O que eles disseram de olhos nos olhos (4)

ANTÓNIO JOSÉ SEGURO:
«Eu não seguia a maioria parte das intervenções que Marques Mendes fazia como comentador. Mas há uma diferença entre comentar a actualidade e transformar o país.»
«O centro-direita a que pertence Luís Marques Mendes não é o centro-esquerda a que eu pertenço.»
«O cartel da banca foi condenado em dois momentos a pagar 225 milhões de euros. Não pagou porque [o crime] prescreveu. Prescreveu porquê? Quais são as causas?»
«Marques Mendes diz que é muito interventivo. É membro do Conselho de Estado há 15 anos. Podia ter aconselhado os Presidentes da República a agir e a fazer esse pacto da justiça. Porque não fez?»
«Nós, ao ritmo a que temos vindo a diminuir a pobreza no nosso país, precisamos de um século para a eliminar. Isto é chocante, é um cancro social enorme.»
«O combate à corrupção tem de ser uma prioridade do estado de direito.»
«Penso que o senhor doutor fez parte, como consultor, de algumas das empresas que estavam na privatização. Defendi que houvesse planos anti-corrupção associados a cada processo de privatização, designadamente na TAP: isso seria útil para prevenir algumas das situações que neste momento estão em investigação. Na altura o governo do doutor Marques Mendes fez orelhas moucas.»
«Neste momento há um desequilíbrio completo do sistema político. A direita tem a maioria das juntas de freguesia, câmaras municipais, governo da Região Autónoma da Madeira, governo da Região Autónoma dos Açores, a maioria no parlamento, o primeiro-ministro... O país tem a ganhar se o sistema político estiver equilibrado.»
«Em duas leis essenciais - a lei dos estrangeiros e a lei da nacionalidade - com que é que o governo do seu partido fez acordo? Com o Chega. Matérias que são estruturantes para o nosso chão comum.»
«Precisamos de um Presidente da República para novos tempos e não para os velhos tempos.»
LUÍS MARQUES MENDES:
«Há uma grande diferença entre estes dois candidatos: António José Seguro privilegia mais as proclamações de carácter genérico. Eu quero ser bastante mais activo e interventivo.»
«Já houve um período, há 30 anos, com Guterres a primeiro-ministro e Jorge Sampaio a Presidente, com os ovos no mesmo cesto. Dois socialistas no topo do Estado. António José Seguro fazia parte desse governo. Fazia parte dos ovos que estavam no cesto - e nunca se queixou.»
«É preciso dar rapidamente o pontapé-de-saída para um pacto da justiça. O meu primeiro Conselho de Estado será sobre esta matéria.»
«A justiça está doente.»
«Há uma diferença [minha] com o António José Seguro: eu sou mais interventivo, gosto de ir mais à frente.»
«Eu quero avançar no combate à pobreza. Vou instituir um Fórum Anual de Combate à Pobreza.»
«O governo Passos Coelho é que fez a privatização da TAP. Eu não fui membro desse governo.»
«A minha Casa Civil terá menos assessores políticos e mais assessores sociais.»
«Já assumi o compromisso de colocar um jovem [no] Conselho de Estado. Nunca na vida isso aconteceu.»
«Não indigitarei o líder do Chega primeiro-ministro nem lhe darei posse enquanto não tiver garantias por escrito de que o seu programa será limpo de inconstitucionalidades.»
Excertos do debate ocorrido ontem à noite na RTP e conduzido por Carlos Daniel com a segurança habitual.

