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O que diz Vargas Llosa

por Pedro Correia, em 27.02.18

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Excelente entrevista de Mario Vargas Llosa à revista dominical do El País a propósito do seu mais recente livro, O Apelo da Tribo - ensaio sobre sete pensadores liberais: Adam Smith, Friedrich von Hayek, Isaiah Berlin, Jean-François Revel, José Ortega y Gasset, Karl Popper e Raymond Aron.

 

Alguns excertos:

«A democracia avançou e os direitos humanos passaram a ser reconhecidos fundamentalmente graças aos pensadores liberais.»

«O liberalismo não apenas admite mas estimula a divergência. Reconhece que uma sociedade está composta por seres humanos muito diferentes e que é importante preservá-la assim.»

«O nacionalismo é uma tendência retrógrada, arcaica, inimiga da democracia e da liberdade, e está sustentado em ficções históricas, em grandes mentiras, nisso a que agora chamamos pós-verdades históricas.»

«O liberalismo defende algumas ideias básicas: a liberdade, o individualismo, a rejeição do colectivismo e do nacionalismo; no fundo, de todas as ideologias ou doutrinas que limitam ou interditam a liberdade na vida social.»

«Ninguém medianamente lúcido quer para o seu país um modelo como o da Coreia do Norte, ou o de Cuba, ou o da Venezuela: o marxismo já é marginal na vida política, ao contrário do populismo, que ameaça corromper as democracias por dentro, é muito mais sinuoso do que uma ideologia.»

«A correcção política é inimiga da liberdade porque rejeita a honestidade e a autenticidade. Devemos combatê-la como um desvio da verdade.»

«Andamos sobrecarregados por uma tecnologia que se colocou ao serviço da mentira, da pós-verdade, e que pode chegar a ser, se não combatermos este fenómeno, profundamente destruidora e corruptora da civilização, do progresso, da verdadeira democracia.»


39 comentários

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De Pedro a 27.02.2018 às 15:43

Os Direitos Humanos iniciaram-se e avançam graças a pensadores Humanistas e não a pensadores Liberais. O Humanismo é muito anterior ao Liberalismo. O Humanismo não tem geografia (Lao Tze, Confúcio, Sócrates, Asoka, Buda, Bodhidharma, Séneca, Voltaire, Gerónimo, Henry David Thoreau, Mandela, Gandhi). Ao contrário do liberalismo, que é ocidental e branco

O Liberalismo politico finge preservar a diferença. Mas na realidade aniquila-a. Pela propaganda politica e cultural homogeniza valores, pensamentos, e hábitos, de consumo, em nome de um Ideal Supranacionalista e Globalista. E quando encontra resistência, em nome da "liberdade e do respeito pela diferença" declara as suas "guerras justas". A Liberdade do liberalismo de hoje é a liberdade de produção, de consumo e do Sumo. Nada mais.

"a flexibilidade do mercado de trabalho é crucial para a capacidade da economia em absorver os choques negativos e adaptar-se às novas oportunidades" FMI = Em linguagem comum, Despedir, é a palavra de Ordem

O Objectivo do Liberalismo é que todos Pensem o Mesmo!

Sub-repticiamente quando se defendem as virtudes do liberalismo defende-se um modelo económico, mais que um ideal social. Aliás este é delegado para secundíssimo plano pois as mesmas nações ditas liberais fazem comércio, mantêm relações politicas, com outras que não permitem quaisquer liberdades.

O Liberalismo obedece a uma agenda politica, e por isso ideológica, em que a representatividade politica é entregue a tecnocratas de Instituições Supranacionais, não democráticas, usando a Complexidade do conhecimento como defesa - o "povo" deve delegar no especialista; o cidadão deve deixar que decidam por si.

"Entretém-te meu anjinho, entretém-te, que eles são inteligentes, eles ajudam, eles emprestam, eles decidem por ti, decidem tudo por ti, se hás-de construir barcos para a Polónia ou cabeças de alfinete para a Suécia, se hás-de plantar tomate para o Canada ou eucaliptos para o Japão, descansa que eles tratam disso, se hás-de comer bacalhau só nos anos bissextos ou hás-de beber vinho sintético de Alguidares-de-Baixo!"

Qualquer ideologia que defenda o individualismo é Inimiga da Colectividade, fazendo do outro um inimigo potencial de recursos. A vida social só é reforçada por uma Ideologia Comunitária e não individualista.

