O Público pronto para despedir amigavelmente até 6 de Janeiro
Sim, é triste. Fica a pergunta: quando foi a última vez que comprou o Público? Ou outro jornal diário? Porventura estão, como muitos, rendidos ao on-line. O on-line não é negócio para a comunicação social, é um modelo que ultrapassa a possibilidade de angariar publicidade a determinados valores, as vendas são o que são. Tudo isto é triste, tudo isto é fado, canta-se por aí em noites vadias. Como jornalista, sinto que os tempos estão a mudar, a mudar rapidamente e lembro-me de Fernando Dacosta, há dias em Viseu, a dizer que os jornais perderam-se quando deixaram os escritores escapar, quando terminou o fumo e as bebidas. Rimos e eu até acrescentei as relações amorosas ao menu de ingredientes que faziam os jornais numa outra época, uma época em que os jornalistas eram formados por jornalistas mais velhos (muitos deles escritores). E ter a sorte de cruzar o nosso caminho, quando se é muito novo, com Assis Pacheco, Cáceres Monteiro, Afonso Prata, Helena Sanches Osório, Fernando Dacosta, Natália Correia, Vera Lagoa, Maria Antónia Palla, António Mega Ferreira - para dar alguns exemplos - foi um privilégio meu. Hoje ser jornalista continua a ser tão importante quanto era no fim dos anos 80, quando eu comecei, talvez mesmo mais importante. Não lamentem a morte dos jornais, comprem-nos sff.

