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O problema é que...

por Luís Naves, em 30.04.18

Entre nós, muitos autores continuam a olhar para Trump como uma perturbação ridícula, para Merkel como a líder do mundo livre, para o Brexit como uma calamidade, para os movimentos populistas como um fenómeno passageiro, para a Europa como um colosso. Julgo que se enganam e que, pelo contrário, vemos sinais de mudanças que ainda não entendemos em toda a sua complexidade, provavelmente em consequência de movimentos sísmicos mais profundos. No caso europeu, as razões da angústia eleitoral começam a ser mais claras: sociedades envelhecidas, com economias pouco dinâmicas ou estagnadas, enfrentam vagas migratórias em larga escala, perante a indiferença das suas próprias elites. Essas sociedades com demografia desfavorável têm de se adaptar depressa a rupturas tecnológicas que tornam a vida futura ainda mais imprevisível. Numa revista alemã, dizia-se quase em nota de rodapé, mas citando números oficiais, que em 2016 uma em cada quatro crianças nascidas na Alemanha tinha mãe estrangeira. Em 2022, a mesma revista estará a escrever que uma em cada quatro crianças na primária tem mãe estrangeira. Em 2034, será um em cada quatro recrutas nas forças armadas (admitindo na imaginação que regressa um improvável serviço militar obrigatório).


5 comentários

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De Luís Lavoura a 30.04.2018 às 15:25

Um artigo recente (creio que há dois meses) na revista The Economist sobre a xenofobia na Bulgária (um país que nos últimos anos tem sofrido uma brutal emigração da sua população) dizia que essa xenofobia era tanto maior quanto mais pequena, atrasada, envelhecida e empobrecida era a aldeia búlgara estudada. Aparentemente, quanto maior era a necessidade de rejuvenescimento da população numa determinada comunidade, maior era a rejeição por parte dessa comunidade dos imigrantes que a rejuvenesceriam.
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De Justiniano a 30.04.2018 às 17:33

Sim, a the economist já nos habituou a coisas dessas. Há habitualmente um país que serve de antídoto aos estudos e proclamações da the economist, o Japão.
Uma quimera, para a the economist, o Japão. E teimam, os Japoneses, em manter o Japão "atrasado, envelhecido e empobrecido". Vamos ver!!
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De Herr Von Kälhau a 30.04.2018 às 18:54

O Japão sofre de um complexo de inferioridade, protagonizado pela China. Toda a cultura japonesa é uma variante chinesa. A China criou um modelo sui generis de modernidade. O Japão vendeu-se ao Ocidente

Veja a Alemanha e o complexo de inferioridade relativo ao Império Britânico...dele provem o Pan Germanismo...
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De lucklucky a 01.05.2018 às 07:54

Então a China ao vender-se ao Comunismo -a criação do Ocidente que mais matou não brancos - e às empresas não se vendeu ao "Ocidente"... ?

Na tua linguagem isso é varrido para o lado como "sui generis".

Já o Japão por ter instituições modeladas na republica por causa de Mcarthur já se vendeu...

George Orwell explica as tuas manipulações da linguagem Vlad.
Basta tu usares a palavra "vendeu-se" para se perceber a tua cultura marxista, O ódio ao comércio mesmo que os marxistas se vendam por tudo especialmente se na transação ganharem poder sobre os outros.



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De Herr Von Kälhau a 01.05.2018 às 14:54

O Orwell é o meu vizinho do 7'frente?

Quando a China Mandar no Mundo

O fim do mundo ocidental e o nascimento de uma nova ordem global, de Martin Jacques

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