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O regresso do corredor de fundo

por Pedro Correia, em 12.03.16

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Foto Manuel de Almeida/Lusa

 

António José Seguro fez ontem anos. Mas recebeu a prenda de aniversário na véspera, com uma enchente na sessão de apresentação do seu livro que ultrapassou certamente as melhores expectativas, tanto do autor como dos responsáveis da sua editora, a Quetzal.

Cheguei à Universidade Autonoma à hora assinalada, 18.30. Já não consegui entrar no duplo auditório, cheio até à porta. Outro auditório, em que foi instalado um plasma destinado a acompanhar a sessão, encheu também. E o corredor e vestíbulo anexos transbordavam de gente à procura do livro e de uma oportunidade para rever o ex-líder socialista.

Muitos não conseguiram. À hora aprazada os exemplares postos à disposição do público pela editora já se tinham esgotado. Veio outra remessa, que voou igualmente em poucos minutos. E teve de vir uma terceira para muitos enfim adquirirem a obra, aguardando um autógrafo.

Bem à portuguesa, não tardaram as piadas. "Ao menos este livro tem compradores reais, ao contrário do que sucedeu com outro", dizia alguém, logo suscitando gargalhadas em redor. O ambiente era de confraternização e bonomia. "Isto vale mais do que uma sondagem", anotava um ex-deputado socialista.

 

Não havia apenas gente do PS. Apareceram o ex-Presidente da República António Ramalho Eanes, apontado por Seguro como figura exemplar da democracia portuguesa. E sociais-democratas como Pedro Santana Lopes, Aguiar-Branco, José Matos Correia, Duarte Pacheco. E democratas-cristãos como Mota Soares, Diogo Feio, Nuno Magalhães. Comunistas no activo, como António Filipe, que tive o prazer de cumprimentar. E ex-comunistas, como Cipriano Justo. E Luís Fazenda, do Bloco de Esquerda. Além de vários independentes, como António Bagão Félix, Luís Moita, Henrique Monteiro, João Bilhim e Viriato Soromenho-Marques, um dos apresentadores do livro.

Mas, claro, a grande maioria dos presentes vinha das fileiras socialistas - políticos no activo ou antigos deputados e ex-dirigentes federativos: não via muitos deles há anos, falei com vários como se nos tivéssemos encontrado de véspera. Francisco Assis, Jorge Coelho, Alberto Martins, Álvaro Beleza, Carlos Zorrinho, José Magalhães, Manuel Machado, Vítor Baptista, António Braga, Ricardo Gonçalves, Fernando Jesus, Jamila Madeira, António Galamba, Óscar Gaspar, Manuel dos Santos. Ferro Rodrigues não faltou. Do Governo estavam os ministros João Soares e Manuel Caldeira Cabral, e os secretários de Estado José Luís Carneiro e Jorge Seguro.

Revi amigos de longa data, como o Aloísio Fonseca e o Carlos Pires. E cumprimentei também com gosto o Luís Bernardo, um dos maiores experts portugueses em comunicação: raras pessoas conhecem tão bem o PS por dentro como ele.

 

Entre a multidão nem consegui falar ao editor. Mas o meu amigo Francisco José Viegas só podia estar satisfeito. Vou a muitas sessões de lançamento de livros e garanto-vos que não é vulgar haver uma atmosfera como esta - em número e diversidade de pessoas, e em genuíno interesse pela obra, que condensa o essencial da tese de mestrado do ex-secretário-geral socialista na Autónoma, sob o título A Reforma do Parlamento Português.

Seguro mereceu esta prenda de aniversário antecipada: corredor de fundo em vez de velocista, é um dos políticos com mais qualidades humanas que conheço. O abraço que por falta de tempo não pude dar-lhe nesse início de noite de quinta-feira segue agora aqui.


6 comentários

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De ali kath a 12.03.2016 às 22:18

politicamente
'corredor defunto'
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De Pedro Correia a 12.03.2016 às 22:23

Em política, as certidões de óbito costumam ser apressadas. Como este caso também demonstrará.
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De ali kath a 13.03.2016 às 10:25

é por isso que não crente e acredito na ressurreição
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De Pedro Correia a 13.03.2016 às 10:33

Nada mais apropriado. Ainda por cima com a Páscoa tão próxima.
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De Octávio dos Santos a 13.03.2016 às 20:17

E em que tipo de ortografia, caro Pedro, está este livro escrito e impresso?
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De Pedro Correia a 13.03.2016 às 21:04

Infelizmente, meu caro Octávio, está impresso em acordês. Apesar de eu saber que o autor tem uma perspectiva crítica do AO90 e da forma como foi "implementado".

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