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O que está em jogo

por Luís Naves, em 22.06.15

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A União Europeia enfrenta por estes dias uma das suas crises regulares, forçada a tomar decisões vitais sobre o futuro da zona euro: há opções difíceis sobre o que fazer em relação à Grécia e sobre o futuro da União Económica e Monetária, nomeadamente união bancária e supervisão de orçamentos. É neste contexto que surgem análises com previsões sombrias sobre a sobrevivência da própria UE. As decisões desta semana podem revelar-se insuficientes, mas é difícil aceitar os cenários de colapso europeu a curto ou médio prazo. A questão é interpretada como um conflito onde tem de haver a rendição de uma das partes, quando o que está em causa é encontrar soluções para problemas que se eternizam, implicando processos de negociação.

A UE é uma aliança de nações baseada no eixo franco-alemão, em torno do qual se agrupam países que consideram ser do seu interesse vital a preservação do núcleo duro. Com a UE, houve 50 anos de paz e prosperidade, após 350 anos de brutais conflitos, sempre por causa do controlo da Europa Central. A mitologia histórica é reveladora, estando muito presente na cultura dos povos das potências europeias a ideia das calamidades militares do passado.

As alianças desfazem-se por pressão externa ou por traição de uma das partes. Os membros de uma aliança podem ser atraídos pelas vantagens que um rival ofereça, mas esse não é o caso: os dois países do eixo central não têm alternativa à sua cooperação estreita. Poderia existir um afastamento mútuo provocado por qualquer rivalidade, mas esse tipo de problema não está no horizonte. A única hipótese de se quebrar a aliança podia estar no elevado custo de a manter, mas também aqui temos a situação inversa: o núcleo duro da UE beneficia com a moeda única e com o gigantesco mercado que ela propicia. Assim, não é visível qualquer custo, embora haja um preço na manutenção de membros periféricos na órbita dos dois maiores, o que é bem ilustrado pela Grécia, país que agora depende da ajuda financeira e, em caso de saída, dependerá de ajuda humanitária.

Vista do centro, é possível que esta aliança pareça demasiado grande e que o lastro de arrastar países relutantes seja um motivo de crescente frustração. Para muitos dirigentes europeus, a integração não avança mais depressa por existir esta periferia que não partilha da ideia de aprofundamento da Europa. Em resumo, é possível que nos próximos anos a UE evolua no direcção da aparente fragmentação (Reino Unido, Grécia), mas o interesse vital da França e da Alemanha não mudou um milímetro e quanto maior for o afastamento nas margens, mais rápida será a integração no centro.

 

Escrito às 19 e 20: A Grécia apresentou hoje uma proposta que abre condições para um acordo com os credores, aceitando alterações no IVA e medidas que restringem o direito a reformas antecipadas (um terço dos trabalhadores públicos reforma-se actualmente antes dos 55 anos). O superávite primário será de 1%. Estas cedências poderão resultar na negociação de um terceiro resgate e na permanência da Grécia na zona euro. Para Portugal, isto é muito positivo.


7 comentários

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De Não tens homem do leme? a 22.06.2015 às 19:51

Então e o teu Messias Costa, o que te paga a avença?

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