A Liberdade, não é um valor absoluto. A sua Ética e Moralidade avaliam-se pelos seus resultados e tem sido em nome do individualismo e da liberdade, sobretudo da liberdade de cada um ser feliz, a qualquer preço - Neoliberalismo; Perversidade de Costumes (adultério, perversidades sexuais e de costumes, etc) - que se têm cometido as maiores barbaridades na Dignidade Humana.

Quanto aos países referidos é uma pena não se ter lembrado dos EUA, Rússia, Arábia Saudita, Israel, China.....




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De Pedro Correia a 27.02.2018 às 17:33

Desde a guerra civil entre D. Pedro e D. Miguel que não via tanto ódio aos liberais. Os absolutistas nunca perdoaram ao Rei-Soldado.
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De Pedro a 27.02.2018 às 21:38

Talvez o Pedro careça de tempo, entendo. Mas onde leu, no que escrevi, um panegírico ao Trono e Altar?

Que se quilhem o Rei-Soldado, o D. Miguel, os Absolutistas, o Paiva Couceiro e o Afonso Costa, mais o Sebastião de Magalhães Lima, o D. Manuel Clemente e o Anton LaVey

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De Costa a 27.02.2018 às 23:16

"(...) do liberalismo, que é ocidental e branco." Ocidental e branco, talvez o pior que por estes dias se pode apontar a alguém ou algo. E está tudo dito e explicado. Haverá mais fulminante, certeira e robusta condenação?

Como é simples, bom, fácil, gratificante e cheio de reconfortante certeza o mundo a preto e branco.

Costa
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De Vlad, o Emborcador a 27.02.2018 às 23:48

Constatação rima com Condenação. Mas tirando isso não lhe sobra mais nada.



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De V. a 27.02.2018 às 23:47

Só no ocidente branco (que coisa tão racista de se dizer) é que a Lei e a Ciência se estabeleceram como dinâmicas de progresso — e as sociedades as respeitam. No resto do mundo está tudo nas mãos dos generais, de sobas e de chefes sanguinários que aplicam as suas próprias leis com casuística e mergulham os seus países no medo e na superstição. Portanto essa história do Gerónimo e do Kung Fu como grandes teóricos dos direitos civis comigo não pega. Aliás, se assim não fosse, o mundo ocidental não estaria a ser invadido. O Thoreau era um gajo porreiro mas a sua ocupação principal era gerir uma fábrica de lápis de grafite. E o Mandela?? Caro Vlad, que diabo.
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De Vlad, o Emborcador a 28.02.2018 às 08:45

Portanto, V. a nossa História só começa após a Revolução Industrial. Tudo o que lhe precede Vale 0.

A ciência e a tecnologia serão úteis desde que postas ao serviço do Homem. E para isso torna-se fundamental que o cientista seja também um humanista. Que viva numa sociedade regida por uma moralidade que tenha como objectivo o Bem comum. Que os produtos da investigação cientifica estejam ao alcance de Todos - veja a Alemanha Hitleriana, o Japão de Hirohito, os EUA e a China. Veja os novos medicamentos e as novas tecnologias terapêuticas (biogenética e bionanotecnologia )que só estão disponíveis para uma minoria. Acha moral morrer-se por não se ter dinheiro para estas novas "medicinas"?

Veja os milhões que se gastam em investigação cientifica ou procedimentos médicos futeis que roubam recursos a uma outra que deveria ter a primazia da cura e não um prolongamento da condição de doente (o doente crónico como um consumidor crónica de drogas).

Veja a investigação que não se faz nas energias verdes ( a EFACEC é detida pela Sonangol - enquanto houver petróleo acha mesmo que vão apostar na electricidade? )........Sou Branco e Ocidental. E existem Pretos, Amarelos, Vermelhos......dizer isto é ser racista?

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De V. a 01.03.2018 às 01:56

Não, nada disso. É o tom depreciativo com que se fala do ocidente e dos "brancos". Agora parece que é moda. Qualquer dia é crime ser branquela. E praticado por ocidentais... Para mim esse mecanismo da self-deprecation seria interessante se fosse uma atitude de cavalheiros e não fosse um tique ideológico — e não fosse utilizado como mecanismo simples de simpatia com não-ocidentais que gera equívocos e de que muita gente se aproveita para fazer uma apreciação errada da História — e do desenvolvimento humano — e de onde estão verdadeiramente as sociedades mais igualitárias. Quanto ao resto, as coisas não progridem instantaneamente, mas progridem. Ao ritmo do que as sociedades são capazes de aceitar como mudança. A nossa história começa na transição do mundo Antigo para a antiguidade clássica — e é a história da perseverança do espírito livre das culturas pagãs do Ocidente — que transparece na Lei Romana, na Filosofia, na Ciências e nas Artes — sempre castigado e depreciado pelas culturas totalitárias do Médio Oriente e da Ásia que adoram deus únicos e querem reduzir o mundo a uma única forma de estar.
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De Vlad a 28.02.2018 às 11:52

