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(Teodorico e Alpedrinha por Rui Campos Matos)

 

Foi-se a ministra, orgulhosamente lesbiana, a Guadalajara, decerto que com adido à ilharga – mas não a Cuernavaca com o necessário Cônsul, estou disso certo – e por lá resmungou algo, sobranceira a portugueses, Portugal e seus jornalistas e jornaleiros. Entretanto, cá longe, noutro “lá fora”, ando eu a reler, 35 anos depois, o “Relíquia”. Eça não é, diz quem sabe, o Zola, o Balzac, muito menos o Flaubert, mas é o que temos, e ainda que me solavanque o encanto – tetrali o “Os Maias” por causa do filme de João Botelho, e disso me apercebi, já nada adolescente ou vinteanista, franzindo o meu cenho ao traço grosso da caricatura que escorrega daquele Ega – continua uma delícia.

 

Enfim, perorava a ministra lá em Guadalajara quando o Raposão, o bom do Teodorico, me aportou a Alexandria, naquela sua ímpia, pois humana, peregrinação à então Terra Santa. Logo se acolheu ao afamado e recomendado “Hotel das Pirâmides”, deparando-se com um patrício (onde é que não há um português?), “moço de bagagens e triste“, ali algo desvalido dados os infortúnios de amores e impensares, o Alpedrinha, figura ímpar do panteão queiroziano, mais que não seja por aquela sua sábia e monumental saída, que em mim habitava sem lhe recordar a autoria (“Tu já estiveste em Jerusálem, Alpedrinha?“, perguntou-lhe o Teodorico, “Não senhor, mas sei … Pior que Braga, algo que talvez tenha acicatado aquele Luiz Pacheco). Chegava-se pois, no mesmo fim-de-semana da ministra no México, o bom do Teodorico às terras da Esfinge e, lá de tão longe, responde à sáfica governante: “E se o cavalheiro trouxesse por aí algum jornal da nossa Lisboa, eu gostava de saber como vai a política.”, atreveu-se o Alpedrinha. “Concedi-lhe generosamente todos os “Jornais de Notícias” que embrulhavam os meus botins“, logo concedeu o malandrote.

Isto nem em Cuernavaca lá iria. Quanto mais em Guadalajara.


52 comentários

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De lucklucky a 27.11.2018 às 17:18

Os revolucionários matam-se uns aos outros, já há muito é o que nos diz a História.
Os jornalistas promoveram-na para servir a causa agora têm o que merecem.

Esperem por o dia em o regime começar a punir e perseguir jornalistas por não serem o suficiente politicamente correctos. Esse dia vai chegar.
Claro já chegou ás redacções há muito, mas falo de legislação, não a punição dos pares.
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De Anónimo a 28.11.2018 às 00:25

Já lucklucky critica os jornalistas por não serem politicamente correctos o suficiente ao revelarem verdades inconvenientes para escumalha como lucklucky.
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De jpt a 28.11.2018 às 08:20

Anónimo, eu insisto, os insultos devem ser assinados, mesmo quando dirigidos a anónimos
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De Anónimo a 30.11.2018 às 23:14

Então o lucklucky deve assinar com nome completo e número do CC sempre que insultar jornalistas?
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De jpt a 28.11.2018 às 08:19

Os jornalistas têm imensos defeitos e os seus jornais (e agora radios e tvs e sítios digitais) respingam essas iniquidades. Mas nós, alpedrinhas, bem que vamos ler os enxovalhados e até algo engraxados velhos exemplares
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De Luís Lavoura a 27.11.2018 às 17:55

Alpedrinha é a terra de Guterres. Em tempos idos eu quando por lá passava comprava lá uns queijos de estalo.
Guadalajara é uma cidade em Espanha que foi local de uma relevante batalha na Guerra Civil.
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De Pedro Correia a 27.11.2018 às 22:55

Alpedrinha não é a terra de Guterres. Você, ignorante, insiste em falar do que não sabe.
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De jpt a 28.11.2018 às 08:22

Eu não sei de onde seja António Guterres. Mas aproveito para avisar que "Alpedrinha" não existe, é uma personagem ficcional criada por uma escritor do século XIX, conhecido como Eça de Queirós (Queiroz na versão original, seguida por alguns puristas)
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De Luís Lavoura a 28.11.2018 às 09:21

Alpedrinha existe, é uma aldeia no sopé leste da serra da Gardunha.
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De Luís Lavoura a 28.11.2018 às 09:20

Tem razão. Peço desculpa. Mas lembro-me de que havia um político português que era de Alpedrinha ou que lá passou a infância. Quem era?
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De Joao Luis a 28.11.2018 às 19:01

O Lavoura continua a espalhar-se.

