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O que nos fica dos que partem

por Isabel Mouzinho, em 01.11.15

Não tenho de todo o culto dos mortos e não gosto de visitar cemitérios em circunstância alguma, e menos ainda nestes dias em que vai toda a gente. Respeito muito, no entanto, quem o faz.

E, contrariamente aos que conseguem encontrar beleza e paz nestes espaços, só vejo neles soturnidade, assim como, para mim, há em todos os rituais associados ao fim da vida terrena qualquer coisa de lúgubre que me impressiona e incomoda. 

Não sinto, por isso, necessidade ou desejo de levar flores aos mortos, porque é em vida que gosto de homenagear e mimar as pessoas a quem quero bem; nem é no cemitério que me sinto mais perto dos que já cá não estão, porque não os associo a tristeza nem a desconforto.

Dos que partiram ficam-me as recordações, as ideias, as acções, os ensinamentos e tudo o que de bom e mau fomos vivendo ao longo do tempo, que é a marca indelével que deixaram em mim. É com ela que vivo. É ela que, passada a surpresa inicial do momento da partida - a morte surpreende-nos sempre - a dor da perda, o momento do luto, no-los traz de volta, em lampejos fugazes que nos chegam através de um lugar, de um objecto, de uma palavra, de uma canção. E lembrá-los assim é a mais bonita e singela forma de os voltar a ter próximos, no pensamento e no coração.

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11 comentários

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De Anónimo a 01.11.2015 às 17:47

Foi estranho ler este seu texto. É que a Isabel descreve exactamente o que eu sinto relativamente a este assunto, e não é fácil encontrar quem pense como eu.
Já não é a primeira vez que ao ler um texto seu eu penso se afinal essa coisa dos signos não terá algum fundamento.
Sensibilidades...
:-) Antonieta
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De Isabel Mouzinho a 02.11.2015 às 22:23

Eu percebo, Antonieta. Também já me aconteceu inúmeras vezes isso que descreve em relação a muitos textos que leio. Sensibilidades, sem dúvida.
Quanto aos signos, já não sei bem... Somos do mesmo signo?
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De Anónimo a 03.11.2015 às 10:19

Sim, somos: a Isabel a 7, eu a 11.
Serão apenas coincidências, mas acho engraçado descobrir que uma pessoa cuja escrita aprecio é do mesmo signo que eu.
:-) Antonieta
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De Isabel Mouzinho a 03.11.2015 às 19:38

Também aprecio todos os seus comentários no DO, Antonieta.
Beijinho
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De João de Brito a 01.11.2015 às 18:02

Em termos de pensamento, identifico-me totalmente com a mensagem do texto.
Na prática, por covardia, faço pequenas conceções à tradição.
A propósito de "... há em todos os rituais associados ao fim da vida terrena qualquer coisa de lúgubre que me impressiona e incomoda.", quero relevar a exposição pública do cadáver durante o velório e as cerimónias religiosas.
Impressiona-me, pelo mau gosto!
Tanto, que, enquanto vivo, é minha intenção pedir à família que me poupe a tal liturgia.
Não vá, mesmo defunto, sentir tamanha humilhação!...
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De Luis Moreira a 02.11.2015 às 02:20

Tal qual, João
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De Isabel Mouzinho a 02.11.2015 às 22:25

Bom, não vou tão longe...
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De Ana Cláudia Vicente a 01.11.2015 às 18:30

Gostei de ler esta tua meditação, Isabel.
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De Isabel Mouzinho a 02.11.2015 às 22:26

Obrigada, Ana Cláudia. Também gostei de ler a tua, embora seja uma perspectiva totalmente diferente da minha.
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De João Pedro a 01.11.2015 às 23:55

Curioso...acabo de postar um texto de sentido praticamente oposto.
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De Isabel Mouzinho a 02.11.2015 às 22:27

Ainda bem que não temos todos a mesma opinião, João Pedro. Seria muito enjoativo...

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