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O que me ficou do jantar no Panteão

por João Pedro Pimenta, em 16.11.17

É claro que fazer jantares no Panteão é patético e de gosto duvidoso. É evidente que fait divers destes dão cada vez mais azo a oportunismos polí­ticos, sejam do Governo ou da oposição (a última pérola neste sentido é de Gabriela Canavilhas, uma das mais notórias yes women do PS). E é cristalino que é deste tipo de coisas que se alimentam as sempre insaciáveis redes sociais, sendo que esta polémica partiu precisamente de um blogue - o de Seixas da Costa.

 

Mas duas coisas me ficaram: uma delas é, como escreveu o Rodrigo Adão da Fonseca, que os nossos governantes e os nossos organismos públicos reagem crescentemente sob a pressão das tais "redes sociais" e respectivos estados de humor, sobretudo quando estão "indignadas", o que nos leva a uma caótica e degenerada noção de "democracia directa"; a outra é que se os tais web summiters, ou lá como lhes chamam, não perceberam minimamente onde estavam, é porque a sua visão somente apontada à tecnologia, a um certo tipo de empreendedorismo, e ao culto da "informalidade" faz tábua rasa de qualquer conceito de sacralidade e de respeito pelo passado e pela memória. Ou seja, um caldo de economicismo e de modernidade a todo o custo baseados na tecnologia, que recorda os "progressistas" do século XIX, que não hesitavam em derrubar os traços medievais existentes, como castelos, palácios ou igrejas (e o nosso país bem sofreu com isso), para construir as suas particulares visões de futuro e de "civilização". Bem vistas as coisas, não admira que as suas reuniões se tenham vindo a fazer em Portugal.

 

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21 comentários

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De Francisco Seixas da Costa a 16.11.2017 às 02:40

Achou mesmo que o meu comentário é dos que ajudam a qualificar “insaciáveis redes sociais”?
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De João Pedro Pimenta a 16.11.2017 às 22:26

De forma alguma. Mas tratando-se de uma notícia sugerida por um blogue, espalhou-se como um rastilho, provavelmente mais célere do que se tivesse aparecido num jornal de grande circulação. E já se sabe, o potencial de partilha na net é tremendo, e "quem conta um conto acrescenta-lhe um ponto".
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De Vlad, o Emborcador a 16.11.2017 às 08:22

Sobre jantares tecnológicos noutras paragens:

To give you an idea of the kind of dining on offer, on the opening night alone we were treated to the first ever banquet in the almost 1,000-year history of Dublin’s Christchurch Cathedral, complete with an after-dinner choir performance.

https://thenextweb.com/wp-content/blogs.dir/1/files/2012/10/Founders2012-108.jpg?amp=1

A Catedral da Santíssima Trindade (em inglês: Cathedral of the Most Holy Trinity, popularmente conhecida como Christ Church, literalmente Igreja de Cristo) é a mais antiga das duas catedrais medievais de Dublin, sendo a outro a Catedral de São Patrício. Foi a sede do arcebispo de Dublin (agora parte da Igreja da Irlanda, de confissão anglicana) desde os tempos medievais e é dedicada à Santíssima Trindade.

O preto sempre foi a nossa cor. E o luto a nossa arte.

Soube que o caldo verde estava divinal!
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De Vlad, o Emborcador a 16.11.2017 às 09:01

"sob a pressão das tais "redes sociais"

Talvez seja a única forma de o Estado ganhar um pingo de vergonha.