António Guterres é de Lisboa (Freguesia de Santos). O pai (Sr.Virgílio Guterres era de Donas (Freguesia do Fundão). Alperdinha não é aldeia mas sim Vila.

Foi sede de concelho até princípios do Séc XX, quando as suas freguesias a norte da Soalheira (Incluindo esta freguesia) passaram a fazer parte do Município do Fundão e as a Sul da Soalheira passaram para o Município de Castelo Branco.

A personalidade mais famosa de Alpedrinha, foi D.Jorge Costa o famoso Cardeal de Alpedrinha.

Políticos famosos do Séc XX eram do outra freguesia mais a Norte, Alcaide terra de João Franco e de Cunha Leal (este por adopção)


Leão do Fundão
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De jpt a 29.11.2018 às 08:20

Obrigado pelo preciso esclarecimento
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De Anónimo a 29.11.2018 às 22:29

Ó Lavoura, desculpe lá vir aqui implicar consigo, tarde e a más horas, mas esta Guadalajara fica no México, ali junto ao célebre The Wall (não, não é o dos Pink Floyd, é o do Trump).
Está lá a decorrer uma Feira do Livro e Portugal é o país convidado. Assim sendo, foram todos (muitos) para lá.
A família do Guterres é das Donas, mesmo junto ao Fundão; da mesma terra é também a família do Hermano Saraiva.
Alpedrinha é uma vila bem bonita, conhecida como a Sintra da Beira.
E o Pedro Correia pode confirmar que tem uma bela piscina...
Qual foi a sua nota a Geografia, Lavoura?

Maria

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De Sarin a 27.11.2018 às 18:20

Explicadíssimo, caramba! A Ministra só levou Luís Onofre registered, e toda a gente sabe que botinhas dessas se enrolam em vogues, não em jornais...
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De jpt a 28.11.2018 às 08:23

Não sei quem seja o referido, fiquei sem perceber
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De Sarin a 28.11.2018 às 08:32

Ah, jpt, anda ele a exportar coisas tão in e o jpt anda tão out...


https://luisonofre.com/product-category/fw2018/
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De jpt a 29.11.2018 às 08:21

sapatos? Confesso que fiquei surpreendido, não alcançara ...
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De Sarin a 29.11.2018 às 08:44

Ouvi há uns tempos que, quando algumas das nossas mulheres polítcas (não percebi porquê apenas elas) vão em representação diplomática, se vestem e calçam com estilistas portugueses. Não sei se será verdade, mas pareceu-me bonito que um representante da Cultura Portuguesa o fizesse, homem ou mulher.
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De jpt a 29.11.2018 às 08:58

Não fazia mínima ideia, e como não conhecia a marca julguei (honestamente) que estava a aludir a um dos escritores (que eu desconheceria) na comitiva literária.
Mas o que refere sobre a tendência nacionalista das vestes das governantes portuguesas aquando no estrangeiro é uma delícia - como referi nesta caixa de comentários muito se fala, atabalhoadamente, de criticar a ideologia e as práticas machistas, muito agit-prop e muita lábia, e depois reproduzem os estereótipos - os rapazes vestem-se como querem e as meninas levam os trapos e as socas nacionais, que é para anunciantes que lhes servem os corpitos - seja lá qual for a sua preferência sexual. Isto seria risível se não fosse miserável.
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De jpt a 29.11.2018 às 08:58

Não foi nesta caixa de comentários que aludi a isso, mas para o caso pouco importará
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De Sarin a 29.11.2018 às 13:49

Não faz, de todo; até porque várias vezes lhe aludi aqui no DO a ditos seus no Fé, e o inverso provavelmente também.