Se me permites, uma sugestão literária V:

https://www.wook.pt/livro/bury-my-heart-at-wounded-knee-dee-brown/119007
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De Lucklucky a 01.03.2018 às 00:42

Vargas Llosa

Veja como ele nem o autor que citou estas duas frases seguidas se apercebem da contradição:

«O liberalismo não apenas admite mas estimula a divergência. Reconhece que uma sociedade está composta por seres humanos muito diferentes e que é importante preservá-la assim.»

«O nacionalismo é uma tendência retrógrada, arcaica, inimiga da democracia e da liberdade, e está sustentado em ficções históricas, em grandes mentiras, nisso a que agora chamamos pós-verdades históricas.»

A Divergência e a Diferença assim como a Liberdade implicam que alguém desde que acordo com outros que pensem o mesmo se reúna numa nação.
Escolha um caminho diferente dos outros caminhos.


«O liberalismo defende algumas ideias básicas: a liberdade, o individualismo, a rejeição do colectivismo e do nacionalismo; no fundo, de todas as ideologias ou doutrinas que limitam ou interditam a liberdade na vida social.»

Mais uma contradição de Vargas Llosa. A palavra mais importante da Liberdade é: Não.

O Direito de uma pessoa a não querer fazer parte de . É a mais importante Liberdade.
Todas as organizações que forçam pessoas ou conjuntos de pessoas a ser seus membros são ilegítimas.

Por exemplo o Liberalismo deve aplaudir a formação de uma Comuna por pessoas que escolheram esse caminho sem o impor a outros.

Infelizmente 99,9% da ética do Socialista implica forçar os outros que não concordam a sê-lo.
Comunistas e Socialistas preferem a força como Vlad demonstra.

«Ninguém medianamente lúcido quer para o seu país um modelo como o da Coreia do Norte, ou o de Cuba, ou o da Venezuela: o marxismo já é marginal na vida política, ao contrário do populismo, que ameaça corromper as democracias por dentro, é muito mais sinuoso do que uma ideologia.»

Falso mais uma vez.
Vargas Llosa que olhe para o Partido Democrata nos EUA, para o Partido Trabalhista. Tudo partidos dominados pelo pensamento Marxista.
O Marxismo domina o Jornalismo, logo domina a linguagem, logo tem o Poder.
Milhões pelo mundo admiram Cuba, Venezuela.

«A correcção política é inimiga da liberdade porque rejeita a honestidade e a autenticidade. Devemos combatê-la como um desvio da verdade.»

Vargas Llosa não percebeu que o Politicamente Correcto é um instrumento do Marxismo e uma demonstração do seu poder.


----

Como sempre Vlad demonstra mais uma vez o ódio do Marxismo e Socialismo à pessoa humana.
Usurpando a vontade , autonomia do Humano falando do colectivo.
E ainda tem a lata de falar de Humanismo. Uma soupa onde cabem desde esclavagistas a candidatos a tiranos


----

A coisa mais importante que Vargas Llosa disse foi que as pessoas são diferentes.














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De Justiniano a 27.02.2018 às 16:05

Lamento que grandes interpretes do pensamento liberal, que mais das vezes secundo, como é o caso do virtuoso Vargas Llosa, cavalguem, admito que inconscientemente, à conta de um putativo combate ao Nacionalismo extremado, o mantra da obliteração do Estado Nação.
Sem o pressuposto do Estado Nação nenhum dos apontados pensadores verteria uma linha sobre a liberdade, talvez vertessem sobre a construção do Estado Nação antes de se alongarem sobre outra coisa qualquer!
É esta, verdadeiramente incompreensível, ideia, de que a diluição da Nação, como consolidação histórica da coesão e da solidariedade entre os membros de uma determinada comunidade histórica, possa traduzir-se numa inédita e indistinta fraternidade universal ao invés de uma distopia suicidária, que muito me espanta!!
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De Pedro Correia a 27.02.2018 às 17:34

O nacionalismo antiliberal foi responsável directo pelas duas maiores guerras que o mundo já conheceu.
A de 1914-18 e a de 1939-45.
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De Maria Dulce Fernandes a 27.02.2018 às 19:33

«A correcção política é inimiga da liberdade porque rejeita a honestidade e a autenticidade"
Subscrevo.

