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O PS e as Fake News

por Rui Rocha, em 01.04.19

A Amazon praticamente não tem lojas físicas. A Alibaba não tem stock. A Uber não tem viaturas, o Instagram não gera conteúdos e a Airbnb não tem propriedades. É um admirável mundo novo. No caso das Fake News é esse admirável novo mundo outra vez. As mentiras podem ser produzidas por plataformas sem necessidade de intermediação (ou controlo) de partidos ou meios de comunicação e agenciamento tradicionais. Não admira que políticos e jornalistas olhem para essas plataformas como um taxista olha para um motorista da Uber: uma ameça poderosa de concorrência num espaço que acreditavam ser só seu. E é natural que, de entre os partidos, seja o PS o que aparece como o mais preocupado com as Fake News. Tão preocupado que lançou por estes dias um pungente apelo ao governo e aos outros partidos com o objectivo de lhes dar um combate sem tréguas. É normal. Um latifundiário das Fake News não pode ver com bons olhos a chegada de pequenos proprietários que vão lançando as suas próprias inverdades que, o Diabo seja cego e surdo, poderão não estar sequer alinhadas com as faltas à verdade que são do interesse do PS. Na verdade, o PS é a Antral das Fake News. A melhoria do serviço, a qualidade da frota, a transparência da transacção comercial, a satisfação do cliente, tudo isso é o que menos importa. O que é fundamental é tentar impedir a entrada de concorrência. O táxi do PS é o país. O Serviço Nacional de saúde são os pneus carecas. O estado da Justiça é a direcção desalinhada, as cativações são as mudanças do óleo e as revisões adiadas, a Protecção Civil em ruínas são os estofos cheios de buracos. E Costa é o taxista das Fake News. Fala um português sofrível, não usa desodorizante e apoia o Benfica. Quando inicia uma corrida, Costa promete sempre aos passageiros que há outro caminho. Então para onde é que o shôr quer ir? Quero ir ali para a zona do saneamento das finanças públicas. E o shôr quer ir por onde? Não sei, se calhar atalhávamos ali pela austeridade? O shôr não pense nisso, há outro caminho. Ó senhor motorista, como é que se chama este caminho? Carga fiscal, shôr passageiro, embora também lhe chamem Esbulho. Com Costa a conduzir o país, há sempre outro caminho, mas o preço é invariavelmente omitido no princípio da viagem. E o PS, latifundiário das Fake News, quer continuar a passar de mansinho que esse caminho não tem custos, que não levou o país à bancarrota em 2011, que este PS não é o velho PS de Sócrates, que os acólitos de Sócrates que são os do PS de agora nem sequer sonharam, muito menos viram o que se passava, que as 35 horas dos funcionários públicos não tinham custos, que a tragédia dos incêndios se deveu exclusivamente a condições atmosféricas desfavoráveis, que as relações familiares dentro do governo e na esfera do poder são normalíssimas, que a geringonça não é uma manobra táctica que branqueia a natureza anti-democrática do PCP ou que as Instituições e as funções públicas mais relevantes não estão em estado de profunda erosão quando não de implosão. O PS quer controlar as Fake News porque não interessam ao PS mentiras novas. As ilusões e embustes que o PS produz são-lhe mais do que suficientes. Ao PS não interessam mentiras novas, mas não interessam sobretudo novas verdades. Como poderia interessar ao PS, paladino do combate às Fake News, cavaleiro imaculado de espada em riste pela transparência, que viesse por aí alguém sugerir que Pedro Marques, o cabeça de lista pelo PS às eleições europeias, fosse ele próprio um dos elementos que alimentava o blogue Câmara Corporativa, uma máquina de contra-informação ao serviço de Sócrates. Ou que alguém se lembrasse de sublinhar que o número 3 dessa mesma lista é Pedro Silva Pereira, o lugar-tenente de Sócrates que o PS oportun(ístic)amente renegou? São de facto tempos gloriosos estes em que ouvimos, na mesma semana, o PS defender medidas contra as Fake News em nome da cidadania e Ricardo Salgado afirmar que todos os dias se lembra dos lesados do BES. Por este caminho, ainda vamos ver Carlos César preocupado com o nepotismo e o Juiz Neto de Moura a doar as suas posses à Associação Portuguesa de Apoio à Vítima.

 

* artigo publicado na edição de Março do Dia 15.

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11 comentários

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De Anónimo a 01.04.2019 às 14:09

Excelente texto que merecia ser divulgado o mais possível .

A realidade nua e crua.

Parabéns !

A.Vieira

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De Elvimonte a 01.04.2019 às 16:29

Assim de repente, pensei que o Delito de Opinião se tinha transformado numa sucursal do Blasfémias. Será? Porque não se fundem então?