Um exemplo simultâneo do primeiro-damismo e do trajar

https://www.movenoticias.com/2015/06/carlos-gil-lisonjeado-com-condecoracao/
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De jpt a 29.11.2018 às 15:27

Sim, um bom exemplo. Mas a estas coisas não há genderismo que chegue.
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De Sarin a 29.11.2018 às 16:11

Gendarmismo?
Porque o passo alinhado, seja contra ou a favor, e a uniformização das palavras feitas palavras de ordem, palavra de honra que o fazem recordar...
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De jpt a 29.11.2018 às 16:44

Esse teclado está hoje particularmente afinado, gendarmismo é um bom contributo ...
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De Sarin a 29.11.2018 às 17:10

O teclado agradece a gentileza.
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De Sarin a 29.11.2018 às 09:10

Aqui tenho uma leitura um pouco distinta: os rapazes não fazem o que querem, simplesmente não têm grande opção pois enredados no formalismo do fato-e-gravata.

Sou a favor da divulgação dos nossos criadores lá fora e cá dentro, mas não por sistema - afinal, vivemos num mundo global, e que raio de mensagem passamos se só vestirmos nacional?
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De jpt a 29.11.2018 às 09:16

É uma pacóvia sucessão de estereótipos, se o que me diz corresponde efectivamente à realidade. Induzir que as senhoras saiam com vestes produzidas no país e não aplicar o mesmo aos senhores - independentemente das diversas práticas do trajar, marcadas pelos diferentes géneros (já de si uma prática distintiva) - é o ridículo. E se as pessoas atreitas às "causas fracturantes" o seguem será totalmente ridículo.
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De Sarin a 29.11.2018 às 09:35

Subscrevo inteiramente, desde o nacional-tamanhinho ao inclusivismo afinal seguidista.

Num postalito recente no meu burgo, falei sobre a aberração de clamarem por uma Língua inclusiva para os LGBTTT mantendo o G de Gay no panorama?!


Duas ressalvas:
O uso dos modelitos nacionais foi veiculado várias vezes, mas não associado a Graça Franco; tal associação foi ironia minha, e espero que o tom usado o reflicta.
Estou muitas vezes do lado da fractura, saltando em cada passo a ver se quebra. Não significa que salte quando e como todos, pois que felizmente se pode concordar com os fins discordando dos meios.


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De jpt a 29.11.2018 às 09:43

É perceptível que não está a imputar a Graça Fonseca a aceitação dessa prática publicitária.
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De Sarin a 29.11.2018 às 09:47

Ainda bem. Nada tenho contra a maledicência, mas não me perdoaria ser causa de boatos infundados, ainda mais sobre pessoas concretas.
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De Bea a 27.11.2018 às 18:57

Pois eu que até simpatizo com a ministra, não achei elegante aquele desabafo.. Um português sente-se ao ouvir o que até, quiçá, seja em grande parte verdade. Mas dito assim, sem mais...de Guadalajara para aqui...não sei se se chama coragem se desabafo infeliz. Haja sentido de Estado que Guadalajara merece e a gente também. Ainda não inventaram cursos de bom senso para ministro? Ora esta.
Cada povo tem o seu escritor mais refinado. E Eça é-o sem dúvida. À portuguesa. E não o comparo com nenhum estrangeiro que Eça é ele só e somos nós que o sabemos entender e valorizar.
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De jpt a 28.11.2018 às 08:24

Cursos de formação para ministros (e secretários de estado), com disciplina nuclear "introdução ao bom senso"? Belíssima ideia.
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De Anónimo a 27.11.2018 às 23:09

Boa noite. Posso estar enganado, mas creio que António Guterres tem origens familiares numa localidade chamada - "Donas".
Há uma saída da A23 que vai lá dar.
António Cabral
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De jpt a 28.11.2018 às 08:24

Ora nem mais
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De Anónimo a 28.11.2018 às 00:22

E ao lado Topsius:--Bela dama,bela dama...
Também petiscaste Alpedrinha ? --Também petisquei.
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De jpt a 28.11.2018 às 08:25

Um deboche, aquilo tudo (o Topsius é uma delícia de gozo ao estereótipo)
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De Anónimo a 29.11.2018 às 01:19

Uma delícia.
Topsius,eruditíssimo,tomou logo nota do poeta Calcinhas,autor do fado mais plangente.
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De jpt a 29.11.2018 às 08:22

