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O Síndrome do Robocop

por Maria Dulce Fernandes, em 29.08.19

20190829_203225.jpg

O plástico é uma praga.
A máxima de Lavoisier está incompleta. Nem tudo se transforma. Depois de convertida em plástico, a natureza perde a degradabilidade e consequentemente a capacidade de criar vida a partir do pó em tempo útil. Nenhum de nós tem o poder de viver mais de 500 anos para ver extinto todo e qualquer vestígio de pegada ecológica deixada pela poluição devastadora provocada pelo descarte de artefactos de plástico e derivados.
No nosso afã para mantermos a durabilidade das coisas pela arte da plastificação, deixamos de parte a única variável fundamental a qualquer equação em que a incógnita seja a introdução no corpo humano de matéria orgânica polmérica sintética, ou qualquer outra preparação criada in vitro que permita obter uma melhoria no desempenho e na longevidade do corpo.
Qualquer tentativa de plastificar a vida tem apenas resultado na sua anulação.
Qualquer “arte" plástica a que se submeta o corpo tem somente o sucesso efémero que a gravidade lhe permite. É tão normal a nova e renovada forma ficar disforme em curto tempo.
É por isso que, numa época em que toda a informação está disponível em tempo real para quase toda a gente, como se explica o uso e abuso de substâncias “plastificadoras" que incrementam a fisicultura, ao ponto de se morrer por ela?


52 comentários

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De Vorph Valknut a 29.08.2019 às 21:29

Os arqueólogos destaparam corpos antigos rodeados de flechas, arcos, machados. Sinais da sina desses tempos. Sérios, num sénior silêncio, pousaram esses restos mortais. Como nos acharão, a nós, os arqueólogos do futuro? Ossos, ladeados por bolsas de silicone, presumo, que muitos deles. Temo que ao silêncio lhe suceda a gargalhada. Sinais da sina destes tempos. Não mais estoiramos em ais, mas em gaitadas.
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De Maria Dulce Fernandes a 29.08.2019 às 21:58

Bolsas de silicone. Músculos petrificados e não decompstos. Porcas e parafusos... pensarão os arqueólogos que acharam a múmia do Robocop, Pedro.
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De Vorph Valknut a 29.08.2019 às 22:08

A preocupação passou do outro, para este mundo. Estranhamente a gravidade não nos deu seriedade. E ao trazemos para baixo o paraíso mais sentimos o abismo. Ao contrário de Diógenes, não procuro o Homem, mas a lembrança de deus, nele. Para onde olhar? Em frente, ou para o alto?
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De Maria Dulce Fernandes a 29.08.2019 às 22:23

Que tal olhar para dentro ? As respostas estão em nós, só espero que as não encontremos rarde demais.
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De Vorph Valknut a 29.08.2019 às 22:28

A verdade vem com a morte. É ela a balança da vida.
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De Maria Dulce Fernandes a 29.08.2019 às 22:30

Melhor seria ser a vida a sua própria balança, mas o seu fiel desnorteia facilmente.
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De Vorph Valknut a 29.08.2019 às 22:45

Sentimos tanto mais a beleza, quanto mais nos sabemos efémeros. E nesta era egotista, julgamo-nos donos do tempo e do relógio. Na ilusão da intemporalidade, prometemo-nos a um tempo que jamais será nosso. Adiamo-nos, esquecidos, acordamos atrasados. Oxalá o sono tudo cure.
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De Anónimo a 30.08.2019 às 12:45

Sentimos, sabemos, julgamo-nos, prometemo-nos, Adiamo-nos, acordamos.

Excluo-me, obviamente.
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De Maria Dulce Fernandes a 30.08.2019 às 13:17

Eu não posso... tenho implantes oculares e ( em breve) facetas de cerâmica. Se uns eram absolutamente necessários, as outras nem tanto.
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De Robinson Kanes a 30.08.2019 às 09:27

Esses corpos eram de verdadeiros heróis, de lutadores que sem redes sociais, necessidade de aceitação e ainda sem sofás faziam alguma coisa (nem sempre bem) pelo mundo onde viviam... Esses sim, são corpos interessantes.

No futuro, a arqueologia não se vai preocupar com o vazio :-)
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De Maria Dulce Fernandes a 30.08.2019 às 10:18

Exactamente RK.
A arqueologia infelizmente não irá perceber porque é que o vazio de conteúdo se apresenta demasiado cheio.
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De Anónimo a 29.08.2019 às 21:30

Cara Maria Dulce, sigo com bastante atenção a sua prosa, as suas vivências e experiências que por aqui nos vai deliciando, mas não posso deixar de comentar este seu parágrafo:

"Na nossa afã para mantermos a durabilidade das coisas pela arte da plastificação, deixamos de parte a única variável? fundamental a qualquer equação em que a incógnita seja a introdução no corpo humano de matéria orgânica polmérica sintética, ou qualquer outra preparação criada in vitro que permita obter uma melhoria no desempenho e na longevidade do corpo."

