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O Qatar nos Emirados, entre gaúchos e madrilenos

por João Pedro Pimenta, em 20.12.17

 Sábado à  tarde entretive-me a ver a final do Mundial de Clubes, que, como habitualmente, contou com os representantes da Europa e da América do Sul. Vitória natural do Real Madrid sobre o Grémio de Porto Alegre, com um ainda mais natural golo de livre de CR7, a conquistar o ceptro mundial (e ainda lhe anularam inexplicavelmente outro tento). A equipa gaúcha revelou-se uma desilusão, a anos-luz do excelente Grémio de meados dos anos noventa, com Jardel, Paulo Nunes, Adilson e restante esquadra comandada por Scolari. Só o central Geromel, que até passou os primeiros anos da carreira em Chaves e Guimarães, se destacou da mediania-menos.

 

Bem menos natural do que o triunfo da multinacional desportiva sediada em Madrid é que numa final em Abu Dhabi, nos Emirados Árabes Unidos, apareçam nas placas comerciais à  volta do relvado anúncios da Qatar Airways, rival da Emirates, a companhia aérea daquele território (e autêntico embaixador e reserva económica). Ainda por cima a Qatar é patrocinada por um estado que está de relações cortadas com os Emirados e até sofre por parte destes e dos seus aliados um bloqueio económico. É tão bizarro como ver na final da Super Bowl anúncios a uma companha cubana, se a houvesse. Seria uma provocação ao Real Madrid (a Qatar Airways patrocina o Barcelona)?

 

Dizem-me que afinal a transportadora qatari é uma das patrocinadoras da FIFA. Talvez assim se compreenda: a grande organização do futebol mundial é de tal forma poderosa que consegue romper bloqueios e tensões internacionais e impor publicidade em paí­ses que tanto por razões políticas como económicas certamente a não desejariam. E assim fica um exemplo eloquente de como uma organização mundial não-governamental tem mais influência e poder do que muitos estados, mesmo os mais endinheirados.

 

 

 

 

 


5 comentários

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De Luís Lavoura a 20.12.2017 às 09:15

um exemplo eloquente de como uma organização mundial não-governamental tem mais influência e poder do que muitos estados

Um exemplo que certamente desagradará àqueles adversários dos acordos internacionais de "comércio livre" que contestam a possibilidade de empesas multinacionais processarem Estados...
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De Luís Lavoura a 20.12.2017 às 09:16

natural golo de livre de CR7

Não me parece nada natural, nos últimos anos CR7 tem, segundo julgo, falhado muitos livres e acertado poucos.
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De Plinio a 20.12.2017 às 09:22

A companhia aérea de bandeira do Abu Dhabi é a Etihad, embora se possa talvez dizer que a Emirates seja a companhia de bandeira dos Emirados, estando esta sediada no Dubai.
Ainda bem, se no futebol se conseguirem vencer barreiras. Aliás pena no próximo mundial não haver um jogo a doer entre Arábia Saudita e Irão.
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De João Pedro Pimenta a 21.12.2017 às 01:12

Referi a Emirates como sendo a companha de bandeira dos Emirados no seu todo, claro (aliás como o nome indica).
No próximo mundial teremos de nos contentar com um Egipto-Arábia Saudita, na mítica Estalinegrado. Não conta muito, fazem parte da mesma "entente" em que estão envolvidos os Emirados Árabes Unidos.
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De Anónimo a 20.12.2017 às 12:40

"E assim fica um exemplo eloquente de como uma organização mundial não-governamental tem mais influência e poder do que muitos estados, mesmo os mais endinheirados."

Há qualquer coisa aqui que não bate certo!
"... do que muitos estados...": tudo bem.
"... mesmo os mais endinheirados.": aqui há gato!... alguém subiu a parada.
No nosso mundo atual, o dinheiro é invicto.
Infelizmente!
João de Brito

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