Um erudito, incansável
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De Anónimo a 29.11.2018 às 10:32

Se o Sr. Luís Lavoura desaparecesse a malta ficava com a vida completamente ás escuras...
Assim, vale a pena seguirmos este blogue e este "cantar ao desafio" que já estava em vias de extinção...
Ó prosa bôua...!
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De Peregrino a Meca a 30.11.2018 às 15:56

Posso ser um pouco lento, mas que raio tem a ver a orientação sexual de uma ministra com tudo isto? Ainda mais para ser referido duas vezes... estou perdido ou isto é só homofobia da mais banal?

aviso à navegação: respostas do tipo "não tenho nada contra homossexuais, até tenho vários amigos" ou "tudo bem desde que não o mostrem a toda a gente" é homofobia. Basta substituir "homossexuais" por "pretos"
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De jpt a 30.11.2018 às 17:29

Lento de compreensão e peregrino, anónimo ainda por cima? Enfim, é o desgraçado mundo em que vivemos, com gente assim que temos que sofrer. Agora arrogante sobranceiro, a deixar "avisos à navegação" sobre como se lhe deve responder, como se dotado de algum estatuto-mor? Olhe, vá à meca ...
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De Peregrino a Meca a 03.12.2018 às 10:42

Bem, fica respondido suponho.

Tendo em conta o nível, ficaria tentado de deixar aqui o meu último comentário a um post do meu conterrâneo bruxelense.

No entanto, por demais tentadora que essa perspectiva seja, infelizmente não é uma opção. Tendo em conta a visibilidade do DdO, dado o seu estatuto e o seu numero de leitores, não se pode deixar passar comentários como o seu como se tratasse opiniões válidas.

A homofobia não é uma opinião, é uma falha moral com consequências muito serias. Falha que neste post, sem mais explicações, parece alimentar.
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De jpt a 03.12.2018 às 11:56

Quase-vizinho/a? Não colhe, mesmo nada, essa proclamação da imoralidade alheia quando se escreve em público, num espaço (o país onde tecla, o país que acolhe este blog) democrático, de forma anónima. V. pode proclamar (denunciar) uma ilegalidade cometida por outrem de forma anónima, mas não uma imoralidade. Falar embuçado tem esse custo, "mandar bocas" na internet desse modo tem limites, e um deles é esse. Pois a afirmação de uma moral (ou de um item moral) sempre presume a identidade (moral, também) do seu autor. Para aquela ser cotejada com a sua moral própria (e sempre particular).

Mas já que é algo-vizinho adianto-lhe algo mais sobre a sua pose: V. vem aqui (ao tal blog com muita visibilidade, segundo diz) e faz uma pergunta (discordante, mas que não o fosse). E põe condições à resposta. E eu pergunto-me de onde vem esta arrogância, anónima. Sim, por vezes isso, este modo de inquirir, surge, entre amigos, entre conhecidos, em contextos profissionais - mas entre pessoas que se conhecem ou se podem reconhecer. Onde essa imposição pode acolhida com simpatia (até jocosa) se entre amigos ("não me venhas com coisas" p. ex), ou entendida como necessária em contextos profissionais ("tem X minutos para responder", "responda à questão X mas não à Y", p.exs.). Agora, num espaço público, alguém surgir anonimamente (já de si, como várias vezes aqui se disse, uma forma indelicada de participação) a interrogar e mal-criadamente impor condições para a resposta? V. tem a mínima noção da arrogância que exsuda? E injustificada, pois um anónimo nunca tem um estatuto prévio que invoque ou mesmo convoque a santa paciência com que tantas vezes temos que aturar a arrogância alheia.

Ou seja, algo-vizinha/o, não tivesse V. escrito com a mão na anca, eu ter-lhe-ia respondido, e teria sido fácil. Pois na caixa de comentários do meu postal anterior uma outra comentadora tinha-me feito pergunta similar, e de modo até substantivamente mais provocatório. Também ela anónima, imagine. Mas como provocou, até com acinte, mas sem mão na anca, respondi-lhe, de modo até longo e se calhar fastidioso, num triplo comentário com 4 pontos. Bastar-me-ia copiar e transcrever para aqui. Não fosse essa sua arrogância, essa que se calhar, e especulo, julga moral.
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De Peregrino a Meca a 03.12.2018 às 22:14

