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O problema é que...

por Luís Naves, em 30.04.18

Entre nós, muitos autores continuam a olhar para Trump como uma perturbação ridícula, para Merkel como a líder do mundo livre, para o Brexit como uma calamidade, para os movimentos populistas como um fenómeno passageiro, para a Europa como um colosso. Julgo que se enganam e que, pelo contrário, vemos sinais de mudanças que ainda não entendemos em toda a sua complexidade, provavelmente em consequência de movimentos sísmicos mais profundos. No caso europeu, as razões da angústia eleitoral começam a ser mais claras: sociedades envelhecidas, com economias pouco dinâmicas ou estagnadas, enfrentam vagas migratórias em larga escala, perante a indiferença das suas próprias elites. Essas sociedades com demografia desfavorável têm de se adaptar depressa a rupturas tecnológicas que tornam a vida futura ainda mais imprevisível. Numa revista alemã, dizia-se quase em nota de rodapé, mas citando números oficiais, que em 2016 uma em cada quatro crianças nascidas na Alemanha tinha mãe estrangeira. Em 2022, a mesma revista estará a escrever que uma em cada quatro crianças na primária tem mãe estrangeira. Em 2034, será um em cada quatro recrutas nas forças armadas (admitindo na imaginação que regressa um improvável serviço militar obrigatório).


2 comentários

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De Luís Lavoura a 02.05.2018 às 11:56

Eu tenho a impressão, ao ler os posts do Luís Naves, e de alguns comentadores, que o candidato André Ventura do PSD em Loures não foi um acaso; parece que há bastantes pessoas na área política do PSD que pensam em linhas similares.
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De Anónimo a 03.05.2018 às 17:06

Não gosto de apagar comentários, mas confesso que neste caso hesitei. O que é que o post tem a ver com as ideias de André Ventura? Nada, zero, bola. Claro que perante factos podemos sempre suspender o pensamento, claro que é sempre possível dizer coisas destas, quem tentar escrever sobre uma realidade complexa e não o fizer nos termos simplistas do politicamente correcto é um André Ventura. Dizendo de outra forma, mais cego e o que não quer ver.

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