A comunicação social ( televisão ) também recorre frequentemente a imagens "vídeo amadoras ". No caso da agressão de Coimbra penso terem sido fundamentais para o tipo de acusação do MP. ....o temporo o mores
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De Luís Lavoura a 16.11.2017 às 09:33

Eu não conheço o Panteão. Mas, segundo diz a sua diretora, o jantar não foi na sala onde estão os túmulos, a qual terá permanecido fechada. Pelo que, nem o jantar terá sido "de gosto duvidoso", como este post afirma, nem os convivas teriam que "perceber minimamente onde estavam", como o post também afirma.
Acresce que o jantar terá sido encomendado a uma empresa de catering, que naturalmente não diz (nem tem que dizer) às pessoas que ali ao lado estão túmulos. A empresa de catering comercializa jantares naquele espaço como comercializa noutros alternativos (dá a escolher aos clientes diversos espaços) e os clientes não têm nada que se informar sobre as origens históricas do espaço onde estão.
Pelo que, a meu ver, os web summiters não têm nada que se lhes possa criticar. Aliás, em minha opinião ninguém tem nada que se lhe possa criticar: nem eles, nem a empresa de catering, nem a direção do Panteão. Quem deve ser criticado são as donzelas que não entendem que aquele espaço pode e deve ser comercializado, como qualquer outro.
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De Costa a 16.11.2017 às 18:36

Aliás, o significado de "panteão" é pelo menos obscuro, ao alcance apenas de alguns eleitos. Na verdade o entendimento massivamente consagrado é seguramente o de um local de entusiásticos folguedos. Como perceber então onde se estava?

E é bem verdade que se alguém se interessar pelo local onde se encontre ou preveja vir a estar, tal é sinal de ociosa e absolutamente estéril ocupação de tempo. Na melhor hipótese, pois facilmente tocará o limite do inaceitável. Aliás, bem sabemos, a cultura é pelo menos perigosa. Subversiva, mesmo.

Mas é muito fácil esquecer isto. Felizmente é atento, incansável e pacientíssimo o nosso abnegado director espiritual (mas laico, evidentemente!) Lavoura.

Costa
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De Vlad, o Emborcador a 16.11.2017 às 21:11

Costa , o que lá está a fazer o Sidónio? Foi por causa da Sopa?
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De Vlad, o Emborcador a 16.11.2017 às 18:59

Penso que o Eusébio ainda tentou sair. Cheiravam-lhe aos cosinhados de Flora.

Aquilo das Doces como é que ficou?
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De Vlad, o Emborcador a 16.11.2017 às 21:17

Lavoura eu daqui vejo as mesas postas junto aos túmulos
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De Anónimo a 17.11.2017 às 02:09

O que significa que na sua opinião, o Panteão é um espaço "como qualquer outro". Eu até sou a favor do aproveitamento de monumentos para funções que não apenas as museológicas, mas há limites ás funções a que se prestam.

O que a sua directora diz pouco interessa, tendo em conta o historial conhecido de enganos que tem cometido. E se os túmulos não estavam exactamente à vista, estavam os cenotáfios. Só isso indicava que não se tratava de "um espaço como os outros". O resto do seu comentário só dá razão ao que escrevi no post: se os participantes nem ao menos queriam saber onde estavam, então para eles tanto se lhes dá que estejam numa pizzaria ou num monumento à memória das grandes figuras da pátria. Ao que parece, para si também. E que tal acrescentar um espectáculo de variedades?
Ah, e o pormenor de ser uma empresa de catering é fabuloso: só faltava mesmo fazerem daquilo um restaurante.
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De João Pedro Pimenta a 17.11.2017 às 17:03

Já agora, o comentário das 2:09 era meu. Não sei como raio aparece como anónimo.
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De JPT a 16.11.2017 às 10:34

Concordo totalmente com o comentador Lavoura (o que é raro), e acrescento que o espaço em apreço foi "dessacralizado" há muito, quando o converteram de igreja em templo maçónico (pago pelo erário público, como é evidente) e, inevitavelmente, e dada a evolução dos costumes, em memorial de pessoas que gozavam de popularidade. Por isso, no templo ao mau gosto que é o "Panteão Nacional", este jantar é, francamente, um pormenor. Incomoda-me, sim, que um visitante estrangeiro que tratou tudo de acordo com as regras que o nosso Estado lhe comunicou acabe a pedir desculpas aos portugueses, e que o líder eleito (salvo seja) destes se pronuncie indignado por algo que aprovou (e muito bem, digo eu) três anos antes. Incomoda-me, mas, infelizmente, não me surpreende.
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De Anónimo a 17.11.2017 às 02:11