Ok, vamos la ver se percebi correctamente (já expliquei que sou lento).
1. Anonimo: mau, muito mau
2. Anónimo e acintoso: péssimo, mesmo péssimo
3. Anónimo e mão na anca: inqualificável. Perde direito a opinar, comentar ou discordar. Qualquer argumentação não passa de uma mera tentativa de colocar-se num plano moral superior e enxovalhar de forma arrogante o seu interlocutor. A não ser que esteja de acordo com ele, claro

No entanto, tendo em conta que se deu ao trabalho de me escrever uma resposta demorada ao meu comentário (se bem que à sua forma, não ao seu conteúdo), parece-me justo ser recíproco e dar-lhe algumas explicações (que é certo, não pediu).
A forma, que adjectiva como arrogante, se bem que considera permitida no caso de um comentário não-anónimo (?), não foi intencional. A razão de ser foi para evitar entrar no debate mencionado (“não sou racista porque tenho amigos pretos”). Tendo em conta o nível dos seus posts suponho que não entraria por aí, mas visto que não o conheço, melhor pareceu-me prevenir. Sempre ajuda à eficácia do debate e da (in)utilidade de continua-lo. A descrição de “mão na anca” é engraçada e bem encontrada. Se bem que talvez algo misógina (refiro-me a forma, a si evidentemente não o conheço e não poderia opinar), mas não vou insistir pois suponho que descarrilaria a conversa.
Quanto à anonimidade, é uma escolha consciente e assumida. Não tenho interesse nem vocação de comentador, opinador ou coisas que tais na praça pública (pelo menos até hoje). A minha imagem pessoal decidi guarda-la para mim desde muito cedo. Não aspiro a ter uma “vida na internet” pelo que não tenho blog (ou algo que se possa chamar de tal), faço um uso parcimonioso do facebook e não tenho conta twiter nem instagram. Claro que isso impede-me de fazer hasta pública das minha opiniões, virtudes e ódios pessoais. Pois assim seja.
No entanto, assumo também uma atitude seria. Estou-me borrifando para manobras retóricas; não tenho uma “imagem” a defender. Não recorro ao insulto (pelo menos a não ser que seja muito provocado). E utilizo sempre o mesmo pseudónimo, que, tanto quanto sei, só eu utilizo. É, portanto, fácil seguir o “fio à meada” dos meus comentários, estejam eles ou não ligados (pode fazer uma pesquisa pelo meu pseudónimo no DdO se tiver paciência para tal). Assim, a noção de anonimidade é relativa. Considero que esta seriedade me dá direito a “opinar” ou “mandar bocas”. Pode sempre discordar. Pode até “censurar” os meus comentários como fazem outros blogs e eu não mais tenho que de aceitar. Mas as regras do DdO não são essas e eu respeito as suas regras: não insulto, não desqualifico, não acuso sem (eu achar que haja) razão. O meu comentário, a meu ver, é justificado. Sem outra explicação, que foi o que eu lhe pedi, o seu post exsuda homofobia (uso o seu termo). Não se trata da minha moralidade pessoal, com o sem nome próprio, e que não reivindico, Trata-se do seu texto.
A modo de epilogo, pregunto-me porque a utilização de um indeterminado de género (“vizinho/a”) quando o meu pseudónimo e “peregrinO" e o meu comentário inicial começa por eu sou “lentO"?
PS. Tentei honestamente encontrar a sua resposta à questão nos posts precedentes. Não encontrei. Se não estiver demasiado incomodado, agradecia-lhe que me indicasse onde encontrar. Estou genuinamente interessado.
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De jpt a 04.12.2018 às 14:25

A lentidão é muitas vezes um sinal de sageza, não servindo para colmatar ininterpretações. E estas são, acima de tudo, decisões. V. interpreta como decide interpretar, e não vai só nisso. E para a sua interpretação torce o que digo, como é visível no início deste seu último comentário. Pois em nenhum momento eu valorizei (ou valorizo) a concordância comentadora em detrimento da discordância. E, fundamentalmente, nunca considerei a atitude anónima "inqualificável" - sim, tenho presente que o termo convoca uma menorização mas a questão coloca-se mesmo, no estreito âmbito do bloguismo mas também para o resto, na necessidade da sua qualificação. Há algum tempo deixei aqui um texto sobre isso, que acho suficiente para explicitar a minha posição sobre isso, a minha (des)qualificação do acto anónimo no bloguismo (da qual eximo quem queira blogar artisticamente, mas isso é outro registo, ainda que os limites possam ser, por vezes, fluídos - como quase sempre o são) https://delitodeopiniao.blogs.sapo.pt/os-embucados-10304409

