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O que diz Vargas Llosa

por Pedro Correia, em 27.02.18

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Excelente entrevista de Mario Vargas Llosa à revista dominical do El País a propósito do seu mais recente livro, O Apelo da Tribo - ensaio sobre sete pensadores liberais: Adam Smith, Friedrich von Hayek, Isaiah Berlin, Jean-François Revel, José Ortega y Gasset, Karl Popper e Raymond Aron.

 

Alguns excertos:

«A democracia avançou e os direitos humanos passaram a ser reconhecidos fundamentalmente graças aos pensadores liberais.»

«O liberalismo não apenas admite mas estimula a divergência. Reconhece que uma sociedade está composta por seres humanos muito diferentes e que é importante preservá-la assim.»

«O nacionalismo é uma tendência retrógrada, arcaica, inimiga da democracia e da liberdade, e está sustentado em ficções históricas, em grandes mentiras, nisso a que agora chamamos pós-verdades históricas.»

«O liberalismo defende algumas ideias básicas: a liberdade, o individualismo, a rejeição do colectivismo e do nacionalismo; no fundo, de todas as ideologias ou doutrinas que limitam ou interditam a liberdade na vida social.»

«Ninguém medianamente lúcido quer para o seu país um modelo como o da Coreia do Norte, ou o de Cuba, ou o da Venezuela: o marxismo já é marginal na vida política, ao contrário do populismo, que ameaça corromper as democracias por dentro, é muito mais sinuoso do que uma ideologia.»

«A correcção política é inimiga da liberdade porque rejeita a honestidade e a autenticidade. Devemos combatê-la como um desvio da verdade.»

«Andamos sobrecarregados por uma tecnologia que se colocou ao serviço da mentira, da pós-verdade, e que pode chegar a ser, se não combatermos este fenómeno, profundamente destruidora e corruptora da civilização, do progresso, da verdadeira democracia.»


39 comentários

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De Pedro Correia a 28.02.2018 às 12:50

Sou incapaz de dizer se gosto ou não de uma pessoa quando não a conheço pessoalmente.
De um intelectual interessam-me as suas ideias.
E já basta.
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De Sarin a 28.02.2018 às 13:03

A pessoa constitui-se em várias vertentes - a intelectual, a espiritual, a artística, a física, a social... Apreciar ou não apreciar uma pessoa passa por apreciar ou depreciar uma ou várias destas.


E no caso de Llosa, as ideias proferidas em entrevistas não são exactamente as mesmas que enquanto escritor, portanto percebo perfeitamente a Beatriz.
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De Pedro Correia a 28.02.2018 às 14:26

É a mesma coisa que eu fazer um juízo pessoal a seu respeito pelo que vai escrevendo nestas caixas de comentários.
Não faz o menor sentido.
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De Sarin a 28.02.2018 às 15:36

Mas, Pedro, é exactamente isso que faz, que fazemos todos - temos percepções sobre quem escreve pelo que escreve e pela forma como escreve. Pelas ideias que desenvolve e pela forma como as desenvolve. O que nos leva, a todos, a preferirmos discutir matérias com uns em detrimento de outros.

Há pessoas (pessoas, não intelectos ou artes) cujas opiniões até são as minhas, mas que me levam a querer distância de quem as defende por deplorar a forma como a sua defesa é feita, da mesma maneira que encontro pessoas das quais discordo mas com quem a discussão é geralmente agradável. A menos que o Pedro ache que as opiniões e a forma de as colocar não são opções pessoais, não imagino como conseguirá evitar, sem cinismos ou hipocrisias, gerir as percepções que adquire.

Claro que há quem use as caixas de comentários para, a coberto de anonimatos ou pseudónimos, dizer aquilo que de outra forma não diria, criando um alter ego; mas tarde ou cedo deixam cair o falso ego - confundir heterónimos com pseudónimos dá nisso :)
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De Pedro Correia a 28.02.2018 às 15:39

Insisto em duas ideias, para mim claríssimas:

1. Não faço juízos de valor sobre pessoas que não conheço;
2. Quanto aos intelectuais, interessam-me as ideias deles. E só, o que já é muito.
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De Pedro a 28.02.2018 às 17:40

1 - Faço juízes de valor sobre pessoas que não conheço e que conheço mal, usando para isso uma análise heurística, quer das suas ideias politicas, das suas ideias pessoais, quer do tipo de discurso empregue na exposição, física e oral, dessas mesmas ideias:

Como critério de juízo, uso três:

1) O peso das certezas - Quanto mais balofo delas, mais inquinado e desprezível. Inquinado, porque não desenvolve. Desprezível, porque dá-se mal com a liberdade de outros terem outras "certezas". Os dogmáticos aprendem sempre muito pouco pois limitam-se a escolher e estudar apenas os argumentos que provem a "veracidade" do seu Dogmatismo. Leem sempre o mesmo. Dizem sempre o mesmo. Menor a Empatia

2) Empatia - quanto maior a capacidade de um sentir como suas as dores dos outros maior a sua generosidade de carácter. A verdadeira Compaixão parte do pressuposto que todos são inocentes de uma ou de outra forma - vitimas de determinantes genéticos e sociais (obviamente que existem patologias mas estas são na maioria das vezes dependentes daqueles)

3) Sentido de Humor - quanto menos nos tomamos a sério, menos certezas e preconceitos temos e maior a nossa capacidade de gozarmos connosco e rirmos com os outros (sobretudo com os indigestos de certezas) - Maior a Empatia

Alguns exemplos práticos de avaliação "personalística" de tipos desconhecidos :

O Jerónimo parece-me bom rapaz. O Rosas, não. O Semedo parece-me bom rapaz. O Santana parece-me bom rapaz. O Rui Rio não. O Carrilho também não....o Estaline também não. O Hitler tampouco. O Churchill idem aspas....O Passos Coelho não. O Torga também não.....

Por exemplo, sobre o Pedro Correia:

Parece-me ser um tipo, no sentido do conjunto de traços ou características pessoais que o definem, que simultaneamente professa, num momento, a liberdade de expressão e do pensamento politico, e num outro, um dogmatismo intelectual pouco tolerante para com as "certezas" de outros, minorando-lhes os argumentos em estereótipos superficiais. Parece-me assim dotado de uma personalidade não muito propensa à autocrítica. Mau sinal!

Ao mesmo tempo publica todos os comentários, verdade seja dita, mas suspeito que usa essa sua generosidade como meio de prova, quer para se convencer a si mesmo, quer aos outros, que não é como possivelmente será.

Não leve a mal. Posso estar errado. Detesto ter certeza



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De Pedro a 28.02.2018 às 17:47

Esqueci-me, desculpe:

2- Se o intelectual for um canalha as suas ideias ponho-as no lixo

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