O Manifesto anti Liberal do Vlad, tem bons apontamentos,...

"Se se entende por liberal todo aquele que acha indispensável que qualquer solução política respeite as liberdades e os direitos fundamentais da pessoa humana, sou efetivamente liberal. "

Francisco Sá Carneiro
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De Pedro Correia a 27.02.2018 às 20:11

Francisco Sá Carneiro era um genuíno liberal portuense, à moda antiga. Andam agora por aí uns cangalheiros ideológicos, 37 anos depois da sua morte, procurando ocultar frases como esta em nome da pseudo-interpretação "autêntica" do seu legado político.
Fez muito bem em trazer aqui essa citação, Dulce.
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De Pedro a 27.02.2018 às 21:39

Obrigado!
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De Beatriz Santos a 27.02.2018 às 22:31

Não gosto muito do Vargas Llosa pessoa, ainda que goste sem dúvidas do escritor. E ninguém me convence que o liberalismo seja o melhor que existe, mesmo não sabendo o que contrapôr-lhe.
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De Pedro Correia a 27.02.2018 às 22:51

Eu só o aprecio como escritor, Beatriz. Não o conheço pessoalmente.
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De Sarin a 28.02.2018 às 11:42

Mas conhece-lhe as opções que assume publicamente, e isso também é conhecer a pessoa. A menos que a pessoa seja plástico maleável - e ainda assim ficamos a conhecer um pouco da pessoa.
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De Pedro Correia a 28.02.2018 às 12:50

Sou incapaz de dizer se gosto ou não de uma pessoa quando não a conheço pessoalmente.
De um intelectual interessam-me as suas ideias.
E já basta.
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De Sarin a 28.02.2018 às 13:03

A pessoa constitui-se em várias vertentes - a intelectual, a espiritual, a artística, a física, a social... Apreciar ou não apreciar uma pessoa passa por apreciar ou depreciar uma ou várias destas.


E no caso de Llosa, as ideias proferidas em entrevistas não são exactamente as mesmas que enquanto escritor, portanto percebo perfeitamente a Beatriz.
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De Pedro Correia a 28.02.2018 às 14:26

É a mesma coisa que eu fazer um juízo pessoal a seu respeito pelo que vai escrevendo nestas caixas de comentários.
Não faz o menor sentido.
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De Sarin a 28.02.2018 às 15:36

Mas, Pedro, é exactamente isso que faz, que fazemos todos - temos percepções sobre quem escreve pelo que escreve e pela forma como escreve. Pelas ideias que desenvolve e pela forma como as desenvolve. O que nos leva, a todos, a preferirmos discutir matérias com uns em detrimento de outros.

Há pessoas (pessoas, não intelectos ou artes) cujas opiniões até são as minhas, mas que me levam a querer distância de quem as defende por deplorar a forma como a sua defesa é feita, da mesma maneira que encontro pessoas das quais discordo mas com quem a discussão é geralmente agradável. A menos que o Pedro ache que as opiniões e a forma de as colocar não são opções pessoais, não imagino como conseguirá evitar, sem cinismos ou hipocrisias, gerir as percepções que adquire.

Claro que há quem use as caixas de comentários para, a coberto de anonimatos ou pseudónimos, dizer aquilo que de outra forma não diria, criando um alter ego; mas tarde ou cedo deixam cair o falso ego - confundir heterónimos com pseudónimos dá nisso :)
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De Pedro Correia a 28.02.2018 às 15:39

Insisto em duas ideias, para mim claríssimas:

1. Não faço juízos de valor sobre pessoas que não conheço;
2. Quanto aos intelectuais, interessam-me as ideias deles. E só, o que já é muito.
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De Pedro a 28.02.2018 às 17:40

1 - Faço juízes de valor sobre pessoas que não conheço e que conheço mal, usando para isso uma análise heurística, quer das suas ideias politicas, das suas ideias pessoais, quer do tipo de discurso empregue na exposição, física e oral, dessas mesmas ideias:

Como critério de juízo, uso três:

