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O voto dos emigrantes

por Cristina Torrão, em 22.07.19

Mesas de Voto.jpg

Peço desculpa pelo atraso, pois as eleições europeias já lá vão. Mas não quis deixar de citar um artigo do PT Post (jornal português na Alemanha, antigo Portugal Post), na sua edição de Junho. E isto porque, em Portugal, se sabe muito pouco sobre os portugueses que vivem no estrangeiro, das suas preocupações e dos seus problemas.

Exercer o direito de voto é, por exemplo, um grande problema, pelo menos, para quem vive na Alemanha, desde que acabaram com o voto por correspondência. E, afinal, o assunto é actual, pois as próximas eleições estão à porta. Para quem se pergunta porque só cerca de 2 ou 3% dos portugueses na Alemanha votam, aqui vai um excerto do artigo:

«A organização das eleições para o Parlamento Europeu na rede consular na Alemanha mereceu forte consternação e contestação por parte dos conselheiros das comunidades da Secção Local do Conselho das Comunidades Portuguesas (CCP) na Alemanha, expressas em missiva aos governantes, deputados e diplomatas portugueses antes da realização do acto eleitoral».

«O objecto de descontentamento dos conselheiros foi o número limitado de mesas de voto destinadas a esta eleição (quatro, uma por secção consular na Alemanha) especialmente face ao que alegaram ser a facilidade de desdobramento de mesas face à existência do Consulado Honorário em Munique, do Escritório Consular em Hatterheim no Meno, de várias Antenas Consulares e ainda Permanências Consulares em diversas cidades».

Os conselheiros questionam inclusive «se há por parte das Instituições em Portugal interesse em que as Comunidades se afirmem na sua participação cívica e de cidadania (…) Manuel Campos, uma figura muito conceituada da emigração na Alemanha, e antigo sindicalista e diplomata pela Alemanha no Brasil (…) levantou ainda a questão se “existe um único cidadão em Portugal que esteja disposto a viajar 400 km para exercer o seu direito de voto”».

Quatro mesas de voto num país com quase 350 000 km² de área? Devem estar a brincar connosco.

Eu, por acaso, até tenho sorte: "só" preciso de andar 60 km (para cada lado) para ir votar…

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10 comentários

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De Teresa Ribeiro a 22.07.2019 às 11:05

Inacreditável, Cristina. Se não se trata de desprezo, é o que parece.
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De Luís Lavoura a 22.07.2019 às 11:26

desde que acabaram com o voto por correspondência

Quando acabaram? E porque acabaram?

(Tenho um colega austríaco, que vota sempre por correspondência para as eleições austríacas.)
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De Cristina Torrão a 22.07.2019 às 12:03

Os emigrantes portugueses deixaram de poder votar por correspondência, para as eleições portuguesas, como antigamente. Confesso que não sei quando isso aconteceu.

http://www.cne.pt/faq2/113/6

Fala-se na introdução do voto electrónico, mas ainda não há nada de concreto.
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De Cristina Torrão a 22.07.2019 às 12:06

P.S. Os emigrantes portugueses nos países da UE podem optar por votar no país de acolhimento, nos partidos locais (eu, por exemplo, poderia ter votado numa mesa de voto alemã, perto da minha residência, claro, mas tendo apenas os partidos alemães como opção).
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De Cristina Torrão a 22.07.2019 às 12:08

P.S. 2 Desculpe, o que disse no comentário anterior só é válido para eleições europeias ou autárquicas.
(os emigrantes portugueses não podem votar nas autárquicas portuguesas, só se estiverem inscritos em Portugal, como residentes em Portugal).
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De António a 22.07.2019 às 13:32

Essa situação é absurda. Seria o equivalente a, em Portugal, só haver mesas de voto em Lisboa e Porto - qualquer dia será assim, calhando.
Conheço quem não faça 400 metros para votar, quanto mais 400 quilómetros.
400 bofetadas merecem os crânios que passam horas a discutir as razões metafísicas para a abstenção dos emigrantes, mais os políticos que “lamentam”. Eu não conhecia essas situações, mas parece que a razão da abstenção é óbvia.
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De Cristina Torrão a 22.07.2019 às 18:54

Mais uma vez se prova como os políticos são hipócritas.
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De Anónimo a 23.07.2019 às 10:44

Disse muito muito bem sr.António, uns não querem andar 400 metros quanto mais 400 kms.
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De João André a 23.07.2019 às 15:15

No meu caso (na Holanda) acabei por votar nos partidos holandeses (aqui há uns anos até me deu um deles como o mais próximo das minhas posições europeias em toda a UE). A alternativa era ir a Haia (230 km de carro) embora me tenham enviado uma carta a indicar que até poderia votar por correspondência. Ainda assim, na Holanda enviaram-me simplesmente um passe de voto com o qual podia ir simplesmente votar à mesa da minha cidade.

Há uma outra curiosidade: não sei se será possível, mas ir votar a Liège, Bruxelas ou Düsseldorf seria mais próximo. Ridiculamente, até Luxemburgo seria mais próximo para mim que Haia. Só não sei (ainda) se seria possível.
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De Cristina Torrão a 24.07.2019 às 15:00

Obrigada pelo seu testemunho, João André.

Eu não votei, mas depois arrependi-me por não ter ido votar num partido alemão. Era pertinho de casa e, pelo menos, tinha dado o meu contributo contra a extrema-direita.

Pois, também não sei se podemos votar noutro país, mas diria que não, que temos de o fazer no país onde temos domicílio.

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