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O que parte dos que nos ficam

por Ana Cláudia Vicente, em 01.11.15

wassily-kandinsky-toussaint.jpg

 

 [Wassily Kandinsky, Toussaint, 1911]

Há qualquer coisa valiosa nisto de nos importarmos fundamentalmente com o mesmo de modos tão diferentes. Pensei-o ao ler o post sentido da Isabel. E apeteceu-me falar do outro viver a morte que ela enuncia. Eu vivo desse outro modo os que nos ficam depois de partirem. Presto culto aos mortos. Esses ritos, mais velhos que a nossa própria espécie, gestos agora feitos da limpeza de uma pedra, da deposição de uma flor, de uma oração, a mim fazem-me sentir ligada ao que é ancestralmente humano.

É um sentimento bastante primário, e de certa forma comunitário: lembro os meus e os que conheci não só por estes dias, mas nestes de outra maneira; lembro também os que pelos mesmos dias ou nas mesmas horas viveram noutro tempo coisa semelhante. E sim, há algo escuro e perturbador nessa religação. Também o há na meditação física e metafísica que ela oferece. Olhar o que parte dos que nos ficam pode ser isso - uma outra maneira de os deixar viver em nós.

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6 comentários

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De Maria a 01.11.2015 às 19:14

Partilho o seu pensamento.
Foi exactamente ontem que junto à cova de meus queridos pais me senti mais perto deles ... E sou uma criatura das Ciências!
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De Ana Cláudia Vicente a 01.11.2015 às 21:58

Grande ascendente têm estas (re)visitações sobre os ânimos de alguns de nós, Maria.
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De Pedro Correia a 01.11.2015 às 22:09

http://delitodeopiniao.blogs.sapo.pt/4200356.html
(gosto de ver-te novamente por cá, Cláudia)
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De Ana Cláudia Vicente a 01.11.2015 às 22:34

Releio o teu post com a mesma muda identificação de há anos, Pedro. Ainda bem que aqui mo lembraste.
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De Helena Sacadura Cabral a 02.11.2015 às 22:36

Sinto algo semelhante ao que descreves no teu post. O tempo - e quase diria os gestos - são, neste dia, profundamente marcados pelos que partiram. É como se os visitasse a todos e me sentisse entre eles.
Os meus avós, os meus pais e o meu Miguel estiveram sempre comigo. E isso fez-me sentir em paz!
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De Ana Cláudia Vicente a 03.11.2015 às 21:39

Entre eles - é talvez mesmo essa a melhor maneira de o explicar, Helena. Uma harmonia, mais que uma sintonia.

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