Não percebi patavina o que quis dizer. E depois, "...única variável fundamental..." como pode sequer afirmar com tanta certeza que é mesmo a única variável?

De resto, é um prazer ler os seus pensamentos.

CarlosC.
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De Maria Dulce Fernandes a 29.08.2019 às 21:56

Viva Carlos. Muito agradeço que aprecie ler os meus pensamentos.
Nós " plastificamos" tudo. Como raça dominante, "plastificamos" os outros animais. Para comer enchemo- los de antibióticos, agua e conservantes corantes etc. Para nos vangloriarmos da superioridade caçamo-los e embalsamamo-los para não se deterioriarem... Como raça inconsequente, "plastificamo-nos" a nós, com botox, com próteses, com injeções de hormonas modificadas e esteróides...
A variável fundamental e única que descartamos quando avançamos para a "arte plástica" é a que demonstra que o corpo humano não é "plastificável" . Pode dar algum conforto ilusório por algum tempo, mas como é sobejamente demonstrado, a reacção que secunda uma acção irreflectida costuma ser desastrosa.
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De Anónimo a 30.08.2019 às 12:33

Obrigado pela paciência, trocou por míudos e ja entendi onde queria chegqr
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De Pedro Oliveira a 29.08.2019 às 21:50

Cara Maria Dulce,
O histerismo dos plásticos é mais um, como a dor do talo de couve quando cortado com uma faca afiada.
Não existem plásticos com 500 anos.
Aquilo que daria origem ao plástico apareceu no segundo quartel do séc. XIX.
Tenhamos calma, provavelmente, vai aparecer uma "lixívia" qualquer que elimina todos os vestígios do plástico.
Quanto à segunda parte, mais do mesmo e as senhoras que colocam uma bolsa de silicone dentro do peito flácido? ou que colam umas unhas postiças em cima de unhas verdadeiras?
Enfim.
Viver rápido, morrer belo.
É uma máxima como outra qualquer.
Pensando na "inqualidade" de vida que têm os nossos idosos não é mal pensado de todo (acredite lido com muitos/com alguns deles, sei daquilo que estou a falar).
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De Vorph Valknut a 29.08.2019 às 22:18

Sim, não tenhamos medo da desgraça do presente. A ciência dar-nos-ás um futuro presente. Gozemos, por agora, o fogo.
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De Maria Dulce Fernandes a 29.08.2019 às 22:20

Sim, Pedro Oliveira, e as senhoras que se plastificam com silicone, botox, etc.e que passados un anos ficam umas batatas porque a pele perde a elasticidade?
Prefiro morrer tarde e feia do que me envenenar com alquimias.
Não sou espartana; corpo, cultura e poder não fazem o meu género.
E sim, a degradibilidade do plástico está estimada em cerca de 600 anos. Quando inventar a tal lixívia, com certeza que a mesma não irá actuar nas toneladas de plástico aterradas.
Pelos idosos é importante fazer tudo o que possa aumentar a sua qualidade de vida, desde que não se deteriore ainda mais o avanço da idade.
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De Vorph Valknut a 29.08.2019 às 22:31

Dulce, estoiremos com tudo. Não tarda teremos Marte.
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De Maria Dulce Fernandes a 29.08.2019 às 22:57

Hollow and stuffed, men and women... mesmo
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De Anónimo a 30.08.2019 às 13:20

Espero bem que sim.....Marte
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De kika a 29.08.2019 às 22:45

A plastificação está longe de ser uma " tara " exclusivamente feminina.
Senhoras que colocam uma bolsa de silicone dentro do peito flácido e
homens que colocam uma bolsa dentro de testículos flácidos.
Esta última plastificação está coberta de um tabu desconcertante. Será tabu ?
ou outra coisa mais complexa ?
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De Maria Dulce Fernandes a 29.08.2019 às 22:55

Tabu... flacidez, ausência, pequenez, atrofio, etc. mas sem nunca assumirem a prótese de testículo, kika.
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De anonimo a 29.08.2019 às 23:37

Não é bem assim, Pedro Oliveira.
As senhoras que colocam uma bolsa de silicone dentro do peito flácido ou que colam umas unhas postiças em cima de unhas verdadeiras, sendo corpos estranhos não são de maneira nenhuma perigosos para a saúde dado não entrarem na corrente sanguínea.
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De Maria Dulce Fernandes a 29.08.2019 às 23:44

Não deixa de ser um artificialismo, mas é verdadeiro o que diz.
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De kika a 30.08.2019 às 00:27

Desculpe mas não é bem assim.
Quem não se lembra do escândalo das próteses defeituosas e
altamente tóxicas que vitimaram tantas mulheres ?
O risco zero não existe no que diz respeito a estas intervenções e respectivos
produtos. ( curiosamente não me recordo de próteses de testículos defeituosas ).
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De Maria Dulce Fernandes a 30.08.2019 às 00:39

Nunca há risco zero em cirurgias invasivas, kika. Melhor mesmo é não as fazer se não forem necessárias à qualidade da saúde de cada um.
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De kika a 30.08.2019 às 00:50