Em todo o caso, as fake news existem mesmo e nem sequer precisamos de sair dessa edição de Março do Dia 15 para encontrar um artigo intitulado “As pessoas já não sabem o que é real e o que é mentira” ( https://dia15.sapo.pt/as-pessoas-ja-nao-sabem-o-que-e-real-e-o-que-e-mentira/ ).

A par das fake news, temos também opiniões tendenciosas e visões distorcidas e parciais, que levam o autor do artigo a referir o blogue Câmara Corporativa, "uma máquina de contra-informação ao serviço de Sócrates", sem que menção idêntica seja feita ao blogue Albergue Espanhol, esse autêntico exército da blogosfera que esteve ao serviço de Passos Coelho.

E quem escrevia no Albergue Espanhol? Destaco, entre outros:

- António Figueira, ex-assessor de Miguel Relvas;

- Luís Naves, ex-assessor de Miguel Relvas;

- Pedro Correia, ex-assessor de Miguel Relvas.

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De Anónimo a 01.04.2019 às 16:49

Actualmente o top como sabe (vê mas não quer ver...) é o que está no texto que critica.bastante sarcástico......

A.Vieira
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De Elvimonte a 01.04.2019 às 23:48

Não é o texto em si que critico. O que realmente critico é uma apresentação parcial da realidade num texto que aborda as fake news.

Como se as fake news, em sentido lato, não fossem grande parte das vezes constituídas por fragmentos da realidade, devidamente descontextualizados e colocados na moldura que serve o propósito da manipulação.

Ou, como diria alguém: se me derem os meios, com apenas 1% de verdade consigo construir a mentira plausível mais monstruosa que se possa imaginar.
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De Manuel Gonçalves Pereira Barros a 01.04.2019 às 16:54

Pregar para convertidos é um onanismo como outro qualquer. Prega aí para os teus crentes,até que a mão te doa,oh delito!
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De Anónimo a 01.04.2019 às 17:43

Perdoem o lugar comum : o texto descreve o "óbvio ululante".
E , fatal como o destino, lá aparecem os lacaios/ carpideiras a tentar tapar o sol com uma peneira...



JSP
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De Anonimus a 01.04.2019 às 18:58

Manuel Heitor diz não ter “dúvida nenhuma” de que havia pleno emprego entre os doutorados.

António Costa, em entrevista à TVI, com a seguinte citação em rodapé: “Dívida pública está a reduzir-se de forma sustentável”.

Leave it to the pros.
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De jpt a 01.04.2019 às 19:17

Na verdade, o PS é a Antral das Fake News. - belo naco
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De Anónimo a 01.04.2019 às 19:45

A clareza a par da graça que emprestou ao seu texto leva-me a sublinhar: - Melhor é impossível -.
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De Elvimonte a 01.04.2019 às 23:15

No meu comentário anterior, logo no primeiro parágrafo, estabelecia indirectamente um paralelismo entre o Delito de Opinião e o Blasfémias.

De facto, depois de ver esse meu comentário publicado, constato que esse paralelismo, embora difuso, carece de fundamento. Das duas únicas vezes que comentei no Blasfémias, nunca os meus comentários foram publicados.

Apraz-me pois saudar a coragem, a hombridade e o q.b. de princípios, sem dúvida democráticos e pluralistas que permitiram a sua publicação. Com todo o respeito.
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De José Carlos Menezes a 20.05.2019 às 23:41

Nos anos 90 falava-se com entusiasmo com a chegada do século da informação: o século da informação.

Vimos no século da desinformação.
Todos nós podemos dizer o que quisermos, mentira ou verdade. Inventar mentiras e respectivas fontes.

Mas os jornais não escapam:
Ciência perto de comprovar que pessoas absorvem energia de outras:
https://www.contioutra.com/ciencia-perto-de-comprovar-que-pessoas-absorvem-energia-de-outras/
Li, procurei a fonte: a prestigiada "NATURE", C'um caraças!. Vamos ver o artigo original: ……Trata de uma forma de parasitismo entre algas…

Portal Energia:
"Quantino o carro movido a água salgada que fez 150 mil quilómetros sem poluição" (SIC)
https://www.portal-energia.com/quantino-o-carro-movido-a-agua-salgada-que-fez-150-mil-quilometros-sem-poluicao/?fbclid=IwAR3eMhjQZMDQG_5L7Rgr5bFCGNd4ficuVDFhG1837DOi4kegR7kekfJoWHg

Li: É um carro com motor eléctrico. A sua bateria tem eléctrodos mergulhados em meio salino (as dos automóveis "normais" estão em meio ácido).

Do melhor

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