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O regresso da ideologia

por Paulo Sousa, em 24.09.20

A chegada da IL ao hemiciclo permitiu o regresso do saudável e saudoso debate ideológico ao espaço público.

Durante demasiado tempo, sempre que dois políticos se encontravam à frente das câmaras de uma televisão discutiam apenas a espuma do dia. Fora disso, o melhor que conseguiam era garantir que conseguiriam vedar as sempre incontinentes contas públicas, o que nunca foi mais de que uma redonda mentira.

Como já foi aqui referido pelo nosso colega José Meireles Graça, há poucos dias na SIC Notícias debateu-se a proposta da IL para a adopção de uma taxa única de IRS. Além da proposta em si havia como pano de fundo as declarações proferidas pelo Dr. Anacleto no seu programa da SIC. O deputado da IL, João Cotrim Figueiredo, acusou-o nas redes sociais de ter mentido e deturpado o conteúdo da proposta de flat rate. Esse foi o tema de arranque do debate. No decorrer da troca de argumentos o deputado bloquista enredou-se nas suas fintas semânticas e, provavelmente sem dar por isso, confirmou a mentira do seu chefe. Nada de novo para um conselheiro do Estado Português.

Olhando com atenção, dá para apreciar ainda a forma como o jovem delfim de Louçã afirma que esta proposta não é esta proposta, porque 'eu é que sei bem o que lhe vai na alma'. Esta é uma técnica que consiste na recusa do debate e avança para o julgamento moral. É populismo mas do bom. Se fosse usado pela direita seria asqueroso.

Eu, que gosto de enquadramentos históricos, gostaria de lembrar ao mano mais novo do Daniel Oliveira (aquele que faz rir) que nesta conversa ele assumiu a defesa da situação, ou seja, a defesa de um sistema fiscal que lhe permita (sem óculos escuros ele não consegue esconder a chispa) acabar com os ricos, mas que na prática nos empobrece a todos.

Já aqui referi que os partidos da esquerda unidos à volta do OE, constituem as forças conservadoras da actualidade. O BE e o PCP, os acólitos do PS, são tão coerentes como um apenas um revolucionário conservador poderá ser. Admito que tenham consciência do ridiculo, mas não conseguem resistir a uns biscoitos de reforço positivo.

Os irrecuperáveis vinte anos de estagnação económica, que marcarão estes anos da nossa vida, estão ligados a este modo de esmifrar a riqueza produzida pelos portugueses.

Li não sei onde que o debate político deverá trazer sempre à liça o passado, o presente e o futuro. Estes três diferentes tempos não deverão ter sempre o mesmo peso nas decisões, mas nenhum deverá ser humilhado. Os socialistas que há décadas nos governam são uns amantes obsessivos do presente. Eles desprezam o passado e odeiam o futuro. De facto, eles são os inimigos do futuro. Para os socialistas, em troca do poder imediato não existe nenhuma questão de princípio que não seja negociável. Manter o poder é a sua ideologia. É o seu alfa e o omega. Por ele, tudo.


8 comentários

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De Zeco Elho a 24.09.2020 às 11:57

No fundo eu concordo consigo. Os nossos adversários ideológicos são sempre desonestos e só querem o poder, não se preocupando com o bem estar dos cidadãos. Nós é que somos honestos e damos valor ao bem estar dos nossos compatriotas. Temos de pregar moral a esta gente.
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De Paulo Sousa a 24.09.2020 às 12:24

Tem razão.
Mas não se esqueça de outra coisa. Insistir em repetir na mesma fórmula, que não funciona, e esperar resultados diferentes... não é inteligente.
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De balio a 24.09.2020 às 14:44

Você chama-se Zeco Elho? Eu acho que há um músico brasileiro chamado Zeca Baleiro.
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De JAB a 24.09.2020 às 12:25

Como diria o Sapateiro de Braga: "Contra facta non valent argumenta..." E por textos com este é que vale a pena vir diariamente ao DO. Obrigado.
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De Zeco Elho a 24.09.2020 às 14:33

Refere-se ao meu texto?
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De Adalberto a 24.09.2020 às 22:25

Começa com um debate saudável entre Cotrim e o Cotrim, atira o Anacleto para o meio do debate saudável, diz você, entre um subalterno do Anacleto e o Cotrim e de repente vira o debate para o BE, o PCP, os acólitos do PS com biscoitos à mistura. Depois só pode dar no que deu. Agora não a nada a fazer, creio eu, só se for com carvão activado.

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