É igualmente o meu sentimento.
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De Anónimo a 30.08.2019 às 14:10

Há casos de rotura das bolsas que dão reacções inflamatórias importantes e casos de desenvolvimento de tumores como linfomas...
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De Maria Dulce Fernandes a 30.08.2019 às 16:38

Frequentemente, apesar das bolsar salinas serem mais seguras do que as de silicone.
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De Bea a 29.08.2019 às 23:30

É que não faço mesmo nenhuma ideia:). Para mim foi um plástico qualquer que lhes subiu à moleirinha. Morrer por parvidades destas não é só um desperdício, é criminoso.
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De Maria Dulce Fernandes a 29.08.2019 às 23:43

Tão verdade Bea. Morrer até poderá não ser o pior dos malesl
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De Bea a 30.08.2019 às 02:58

nesta vida morre-se muito e de muita maneira. Este afã de bem parecer cria pequenos e grandes monstros. Primeiro por dentro e quanta vez por fora. A dor que estes desaires envolvem.
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De Maria Dulce Fernandes a 30.08.2019 às 10:21

Infelizmente morre-se sempre, mas nem sempre da melhor maneira, Bea. Há quem acelere o processo com más escolhas como o culto do belo (??) Levado ao exagero.
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De Anonimus a 30.08.2019 às 07:59

Isto acerca do actor(?) que está em coma porque abusou da seringa?
O país vai acordar para o uso de substâncias para "cuidar" do físico. Acordar... fazer barulho, quiçá legislar, e no fim fica tudo igual. Pode ser que cheguem à tanga que é o impacto positivo do treino de alto rendimento que se faz nos ginásios na saúde das pessoas.
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De Maria Dulce Fernandes a 30.08.2019 às 10:24

Também, Anónimo. Isto é acerca das escolhas terríveis que se fazem para poder fazer parte.
E provavelmente não irá haver qualquer legislação nesse sentido.
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De Anonimus a 30.08.2019 às 10:43

Anonimus, sff ;)

Fazer parte do quê, ao certo?
Nunca percebi bem o isso do culto do corpo, e sempre fui um desportista ávido (até em excesso).
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De Maria Dulce Fernandes a 30.08.2019 às 10:52

Tem razão, Anonimus.
Será que "arranjar" o nariz, as maçãs do rosto, por exemplo ou fazer um implante mamário ou um six-pack abdominal é condição para se ter status social?
Qualquer actor/actriz, socialite ou aspirante a tal , por muito obscura que seja a sua condição, basta "ir ao bisturi" e é logo notícia. Muitas vezes de capa de revista. Lamentavelmente verdadeiro.
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De Anónimo a 30.08.2019 às 11:21

Um triste qualquer (nem interessa quem, nem o que faz) fez más escolhas, mal informado ou até bem informado mas menosprezou as consequências. Faz-se um equilíbrio do bem e do mal e às vezes corre mal.
Tenho pena sim. Mas foram também as suas escolhas, pelas quais mais ninguém é responsável, por muito que tenham "ajudado", seja o ginásio, sejam os "colegas", a profissão, o serviço nacional de saúde que agora o vai tratar...
Lamentável é a quantidade de abutres que falam na televisão, escrevem nas revistas, nos blogues, nas redes sociais para conseguirem na arrancar um bocado de fama da carcaça de quem está no chão.
Casos desde acontecem todos os dias, há anos e anos e quase sempre com substâncias ilegais ou administradas ilegalmente. Daí, não é preciso legislar.
Se calhar devia-se legislar sobre os abutres...
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De Maria Dulce Fernandes a 30.08.2019 às 11:36

Por definição, abutres serão todos os que não atacam de frente, aprovetam-se apenas dos despojos pela calada, porque nas suas escolhas não incluiram manutenção de espinha dorsal.
Anónimo também poderá ser um bom exemplo.
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De Anónimo a 30.08.2019 às 16:27

diz o roto ao nu, porque não te vestes tu?
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De Maria Dulce Fernandes a 30.08.2019 às 16:39

Quem se assumir como roto, que atire a primeira pedra.
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De s o s a 31.08.2019 às 00:09

Esta é uma daquelas questoes em que o senso comum nao tem duvidas. Desde logo porque o senso comum se compoe de adultos e adultos seniores, pessoas nao dadas a extravagancias tais, sendo que uma ou outra acaba por pecar, por experimentar.

Portanto é uma nao discussao, chover no molhado, podendo até a publicidade abrir os olhos, incentivar outros a faze-lo.

Eu preferia ver um estudo a dizer : este ano "drogaram-se " mil, mas no ano seguinte ja so serao 800, e continuara a decrescer.... ou seja, o mundo a andar para tras.
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De Maria Dulce Fernandes a 31.08.2019 às 00:52

sos, sabia que as próteses penianas e as testeculares nos homens, e as blefaroplastias e retidoplastias nas mulheres são feitas na sua grande maioria por adultos seniores?

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