou lerpa. Transportes, saúde. Luxos como prática desportiva para crianças, paga! Já papeladas inúteis e à distância de um clique, isso sim precisa-se. A pagar.
Depois temos um governo a mandar-nos desligar o aquecedor (claro que fiscalizar obras 'tá quieto) e usar o comboio em vez do carro. Perguntou-me o que aconteceria se, amanhã, os portugas da linha de Sintra ganhassem consciência ambiental e começassem a usar o txu txu em vez de se meterem naquelas carbonicas filas de trânsito. Talvez o Medina saiba responder.

(tou azedo, deve ser porque este é o mês de um dos mais estúpidos dos impostos, o I u c.)

(ou será porque andaram aí uns cartéis a gamar a malta, e para aprenderem, vão ter de pagar... ao Estado?)
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De jo a 28.02.2020 às 11:10

Os nossos liberais têm uma fé imensa no mercado, parta eles o dinheiro move o mundo. Exceto quando se refere ao Estado. Aí o mundo tem de se mover sem dinheiro.
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De Vorph "ги́ря" Valknut a 28.02.2020 às 13:19

Já para não falar de que o Estado serve, a muitos, de meio para irem, mais tarde e sem currículo, trabalhar para o Privado.
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De Anonimus a 27.02.2020 às 10:35

Seria interessante alguém esmiuçar como se gasta o guito
É que ninguém sabe.
Depois aparecem tretas como os consumos intermédios, as gorduras e outras tangas.
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De Paulo Sousa a 27.02.2020 às 20:21

Se descobrissem um poço de petróleo debaixo de cada rotunda e assim se conseguisse multiplicar as receitas o défice regressaria rapidamente.
A máquina sempre ávida por dinheiro consegue sempre ajustar-se a um aumento, ligeiro que seja, de receita, e o contrário não é válido.
Há sempre mais uma ideias visionária, mais um estudo, mais um plano ou uma medida. É fácil ser generoso com o dinheiro dos outros.
Já todos ouvimos que andamos há anos a receber da UE muitos milhões de contos, e depois de euros, por dia. Mesmo assim foi possível duplicar o peso da dívida em relação ao PIB em menos de dez anos e ainda fazer bingo com uma falência das finanças públicas.
Se há coisa que Portugal e os seus governantes conseguem ultrapassar o desempenho médio mundial é em torrar dinheiro. Merecem uma .vénia

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