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TV Marcelo avariou

por Tiago Mota Saraiva, em 09.01.16

 

Reconheço-lhe a inteligência. Apreciava ouvi-lo como um contador de estórias - ainda que tantas vezes efabuladas. Sempre prezei menos a sua acção política, não porque esteja nas minhas antípodas, mas porque fez da intriga e da dissimulação um instrumento central da sua forma de intervenção.
A estratégia de Marcelo está a fazer desta campanha eleitoral um momento novo, em que a direita parece órfã. Depois de secar a hipótese de outra candidatura proveniente do PSD ou CDS, Marcelo convenceu-se que devia fazer toda a campanha como se perfilhasse ideais de esquerda para mendigar os votos que lhe faltam.
Ora esse contorcionismo só podia ser bem sucedido se fosse honesto ou se não tivesse contraditório. Ou seja, implicava que Marcelo declarasse a dissidência do campo político em que toda a sua vida militou ou que os seus adversários abdicassem de o confrontar.
A coisa até não correu mal no início. A comunicação social sempre lhe foi simpática e ninguém ousava confrontar o candidato que parecia fazer um passeio triunfal para Presidente da República. Contudo a estratégia verificou-se insustentável assim que houve algum confronto com os outros candidatos.
O desempenho do "professor" no seu território, a televisão, foi muito mau. Marcelo perdeu todos os debates com os candidatos mais directos. Ao seu contorcionismo ideológico opunham-se-lhe citações e declarações passadas. Em resposta, Marcelo colocou-se na posição confrangedora de desmentir o que era factual, chegando a renegar as intenções de uma petição que havia encabeçado recentemente.
Parece-me difícil que a sua estratégia traga frutos eleitorais em algumas franjas de esquerda, mas estranho o total silêncio da direita. Será admissível ignorar o que diz o candidato, confiar-lhe o seu voto, ainda que tenha a certeza que regressará às suas posições originais?


1 comentário

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De sampy a 09.01.2016 às 16:38

Acusar alguém de falta de espinha a partir de uma visão fossilizada só pode ser elogio.

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