Quanto ao que me diz sobre a "personalidade na internet", o facto de não a querer criar e por isso optar por uma alcunha ("nick" no velho jargão bloguístico). É a sua opinião. Para mim ter a tal "personalidade de internet" é mesmo seguir essa opção. O resto - escrever em blogs, como bloguista ou comentador, ou estar nas redes sociais - é ter uma personalidade, no interior da qual também (sinal dos tempos) se escreve na internet. E é também essa a diferença: não se ter uma personalidade da internet, no sentido de assinar o que se bota, implica uma continuidade, mesmo que tantas vezes incoerente, entre o que se bota aqui e fora daqui, salvaguardando os diferentes registos (eu não faço postais intimistas, por exemplo), temáticas e retóricas (de há anos para cá que noto que sou muito mais sisudo em blog do que ao vivo, por exemplo). Ainda assim eu não tenho uma "personalidade de internet", sou o mesmo gajo ao teclado conectado e fora dele. E uma alcunha não passa por isso. E depois há outra dimensão que, se calhar por já estar eu velho, aprecio: se V. me vir passar no Bozar ou na Flagey poderá dizer (se o entender) para quem o acompanhe "aquele patrício é um imbecil homofóbico", num "ele que não se sente à nossa mesa". E eu não poderei fazer o inverso. Dirá V. que não lhe interessa conhecer/pesquisar a identidade dos bloguistas (um "quem é quem"). E eu perceberei, também não é algo que eu persiga (tique de bloguista, sigo as ligações de comentadores que remetem para os respectivos blogs, não as outras). Mas é a atitude, em abstracto, que é valorizável.

Claro que este tipo de mal-estar com o anonimato se potencia quando surgem invectivas discordantes. Um "parabéns pelo texto", "gosto muito do que escreveu" anónimo convoca menos rejeição do que essas invectivas. Mas não mais do que um mero "não gostei" ou similar.
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De jpt a 04.12.2018 às 14:35

Quanto ao que me torna a perguntar sobre a homofobia, e assim imoralidade, que o texto apresenta. O texto não é homofóbico. É menosprezador da figura em causa, desprezador se se quiser ser mais correcto. Filiado no desprezo profundo que eu eu sinto por qualquer indivíduo que aceite ser membro de um governo pejado de coniventes e cúmplices de José Sócrates. E potenciado - se isso é ainda me é possível - pelas patetices que esta nova ministra faz jorrar desde que ascendeu ao posto. Eu expliquei isso nos comentários de um postal que foi muito comentado, sobre touradas - https://delitodeopiniao.blogs.sapo.pt/touradas-vitoria-ou-morte-10389887

Como ficou espartilhado entre vários comentários, pois o meu comentário é longo (teve que ficar em três comentários) e ficou intercalado por vários outros que se iam sucedendo, repito-o. Em mera transcrição, portanto a sua inteligilidade depende em pouco do diálogo sobre aquele postal que decorria nos comentários. Mas acho que será suficiente para perceber a minha ideia:
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De jpt a 04.12.2018 às 14:37

Aqui está a resposta à comentadora que inquiria sobre o porquê da referência às opções da política homossexual:

1. Eu blogo há muitos anos, V. não conhecerá isso, mas permito-me invocar isso. Terei escrito muitas asneiras. Mas nunca aludi às práticas estritamente pessoais, e nesse âmbito sexuais, de alguém. Para o caso destas temáticas homossexuais vou invocar até alguns episódios: nos velhos tempos do bloguismo intervi, por mensagens privadas, junto de dois bloguistas que conheço, activistas dos direitos homossexuais e então BE (depois, claro, PS), que faziam nos seus blogs o que o jargão apelida de "outings forçados", a tétrica "denúncia" da presumível homossexualidade de "políticos de direita". Ficaram um bocado atrapalhados e apagaram os postais. Mas mostra a atitude, a deles e a minha. Um outro bloguista, defensor dos direitos homossexuais, um conhecido fervoroso socialista - e até muito elogiado neste DO - fazia, anos depois, a chccarreira alusão aos "solteiros" do PSD, nomeando-os. Também pontapeei isso, em público, pois o homem é por demais execrável para suscitar qualquer trato privado. Vamos lá deixar-nos de rodeios, são alguns dos mais conhecidos políticos e opinadores homossexuais que fazem vil uso das "práticas sexuais" alheias. Recordo-lhe um texto que coloquei já aqui no DO, o "Viva Spacey" - não me lembro de ver referências a textos de militantes portugueses da causa homossexual a defender o actor, vergonhosamente queimado nesta vaga de moralismo actual, aquecida por evidente homofobia.
Já lá acima, nesta caixa de comentários, tenho um pateta anónimo a invectivar-me de homófobo, a fazer alusões à minha vida conjugal. Esta é a perversão típica dos militantes de baixo nível, do estribilho.
Ou seja, não aludo a quaisquer práticas sexuais privadas da senhora, nem tenho que o fazer, nem aceito que esse seja o caminho da discussão.
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De jpt a 04.12.2018 às 14:42

2/3. Graça Fonseca na condição de governante anunciou a sua condição de homossexual, e explicitou que o fazia enquanto acto político. Escrevi então (acho que aqui também), e face aos ataques que ela sofreu (um pouco na linha dos que Fernando Rosas fez ao dirigente do CDS que também afirmou a sua homossexualidade), que eu considerava legítimo - e até saudável - que alguém presente na vida pública sentisse que a sua publicitação das suas opções sexuais e afectivas contribuiria para a redução da discriminação (que já não descriminação, felizmente) dos cidadãos e para a generalização do bem-estar, e que actuasse nesse sentido.

Agora o que isso tem como corolário é a que política em causa passou por isso a colher particular simpatia e apoio por parte de grupos de opinião homófilos. E que o escrutínio do seu percurso e das suas actividades não é totalmente alheio a isso. Já não está na moda em Portugal (mas se calhar ainda aparecerá de novo,e a curto prazo) que alguém apareça a reclamar publicamente, a afirmar uma identidade política e a colher apoios por isso, a sua heterossexualidade liminar vivida num contexto de monogamia radical. Eu não sou adversário da heterossexualidade, nem do casamento indissolúvel e monopolizador da sexualidade ("vive e deixa viver"). Mas se alguém (imaginemos um façanhudo doutor de fato azul e gravata com muito padronizadas riscas) vier à liça reclamar essa mui católica identidade (política), sendo saudado por políticos e opinadores ligados ao jornal "O Diabo", a Associação das Famílias Extensas, conhecidos activistas da Opus Dei e etc, e até por um outro eclesiástico, ele passará a ser escrutinado politicamente em função dos apoios políticos que esses sectores lhe dão, e que ele, explicita ou implicitamente, convocou.

Fonseca (que tinha uma boa imagem pública em termos de competência), depois de colher esse apoio extra dos grupos homófilos, ascende a ministra. Eu julgo que isso é fruto de uma estratégia pessoal, ambiciosa. E penso, com muito mais certeza, que o PS capitalizou essa sua osmose com grupos com grande repercussão mediática para a instalar nesse meio socioprofissional , o qual, repito, tem grande impacto mediático (mesmo que com muito menor efectiva relevância sociológica), ainda para mais em vésperas de ciclo eleitoral, e na sequência de um ministro com falta de habilidades políticas. E o que é interessante, lateralmente, é que a homossexual afixada é enviada para o domínio da cultura (mas não para outros mais "ríspidos" e "produtivos" sectores). O que ecoa a velha mentalidade machista - sobre isso escrevi, há muitos anos, um blogotexto chamado "primeiro-damismo", se não estou em erro: sobre a ilegalidade e ilegitimidade cultural de constituir "casais presidenciais" com a falsa "primeira-dama" a cumprir as velhas funções atribuíveis às mulheres nas famílias burguesas de antanho, as referentes à domesticidade - filantropia/caridade/assistencialismo; lavores, modas e bordados; a educação das crianças desvalidas; o apoio à mitra; um pouco de artes e culturas. E agora surge o mesmo na lógica da ascensão do "género" homossexual, no seio da esquerda portuguesa: a primeira homossexual (declarada) põe-se na cultura. (...).
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De jpt a 04.12.2018 às 14:48

4. Finalmente, e o mais relevante, até estritamente associado ao conteúdo do postal [que é sobre a questão das touradas]: Fonseca ascende a ministra, impulsionada e/ou protegida pela sua militância homossexual. Como tem sido ela? Que fundamentos para o seu exercício que possam ilegitimar a referência à sua ascensão como suportada no homofilia?