1) O peso das certezas - Quanto mais balofo delas, mais inquinado e desprezível. Inquinado, porque não desenvolve. Desprezível, porque dá-se mal com a liberdade de outros terem outras "certezas". Os dogmáticos aprendem sempre muito pouco pois limitam-se a escolher e estudar apenas os argumentos que provem a "veracidade" do seu Dogmatismo. Leem sempre o mesmo. Dizem sempre o mesmo. Menor a Empatia

2) Empatia - quanto maior a capacidade de um sentir como suas as dores dos outros maior a sua generosidade de carácter. A verdadeira Compaixão parte do pressuposto que todos são inocentes de uma ou de outra forma - vitimas de determinantes genéticos e sociais (obviamente que existem patologias mas estas são na maioria das vezes dependentes daqueles)

3) Sentido de Humor - quanto menos nos tomamos a sério, menos certezas e preconceitos temos e maior a nossa capacidade de gozarmos connosco e rirmos com os outros (sobretudo com os indigestos de certezas) - Maior a Empatia

Alguns exemplos práticos de avaliação "personalística" de tipos desconhecidos :

O Jerónimo parece-me bom rapaz. O Rosas, não. O Semedo parece-me bom rapaz. O Santana parece-me bom rapaz. O Rui Rio não. O Carrilho também não....o Estaline também não. O Hitler tampouco. O Churchill idem aspas....O Passos Coelho não. O Torga também não.....

Por exemplo, sobre o Pedro Correia:

Parece-me ser um tipo, no sentido do conjunto de traços ou características pessoais que o definem, que simultaneamente professa, num momento, a liberdade de expressão e do pensamento politico, e num outro, um dogmatismo intelectual pouco tolerante para com as "certezas" de outros, minorando-lhes os argumentos em estereótipos superficiais. Parece-me assim dotado de uma personalidade não muito propensa à autocrítica. Mau sinal!

Ao mesmo tempo publica todos os comentários, verdade seja dita, mas suspeito que usa essa sua generosidade como meio de prova, quer para se convencer a si mesmo, quer aos outros, que não é como possivelmente será.

Não leve a mal. Posso estar errado. Detesto ter certeza



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De Pedro a 28.02.2018 às 17:47

Esqueci-me, desculpe:

2- Se o intelectual for um canalha as suas ideias ponho-as no lixo

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De Beatriz Santos a 28.02.2018 às 19:59

Não é preciso conhecer a pessoa em carne e osso para sabermos alguns dados pessoais.
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De Sarin a 28.02.2018 às 12:02

«A correcção política é inimiga da liberdade porque rejeita a honestidade e a autenticidade. Devemos combatê-la como um desvio da verdade.»

A verdade não é apenas uma: cada facto pode ser interpretado sob várias perspectivas, e todas elas estarem correctas. Apenas os factos são verdade imutável. Tudo o mais é interpretação. Incluindo a correcção política - que ultimamente se confunde com modas de etiqueta e boas-maneiras para não ferir susceptibilidades, ou "sensibilidades" como se chamam agora.
Colocar no mesmo contexto correcção como antítese da honestidade ou como símbolo de um desvio a qualquer coisa que não a incorrecção é demasiado ligeiro e sabe a requentado. Pior quando se lhe conhece todo o contexto.

Mude-se a forma de interpretar a correcção política, não a sua busca - incorrecção política é o que tem abundado nos legisladores e governantes.


Quanto às restantes frases, o Vlad abordou quase tudo, resta-me subscrever.
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De Vlad a 28.02.2018 às 13:19

Obrigado.

Não existe Verdade. Existem interpretações da Realidade. E sendo a realidade interpretada ela é subjectiva e pessoal.

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De Justiniano a 28.02.2018 às 15:24

Vlad, calma!! Existem manifestações do real que são peremptórias! São, sem dúvida, a verdade sobre que poderemos edificar todas as interpretações que adiram ao real. Qualquer interpretação que se subverta à verdade será um embuste fantasioso sem qualquer valor estético!!
Logo, nem todas as interpretações da realidade são reais ou verdadeiras!!
Consequentemente, a verdade existe!!
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De Vlad a 28.02.2018 às 18:35

A Realidade depende do Sentido e dos sentidos. A realidade da Vida é para o químico uma. Para o físico outra. Para o biólogo outra. Para o trolha ainda outra.

Existe é uma realidade humana contida numa outra realidade. A existência depende da percepção. Assim a realidade de um morcego é uma. De um golfinho outra. De um super-humanno dotado de extra sentidos outra ainda.