Eu não posso concordar com o Lavoura, mas mesmo não sendo grande fã do Panteão, sobretudo depois das razões invocadas para levar para lá Aquilino Ribeiro, acho que, tendo aquelas particulares funções, se presta a alguma solenidade. I irrita-me solenemente que haja gente que vá lá para tainadas sem se informar sequer do sítio onde se encontra.
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De Weltenbummler a 16.11.2017 às 10:38

não tenho qualquer tipo de relação com gente fina
nem locais de má nota
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De Diogo Noivo a 16.11.2017 às 10:51

Percebo e subscrevo a tua primeira conclusão, mas tenho alguma discordância em relação à segunda. Talvez os “web summiters” (bom neologismo) não tenham percebido onde estavam. Mas tinham de perceber?
A relação com a morte, a forma como diferentes culturas a encaram, varia substancialmente com as latitudes. Numa nota pessoal, durante os tempos de estudante em que tive a sorte de vaguear por Edimburgo estudei muitas vezes em cemitérios daquela cidade, que são aliás locais de eleição para piqueniques familiares ao fim-de-semana. Recorro ao lugar comum do primeiro-estranhas-e-depois-entranhas porque foi mesmo esse o meu caso. Nesta cidade escocesa, como noutras, os cemitérios são locais de uma beleza arquitectónica e paisagística impressionantes e, de facto, convidativos. A morte é entendida com a naturalidade fatal que tem.
Voltando aos “web summiters”, é verdade que manda a boa educação que em Roma sejas romano. Porém, quantos de nós não cometemos atropelos culturais quando andamos por outras paragens? Nesta matéria, concordo com Marques Mendes (Deus me perdoe...): os modernaços pediram autorização e a autorização foi-lhes dada. O Estado, que defende os interesses nacionais nas suas mais diversas vertentes, não se opôs; portanto não faz sentido que fossem estrangeiros a interpretar e defender a cultura e os interesses do país numa situação onde o Estado nada teve a objectar.
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De Vlad, o Emborcador a 16.11.2017 às 13:47

Diogo. Fiz Erasmus. Possuí numa campa (Mary Daniels: 1898-1950).

Viagem astral....nascimento, amor gemido, morte e lamento.



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De Anónimo a 17.11.2017 às 02:21

Edimburgo tem cemitérios encantadores, como o de Greyfriars, com as suas histórias de fantasmas. Mas creio que até pelo aspecto arquitectónico do local seria bom tentarem informar-se de onde estavam. Viu-se pela reacção posterior de Paddy Cosgrave que não tinha a menor ideia do que era aquilo. O que, juntando ao ambiente próprio da Web Summitt, revela que era mais um local para um "evento", pouco importando o seu significado. Andamos a apregoar tanto o nosso país aos turistas que nos esquecemos de explicar ao que é que eles vêm para além dos lugares-comuns habituais. Daí também a nossa culpa (e da senhora directora que autorizou o jantar mas cujos critérios de autorização, sabemos agora, variam muito com os seus humores).
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De João Pedro Pimenta a 17.11.2017 às 17:05

Tal como a resposta ao Lavoura e ao JPT, também a de cima aparece como sendo "anónima", não sei porquê.
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De Vlad, o Emborcador a 17.11.2017 às 17:19

Não há coincidências. E Deus não joga às cartas
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De JS a 16.11.2017 às 12:45

Excelente post, excelentes comentários, como é usual.
Mas entretanto o que se estará a passar de tão grave que leva PS e PSD (juntos), governo, sempre apoiados por dependentes TVs e algumas redes sociais ... estejam todos a reavivar, insistentemente, este inóquo tema?.
O que realmente de importante se estará a passar, escamoteado por estes gestos de ilusionista?.
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De Augusto Moita de Deus a 17.11.2017 às 11:03

A propósito, coloquei no 31 da Armada um post dedicado à Curva da Indignação nas redes sociais:
http://31daarmada.blogs.sapo.pt/redes-sociais-as-curvas-ii-6934405

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