Eu tenho uma co-bloguista, também ligação-FB, que não conheço pessoalmente, que é quadro das instituições culturais estatais, sendo de esquerda (à esquerda da ministra, percebe-se) e que tem a dignidade (e coragem) de, apesar da condição profissional, escrever publicamente sobre o desajuste do olhar e dos discursos da ministra. Outra das minhas ligações-FB, pessoa muito bem informada e boa pensadora, publica um discurso da ministra apelando à Gulbenkian para reinstalar a rede de bilbiotecas (com incidência digital), esquecendo que o seu ministério gere uma vasta rede com esse conteúdo - isto é o mesmo que o ministro da defesa faça um apelo a que instituições privadas montem forças armadas. Ou que o ministro da saúde apele à iniciativa privada para que replique a rede de centros de saúde (oops, o que seria na esquerda, no PS, nos grupos homófilos, se um governante de "direita" dissesse isto), ou da educação fizesse o mesmo para a sua tutela (idem). Isto mostra uma pungente ignorância sobre o seu sector, das instituições públicas e sobre a área da tutela.

Avançou para questão das touradas - e de que maneira, com o paleio "civilizacional", ecoando o mais vácuo dos evolucionismos oitocentistas, uma incultura vergonhosa, bem pior do que a dos violinos de Chopin que o outro descobriu. Vamos lá a ver, a senhora potenciada pelos grupos de pressão de tendências sociais particulares que veio trazer para a sua área de influência/tutela? A questão dos direitos dos animais, da ecologia. Veio ela com um discurso agregador, indutor de produções e consumos culturais e até educacionais, para que a sociedade portuguesa reflicta e actue face aos grandes, enormes e até revolucionários desafios que se colocam ao país, à Europa e ao mundo todo, as questões ecológicas, o aquecimento, a industrrialização, os combustíveis, as práticas de consumo, a globalização, etc? Veio ela articular com o ministério do Ambiente, até com a secretaria de Estado da Cooperação (e Negócios Estrangeiros), com as câmaras municipais, com o Ministério da Educação, com as instituições para-estatais ou estatais ou privadas?

Nada disso, na tal política de cabotagem, veio criar a confrontação com núcleos sociais e o desconforto com outros, em prol de um conflito que, se importante, não é fundamental. É apenas uma "causa fracturante" e a sua postura é efeito de uma visão da política que muito se afirmou nas últimas décadas, em torno destes tais grupos urbanos que se imaginam radicalizados no seu imenso conformismo. No seu efectivo reaccionarismo. Esta mulher, que só diz asneiras sobre as matérias que tutela neste curto espaço de tempo que leva de ministra - criticar as touradas e enganar-se quanto ao Sado, demonstra bem a pequenez da intensidade com que conhece a área geográfica (e assim social) taurina, mostra muito mais do que uma gaffe, essa que a todos pode acontecer. Mostra um desconhecimento essencial sobre aquilo que a levou a actuar - é nitidamente um epifenómeno deste mundo de associações de interesses, destas aparentes "fracturas". E é por isto que esta sua condição de "propagandista do lesbianismo" é um factor relevante no escrutínio das patacoadas que vai dizendo e fazendo. [Porque é evidente que lhe é molde da visão política, de actuação política].
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De Sarin a 04.12.2018 às 16:02

Pronto, lá vou eu rebater o anonimato... mas antes, obrigada pela leitura do acinte como provocatório mas não irritante, e ainda menos de mão na anca.

https://sarin-nemlixivianemlimonada.blogs.sapo.pt/mapa-do-burgo-22724
(os tais textos compilados de que lhe falei recentemente noutro postal)

https://blogs.sapo.pt/profile?blog=sarin

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