Vivemos em 4 dimensões (tempo como medida também ). Vemos em 3 dimensões. Mas a matemática fala de haver 11 dimensões possíveis.

Onde está a verdadeira Realidade?

E sobre a realidade absoluta da moralidade ou do sentido escatológico é melhor nem falar
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De Alexandre Policarpo a 28.02.2018 às 17:22

"A Verdade a que temos direito", slogan inventado pelo Ary dos Santos e muito em voga numa certa época pós 25/4/74, também era uma interpretação da Realidade, que entre outras coisas considerava o regime fascista/estalinista da ex URSS o "sol na terra" e que negava a existência dos Gulags, p. ex. Curiosamente e apesar de estarmos em pleno sec XXI, ainda há quem continue a interpretar a realidade de acordo com essas "verdades", pelo menos 25% da população portuguesa.
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De Pedro a 28.02.2018 às 17:45

Isso é muito antigo! Cheira a mofo!
A verdade hoje é outra. Outro também o altar. Contudo as vitimas,essas, continuam as mesmas de sempre
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De Alexandre Policarpo a 28.02.2018 às 19:04

Pois cheira a mofo, mas eles lá estão no governo. Caso único no Ocidente Liberal.
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De Pedro a 28.02.2018 às 21:16

Quanto maior o espectro de opções politicas melhor. Julgo que fazem falta, em Portugal, mais opções. Gostava de ter Partidos portugueses Liberais, Libertários, Religiosos, Fascistas, Nacionalistas, Anarquistas, Místicos....Tântricos...Naturalistas.....
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De Alexandre Policarpo a 01.03.2018 às 01:23

Isso não são própriamente opções politicas, é mais um álbergue espanhol.
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De Luís Lavoura a 28.02.2018 às 14:21

O liberalismo defende algumas ideias básicas: a liberdade, a rejeição do colectivismo

Em minha opinião as teorias liberais levaram uma valente machadada com a recente crise económica. Talvez por estar na América do Sul, que não foi atingida por ela, Vargas Llosa não reparou.

O facto é que se verificou que, em regime de liberdade, as pessoas e as empresas realizam investimentos disparatados, que depois dão merda, e nessa altura as pessoas e as empresas correm todas para o Estado a pedir-lhe que as ajude.

No país de Vargas Llosa não houve bancos a serem salvos pelos contribuintes, nem lesados do BES ou do BANIF. Se tivesse havido, talvez Vargas Llosa percebesse que a liberdade é um sonho lindo no qual as pessoas têm alta tendência a fazer asneiras.
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De Pedro Correia a 28.02.2018 às 14:32

Vargas Llosa não "está na América do Sul": é residente habitual em Espanha. O Nobel da Literatura 2010 é, aliás, cidadão espanhol.
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De Luís Lavoura a 28.02.2018 às 14:59

OK, obrigado por esclarecer. Então ainda menos entendo o liberalismo dele. Porque ele presenciou aquilo que se passou em Espanha. Uma data de cidadãos, em sua plena liberdade, compraram casas com dinheiro que não tinham (pediram-no emprestado aos bancos). Uma data de bancos, em sua plena liberdade, emprestaram dinheiro que também não tinham (pediram-nos emprestado a bancos estrangeiros). Uma data de construtores civis, em sua plena liberdade, construíram casas com dinheiro que não tinham (pediram-no emprestado aos bancos). No fim o esquema todo rebentou e os contribuintes espanhóis foram chamados a limpar toda a merda que toda essa gente (sobretudo os bancos) tinham feito. Ou seja, a liberdade toda acabou por dar grossa merda. Como é que Vargas Llosa pode defender a liberdade após ter presenciado esta cena?
Um liberal realista (como eu) tem que saber que a liberdade é muito bonita, mas precisa de ser severamente limitada para impedir que as pessoas tenham comportamentos irresponsáveis e (auto-)destrutivos.
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De Pedro Correia a 28.02.2018 às 15:05

"Como é que Vargas Llosa pode defender a liberdade?"

Que raio de pergunta.
Porque é um defensor da liberdade. Enquanto outros intelectuais - incluindo vários contemporâneos dele - defenderam os sistemas mais ditatoriais e opressivos do planeta. Sistemas como o soviético, o cubano, o chinês, o venezuelano, etc.

Acho extraordinário haver quem conteste um escritor e um pensador por "defender a liberdade".
É bem um sinal dos novos tempos.

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